quarta-feira, 30 de novembro de 2011

VALORES MORAIS EM JOGO: CONSEQUÊNCIAS DO MUNDO MODERNO?

Homem descobre que prostituta que contratou era sua própria filha

Do G1, em São Paulo
 

Um zimbabuano ficou em choque ao contratar uma prostituta e descobrir que ela era sua própria filha, segundo a imprensa do país africano.

Homem diz que descobriu que prostituta que contratou era sua própria filha. (Foto: Reprodução) 
Homem diz que descobriu que prostituta que contratou era sua própria filha. (Foto: Reprodução)

Titus Ncube, morador de Nkulumane, telefonou para uma agência e pediu que uma acompanhante fosse enviada a um hotel.

Ele ficou horrorizado quando quem chegou ao local foi sua filha de 20 anos.

Pai de três filhos, Ncube pediu desculpas a sua mulher, Rosemary, e admitiu que o casamento deles está em uma "fase difícil".

Sua filha garantiu que vai largar a prostituição e voltar à escola. Perdoada pelo pai, ela está fazendo terapia para superar o trauma.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

BELO MONTE: O ESTOPIM ESTÁ ACESSO!

TRABALHADORES EM GREVE AMEAÇAM FUNCIONÁRIOS DA CCBM

No decorrer do final da tarde de ontem, no canteiro de obras da hidrelétrica de Belo Monte, os trabalhadores em greve, exaltados, intimidaram e ameaçaram vários funcionários da CCBM (Consórcio Construtor de Belo Monte ) que, da mesma forma, vivem nas mesmas condições de trabalho. Em dado momento, conforme informações, os funcionários da CCBM tiveram que correr para não serem linchados pelos grevistas. Foi relatado que nenhuma segurança se encontrava no local para garantir a integridade físicas destes funcionários, que viveram momentos de extrema tensão.

A AHE Belo Monte é a maior obra do governo federal e a 3a maior usina do mundo. Entretanto, apesar desta importância, a NORTE ENERGIA não está oferecendo e adotando providências para que o projeto tenha a segurança necessária para sua execução. Após os lamentáveis incidentes ocorridos em Jirau, quando equipamentos foram queimados e destruídos, tinha-se a esperança de que Belo Monte mantivesse um aparato de segurança federal para garantir a tranquilidade de todos os que ali trabalham. Afinal, esses trabalhadores também possuem famílias e estão defendendo seus empregos. A ameaça a eles é, no mínimo, injustificável, preocupante e pode provocar reações maiores.

Resta aguardar que as forças de segurança, a partir deste fato, adotem as providências necessárias para se evitar o desastre que se anuncia. Pela sua importância e por se tratar de uma obra federal, ao invés da Polícia Militar, torna-se necessário que a Força Nacional, Polícia Federal ou o Exército garantam a segurança que o projeto necessita.

Segundo informações, alguns policiais se deslocaram na manhã de hoje para o canteiro de obras.
www.caetanearaltamira.blogstpot.com 

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

ÍNDIOS: POLÍTICA INDIGENISTA VIVE SEU PIOR MOMENTO POLÍTICO


Há 15 dias foi publicado no Diário Oficial da União (28/10/2011) a portaria interministerial nº 419, assinada pela ministra do Meio Ambiente junto com os ministros da Justiça, Cultura e Saúde, a qual define um novo regulamento para avaliar os impactos socio-ambientais em terras indígenas, quilombos e legados culturais da Nação provocados por estradas, hidrovias e hidrelétricas. O curioso é que nem o ministério das Minas e Energia, nem o Ministério dos Transportes, que são beneficiados por essa portaria, a assinaram. Ganharam tudo de graça!

A portaria caiu como uma bomba para quem não a esperava. Quem não a esperava? Certamente os que vão sofrer por consequência, isto é, os índios, os quilombolas e os sítios arqueológicos, legados da história do Brasil e de seus povos indígenas.

Quem a esperava? A Funai, certamente, que, embora não apareça como autora, pois é uma portaria assinada por ministros, foi consultada e calou-se, e as ONGs que vivem pelas frechas dos ministérios buscando novidades, informações e oportunidades para obter verbas. Alguém duvida que o ISA tenha sido tomado de surpresa? Que o CIMI não sabia o que estava sendo cogitado?

A Funai até agora não disse nada, nem uma declaração, nem um ai, como se nada fosse com ela. E, no entanto, esta é uma mudança crucial no relacionamento que ela terá daqui por diante com os índios e com os empreendimentos na Amazônia. O CIMI e as ONGs certamente irão se manifestar em breve, arfando de surpresa e indignados de que não tenham sido avisados. Nem culparão a Funai por não ter sido contra, sempre na ideia de que a atual direção da Funai é uma simples vítima do governo Dilma Rousseff, mas que tem boa vontade. (Como se o inferno não estivesse cheio dos que dizem ter boa vontade.) Evidentemente jogarão toda a culpa no governo, na ministra do Meio Ambiente (que defendeu a portaria como uma benção para os ambientalistas), como se do governo não estivessem fazendo parte e como se não soubessem do que está acontecendo e do que está para vir com mais dureza, em breve.

Os interessados maiores por isso, os empreendimentos econômicos na Amazônia, sabiam do que estava por vir, insistiram para que uma nova regulamentação fosse produzida, mas nem precisaram forçar muito a barra para o resultado ser esse. Estão satisfeitos. O governo Dilma Rousseff sorri para eles com alegria e não teme contrariar ambientalistas e indigenistas, nem tampouco quilombolas e índios. O trator passa por cima de todos.

Tudo isso impressiona muito negativamente para um governo que foi eleito com um discurso de defesa do meio ambiente, de respeito e empoderamento dos povos indígenas, e com o apoio de tais pessoas que batalharam nos anos anteriores em defesa dessas questões. Agora, encurraldos, com cara de siri sem unha, compartilham desse poder, seja nas ONGs que recebem verbas dos governos para fazer ações entre compadres, seja nos órgãos que devem cuidar dessas populações, como a Funai, Ibama, IPHAN e Fundação Palmares. As Ongs indigenistas comandam a direção e postos entratégicos da Funai em Brasília e pelo Brasil a fora, se orgulham do que estão fazendo, ignoram os reclamos dos índios, desprezam os indigenistas mais experientes e abandonaram as administrações regionais, mas vêm seu poder de ação cada vez mais subtraído. Às escâncaras, e se calam. Ou, quando muito, soltam manifestos canhestramente indignados em nome de outrem.

A Portaria 419 foi feita para facilitar o Ibama nos processos de licenciamento de empreendimentos. Tudo bem, o Ibama parecia enrolar muito os processos. Porém, a dose foi alta demais. Ela regulamenta o processo de licenciamento pela diminuição dos prazos que os órgãos como Funai, Fundação Palmares e IPHAN terão para avaliar os pedidos de licenciamento, consultar os índios e quilombolas opinar pelo sim ou pelo não. Serão apenas 90 dias para todo o processo ser concluído, com direito a uma consideração atravessada no meio do processo, porém sem força para emperrá-lo. Todo mundo já se pergunta: Como os índios poderão ser consultados com clareza diante desse prazo?

Poderá a Funai opinar pelo não? Quando a Funai poderá dizer, não, essa estrada ou essa hidrelétrica não passará?! Agora, só daqui a ao menos quatro anos, talvez 12! O que temos é uma normativa que se impõe com todo o poder do governo Rousseff, com toda a arrogante segurança de quem não quer perder tempo com dúvidas, com cautelas, com qualificação de estudos. Nem com consultas honestas, mas demoradas aos povos indígenas.

Outro ponto duro da Portaria 419. No Anexo II, sem qualquer explicação, aparece uma planilha de tipos de empreendimentos e a distância de seus impactos. Por exemplo, uma hidrelétrica só impactará uma terra indígena, na Amazônia, se ela estiver a menos de 40 km de seu eixo central, a montante, e adicionado de mais 20 km se for a jusante. Quer dizer: perfeito para justificar Belo Monte, exceto pelos sofridos Juruna de Paquiçamba, os Arara do Maia e os Juruna da beira da Transamazônica. Nem os Xikrin terão direito mais de reclamar!

É claro que uma regra, como uma lei, só vale a partir do momento em que foi emitida, não retroage. Porém, agora os empreendedores que já estão com empreendimentos em construção vão ficar mais marrentos com as ações que devem tomar sobre hidrelétricas e estradas que estão em vias de licenciamento socio-ambiental. Poderão fazer corpo mole sobre os acordos já feitos com as populações indígenas e quilombolas e com seus compromissos com o legado arqueológico brasileiro.

Seja como for, o que vem por aí causará mais espanto e mais prejuízo aos índios ainda. Veja, por exemplo, a portaria do Ministério da Justiça Nº 2498 DE 31/10/2011 emitida no dia 1º de novembro em que muda as regras do Decreto 1775/96, que define o processo de demarcação de terras indígenas. Nesta portaria o Ministro da Justiça abre espaço para que os entes federativos, diga-se municípios e estados, façam parte dos estudos de levantamente e reconhecimento de terras indígenas, em todas as suas etapas. Quer mais? Não tardará para que o Ministério da Justiça ou a própria presidente da República emita novo decreto sobre demarcação de terras indígenas para seguir os terríveis condicionantes do Acórdão da Homologação da T.I Raposa Serra do Sol. A portaria 2498 declara explicitamente que ela foi feita para cumprir esse Acórdão no que tange ao condicionante (xix), que exige a presença dos entes federativos no processo demarcatório.

Isto é duro e tornará cada vez mais difícil demarcar terras indígenas, porém é pinto se comparado com aqueles outros condicionantes do referido Acórdão que falam da proibição de ampliar terra já demarcada e do que dá a data da promulgação da Constituição de 1988 como marco de ocupação temporária. Aí vai-se encerrar prematuramente o grande ciclo de demarcação de terras indígenas. E essa conta deverá ser cobrada daqueles que não tiveram a honradez de seguir os ensinamentos do indigenismo rondoniano, nem a lucidez de compreender o processo histórico em que vivemos. Doidivanamente dominam a política indigenista brasileira e empurram para o precipício o que foi construído por Rondon, os irmãos Villas-Boas, Chico Meirelles, Darcy Ribeiro e as gerações que se seguiram como a mais nobre ação política da Nação brasileira.

Lindomar says:
nov 9, 2011
Responder
Estão no banco dos reús por burrice histórica e leviandade proposital os seguintes criminosos:
Centro de Trabalho Indigenista(CTI), Instituto Sócio-ambiental(ISA), Conselho Indigenista Missionário (CIMI), FUNAI que se mistura com os três últimos, 6ª Câmara na pessoa da leviana e irresponsável Débora Duprat, Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia (COIAB), APOINME (Associação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo), ARPIN-SUL (Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul, Acampamento Terra Livre que sempre foi doutrinado pelas ongs indigenistas já citadas, Associação Brasileira de Antropologia (ABA). Todos os acima citados são levianos, canalhas, mentirosos e portanto merecem estar no banco dos réus por serem criminosos, por terem assassinado princípios de honra qye deveriam ter aplicado em um momento tão cruel para os Povos Indígenas do Brasil.

http//:merciogomes.com

ÍNDIOS: TEXTO PARA REFLEXÃO.

O rei está nu

Bráulia Ribeiro


O Ocidente está adoecido pelo ódio a si mesmo. Olhamos para nossa história, para o produto de nosso progresso, para nossa sociedade, e não gostamos do que vemos. O rei está nu. A utopia política do início do século passado se tornou uma experiência vergonhosa de domínio de poucos sobre as massas. As mentiras sobre superioridade racial em que acreditamos se transformaram em sangrentos genocídios. O capitalismo que iria permitir ao proletariado qualidade de vida se tornou um monstro de produzir riquezas, que nos engole sem piedade. As propostas religiosas se emaranharam promiscuamente a qualquer ideia que pagasse mais. Enfim, demos com os burros n’água vez após vez. Desiludimo-nos e nos odiamos. Precisamos de uma nova gênese.

Por causa disso, olhamos para os índios isolados com uma esperança “rousseauniana”. Serão eles nosso renascimento? No Google você encontra nas referências sobre a tribo Zoé, que vive entre o Pará e o Amazonas, esse tom religioso. Pesquisadores e cineastas franceses veem neles a esperança de um renascimento para a humanidade. Porém, como todas as outras, os Zoé são apenas uma tribo brasileira pequena tentando sobreviver. Foram contatados pela Missão Novas Tribos do Brasil na década de 80. Foram conduzidos com cuidado do isolamento a um estágio intermediário, em que recebiam ajuda da Missão para as necessidades básicas.

O isolamento por si só não garante a sobrevivência de nenhuma tribo, ao contrário do que dizem os sertanistas. Massacres de tribos isoladas inteiras, causados por contaminações de doenças, por seringueiros, madeireiros ou outros predadores amazônicos, ou até por guerras entre tribos ou clãs, acontecem com frequência.

Voltando à história dos Zoé, a Missão acabou sendo expulsa da área. Os Zoé eram bonitos e puros demais para ficarem em contato com uma missão. Afinal, ela institucionaliza tudo o que mais odiamos no Ocidente: sua religião. A religião cristã continua pregando o que mais queremos esquecer, continua representando no mundo acadêmico moderno a cristalização dos valores que nos tornaram (entenda aqui a ironia) capazes de criticar aquilo que somos. Fora com eles.

A missão deu lugar aos “humanistas” da Funai. Verbas internacionais vieram e o projeto Zoé se tornou modelo. Um hotel de selva foi construído em frente à aldeia. Tudo o que dava acesso a outro mundo foi retirado. Eles passaram a viver numa ilha de selva virgem vigiada apenas por observadores bem-acomodados. Os vídeos na internet que retratam a tribo são lindos, feitos com equipamento de alta qualidade só possível devido ao conforto e à tecnologia oferecidos pelo hotel/observatório. A tribo “virgem” agora se torna entretenimento de turistas de alta classe, uma espécie de zoológico humano servindo ao voyerismo de antropólogos e cineastas estrangeiros.

Suprema ironia. Os selvagens são mantidos escravos por causa de sua pureza. Vistos de longe, os Zoé são “na’vi” azuis andando por Pandora com rabos longos, etéreos, perfeitos. De perto, são um povo escravo de um idealismo que não inventaram. Presos a um paleolítico circunstancial, são impedidos de mudar. Não são humanos, não são cidadãos, não são nem índios brasileiros. São uma metáfora internacionalizada do ódio de nossa cultura por si mesma.

O problema é que, não sabendo disso, eles fugiram de seu paraíso terrestre. Em outubro de 2010, os Zoé fugiram para pedir ajuda aos castanheiros locais e ao mundo. Num vídeo tosco filmado por um dono de castanhal, os índios se expressam em português fluente: “A gente quer coisa. A gente quer panela, faca, anzol. A gente quer ter o que os Tirió tem. Funai não dá nada pra nós não, mas a gente quer”.

Tradução? Os Zoé estão dizendo: “A gente quer parar de ser uma coisa, a gente quer ser gente, vocês vão permitir?”.

Bráulia Ribeiro trabalhou na Amazônia durante trinta anos. Hoje mora em Kailua-Kona, no Havaí, com sua família e está envolvida em projetos internacionais de desenvolvimento na Ásia. É autora de Chamado Radical.

braulia.ribeiro@uol.com.br

ÍNDIOS: FUNAI VIVE SEU PIOR MOMENTO POLÍTICO.

Senador vai à PGR por irregularidades na Funai

 

VEJA mostrou como um representante da entidade exigiu dinheiro para conduzir jornalistas até uma tribo e distorceu as falas dos indígenas

Gabriel Castro

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) pediu nesta quarta-feira que a Procuradoria Geral da República (PGR) investigue como a Fundação Nacional do Índio (Funai) distorce declarações de indígenas para omitir problemas nas comunidades. A atual edição de VEJA mostrou como, além de cobrar 7.000 dólares para que jornalistas estrangeiros tivessem acesso a reservas indígenas, um representante da entidade forjou frases dos nativos para não chocar os funcionários do australiano Channel 7.

O episódio ocorrreu no sul da Amazônia, no território dos suruuarrás. O indigenista Jemerson Azevedo foi encarregado pela Funai de levar os estrangeiros à comunidade. Ao traduzir um trecho em que os índios admitiram a prática do infanticídio, por exemplo, ele omitiu essa parte. Os nativos também relataram que uma mãe havia fugido para evitar que sua filha, deficiente, fosse morta. Mas o tradutor contou aos jornalistas que ela havia sido sequestrada. Além disso, Jemerson transformou reclamações dos nativos em simpáticos elogios à sua condição de vida.

"Eles defendem que os índios matam as crianças porque é cultural, mas é inadmissível", disse o senador democrata ao site de VEJA. "Isso demonstra que a Funai tem acobertado crimes". Quem não revelar a prática de crimes como homicídio pode ser responsabilizado como co-responsável pela prática. Jemerson e seus colegas ainda correm o risco de responder por improbidade adminstrativa, já que a exigência de dinheiro para permitir o acesso a uma tribo constitui uma atitude ilegal.

Roberto de Lucena pede exoneração do presidente da Funai



 
Vice-líder do Partido Verde na Câmara mostrou preocupação quanto à violência que os índios vêm sofrendo e sobre a presença estrangeira nas aldeias

O deputado Roberto de Lucena (PV-SP) questionou, nesta quinta-feira (24.11), em pronunciamento na Tribuna, a maneira como a Fundação Nacional do índio está sendo conduzida, principalmente, depois de tantos casos de violência contra índios na Amazônia e pela entrada de estrangeiros em reservas indígenas. O deputado pediu a exoneração do presidente da Funai, Márcio Meira.

O parlamentar citou a matéria da revista Veja que mostra a entrada de jornalistas australianos no território Suruawahá. A matéria mostrou ainda que índios estariam sendo inflamados com a informação de que deputados federais poderiam matá-los e atear fogo sobre suas malocas.

Pedido de investigação

“Como prometi naquele pronunciamento, já protocolei no dia 18 deste mês, Representação junto à Procuradoria da República para que investigue o caso”, disse. O deputado citou ainda que recebeu a informação do Instituto das Culturas Índias do Brasil – IACIB, por meio de seu presidente, Davi Terena, que fato semelhante ocorreu com os índios “Zoé”, o que inclusive está sendo investigado pelo Ministério Público Federal em virtude de Representação encaminhada pelo IACIB à Procuradoria Geral da República.

“Segundo o Senhor Davi Terena, índios da etnia Zoé estão recebendo constantes visitas de estrangeiros em sua área, tendo lá inclusive uma espécie de “hotel” para receber os estrangeiros”, informou. O parlamentar disse ainda que tomou conhecimento que estes mesmos índios também tiveram suas entrevistas truncadas com uma falsa tradução feita por pessoas ligadas a FUNAI. Preocupado com esta informação, solicitei a um grupo de linguísticos que analisassem a tradução da entrevista que esta sendo publicada em um site internacional” – disse Roberto de Lucena.

O deputado Roberto de Lucena também chamou atenção para o caso de violência ocorrido no dia 18/11. O cacique da tribo Kaiowá foi assassinado, quatro pessoas desapareceram e muitas feridas na comunidade Tekoha Guaiviry, entre os municípios de Amambai e Ponta Porã, no Mato grosso, com a invasão de 40 pistoleiros fortemente armados. 

“E o mais grave é que esta era um tragédia anunciada. A Funai sabia da tensão na área e o nada fez, de fato, para impedi-la” – denunciou. O deputado alertou para casos semelhantes na Bahia envolvendo as etnias Tupinambá e Pataxó Hã Hã Hãe. “Vamos ficar aguardando que tragédias também aconteçam lá?”, concluiu. 

(Foto: Brizza Cavalcanti)


A matéria abaixo vem da Áustria e fala das justificativas de dois projetos que o CIMI apresentou para receber uma parte dos 13 milhões de euros arrecadados pelas criancinhas austríacas.

Um projeto apresentado pelo CIMI é para os índios Zuruahá, que vivem num território remoto no rio Purus, e sobre quem não sabemos de nenhum trabalho do CIMI nos últimos dez anos. Ao contrário, quem enfia a cara para trabalhar com eles, mesmo sob a proibição da Funai, é uma missão evangélica. O CIMI é contra essa missão, numa disputa religiosa que faria corar o Papa. Os Zuruahá somam menos de 150 pessoas, foram contatados por missionários da OPAN e têm passado por muitas dificuldades, inclusive pela falta de equipe profissional da Funai. São recém-contatados, na década de 1980, e até 2004 pouco recebiam da atenção da Coordenação de Índios Isolados porque o antigo coordenador não queria saber deles. Desde então vêm recebendo mais atenção por parte da Funai, inclusive por causa de uma disputa sobre crianças zuruahá que essa missão evangélica tem levado para cima e para baixo, indo contra as determinações da Funasa e da Funai. De qualquer modo, não há projeto do CIMI entre eles.

O outro projeto apresentado pelo CIMI é para os Pirahã, também conhecidos como Mura-Pirahã, que vivem nas praias do rio Madeira e alguns afluentes. São índios que conhecem os brancos há muitos anos, mas evitam o contato permenente, vivendo sua própria vida, autonomamente, em alto nível de nomadismo pelas praias. Têm suas terras demarcadas e precisam da ajuda da Funai para protegê-las. Também desconhecemos projeto do CIMI ou de Igreja Católica entre eles. Recentemente foram objetos de controvérsia internacional porque um linguista que estuda sua língua disse que essa língua não apresenta noção de tempo, nem de modo, nem de condicionalidade em seus verbos. Além de ter pouquíssimas vogais e consoantes.

A pior alegação é a de que o CIMI pretende defender esses índios pela via jurídica contra a expulsão de suas terras pela indústria agrícola. É demais, não?

E assim segue a vida das Ongs…
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Pequenos Reis Magos dos Alpes cantam pelos índios do Brasil
Cristina Gawlas Viena 

Cerca de 90 mil crianças vão neste fim de ano de casa em casa na Áustria cantando temas natalinos e arrecadando fundos para dois projetos de apoio aos índios do Brasil, campanha que alia tradição a um projeto humanitário bem-sucedido. Em 2006, as crianças da organização juvenil católica Jungschar, vestidas de Reis Magos, conseguiram arrecadar, recorrendo ao lema da “Ajuda sob uma boa estrela”, fundos no valor de mais de 13,3 milhões de euros como “pedras para construir um mundo melhor”. 

Desde o início do projeto, em 1954, os pequenos “embaixadores da humanidade” obtiveram 260 milhões de euros para ajudar aos menos favorecidos que moram em países em desenvolvimento. Todos os anos, cerca de 500 projetos na África, América Latina e Ásia são financiados desta forma, em um esforço para prestar apoio direto a um milhão de pessoas para que possam sobreviver por conta própria. 

Este ano, a ajuda se concentra em dois projetos no Brasil, um no sertão nordestino e outro no Amazonas. No sertão, os Reis Magos austríacos ajudam o Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA) a combater as doenças causadas pela má alimentação e a tomar medidas contra o desemprego. Eles desejam ajudar a conter a migração dos retirantes para as favelas das grandes cidades, resultado da seca e da má distribuição das terras cultiváveis. Para isso, contribuem com a formação profissional dos jovens.

A IRPAA, fundada em 1990, se propôs a aproveitar melhor os recursos naturais da região onde a umidade do ar é de apenas 20%, fornecendo água potável em cisternas, utilizando tecnologias que favoreçam sua infiltração no solo, além do plantio de vegetais e da criação de animais que resistam à seca.

No Amazonas, por meio do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), cujo presidente é o bispo austro-brasileiro Dom Erwin Kräutler, procura-se prestar socorro a dois grupos indígenas, os Zuruahã e os Pirahã.
O Cimi pretende defender os índios por via jurídica contra sua expulsão por parte da indústria agrária, e, seguindo a filosofia contribuição para o desenvolvimento, pretendem fortalecê-los para que possam “ajudar a si mesmos”.

O Conselho Indigenista promove, junto com a caça, a pesca e a coleta de frutos, a auto-suficiência por meio de novidades agrícolas como o cultivo da castanha. O órgão procura criar ainda um sistema básico de atendimento médico.

Segundo o Cimi, os índios estão ameaçados de extinção pelos grupos industriais de exploração de madeira que destroem a selva inescrupulosamente, pela construção de gigantescos açudes e dos cultivos de soja destinados unicamente à exportação. 

ECOLOGISTAS: PREOCUPAÇÕES COM O PLANETA OU COM O PRÓPRIO BOLSO???

SWU: a farsa ambiental e seus interesses privados 

 

 SWU: a farsa ambiental e seus interesses privados

Foto: DIVULGAÇÃO 

Num festival que teve lances patéticos, como o cantor Neil Young cantando "Happy Birthday to you" para o Planeta Terra, o que realmente está em jogo é a colonização mental da juventude brasileira; leia o artigo de Claudio Julio Tognolli


 
Claudio Julio Tognolli_247 - Um fantasma ronda o mundo: a farsa de que o superaquecimento global só ocorre por fatores endógenos, ou a emissão de poluentes na terra. No Brasil só há dois intelectuais que apontam a ideologia por detrás disso: Gildo Magalhães dos Santos Neto, da História, e Aziz Ab Saber, da Geografia, ambos da USP. Fatores extra-terra conduzem ao superaquecimento: como as fases de hiper-expansão do sol, a cada seis mil anos, como a que ora vivemos. Os vikings, antes de descerem Mar do Norte abaixo, paravam, para construir seus barcos, num local chamado Terra Verde, por acaso Groenlândia, que vem de “Green Land”. A natureza na Terra Verde era laboriosa em construir madeiras de primeira cepa. 

Mas ela se congelou. Uai: por que se congelou? A quem interessa dizer que a Terra pode acabar por superaquecimento gerado por fatores apenas “internos”? Interessa a uma elite neoliberal. Há 80 anos começaram a tramar a ideia de que oferecer um literal e figurativo fim do mundo pelo superaquecimento era a forma de congelar os futuros países desenvolvidos. Queriam, e ainda querem, que Brasil, Índia e China sejam eternos exportadores de matéria prima. Trata-se da mais nova-velha ideologia: fazer o povão engolir goela abaixo que o desenvolvimento já atingiu os seus limites. Querem ver na Amazonia um território “internacional”. Eis todo o babalaô do ex-vice dos EUA, Al Gore, com aquela cascata (comprada por ele de uma assessoria de imprensa), lastreado em seu “Uma verdade inconveniente”.

O festival SWU ("Starts with you" ou "Começa com você"), que movimentou milhões com inserções pagas, mas disfarçadas na mídia, é um subproduto desse tipo de golpe. Não é para menos que Neil Young abriu o cascatol cantando “parabéns” para a Terra. Querem tornar o rock algo passivo, com babacas defendendo a todo o custo a preservação da terra, e o conseqüente congelamento do desenvolvimento do parque industrial brazuca. Querem-nos eternos exportadores de grãos. Querem-nos enxergando que o superaquecimento global só se dá por fatores da terra e do homem. Isolam a Terra do resto do universo. Veja você: até James Lovelock, criador da famosa Hipótese Gaia (segundo a qual o ser humano é um dos “órgãos” do corpo que é a Mãe Terra), agora defende a energia nuclear. E expõe ao osso os babacas do Partido Verde (que usam em suas propagandas políticas os moinhos de vento eólicos). Saiba você: um moinho de vento eólico consome dez mil toneladas de concreto para ser construído. Em toda a sua existência, o moinho de vento eólico jamais produzirá energia limpa que compense a poluição gerada para poder produzir as milhares de toneladas de concreto que o erigiram...

Toda essa babaquice da preservação da terra a todo o custo foi lentamente engendrada por um bando de intelectuais “New Age”. O trabalho não é novo, mas com subprodutos novíssimos. A pré-coerência ideológica que se consome no SWU tem epígonos famosos e antigos. Datam da Escola de Copenhaque: composta de físicos que defendiam que a base do universo é o “caos”. E já que o caos é imutável, referem, não nos resta modificar nada: apenas surfar o caos. Físicos como Wolfgang Pauli, Niels Bohr, o filósofo Bertand Russell, deram as mãos com o misticismo de Jung: vindicavam que deveríamos adotar o Taoísmo como preceito fundamental. Justamente o Taoísmo que, ao contrário do confucionismo (uma teoria da ação) prevê o que os chineses chamam de “wu wei”, ou não ação. Defendiam a meditação. Postulavam que a natureza resolve as coisas “sozinha” –justamente o que os neoliberais pregam, a existência da “mão invisível” do mercado, tão defendida por Adam Smith. Todos esses calcetas, da preservação da Terra, supõem-se místicos do caos.

Grandes intelectuais do Primeiro Mundo há anos estão envolvidos na ideologia que tenta engessar, com esse tipo de droga, o desenvolvimento do parque industrial de nações emergentes, como o Brasil. Apesar de serem roqueiros, amam no fundo que o Brasil idololatre o “agrobrega” e o “sertanojo”, porque é ao “campo” que o Brasil pertence. Trata-se de um cadinho cultural de místicos que amam Paulo Coelho, e vêem na Terra uma entidade capaz de gerar babalô místico-mágico. É necessário aqui fazer uma pausa sobre o guru dessa moçada, Wolfgang Pauli, de resto o pensador predileto de Fritjof Capra, autor do incensado “O Tao da Física”.

Veja a barbaridade que chegou a resgatar. Para os neoplatônicos, a causa de todas as mudanças era a anima mundi , a alma do mundo. As ciências experimentais do renacimento e a ideia da causalidade substituíram a anima mundi. A divisão entre alma e matéria é posta em caixa alta por Descartes, que passa a distinguir nitidamente a “substância pensante” (res cogitans) e substância caracterizada pela sua extensão no espaço, ou matéria (res extensa). Wolfgang Pauli passa a tentar destruir o cartesianismo. Diz que a teoria dos quanta substituiu isso, referindo que cada sistema individual é substancialmente livre e não sujeito a leis. É o que ele chama de “irracionalidade do real”. Pauli volta ao medieval pré-cartesiano. Refere que é necessário voltarmos ao irracional para que se fuja dos a priori. Nesse sentido, disse: “Temos de tentar despir a túnica de Nesso que a revolução do século XVII teceu. É tempo de reconhecer o elemento irracional da realidade –e o lado obscuro de Deus” . Karl Jung, de resto co-autor de Pauli, torrou sua existência em tentar fazer crer a todos que a psicanálise e o oculto poderiam ser duas faces da mesma moeda, cujos destinos seriam loucamente prefixados por um universo essencialmente caótico e não-linear. 

As tentativas de Pauli, junto a Jung, de tentar nivelar, lado a lado, a pulsões do Id com certo “livre-arbítrio” dos elétrons, consistiram numa potente tentativa de retorno ao mundo pré-cartesiano da anima mundi. E Einstein, ao ver tudo isso, escreveu: “Não posso suportar a ideia de que um elétron exposto a um raio de luz possa, por sua própria e livre iniciativa, escolher o momento e direção segundo a qual deve saltar. Se isso fosse verdade, preferia ser sapateiro ou até empregado de uma casa de jogos em vez de ser físico”.

Em 1968 o industrial italiano Aurelio Peccei fundou o Clube de Roma, quando se falou a primeira vez em desenvolvimento sustentável. (veja aqui http://pt.wikipedia.org/wiki/Clube_de_Roma ) Por que você acha que o Príncipe Charles, e outros milionários de países de primeiro mundo, são patrocinadores e padroeiros do WWF? Porque a nova ideologia faz uso de ongueiros preservadores da natureza para drogar jovens com a febre anti-desenvolvimentista. Neil Young, que há duas semanas saiu nas Páginas Amarelas de Veja, veio aqui no SWU com um único papel: ele é agente do capetalismo internacional, contra o desenvolvimento do parque industrial brasileiro.

BELO MONTE: GOVERNO NÃO CONSEGUE CONTROLAR A BAGUNÇA.

Trabalhadores paralisam Belo Monte e indígenas dão ultimato a Norte Energia

 

Cerca de dois mil trabalhadores cruzaram novamente os braços desde a manhã de sexta-feira (25), no canteiro Belo Monte, principal obra da construção da usina hidrelétrica na região de Altamira (PA). O Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM), responsável pelo empreendimento havia se comprometido a responder as 16 reivindicações dos trabalhadores ontem, dia 24.

Esta é a segunda paralisação no mês de novembro. Nenhum trabalhador será identificado nessa matéria.

“A única resposta que tivemos foi a demissão dos maranhenses“, comenta M., um dos trabalhadores. “E pra piorar, tivemos a notícia de que nem recesso de natal nós teremos”, explica. Segundo os operários, durante o processo de contratação, a empresa havia acordado a realizar não só a liberação no final do ano, como também permitir a “baixada” – retorno dos trabalhadores a suas casas de origem – de três em três meses.

No entanto, ao chegarem no canteiro, o CCBM os informou de que a volta só aconteceria de seis em seis meses. Afora isso, desvios de função, assédio moral, más condições de trabalho e transporte, comida estragada e não-pagamento de horas extras estão entre as reclamações trabalhistas.

Insalubridade
“A água estava cinza”, relata N., “tanto que agora eles estão enchendo com galão de água mineral”. Segundo os trabalhadores, mais de 200 pessoas passaram mal por conta da água e do almoço estragado. “Também, eles colocam algum tipo de fermento ou salitre, pra gente comer pouco e ficar estufado”, conta J. A reportagem apurou que ontem havia ao menos cinco trabalhadores , do Sítio Pimental – outro canteiro da barragem – internados no Hospital Municipal de Altamira.

Não foi possível entrar na área dos alojamentos onde, segundo os trabalhadores, haviam pessoas doentes. Tanto imprensa quanto operários foram ameaçados: “quem entrar lá sofrerá as consequências”, disse um homem sem identificação.

“Foi difícil chamar vocês [da imprensa], mas dessa vez nós conseguimos”, explica A. “Na hora em que fomos usar o telefone que fica na área de lazer, as linhas foram cortadas. Conseguimos ir no Santo Antônio [comunidade a 500 metros da obra, onde há um orelhão] e ligar pra vocês [Movimento Xingu Vivo]“.

Sob pressão, a empresa se comprometeu a receber os trabalhadores e a pauta de reivindicações na segunda-feira (28). O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada (Sintrapav) garantiu que acompanhará o encontro.

Indígenas dão ultimato a Norte Energia
Enquanto ocorria a greve, os povos indígenas reunidos na Casa do Índio, em Altamira, deram um ultimato à concessionária Norte Energia, responsável pela barragem. “Estamos cansados de ser tratados como idiotas. 

As oitivas não aconteceram e as condicionantes não estão sendo cumpridas”, denunciaram lideranças Xipaya, Xikrin, Juruna, Kuruaya, Arawete e Assurini durante reunião frustrada com a concessionária, Funai e Mistério Público Federal.

Lideranças e guerreiros dos povos de todo o Médio Xingu devem chegar na Casa do Índio no decurso da semana. “Dessa vez não vamos ser enrolados”, ameaçou uma liderança xipaya.

Entenda
Durante reunião do Comitê Gestor da Funai, os indígenas haviam exigido, na última semana, que o presidente da Funai e da Norte Energia, além de Ibama, Incra e Norte Energia, além da presença do governo federal e órgãos de defesa – Ministérios Públicos Estadual e Federal e Defensoria Pública e Movimento Xingu Vivo Para Sempre participassem de uma reunião em Altamira marcada para sexta-feira (25), para discutir o não-cumprimento das condicionantes estabelecidas por Funai e Ibama para a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

(Xingu Vivo, 25/11/2011)

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

ALTAMIRA FAZ 100 ANOS

ALTAMIRA: Centenário marca início de um novo tempo 

 

Altamira à noite: cidade é o principal pólo urbano da região
Ao completar 100 anos de fundação neste domingo, dia 6 de novembro, o município de Altamira, no Sudoeste do Pará, tem um passado e uma história que orgulham a sua população. Mas é no futuro que todos mantêm o olhar. Os moradores do maior município do Brasil, no coração da Amazônia, comemoram muito mais do que um simples aniversário. É justamente no ano do seu centenário que Altamira começa a viver um novo tempo, esperado há décadas por uma centena de milhares de pessoas de todas as partes do Brasil que formam uma população miscigenada, extremamente receptiva e empreendedora.

Surgido de um povoado fundado por padres jesuítas na margem esquerda do Rio Xingu, Altamira foi elevada à categoria de município em 1911. Nestes 100 anos foram muitos ciclos de crescimento, interrompidos por longas fases de estagnação. Na década de 70, o progresso definitivo parecia finalmente ter chegado com a abertura da rodovia Transamazônica, que desencadeou um processo de ocupação rápido e expressivo, mas a estrada ficou incompleta, interrompendo o sonho de desenvolvimento. Mais de 30 anos depois, Altamira vive um cenário totalmente novo e parece ganhar mais uma chance de sair da fase dos ciclos econômicos que marcam a Amazônia. O bonde da história está passando de novo.

O movimento frenético de carros e máquinas pela cidade, as longas filas de trabalhadores nos bancos para receberem o salário, prédios em construção para todos os lados e lojas cheias anunciam: Altamira vive um momento de grande vigor econômico, gerado pelas obras de construção da maior usina hidrelétrica do Brasil e terceira maior do planeta. Belo Monte, a maior obra no país dos últimos 15 anos, traz números superlativos e mudanças rápidas e avassaladoras. Em seis meses, a cidade não é mais a mesma e se prepara para tentar transformar este momento em uma oportunidade para gerar desenvolvimento duradouro, tornando-se um modelo de economia sustentável.

O que gera este clima positivo e de entusiasmo são as garantias que giram entorno do projeto de construção e operação de Belo Monte. Entre obras de ações condicionantes, programas compensatórios e projetos estruturantes, Belo Monte deve gerar cerca de R$ 600 milhões de investimentos em Altamira nos próximos 20 anos. Isso sem contar os royalties pagos pela usina no período de operação, que devem ultrapassar os R$ 65 milhões por ano, durante um período de 30 anos. Não será por falta de recursos que o município de Altamira deixará de se desenvolver. A aplicação desta montanha de dinheiro, tudo indica, foi formatada para garantir que o progresso vivido hoje não seja mais um curto ciclo.

Nos próximos seis anos Altamira passará por transformações mais profundas do que as vividas nos últimos 100 anos. A cidade, principal pólo urbano da região, terá 100% de saneamento básico. O maior problema urbano de Altamira, que é a ocupação irregular de áreas próximas aos igarapés que cortam a cidade, será definitivamente resolvido, com a transferência das famílias para moradias de qualidade, em áreas urbanizadas. Os cerca de 100 mil habitantes devem saltar para, pelo menos, 150 mil.

Pavimentação de ruas, abertura de novas avenidas, construção de praças, espaços de lazer, ciclovias, construção de escolas, hospitais, postos de saúde e outros equipamentos públicos. Tudo isso já começou a acontecer e deve se intensificar a partir de agora. A cidade é um canteiro de obras e assim deve permanecer nos próximos 10 anos. Para quem acreditava que o futuro de Altamira estava umbilicalmente ligado à construção da usina de Belo Monte, o futuro já chegou. E não poderia chegar em melhor momento: em meio às comemorações do centenário do município.

Na economia, clima de euforia e ações duradouras

Cacau, uma das forças da economia rural de Altamira
Quem pensa que os moradores de Altamira estão preocupados apenas em aproveitar financeiramente o bom momento econômico proporcionado pela construção de Belo Monte está enganado. É claro que existe um clima de euforia, mas existem lideranças de diversos segmentos comprometidas em criar condições para que este clima não acabe com o final da construção, trabalhando em projetos e ações e garantindo investimentos nos mais variados setores da economia.

A maior parte destas lideranças está abrigada no Fórum Regional de Desenvolvimento Econômico e Socioambiental da Transamazônica e Xingu (FORT Xingu), que congrega mais de 172 entidades e reúne desde líderes religiosos, passando por empresários e trabalhadores até integrantes de organizações não governamentais ambientalistas. O fórum projeta uma realidade de desenvolvimento sólido, duradoura e sustentável para os próximos 100 anos de Altamira.

“Vamos chegar a 200 anos como um grande núcleo urbano na Amazônia, com a imensa maioria do nosso território com o bioma preservado, provando que é possível desenvolver a Amazônia sem destruí-la”, projeta Vilmar Soares, coordenador geral do FORT Xingu. Para ele, não é exagero pensar Altamira para os próximos 100 anos. “Estamos vivendo um momento especial e as nossas ações de agora vão ter influência por muitas décadas, por isso temos a preocupação de fazer a coisa certa, para garantir um futuro de progresso, desenvolvimento e sustentabilidade para as gerações futuras”, diz Vilmar.

Para garantir a continuidade do crescimento, estão previstos investimentos em atividades econômicas sustentáveis, como a agropecuária verde e o aproveitamento da energia firme de Belo Monte. Uma das grandes apostas é a cultura do cacau, que se destaca na região e sempre ajudou a impulsionar e economia altamirense. Com investimentos do Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável (PDRS) do Xingu, a lavoura local deve duplicar nos próximos anos, contribuindo para alavancar a produção regional para mais de 100 mil toneladas de cacau por ano e viabilizar a implantação de uma grande indústria.

O PDRS do Xingu é um plano geral de ação que possui um Comitê Gestor local e terá R$ 500 milhões para investimentos nos próximos 20 anos. O dinheiro vem da Norte Energia, empresa privada que venceu a licitação para construir e operar a usina de Belo Monte. Estes recursos devem ser destinados para projetos e ações que permitam a continuidade do desenvolvimento da região mesmo após a desmobilização nos canteiros de obras da usina. É um fato inédito na construção de grandes usinas no Brasil e no mundo.

Os recursos também vão permitir a modernização da outro importante setor para a economia local: a pecuária. Modelos de atividade sustentável para Amazônia já estão sendo testados em outras regiões e o objetivo é atrair esta tecnologia para Altamira, que possui um rebanho de mais de 200 mil cabeças. Um trabalho efetivo de licenciamento ambiental deve ser feito, permitindo que a produção dê um grande salto usando apenas as áreas de pastagens já existentes hoje. “Não será preciso derrubar nem mais uma árvore para transformarmos nossa pecuária em um caso de sucesso econômico e ambiental”, assegura Vilmar Soares.

Outra estratégia é a criação de valor ambiental no município. Altamira, que possui mais de 150 mil quilômetros quadrados, mantém mais de 95% da sua cobertura florestal nativa intacta. É um dos maiores percentuais de preservação do mundo. Com imensos parques indígenas e Unidades de Conservação, a idéia é gerar valor principalmente através do aproveitamento dos recursos florestais não madeireiros, com o incentivo a comunidades tradicionais, investimentos em tecnologia e geração de conhecimento. O investimento em pesquisa para a descoberta de novos medicamentos e produtos estéticos, por exemplo, deve ser priorizado para atrair investimentos neste setor.

Educação e tecnologia de ponta para manter desenvolvimento

O investimento em educação e tecnologia também será uma prioridade tanto nas ações governamentais como nos projetos do PDRS do Xingu. Exemplo disso é a destinação feita pelo PDRS de dois milhões de reais para a abertura do Curso de Medicina pela Universidade Federal do Pará (UFPA), que também está investindo pesado para criar um campus moderno e com condições de oferecer ensino de excelência.

Para Rainério Meireles, coordenador do Campus da UFPA em Altamira, os grandes empreendimentos que estão se instalando propiciam investimentos no setor educacional que poderão mudar radicalmente a história do município de Altamira. “Podemos substituir um processo de desenvolvimento baseado na exploração desordenada dos recursos naturais por uma economia verdadeiramente sustentável, que gere crescimento econômico, igualdade social e mantenha o meio ambiente preservado”, diz o coordenador.

Nos planos do FORT Xingu, a educação deve ser um setor que vai receber investimentos significativos. Cursos superiores na área de engenharia já estão sendo planejados, com o objetivo de formar profissionais da região altamente capacitados e preparados para este novo momento. “Podemos nos transformar em um centro de excelência, criando tecnologia para aproveitar melhor nossos recursos naturais e continuar gerando emprego e renda num período muito longo de tempo”, diz o coordenador do fórum, Vilmar Soares.

Futuro promissor

O futuro de Altamira vai depender muito do cumprimento dos acordos feitos para tirar Belo Monte do papel. Apesar de muitos entenderem que não há nada de novo acontecendo e que se trata apenas de uma repetição da implantação de outros grandes projetos na Amazônia, Vilmar Soares acredita que existe uma grande diferença. “Não se pode comparar projetos do governo militar com este. A grande diferença é que existe uma participação efetiva da sociedade, propondo, cobrando e apontando caminhos. Temos um diálogo franco, aberto e que vem se demonstrando como produtor de excelentes resultados”, diz.

No fim, é a própria sociedade altamirense que vai apontando qual caminho seguir, assumindo a condução do seu futuro e participando ativamente deste momento especial que vai mudar definitivamente a história deste município de 100 anos. Se Belo Monte é a locomotiva do desenvolvimento, desta vez Altamira decidiu que não vai perder o bonde da história. 
 
www.fortxingu.blogspot.com

ALTAMIRA: SENTENÇA FINAL SOBRE GRILAGEM DE TERRA

Grilagem: Justiça cancela registro de fazenda no Pará com área equivalente à Holanda e Bélgica juntas

Publicado em novembro 7, 2011 por


Localidade "Entre-rios": início das terras pretendidas pela C.R.Almeida, entre os rios Iriri e Curuá. Foto: Caetano
A Justiça cancelou o direito de posse de uma fazenda no Pará com a área do tamanho da Holanda e da Bélgica juntas. Ainda cabe recurso à ordem judicial. Na década de 1990, o caso foi apontado pela imprensa como a maior grilagem do mundo.

A decisão foi tomada no dia 25 de outubro, pelo juiz federal substituto Hugo Sinvaldo Silva da Gama Filho, da 9ª Vara da Seção Judiciária do Pará que cancelou a matrícula da Gleba Curuá no Cartório de Registro de Altamira (sul do estado).

Na sentença, a área da gleba é descrita com área de 4,7 milhões de hectares (ha) e estaria ilegalmente em posse da Indústria, Comércio, Exportação e Navegação do Xingu Ltda (Incenxil), empresa do grupo C.R. Almeida (com matriz no Paraná) e fundada pelo engenheiro Cecílio do Rego Almeida, morto em 2008.

A decisão judicial da última semana põe fim a um processo iniciado há 15 anos, quando o Instituto de Terras do Pará (Iterpa) pediu a nulidade do registro porque a propriedade era baseada em contratos de arrendamento “precários” e “provisórios”, sem validade de posse, e um memorial descritivo que multiplicava a plotagem de quatro áreas arrendadas de 4,35 mil ha para os 4,7 milhões ha.

A primeira ação contra a posse da área foi assinada pelo então diretor jurídico do Iterpa, o procurador Carlos Alberto Lamarão Corrêa, hoje presidente do Instituto. Em entrevista à Agência Brasil, ele apontou que Cecílio do Rego Almeida tinha conhecimento de que a terra não era legal. “Ele se locupletou de uma situação irregular”, disse Lamarão.

Na petição original, é descrito um encontro no Iterpa em 1995 com três assessores (advogados) de Cecílio do Rego Almeida aos quais teria sido dito que não havia nenhum registro de título definitivo naquela área, “que pudesse ensejar a mais tênue dúvida quanto à ilegalidade dos documentos cartoriários existentes”. Em março do ano seguinte, há um novo encontro com os mesmos assessores que “comunicaram à diretoria do Iterpa que o Sr. Cecílio Rego de Almeida havia decido comprar as ditas terras, ‘por ser um homem empreendedor, destemido e arrojado’”, descreve a ação.

Para o presidente do Iterpa, o conhecimento prévio da ilegalidade das terras, a ampliação da área (em mais de mil vezes) e a manifestação dos advogados mostram que não houve boa-fé, conforme alega a defesa.

Carlos Lamarão salienta que o Pará acumula problemas de indefinição fundiária. “Até hoje encontramos pessoas com títulos paroquiais”, lembra, ao fazer referências à titulação de terras que eram feitas a partir de declarações nas igrejas do interior entre 1854 e 1891. Segundo ele, a situação em que há muito tempo de indefinição, “se agravou com o Decreto-Lei 1.1164/1971 que retirou 70% do controle das terras do Pará”, e também segue indefinida com a atuação de diversos órgãos estaduais e federais responsáveis pela titulação, demarcação e autorização de uso das terras.“Essa balburdia facilitou a grilagem, mas não justifica”, assinala.

O presidente do Iterpa não sabe quanto da área grilada pertence ao Pará e promete inventariar o território para estabelecer uma política fundiária. De acordo com a sentença da Justiça Federal há na Gleba Curuá uma floresta nacional, duas terras indígenas, dois projetos de assentamento além de três faixas de terra registradas em nome da União.

A reportagem da Agência Brasil pediu entrevista por telefone e por e-mail com o juiz Hugo Sinvaldo Silva da Gama Filho, com a advogada de defesa Francineide Amaral Oliveira, e com os herdeiros de Cecílio do Rego Almeida, por meio do escritório da CR Almeida, em Curitiba (PR), mas não teve resposta positiva.

Reportagem de Gilberto Costa, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 07/11/2011

Você sabe qual a importância de uma árvore? artigo de Rafael Morais Chiaravalloti e Luciani Maria Vieira Rocha

Publicado em outubro 25, 2011 por



[EcoDebate] As árvores são um dos organismos mais incríveis que existem na Terra. Por ficarem paradas, elas apresentam mais variações do que qualquer outro tipo de organismo. Assim, diante de uma modificação no ambiente, elas não podem se mover para algum lugar mais harmônico, e, a longo prazo, modificações começam a surgir para se adaptarem. Por exemplo, para se proteger contra fungos e bactérias, surgiu na árvore salgueiro uma substância chamada salicina. E como ela, milhares de outras substâncias e adaptações também foram aparecendo.

A importância dessas substâncias para nossa vida é que a partir delas podemos elaborar novos produtos farmacêuticos. A salicina, por exemplo, foi a base para a elaboração da aspirina. Já a Mirta, rosa de Madagascar, é usada para o tratamento de leucemia e o Teixo do Pacífico no tratamento de câncer de ovário. Além disso, essas substâncias também são constantemente usadas para a elaboração de cosméticos, como a essência do perfume Chanel n° 5, que é proveniente da árvore da Amazônia Pau-rosa.

Mas a importância das árvores para o equilíbrio do planeta vai mais longe. Embora com uma grande variedade, elas apresentam uma característica comum: todas fazem fotossíntese. O que significa dizer que durante o dia elas absorvem radiação solar e gás carbônico e liberam oxigênio e água. Pensando que nossa respiração é o contrário desse processo (respiramos oxigênio e liberamos gás carbônico), fica fácil entender a importância de uma árvore para a nossa sobrevivência. No entanto, o ponto forte desse mecanismo não é apenas a produção do oxigênio, mas também a liberação de água. Na Amazônia, por exemplo, a quantidade de água proveniente das árvores é tão grande que regula as chuvas de quase todo o mundo. Porém, mais uma vez, não precisamos ir tão longe, pois as árvores das áreas urbanas também têm um papel muito importante.

O uso da vegetação é sempre apontado por vários pesquisadores como uma importante estratégia para amenização da temperatura do ar nas cidades, relacionada ao controle da radiação solar, ventilação e umidade relativa do ar. Um dos benefícios do uso da vegetação é a absorção de grande quantidade de radiação solar, emitindo uma quantidade menor de calor que qualquer superfície construída, por consumirem a maior parte da energia para sua sobrevivência. Além disso, as árvores oferecem menor resistência à dissipação do calor sob suas copas, garantem uma ação de descontaminação atmosférica e proporcionam sombra para os pedestres caminharem nos passeios durante o dia.

Um dos estudos pioneiros feitos na cidade de São Paulo confirmou, em 1985, que as áreas urbanas com maior adensamento de prédios altos promoviam maior acúmulo de calor enquanto as áreas urbanas com maior cobertura vegetal e presença de árvores contribuíam para a perda de calor mais rapidamente[1]. De lá para cá, diversas pesquisas em várias cidades no mundo e no Brasil, continuam confirmando esses resultados.

Também em São José do Rio Preto, uma cidade média no interior paulista conhecida pelo calor intenso, ficou muito claro que, principalmente no período noturno, há enorme vantagem no uso das árvores como elementos importantes na conformação das cidades. Na comparação das temperaturas do ar entre dois trechos de uma avenida de fundo de vale, um ocupado com prédios altos e outro com margens arborizadas, foram encontradas diferenças de até 3°C2.

Apesar do desconforto térmico, ainda não se percebe a conveniência de se plantar mais árvores na cidade. Se as árvores pudessem se mover, provavelmente sairiam correndo.

* Rafael Morais Chiaravalloti é biólogo e autor do livro “Escolhas Sustentáveis” (Editora Urbana).
*Luciani Maria Vieira Rocha é mestre em planejamento urbano e pesquisadora da Universidade Paulista – UNIP

Notas:
[1] LOMBARDO, Magda. O Clima e a Cidade. Encontro Nacional do Ambiente Construído. ANTAC, p. 59 – 62, Salvador, 1997.
[2] ROCHA, L.M.V.; SOUZA, L.C.L. Contribuição da vegetação e permeabilidade do solo para o ambiente térmico em avenidas de fundo de vale. XI ENCAC, VII ELACAC, Búzios, 2011
Colaboração de Kelly Andrade, para o EcoDebate, 25/10/2011

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

MINEIRINHO BESTINHA, SÔ!

A FELICIDADE QUE BUSCAMOS...

O TEMPO PASSA, E NÓS MUDAMOS TANTO...


Ficamos tão sérios, tão preocupados, e sempre tão sem tempo pra coisa alguma. De repente, alguém disse que para sermos felizes, o que precisamos é ter um bom emprego, uma bela casa, o carro do ano, os aparelhos e as roupas da moda e, claro, termos muito dinheiro na conta. E nós, bobos, seguimos atrás destas coisas cegamente, aficcionadamente, entregando-nos a uma vida afogada em trabalho, estudos, metas, e uma constante insatisfação.

Mas se olharmos para trás, ainda poderemos lembrar de um tempo em que era até engraçado não ter dinheiro e fazer vaquinha pra pagar a conta da lanchonete com nossos melhores amigos. Se não conseguíamos ir todos juntos para a festa ou para o show da hora, fazíamos nossa festa na casa de alguém, ou na rua, mesmo, porque nossa verdadeira festa era estarmos juntos, sorrindo uns com os outros.

Mas... para onde foi esse tempo? Para onde foram os amigos? Para onde estamos indo nós?

Nós nascemos muito felizes. Crescemos naquilo que pode ser a expressão mais tangível da felicidade possível, mas aos poucos vamos trocando isso por outros valores, como sucesso profissional e sucesso financeiro...

Bem aventurado é aquele que consegue acordar a tempo de perceber que melhor do que fazer horas extras no trabalho ou perder noites de sono em algum projeto ou pesquisa, é sempre reservar um tempo para preservar suas amizades, dedicando-se às pessoas que você ama, à sua família.

A felicidade está conosco o tempo todo... Nós é que muitas vezes não damos a menor bola pra ela...

* * * (AUGUSTO BRANCO)

ALGUNS HOMENS NÃO VÃO GOSTAR, MAS ...

TODO HOMEM DEVERIA LER

(Texto de Arnaldo Jabor)


  
É melhor você ter uma mulher engraçada do que linda, que sempre te acompanha nas festas, adora uma cerveja, gosta de futebol, prefere andar de chinelo e vestidinho, ou então calça jeans desbotada e camiseta básica, faz academia quando dá, come carne, é simpática, não liga pra grana, só quer uma vida tranqüila e saudável, é desencanada e adora dar risada.

Do que ter uma mulher perfeitinha, que não curte nada, se veste feito um manequim de vitrine, nunca toma porre e só sabe contar até quinze, que é até onde chega a sequência de bíceps e tríceps.

Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite? O senso de humor compensa. Pode ter uns quilinhos a mais, mas é uma ótima companheira. Pode até ser meio mal educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas e daí? Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução. Mas ainda não criaram um remédio pra FUTILIDADE.

E não se esqueça...MULHER BONITA DEMAIS E MELANCIA GRANDE, NINGUÉM COME SOZINHO!!!

— com Luciana Azevedo.
 

MOMENTO PARA RELAXAR...

INCRÍVEL! Olhe para a foto por alguns segundos.


e ENTÃO????


A NECESSIDADE DA DIVISÃO DO ESTADO, SEGUNDO QUEM ENTENDE DO ASSUNTO.

Porque votar pela Divisão do Estado do Pará

Por: Rosária Lana de Oliveira Lima
 

Muitas manifestações eloqüentes e discussões inflamadas tem-se destacado a respeito do assunto: A Divisão do Estado do Pará.

E se parássemos e analisássemos a luz da realidade dos municípios envolvidos. Os debates giram em torno de quem vai ganhar ou perder essa ou aquela riqueza. Não se trata de ganhar ou perder e sim de pensar naqueles que jamais chegaram a ganhar e sempre perderam o pouco que tiveram.

Peço que me escutem como moradora de um dos municípios que clamam pela separação, como forma de obter o mínimo de sobrevivência, Marabá, onde resido há 27 anos. Peço que me escutem como apaixonada pela cidade de Belém, lugar onde eu cresci, estudei e cultivo os melhores amigos, além dos meus queridos familiares. Peço que me escutem como alguém que, no fundo, se manteve sobre a linha que divide os separatistas dos não separatistas até a sua decisão. Então, porque Separar?

Vou justificar a escolha, de acordo com os perfis da minha personalidade, como cidadã.

Perfil 01: Como uma cidadã que discute os problemas políticos sociais do país.

Não posso aceitar os argumentos espalhados pela Internet de que a divisão do Estado do Pará seria um festival de cargos políticos, ávidos a se beneficiarem pela criação de novos postos. Pensar assim é admitir a nossa incompetência, latente e arraigada aos costumes, para escolher nossos representantes. É reiterar aquilo que temos feito sempre: votamos mal, reclamamos dos políticos que votamos e, por fim, nada fazemos para mudar. Fica assim instituída oficialmente a desculpa para todas as nossas faltas. Sempre arrumamos os “culpados” perfeitos para encobrir nossos inúmeros defeitos na qualidade de cidadãos (jogar lixo nas ruas, avançar a faixa de pedestres, votar mal e etc...). “Montamos” essa “estória” cômoda para nós mesmos e cruzamos os braços, a reclamar de tudo. É muito passivo votarmos mal, mas sermos beneficiados por morarmos na capital e região e não nos preocuparmos com o Estado como todo. A velha e boa conversa: “Se está bom aqui pra mim, o resto é o resto”. O verdadeiro cidadão não deve pensar assim.

Portanto, sugiro se realmente o aumento das cadeiras políticas, que poderão vir a representar os novos Estados criados, deverá beneficiar a Região Norte como todo. Acredito que sim, pois teremos mais representantes, da Região Norte, no Congresso Nacional. Agora, a consciência e cobrança de ações dos políticos em que votamos independe da divisão ou não do estado. Não misturemos as coisas.

Perfil 02: Como cidadã trabalhadora que saiu da sua origem para buscar novas oportunidades.

Muito se comenta que as regiões do Pará, distantes da capital do Estado, foram ocupadas por “sulistas” em busca de aventuras e que eles não são merecedores e nem legítimos para defenderem a causa separatista. Assim como os “sulistas”, também procurei oportunidades nas longínquas terras do Pará, porém como poucos, vim de Belém.

A princípio, precisamos entender que os tais “aventureiros” que aqui se estabeleceram são legítimos brasileiros e como tal tem assegurado o livre trânsito pelo território nacional. É melhor que os espaços vazios, não ocupados por falta de interesse dos nativos, serem ocupados por brasileiros do que por estrangeiros. Nunca houve muito interesse dos próprios paraenses em ocuparem as lacunas e produzir em seu próprio Estado. As justificativas são compreensíveis: falta de estrutura sob todos os aspectos. Porém os “estrangeiros” do Sul e Centro Oeste (e até do próprio Norte, como eu) do nosso Brasil, não se intimidaram diante das adversidades, enfrentando-as com trabalho, para que este território abandonado pudesse produzir e conseqüentemente, fortalecer a sua identidade.

Quando se fala de reforma agrária, muitas bandeiras são levantadas contra a prática do latifúndio, onde a grande propriedade é mantida, sem, nela, nada produzir, apenas pelo desejo de tê-las, admirá-las e guardá-las à especulação. As mensagens e propagandas, em prol da não divisão do Estado, são o retrato do discurso do latifundiário, onde se retumba algo como: “Pará que te quero Lindo e grande”. Querem o Estado lindo e grande, mas não querem dele cuidar, relegando-o ao abandono. Grande parte territorial serve apenas como objeto de admiração a ser guardado como reserva de futura especulação. Tudo muito análogo ao conceito do Latifúndio.

Nem mesmos os cargos criados pelo próprio Estado do Pará, são ambicionados pelos paraenses. Muitos concursos oferecidos pelo Estado, nos interiores distantes, têm suas vagas ocupadas por paulistas, goianos, mineiros, tocantinenses, entre tantos brasileiros. A maioria deles(os de outros estados) nunca antes esteve próximo da região Norte, no entanto viram nas vagas oferecidas pelo Estado, uma oportunidade de trabalho e emprego, mesmo que tendo que enfrentar toda sorte de abandono da infra-estrutura estadual: estradas, saneamento, saúde e outros. São poucos os paraenses interessados nos postos de trabalho oferecidos tanto pela iniciativa pública, quanto privada, quando esses postos são em cidades distantes da capital. Os trabalhadores deste lado do Estado formam uma “Torre de Babel” brasileira. Temos juízes, garis, delegados, peritos, engenheiros, advogados, donas de casa, professores, médicos, fazendeiros, trabalhadores rurais e vários profissionais que vieram de outros Estados para ocupar postos nunca reivindicados pelos donos da Terra Natal, Pará.

No roteiro de lazer daqueles que moram na capital, com raríssimas exceções, não estão incluídas as cidades do interior do Estado, que não sejam aqueles balneários beneficiados pela proximidade à cidade de Belém. Porque não é interessante viajar pelo interior distante do nosso Estado? Seria pela falta de estrutura turística, ou seria pela má conservação das estradas? Seria pela falta de opções de lazer e sobrevivência não incentivadas e/ou esquecidas pelo Estado e seu povo? Convido-os a um passeio por nosso Estado, aventurando-se pelas estradas, em ônibus ou em seus carros particulares e entenderão parte de nossas preocupações.

Perfil 03: Cidadã, dona de casa e mãe de família.

Em janeiro de 1985, cheguei a Marabá, recém casada, sem filhos e sem intenção de tê-los de imediato. Tive a oportunidade de conviver com mães que chorosamente se separavam de seus filhos, pois eles teriam que sair da cidade, para continuar seus estudos em outras cidades, a exemplo: Belém, Goiânia, São Paulo e Belo Horizonte. Na época pensei: eu ainda nem tenho filhos, e quando os tiver, até que eles cresçam teremos faculdades na cidade de Marabá e tudo será diferente. As crianças chegaram, cresceram e em nada mudou. 
 
Eles foram estudar em Belém e por lá concluíram seus cursos e ainda precisam permanecer para aprimorar técnicas em cursos de pós-graduação existente apenas em grandes cidades. Além da dor da separação e da enorme preocupação, pois os pais não podem abandonar seus postos de trabalho para acompanhar os filhos, as despesas inerentes a uma empreitada dessas é alta. Apenas para citar um exemplo: se aqui tivesse faculdade na época, não teríamos que pagar o aluguel, pois eles estariam na casa deles. Não é justo, trabalhamos aqui, na terra abandonada e darmos lucros aos proprietários de imóveis em outra cidade/Estado.
 
O que produzimos é gasto em dobro a fim de garantir nossa sobrevivência aqui e de nossos filhos em outra localidade. Com o resultado do nosso trabalho, investimos em escolas, casas, impostos, livros, empregados e todas as espécies de serviços, na cidade estranha à morada da família. Hoje, muito timidamente, houve algum progresso nas instituições de ensino, vindas do poder governamental, num ritmo que não acompanha o clamor da sociedade formada pelas cidades interioranas/distantes da capital do Estado do Pará. Contudo, devo considerar-me com privilégios, pois a grande maioria da população aqui residente simplesmente abandona os estudos, tornando-se refém das casualidades na condição de mão-de-obra sem qualificação. A maioria dos profissionais, como eu, submeteram-se a sacrifícios financeiros e pessoais, para obter especialização/pós-graduação em suas áreas de trabalho, viajando para grandes capitais/cidades, uma ou duas vezes por mês, aos finais de semana, já que não há interesse das grandes instituições de ensino, mesmo que particulares, em instalarem seus cursos nesta região, por absoluta falta de estrutura.

E assim, poderíamos deixar este texto mais longo se citássemos, além das questões da educação, as de saúde, saneamento, lazer, turismo, transportes e segurança. Se, para quem mora na capital e região a carência é gritante, há que se fazer uma projeção geométrica negativa, para imaginar a situação dos interiores distantes.

Perfil 04: Cidadã que já passou pela experiência de divisão de município.

No ano de 1985, quando da minha chegada em Marabá, algumas cidades tais como: Parauapebas, Curionópolis e mais alguns outros municípios, eram vilarejos pertencentes ao município de Marabá. Em 1988 ocorreu a emancipação de Parauapebas e com ela a Serra de Carajás (minério de ferro) deixou de pertencer a Marabá, passando ao domínio de Parauapebas. Essa separação contou com a aversão da maioria daqueles que residiam no núcleo da cidade de Marabá, pois a população achava que, com a “perca” da Serra dos Carajás, Marabá estaria decretada à falência. Com o passar do tempo Curionópolis, município, onde está localizada a Mina da Serra Pelada, também foi politicamente emancipada e algumas outras cidades no entorno seguiram o mesmo processo. O resultado foi surpreendente! Não empobreceu Marabá. Não fomos à falência. Ao contrário, a cidade se desenvolveu, bem como a região inteira. Quem conheceu os vilarejos de Parauapebas e Curionópolis, no passado, quando pertenciam ao município de Marabá sabe do que relato. Hoje são cidades que se desenvolveram, sem as garras do município mãe (Marabá), porém com parceria. Essa é a palavra, parceria. A região se desenvolveu tanto, que hoje é parte integrante do bloco de municípios do Sul do Pará que clama pelo Estado de Carajás. Da mesma forma acontece nos municípios, do Oeste do Pará, que clamam pelo Estado do Tapajós.

Não dá para entender todo esse processo como divisão e sim como adição. Não vamos chamar de divisão, vamos entender como cotização, objetivando agregar forças e aumentar nosso poder de reivindicação. A Região Norte é tão grande, quase sempre relegada ao segundo plano, mal gerida e esquecida. Todos no Brasil e no mundo querem dar palpites, mas não querem arcar com o ônus de sua gestão. Sabemos que a gestão de um Estado grande gera gastos desnecessários, influindo no custo/benefício. Temos no mundo países pequenos, infinitamente menores que nosso Estado e que são modelos de gestão e eficiência. Vamos deixar de lado o egoísmo de possuir um bem, sem mesmo poder tomar conta dele, apenas para não perdermos o domínio. As gestões feudais ficaram no tempo e para elas não queremos voltar, pois não funcionam. Hoje a palavra de ordem é delegar poderes para melhor gerir. Falamos tanto em modernidades, gestões participativas; cobramos essas atitudes de nossos gestores dentro das empresas em que trabalhamos e, quando chega a nossa vez de praticar, não conseguimos nos enquadrar nos conceitos pelos quais tanto levantamos bandeiras. Ficamos agarrados a uma grande bola de problemas, sem condições de resolvê-los, porém não chamamos ninguém para ajudar a gerir, dividir o fardo e salvar a bola, preferindo perdê-la totalmente.

Lembrem-se: não deixaremos de ser nortistas, não deixaremos de ser brasileiros.