sexta-feira, 29 de junho de 2012

FUTEBOL: CLUBES NÃO ATRAEM PATROCINADORES

Clubes de maior torcida penam para obter patrocínio: entenda por quê

Corinthians, Flamengo e São Paulo reúnem 76 milhões de torcedores, mas continuam em busca de parceiro principal para estampar marca na camisa


Por Mariana KneippRio de Janeiro
 
Info Valores - 22-06-12 (Foto: infoesporte)

Uma exposição de marca que atinge diretamente 39% da população brasileira está disponível no mercado. E ninguém quer. Nos últimos cinco meses, empresas vêm recusando propostas de patrocínio master para Corinthians, Flamengo e São Paulo, que juntos somam quase 76 milhões de torcedores no país, segundo pesquisa de 2010 do Ibope. Além do trio, somente o Náutico está na mesma situação entre os 20 participantes da Série A.

No início, os altos valores pedidos travavam as negociações. Agora, com o primeiro semestre passado em branco, os clubes têm dificuldade para negociar com empresas, que já planejaram o orçamento para o resto do ano. O tempo passou. Copa do Brasil e estaduais também. E a camisa continua limpa, com exceção de patrocínios pontuais, de menor valor.

- Houve uma valorização (do espaço nas camisas), que tende a permanecer até a Copa de 2014. É natural, mas não se pode pedir loucura - explicou o vice-presidente da BMG, Márcio Alaor, que tem no orçamento atual o patrocínio a 28 clubes (contra 39 de 2011), a um custo de cerca de R$ 40 milhões, uma queda de 43% em relação ao ano passado.
Uma explicação complementar dada por executivos de empresas é a crise econômica mundial. Instituições com capital estrangeiro estão estrangulando seus orçamentos de marketing para controlar as perdas em vendas. Com isso, as grandes marcas estão esperando pelo próximo ano, véspera da Copa do Mundo, pelo menos, para voltar a investir no futebol brasileiro.

Clubes enfrentam mercado em baixa
O Corinthians não fala em números oficialmente. No entanto, o GLOBOESPORTE.COM apurou que a diretoria está pedindo R$ 30 milhões para estampar frente e verso da camisa. O objetivo maior seria um pacote incluindo ombros e a área próxima às axilas ao custo de R$ 52 milhões. É mais do que o dobro do que a Hypermarcas - patrocinador que detinha esses espaços até o fim do Paulistão (maio) - quer pagar para fazer outro contrato. A empresa, que antes dava R$ 38 milhões ao Timão, agora quer diminuir para R$ 25 milhões, influenciada pela saída da 9ine, agência de marketing esportivo que tem como sócio Ronaldo Fenômeno e era a ponte na negociação.

- Não acho que os custos atuais sejam altos. O valor que se pagava antigamente pelas propriedades é que era muito baixo. Há um patamar mínimo que está sendo apresentado no mercado e que condiz com a nossa entrega. Estamos negociando - afirmou o diretor de marketing do Corinthians, Caio Campos.

O Flamengo tenta não repetir a história da última temporada.

Em 2011, foram sete meses com a camisa limpa até assinar com a Procter & Gamble por um período de cinco meses, por R$ 5,6 milhões. A parceria com a Traffic, que pagava parte do salário de Ronaldinho Gaúcho e exigia prioridade em negociações de patrocínio master, terminou em fevereiro e atrasou o cronograma também para 2012, segundo o diretor de marketing do Rubro-Negro, Marcus Duarte.


Valores de patrocínios no eixo Rio-São
Paulo
Fluminense
R$ 90 milhões/ano (Unimed)*
Palmeiras
R$ 75 milhões/três anos (Kia)
Santos
R$ 20 milhões/ano (BMG)
Botafogo
R$ 16 milhões/ano (Guaraviton)
Vasco
R$ 16 milhões/ano (Eletrobras)
* é o valor (aproximado) destinado pelo orçamento da empresa para pagar direitos de imagem e aquisição de direitos de jogadores. O dinheiro não vai diretamente para os cofres do Fluminense. Por contrato, a Unimed deve gastar no mínimo R$ 15 milhões por ano

- Agora estamos trabalhando com dois cenários em relação a patrocínios. Um deles é com uma empresa lá de fora, que seria um contrato mais longo, de um ano e meio, até o fim de 2013. O outro é com duas empresas nacionais, que assinariam até o fim do Brasileiro. Estamos trabalhando com agências e tentando vender para essas empresas agora em junho ou julho. As conversas estão evoluindo - garantiu o dirigente.

Duarte confirmou que o clube quer R$ 20 milhões pelo patrocínio master, deixando abertura para propostas que chegarem perto deste número. A melhor até o momento foi de R$ 15 milhões - e recusada. A verba do novo patrocinador seria somada aos R$ 8 milhões do banco BMG (mangas), R$ 5 milhões da Cosan (barra traseira da camisa e parte traseira do calção), R$ 3 milhões da Triunfo Logística (ombros) e R$ 2 milhões da Tim (interior do número da camisa), já presentes no uniforme do Flamengo.

O São Paulo também pede R$ 20 milhões, apesar de não confirmar oficialmente. A marca da BMG foi estampada até o fim do Brasileiro de 2011, mas a empresa alegou questões de reposicionamento e não renovou o contrato. Até o momento, a melhor proposta foi de R$ 12 milhões.

- Temos sondagens de empresas que nos consultam, mas não houve um acordo que chegasse ao nível pedido. Temos um dilema atualmente. Se vendermos por um valor que entendemos que é menor do que vale, jogamos o preço lá para baixo. Para readquirir o patamar depois ficará muito difícil. Se não conseguirmos para este ano, temos um fôlego com a receita que gera o nosso estádio. Ela dá condição de negociarmos com um certo equilíbrio - lembrou Julio Casares, vice de marketing do São Paulo.


Info Patrocinios - 22-06-12 (Foto: infoesporte)
'Estamos indo ao mercado no tempo errado', diz diretor


Embora os números das propostas assustem as empresas, os clubes acreditam que o maior empecilho para fechar patrocínios neste momento é o "timing" errado. Os executivos confirmam que o orçamento de 2012 já está comprometido. Com isso, os dirigentes precisam pensar mais para frente.

- Estamos indo ao mercado no tempo errado. Era para ter aberto em julho ou agosto (de 2011), para ter uma decisão em novembro e apresentar a parceria em janeiro, no início do estadual. Devido à exclusividade que tínhamos com a Traffic, só conseguiremos fechar de forma rápida com uma empresa nacional se tivermos muita sorte. O ano já começou, os orçamentos estão definidos - afirmou Duarte.

Mesmo com problemas de "timing", o diretor do Flamengo apresenta números favoráveis a quem investe em patrocínio.

Segundo Duarte, a Batavo teve em 2010 um retorno de visibilidade entre R$ 76 e 77 milhões, o que, de acordo com informações do dirigente, é 3,5 vezes maior do que o valor investido. Para ele, nem mesmo as notícias de imbróglios judiciais, principalmente após a saída de Ronaldinho Gaúcho, podem sujar a imagem do clube no mercado.

- A força da marca não diminuiu. É como se o Flamengo fosse um planeta, e as estrelas ficassem passando na sua órbita. Não atingem. Claro que houve uma perda grande nos negócios com a saída do Ronaldo. Licenciamentos tiveram que parar porque ele não é mais nosso atleta, e houve uma queda na venda de camisas com todos os questionamentos e escândalos que foram para a rua. Mas o mercado já entende que o Flamengo não é apenas um atleta.

Retorno do patrocinador do Tricolor chega a dez vezes

Márcio Alaor, da BMG, concorda com a visão de Duarte e também cita números positivos da relação com o São Paulo. O contrato foi encerrado apenas porque a empresa mudou de estratégia. Com a meta de ser mais conhecida pelo público já alcançada, ela agora diminuiu o número de clubes patrocinados.

- O retorno é espetacular. A cada R$ 1 que investi no São Paulo, tive um retorno de oito, dez vezes. Eu recomendo, sem dúvida. Saímos apenas por uma questão de reposicionamento - afirmou, acrescentando que uma pesquisa feita pela empresa Sport+Market mostrou que a empresa subiu mais de 100 posições e chegou ao top 3 no ranking de conhecimento de marcas ligadas ao futebol.

O reconhecimento passa pela exposição na mídia. Até a última semana, o Corinthians teve 30 jogos transmitidos pela TV Globo. O Flamengo somou 14, e o São Paulo, nove.

'Tem que mostrar o cálculo no papel', diz diretor

Fora do eixo Rio-São Paulo, a parceria do Banrisul com Grêmio e Internacional já dura 11 anos, tornando-se o segundo patrocínio mais longo, atrás apenas de Fluminense e Unimed (14 anos). São cerca de R$ 15 milhões anuais para cada clube. Para o diretor de marketing da empresa, Guilherme Cassel, independentemente de não ser o melhor momento para a negociação, os clubes precisam mostrar que valem quanto pedem.

- Em uma mesa sempre é preciso adequar o pedido à necessidade do interlocutor. O clube pode até valer o que pedem, mas tem que mostrar o cálculo no papel. Hoje as empresas têm instrumentos, já sentam para negociar com consciência sobre a relação custo-benefício. Se a proposta não for assim, nem começam a negociar - afirmou.

O resultado fantástico que tivemos com o patrocínio trouxe oportunidades. Hoje, temos um fundo de participação nos direitos de jogadores como Montillo (10%), Paulinho (20%) e Ralf (20%)" - Márcio Alaor, vice-presidente da BMG.

O pensamento do Banrisul não é uma exceção no cenário brasileiro atual. Segundo Ivan Martinho, diretor comercial da empresa de marketing esportivo Traffic, houve uma mudança de perspectiva nas relações entre marcas e clubes com o avanço do uso de ferramentas de medição de retorno.

- Antes a decisão era quase 90% emocional. O patrocinador tinha uma relação pessoal com o clube, era torcedor. À medida que os valores aumentaram muito nos últimos anos, os executivos precisavam de uma justificativa técnica para reportar o investimento aos acionistas, mais focada em aumento de vendas, relacionamento com os clientes, não apenas visibilidade. Houve uma conscientização maior - afirmou.

As empresas também estão indo além do patrocínio, como é o caso da BMG. O vice-presidente da empresa conta que atualmente faz práticas mais ligadas ao relacionamento com o clube e também com o mercado.

- O resultado fantástico que tivemos com o patrocínio trouxe oportunidades. Hoje, temos um fundo de participação nos direitos de jogadores como Montillo (10%), Paulinho (20%) e Ralf (20%). No ano passado, vendi nove atletas e tive um lucro de 72% sobre o valor investido. Além disso, melhoramos a relação com as diretorias ao possibilitar o adiantamento do pagamento de cotas da TV, quando necessário - lembrou Márcio Alaor.

 

BELO MONTE: GOVERNO CONTRA-ATACA COM PROPAGANDA POSITIVA DO PROJETO

  Norte Energia leva moradores de Altamira à Rio+20 para defender Belo Monte



Quinze residentes de Altamira, Pará, foram escolhidos e convidados para participar da Rio+20 para “trocar ideias com as pessoas”. Os gastos com passagens de avião, hotel, alimentação, locomoção no Rio de Janeiro e até uma generosa ajuda de custo foram cobertos pela Norte Energia, empresa que constrói e vai operar a usina hidrelétrica Belo Monte na região. O grupo é formado por donas de casa, aposentadas e estudantes. Em troca de uma bela viagem à Cidade Maravilhosa, a empresa patrocinadora da viagem faz apenas um pedido: vestir a camiseta que diz “Sou do Xingu – Apoio Belo Monte”. A empresa Norte Energia vem realizando uma intensa campanha de opinião pública durante a Rio+20 e montou um estande no Parque dos Atletas, além de usar outdoors e bussdoors (publicidade na janela traseira dos ônibus).

Foto: O grupo “Sou do Xingu – Apoio Belo Monte” posa para uma foto no portão de entrada da Cúpula dos Povos, no Aterro do Flamengo. Todos os convidados estão entusiasmados com o presente: uma viagem grátis para visitar a cidade durante o evento Rio+20. Haroldo Castro/ÉPOCA

(Haroldo Castro)

FICHA-LIMPA: POLÍTICOS E TSE CONTRA A VONTADE POPULAR

TSE autoriza candidatura de 'contas-sujas' nas eleições de outubro

 

Fabiano Costa Do G1, em Brasília
 


O ministro Dias Toffoli, que desempatou o julgamento em favor dos 'contas-sujas'; da mesma forma, votaram Henrique Neves, Arnaldo Versiani e Gilson Dipp (Foto: Nelson Jr./ASICS/TSE) 
Dias Toffoli, que desempatou o julgamento em favor
dos 'contas-sujas'; da mesma forma, votaram os
ministros Henrique Neves, Arnaldo Versiani e
Gilson Dipp  (Foto: Nelson Jr./ASICS/TSE)

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aceitou nesta quinta-feira (28), por quatro votos a três, pedido de 14 partidos para anular sentença da própria Corte que havia barrado das urnas os políticos que tiveram a prestação de contas da campanha de 2010 rejeitada pela Justiça Eleitoral. Com a decisão, os chamados contas-sujas poderão concorrer às eleições municipais de outubro.

Por maioria, o TSE determinou que a desaprovação das contas “não é impedimento para obter a quitação eleitoral”.

Apesar de ter liberado os contas-sujas a disputar as eleições, a Corte enfatizou que, se houver a comprovação de que as quitações foram forjadas pelos candidatos, a contabilidade será considerada "não-prestada". Neste caso, os concorrentes serão afastados da corrida eleitoral pela Justiça Eleitoral.

A situação dos candidatos com as contas rejeitadas havia começado a ser analisada na última terça-feira (26), mas o julgamento foi interrompido devido a um pedido de vista do ministro Antonio Dias Toffoli.

O magistrado havia pedido mais tempo para apreciar o caso quando o placar estava empatado em três a três. Falta apenas o voto de Toffoli para que o julgamento fosse concluído. Nesta quinta, o ministro retomou a apreciação do caso e votou pela reconsideração da sentença anterior.

"O requisito deve ser a apresentação das contas de campanha, tal com está na legislação. A mera desaprovação das contas, ainda que por vícios que não configurem necessariamente abuso do poder econômico ou outra irregularidade de natureza mais grave, acarretaria de imediato a inviabilidade da candidatura", defendeu Toffoli.

A mudança nas regras eleitorais havia sido aprovada em março pelos ministros do TSE por quatro votos a três. O PT, no entanto, questionou a exigência, alegando que o tribunal teria criado uma “sanção de inelegibilidade não prevista em lei”.

O recurso, endossado posteriormente por PMDB, PSDB, DEM, PTB, PR, PSB, PP, PSD, PRTB, PV, PCdoB, PRP e PPS, argumentava que a legislação eleitoral previa apenas a apresentação das contas pelo candidato. Segundo o TSE, cerca de 21 mil pessoas corriam o risco de ficar de fora da eleição devido a problemas na contabilidade eleitoral.

Relatora

Relatora do processo, a ministra Nancy Andrighi recomendou aos colegas a rejeição do recurso. Na avaliação da magistrada, teriam sido “observados” todos os requisitos legais na sessão que estabeleceu as novas regras de prestação de contas eleitorais. Para Nancy, não caberia qualquer questionamento por parte dos partidos.

O requisito deve ser a apresentação das contas de campanha, tal com está na legislação". Dias Toffoli, ministro do STF que deu voto de desempate que liberou candidaturas.
O voto da relatora foi acompanhado pelos ministros Marco Aurélio Mello e Cármen Lúcia. Marco Aurélio, inclusive, advertiu os magistrados que a decisão poderia deflagrar uma corrida de questionamentos a resoluções da Justiça Eleitoral.

“Se a moda paga, vamos conviver com inúmeros pedidos de reconsideração. Essa questão deveria ser resolvida no campo jurisdicional”, defendeu.

Apesar da recomendação contrária da relatora, os ministros Antonio Dias Toffoli, Henrique Neves, Arnaldo Versiani e Gilson Dipp atenderam à reclamação das legendas políticas. A decisão anterior acabou revista por conta de uma recente troca de cadeiras no tribunal.

Na primeira vez em que o tema foi apreciado pelo TSE, Toffoli e Neves ainda não haviam sido indicados para a Corte Eleitoral. Os dois sucederam, respectivamente, os ministros Ricardo Lewandowski e Marcelo Ribeiro, que deixaram o TSE depois da revisão da norma de prestação de contas.

À época, Lewandowski havia dado o voto decisivo contra os contas-sujas. Desta vez, contudo, coube a Toffoli a tarefa de desempatar a disputa e reverter a posição inicial do tribunal.

Recurso das legendas

As legendas que recorreram ao TSE para tentar derrubar a exigência de as contas serem aprovadas para obter a quitação eleitoral alegaram que não há na legislação a exigência de julgamento do mérito para que o candidato seja habilitado a disputar eleições.

Na visão dos partidos, eventuais irregularidades poderão ou não resultar em restrição ou cassação de direitos, desde que o processo judicial seja instaurado com as devidas garantias constitucionais asseguradas ao acusado.

Em maio, em uma votação inesperada, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que permite que os políticos recebam registro para disputar eleições mesmo quando tiverem as contas eleitorais reprovadas.

Somente o PSOL não encampou a proposta apresentada pelo deputado Roberto Balestra (PP-GO). A iniciativa determina que a certidão de quitação eleitoral seja concedida aos candidatos que apresentarem à Justiça Eleitoral a prestação de contas da campanha anterior, mesmo que não tenham sido aprovadas pela Justiça Eleitoral.


BELO MONTE: REUNIÃO TERMINA SEM ACORDO

Índios participam de reunião com presidente da Norte Energia

 

Reunião terminou sem avanços e protesto continua.
Presidente da empresa diz que medidas condicionantes serão cumpridas.

 

Do G1 PA
 


Liderança Tedjôre  Xikrin
Nesta quinta-feira (28), os indígenas que ocupam um dos canteiros de obra da Usina Hidrelétrica de Belo Monte foram a sede de Altamira (PA) se reunir com Carlos Nascimento, presidente da empresa responsável pela obra, a Norte Energia. A reunião durou cerca de 4h, mas não obteve avanços e os indíos continuarão interditando o local. Um novo encontro, porém, está agendado para o próximo dia 9 de julho.

O objetivo é discutir as reivindicações de cerca de 150 indígenas das etnias Juruna, Xikrin e Arara, que ocuparam os canteiros de obra que envolvem a construção do barramento do rio Xingu. As atividades neste canteiro estão paradas. Os índios querem garantia de ajuda as aldeias afetadas pela Usina.

Ao chegar ao município, ainda no aeroporto, Carlos Nascimento garantiu que as medidas condicionantes para a obra, principal reinvindicação dos indígenas, serão cumpridas. "Até o dia 2 do próximo mês devemos ter todas as devidas autorizações para executar um programa que vai eliminar todas as questões que, no momento, estamos vivenciando", explicou.

Entre as melhorias que os indígenas pedem a empresa responsável pela obra, a Norte Energia, está a regulamentação das terras indígenas, fornecimento de suprimento, construção de estradas, transporte e abastecimento de água. Essas medidas estão na lista de ações que devem ser cumpridas pela empresa.

"Nossa preocupação é o rio. O peixe acabar e a caça. E onde que fica a alimentação dos nossos netos, dos nossos meninos?", questiona o cacique Depkamati Xikrin.

Entenda o caso

Cerca de 150 índios das etnias Juruna, Xikrin e Arara estão acampados desde a última quinta-feira (21), em um dos canteiros de obra da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira, sudoeste do Pará.


quinta-feira, 28 de junho de 2012

BELO MONTE: POLÍCIA PEDE PRISÃO DOS ACUSADOS POR QUEBRADEIRA


Polícia Civil em Altamira já pediu a prisão preventiva de Integrantes do Movimento Xingu Vivo Para Sempre. 


 www.altamirahoje.com


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A polícia civil em Altamira já pediu,desde segunda (25) a prisão preventiva de 11 pessoas entre elas ativistas do Movimento Xingu Vivo para Sempre, Antonia Melo, Monica Brito, Padre Alírio, Rafael Salazar (cineasta), Ruy Sposat (jornalista) entre outros, as manifestações que resultaram em quebra-quebra durante o evento “Xingu + 23” de 13 a 17 de junho, na comunidade Santo Antonio na Volta Grande do Xingu teriam motivado o Delegado da DIOE - Divisão de Investigação e Operações Especiais da Polícia Civil Vanildo Costa de Oliveira a ouvir os integrantes, além de manté-los preventivamente recolhidos.

Na tarde desta terça (26), em entrevista ao SBT Altamira, o advogado da Sociedade Paraense de Direitos Humanos Marco Polo Leão disse que estão tentando criminalizar pessoas que estão buscando seus direitos, e citou que a polícia deveria trabalhar de forma neutra, porém em todos os veículos das forças de segurança estão com a logomarca da Norte Energia, o que não deveria acontecer já que a empresa é parte envolvida nas investigações.


"E nóis ainda vamos pedir os autos dos inquéritos pois ainda não tivemos acesso, vamos denunciar essa prática equivocada da Jusitça Brasileira na ONU - Organização das Nações Unidas, e na OEA - Organização dos Estados Americanos, não é justo o que estão fazendo com pessoas de bem, enquanto o estupro subiu cerca de 50% em Altamria a polícia se debruça em investigar e chamar de criminosos, freira, padre, educadores e pescadores" Afirmou Marco Polo Leão.



"Nós vamos continuar lutando, essa atitude irresponsável da justiça paraense não vai nos calar" disse Antonia Melo.

O Movimento Xingu Vivo Para Sempre já se envolveu em outras situações que denegriram a imagem dos ativistas, o grupo é acusado de incentivar a invasão de terrenos de uma empresa de comunicação na cidade, e mais recentemente os ativistas foram vistos entre os índios que quebraram equipamentos e queimaram documentos de um escritório do CCBM em um dos sítios da obra.

A Norte Energia informou através da sua assessoria de comunicação que age dentro da lei e está tomando todas as medidas cabíveis para colaborar com a justiça para que na região seja mantida a lei e a ordem.

Por: Felype Adms.

  

quarta-feira, 27 de junho de 2012

BELO MONTE: REIVINDICAÇÕES INDÍGENAS?




O que pedem os índios de Belo Monte

 

Com um canteiro de obras da usina de Belo Monte paralisado há seis dias por causa de protestos, o consórcio Norte Energia contabiliza o que os índios pedem para liberar a construção da hidrelétrica. A lista de reivindicações inclui mais de 300 casas, energia gratuita para sempre, 40 picapes de luxo, caminhões, carros de passeio, ônibus, motos, barcos e depósitos em contas bancárias.

O que os índios pedem está muito distante do que os empresários e o governo pretendem entregar às aldeias para minimizar os impactos causados pela usina. A índia Sheyla Yakarepi Juruna, líder da aldeia Boa Vista KM 17, explica o interesse por tantas picapes: "O rio vai ficar difícil de navegar em muita parte. Claro que a gente precisa dos carros".

Índios surpreendem com longa lista de compensações

Amarok, Hilux, L 200, F 4.000, caminhões, carros de passeio, ônibus, motos, barcos, contas gordas no banco e mais 1,3 mil cabeças de gado - de preferência, 500 delas da raça Nelore. O Valor teve acesso às listas de pedidos que as tribos indígenas apresentaram esta semana à diretoria do consórcio Norte Energia para liberar a construção da hidrelétrica de Belo Monte. As reivindicações dão uma boa dimensão do problema que o governo e os empreendedores da usina terão de administrar para convencer os índios que, agora, está na hora de passar a cuidar de suas roças de milho e mandioca, da pesca, das crenças e do artesanato.

O que os índios das 12 terras indígenas localizadas na área de influência de Belo Monte, no Xingu, apresentaram à Norte Energia é uma relação de compras que tem mais de 500 anos de distância daquilo que os empresários e o governo pretendem entregar às aldeias da região, como forma de minimizar os impactos causados pela usina.

O Valor fez uma compilação dos principais pedidos. Somadas as listas, são nada menos que 40 picapes, com o detalhe de que todas devem ter tração nas quatro rodas, direção hidráulica e ar-condicionado. Para lidar com a plantação, as tribos querem 23 tratores de diferentes modelos e mais 20 barcos com cobertura e motor para poder transitar pelo Xingu. Ainda no quesito transporte, enumeram a necessidade de 12 micro-ônibus com capacidade de 20 pessoas em casa, nove ambulâncias e três motos. Para receber aeronaves, três aldeias exigem a construção de pistas de pouso asfaltadas. Todas cobram estradas devidamente pavimentar até Altamira, principal município da região.

Na moradia, nada de ocas ou palhoça. Os índios pedem 303 casas de alvenaria, todas com banheiro interno, infraestrutura de saneamento e energia elétrica, que deve ser gratuita enquanto durar o empreendimento. A garantia de comunicação entre as aldeias deve ser feita com a instalação de 12 antenas de telefonia celular e internet sem fio, tudo para suportar centenas de computadores portáteis e de mesa que também constam na lista.

A pecuária não ficou de fora da lista. As aldeias pleiteiam quase 1,3 mil cabeças de gado e especificam que 770 delas devem ser de gado leiteiro e 520 da raça Nelore. O lazer também faz parte da relação. Na aldeia Mrotidjam, da terra indígena Xikrin do Bacajá, por exemplo, os índios querem a reforma do campo de futebol gramado, com instalação de iluminação e traves novas no gol, além de 30 freezers.

Finalmente, cobra-se a abertura de uma série de contas bancárias em nome de cada aldeia. Os pedidos de depósito variam entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões para cada uma delas. Em algumas tribos, é exigido o pagamento de três ou quatro salários mínimos por mês para cada família indígena do local, valor a ser pago enquanto a água de Belo Monte for convertida em energia.

Em entrevista ao Valor, Sheyla Yakarepi Juruna, líder da aldeia Boa Vista KM 17, localiza na região, diz que todos os pedidos são justos e que é até pouco em face dos prejuízos que o empreendimento irá causar para o seu povo. "Até hoje o que fizeram foi dar migalhas para o nosso povo. O consórcio e o governo prometeram a ampliação da demarcação de nossa área, mas não fizeram nada. Ninguém está cumprindo com as condicionantes que assumiu", comenta.

Perguntada sobre a necessidade de tantos carros para transporte, Yakarepi Juruna diz que será a única forma de os índios se locomoveram após a implantação da usina. "O rio vai ficar difícil de navegar em muita parte. É claro que a gente precisa dos carros", argumenta.

A líder da aldeia Boa Vista KM 17 diz que irá se juntar ao grupo indígena que há seis dias paralisa as obras do canteiro Pimental, uma das frentes de trabalho de Belo Monte. "Tem mais índio chegando. Nós vamos unir o nosso povo. Temos que ser ouvidos."

Pelos números da Fundação Nacional do Índio (Funai), há cerca de 10 mil índios na região de Altamira que serão atingidos pela hidrelétrica. Nos cálculos da Norte Energia, porém, esse contingente é de 5.500 índios. Amanhã, deve ocorrer uma reunião em Altamira com representantes da Norte Energia e da Casa Civil, com a propósito de por um ponto final no conflito.

"Essa situação nada mais é que a colheita daquilo que o próprio governo plantou", diz Cleber Buzatto, secretário-executivo do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), organização vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). "Foi o governo que cultivou a dependência do índio. A Funai assinou embaixo e deu anuência para Belo Monte contrariando pareceres dos próprios técnicos da fundação. Agora, não sabe o que fazer para resolver o problema."

O Valor procurou o diretor do Departamento de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável da Funai, Aloysio Guapindaia, para comentar o assunto, mas ele não quis se pronunciar.

A Norte Energia informou que não vai atender as listas de pedidos apresentadas pelos índios. O consórcio alega que trabalha nos detalhes de seu Plano Básico Ambiental (PBA) indígena, o qual foi acertado com a Funai e que, segundo o consórcio, foi objeto de audiências públicas em cada uma das 28 aldeias que habitam a região. Os índios, no entanto, insistem que o PBA não foi discutido e que desconhecem as propostas da empresa. Segundo a empresa, o PBA agrupa um conjunto de 320 ações divididas em dez programas de apoio a serem executados durante cinco anos. O Valor apurou que as medidas devem custar cerca de R$ 250 milhões à Norte Energia.

A empresa garante que o plano passa a valer a partir do mês que vem. Trata-se, basicamente, de um "conjunto de medidas de apoio e fortalecimento da cultura indígena", segundo os empreendedores. A crise com os índios é que, com o início do PBA, sai de cena a partir de setembro o pagamento mensal de R$ 30 mil que cada aldeia vinha recebendo há dois anos.
Fonte: Valor Econômico
 

BELO MONTE: ACUSADOS VÃO SER OUVIDOS PELA POLÍCIA

Acusados de invasão em Belo Monte depõem nesta quarta-feira

 

O Globo 
 
 

BRASÍLIA - O depoimento de oito dos 11 acusados de participarem dos protestos contra a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte entre os dias 13 e 17 de junho está marcado para esta quarta-feira, em Altamira. De acordo com a entidade Xingu Vivo, eles são acusados de terem invadido e depredado o escritório do Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM), e por danos, roubo, incêndio, desobediência, perturbação da ordem pública e formação de quadrilha.

O Xingu Vivo afirma que entre os acusados estão integrantes e assessores do movimento, um padre, uma freira, missionários indigenistas e um documentarista de São Paulo. A Polícia Civil do Pará pediu à Justiça a prisão preventiva dos onze acusados, e advogados do movimento entraram com um pedido de habeas corpus preventivo. 

Protocolado pela defesa na sexta-feira, dia 22, o pedido recebeu parecer favorável do Ministério Público, mas foi negado pela justiça na segunda-feira.

- Vamos recorrer dessa decisão e manter a posição de que ninguém falará na polícia, pois não conseguimos ter acesso a todas as peças do inquérito - afirma o advogado da entidade.

Além da dificuldade de acessar todas as peças do processo, a defesa dos integrantes do movimento Xingu Vivo alega que as investigações sobre o caso carecem de legitimidade e imparcialidade, já que as polícias civil e militar, em Altamira, são, em grande parte, “patrocinadas e financiadas pelas próprias empresas que constroem Belo Monte”, por conta de um termo de cooperação assinado com o governo estadual. Ainda esta semana, a frente jurídica do movimento irá encaminhar um informe denunciando a criminalização dos ativistas para a ONU e a OEA.

Segundo estimativas extraoficiais, houve prejuízo de cerca de até R$ 1 milhão para o consórcio por conta da ação da qual fizeram parte representantes indígenas da região. Entre os equipamentos danificados estão computadores, notebooks, celulares, rádios de comunicação, além de portas, janelas, mesas e armários.

O consórcio afirmou que pode acionar na Justiça os responsáveis pelo ocorrido, documentos foram rasgados e incinerados no local. Apesar do incidente, em todos os canteiros de obra de Belo Monte os trabalhos transcorreram normalmente nesta segunda-feira.


terça-feira, 26 de junho de 2012

BELO MONTE: ÍNDIOS DE ALTAMIRA CONDENAM ATOS DE VANDALISMO


Índios querem que Belo Monte amenize efeitos negativos da usina

 

Agência Brasil


 
Cerca de 200 índios xikrins e jurunas estão acampados desde o dia 21 nas obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, na tentativa de acelerar o cumprimento das condicionantes destinadas a amenizar os efeitos negativos da usina para as populações indígenas afetadas. De acordo com a colaboradora do movimento, Rafaela Ngrenhdjan Xikrin, não há ligação entre esta ocupação e a ocorrida durante o encontro Xingu+23, iniciado no último dia 13 em Altamira (PA).

“Nosso movimento é contrário a ações como as dos mundurukus, até porque eles não são daqui e não serão afetados pela obra”, disse Rafaela Xikrin à Agência Brasil. O Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM) informou que a primeira ocupação resultou na depredação de 35 salas. Pelo menos 50 computadores foram quebrados, notebooks e rádiocomunicadores foram furtados e dezenas de aparelhos de ar condicionado foram danificados. A estimativa, segundo o consórcio, é um prejuízo superior a R$ 500 mil.

A organização do movimento responsável pela ocupação atual está aguardando, para os próximos dias, a chegada de outros 100 índios das etnias Paracanã e Xipaia para reforçar a manifestação nas obras da usina.

Entre as reivindicações apresentadas pelos xikrin e juruna acampados está a implantação do Plano Básico Ambiental (PBA), destinado a estabelecer e efetivar os programas de compensação e mitigação dos impactos já sentidos na região pelos índios.

Eles cobram também a definição da situação fundiária das terras indígenas Terra Wangã, Paquiçamba, Juruna do Km 17 e Cachoeira Seca, além da construção de mais estradas, como alternativa ao transporte fluvial que será prejudicado pela barragem e pela redução da vazão do Rio Xingu. Outra condicionante cobrada pelos índios acampados é relativa à falta de investimentos de infraestrutura necessários às aldeias impactadas, visando a garantir captação de água potável nas da Volta Grande do Xingu.

“Nossas lideranças não querem a participação de outros movimentos porque isso pode comprometer nosso objetivo, que é cobrar o cumprimento das condicionantes previstas”, disse a colaboradora xikrin. “Essa ocupação conta apenas com a participação de índios, para evitar o risco de ser descaracterizada ou manobrada. Em princípio, não somos contrários à obra, mas poderemos passar a ser, caso as condicionantes [previstas] não sejam cumpridas”, argumentou.

O CCBM avalia a atual ocupação como pacífica. De acordo com a assessoria do consórcio, os índios que participaram da primeira ocupação “eram de Mato Grosso e chegaram ao local com crachás, acompanhados de manifestantes não indígenas que integram organizações não governamentais (ONGs) [ligadas ao Movimento Xingu Vivo], notadamente contrárias à construção da hidrelétrica”.

Consultada pela Agência Brasil, a Fundação Nacional do Índio (Funai) confirmou que não há aldeias munduruku nas áreas a serem influenciadas pela obra. De acordo com a assessoria do órgão, os munduruku mais próximos estão na região da Usina de Teles-Pires, em Mato Grosso.

A assessoria de comunicação do Movimento Xingu Vivo reiterou à Agência Brasil que não houve qualquer participação de seus integrantes na quebradeira ocorrida durante a primeira ocupação, à época do Xingu+23 – evento promovido por ela. “Nenhum dos nossos membros participou da quebradeira; nenhum dos nossos integrantes mexeu em qualquer caneta do CCBM; e não fizemos qualquer incitação para que a invasão acontecesse”, garantiu a assessora Verena Glass.

Perguntado sobre a nova ocupação de índios nas obras de Belo Monte, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse que o movimento atual “faz parte do direito de protesto”, e que os índios têm o direito de manifestar suas preocupações.

“Nosso pessoal está lá dialogando [com eles] e, assim como outras vezes, vamos, por meio de métodos pacíficos, superar essa questão. Belo Monte não tem como voltar atrás. É uma usina que já está em processo de construção. Estamos tomando todos os cuidados para diminuir os efeito negativos à população local e para fazer as compensações sociais e ambientais. O governo está agindo com responsabilidade. Agora, o direito de protesto, como todos sabem, é livre no país”, disse o ministro.


FAC-UNI EM ALTAMIRA ESTÁ IRREGULAR NO MERCADO?



MPF denuncia faculdades irregulares em atuação no mercado



Em atuação em Altamira, a faculdade segue em funcionamento mesmo após denuncia e verificação de irregularidades. 
Faculdade Universal (Facuni)
§  Foi aberta investigação sobre o caso. O MPF abriu prazo para que a Facuni prove que atua de maneira regular. Caso esteja irregular, o MPF desde já recomendou a suspensão das atividades da faculdade. 

Só o MEC não consegue fiscalizar as intituições que surgem como pipoca na panela em todo território nacional. Com quadro de profissional "infinitamente"menor que o ministério, o MPF segue fazendo seu papel de fiscalizador.

Fique de olho, existe uma lista de faculdade liberadas para atuar no país na página do MEC www.mec.gov.br e uma lista com as irregulares no MPF www.mpf.prpa.gov.br.

www.blog da Karina Pinto 

segunda-feira, 25 de junho de 2012

BELO MONTE: REINVIDICAÇÕES INDÍGENAS

O QUE OS ÍNDIOS ESTÃO EXIGINDO

 
Do Blog ( com excertos de www.xingu-vivo.blogspot.com.br)




                       Os índios ( que ocupam pacificamente a ensecadeira do canteiro de obras de Belo Monte desde o último dia 20) estão insatisfeitos com a situação, já que as condicionantes que deveriam anteceder as obras não estão sendo devidamente cumpridas em suas terras e em Altamira. Além daquelas que afetam a todos – como a demora em investir na infra-estrutura da cidade, nos serviços de saúde e educação e no saneamento básico que estão cada vez mais sobrecarregados com o aumento populacional já sentido pela região –, os povos indígenas preocupam-se com a demora na implantação do Plano Básico Ambiental – componente indígena (PBA), que deveria estabelecer e efetivar os programas de compensação e mitigação dos impactos já sentidos na região pelos indígenas; com a demora na entrega aos Xikrin dos Estudos Complementares do Rio Bacajá, que por ora apenas foram apresentados nas aldeias, e que permitiria um melhor dimensionamento dos impactos neste rio e para os Xikrin, e garantia da definição de programas de compensação e mitigação destes impactos, em especial pela seca que prevêm que seu rio sofrerá com a construção do empreendimento; pelo desconhecimento do PBA pelos indígenas, do qual se pede mais e melhores apresentações para todos entenderem; pela demora em definir a situação fundiária das Terras Indígenas Terra Wangã, Paquiçamba, Juruna do Km 17 e da Cachoeira Seca; pela indefinição no sistema de transposição da barragem e o temor de que eles fiquem isolados de Altamira, cidade onde estão os principais serviços que lhes atendem (de saúde, educação, escritórios da FUNAI); por não autorizarem a construção de mais estradas como alternativa ao transporte fluvial atualmente utilizado pelos indígenas e que será dificultado pela transposição da barragem e pela seca (vazão reduzida) do leito do rio; e pela falta do investimento necessário e anterior à obra em infraestrutura nas aldeias impactadas, como por exemplo para garantir a captação de água potável nas aldeias da Volta Grande do Xingu, nas quais a água do rio, até então consumida pela população, já está barrenta e insalubre devido à construção."


HOMEM: O PROBLEMA DA HUMANIDADE


O GRANDE PROBLEMA DA HUMANIDADE, SÃO OS HOMENS...


Do Blog





sábado, 23 de junho de 2012

SALÁRIOS: "QUEM NÃO DEVE, NÃO TEME".


Divulgação de salários deve parar na Justiça

 


 

BRASÍLIA. A resistência dos servidores públicos em ver seus salários divulgados deve acabar na Justiça. Em cumprimento à Lei de Acesso à Informação, os nomes e vencimentos de todos os funcionários do Executivo federal estarão disponíveis na internet a partir de 30 de junho. Mas a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), que reúne os servidores do Executivo federal, classifica a ação como uma quebra do sigilo do funcionalismo. A assessoria jurídica da entidade estuda a medida legal a tomar, mas a intenção é entrar com ação na Justiça.

Até o fim deste mês, serão conhecidas as verbas remuneratórias (salários, gratificações e jetons) dos servidores civis. No caso dos militares, o prazo é 30 de julho. Já as verbas indenizatórias (como ajuda de custo, vale-transporte, diárias de viagem), tanto dos civis como dos militares, serão divulgadas a partir de 30 de agosto. 

Esses prazos são apenas para o Executivo. Os outros poderes, além dos estados e municípios, têm que fazer seus próprios regulamentos.

No Judiciário, já há decisão de dois tribunais de divulgar nomes e valores dos vencimentos de todos os servidores e ministros. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) aprovou resolução no início de junho e está finalizando o trabalho para divulgar os dados a partir da próxima semana, na internet. Pressionado pelo TST, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) também decidiu semana passada no mesmo sentido, mas a divulgação ainda não tem data.

No Supremo Tribunal Federal (STF), a divulgação dos nomes e salários começará em 5 de julho. Tudo será divulgado, inclusive gratificações e auxílios. A assessoria do STF informou que cada tribunal terá autonomia para decidir como vai disponibilizar suas informações, mas é possível que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) normatize a questão. Caso isso ocorra, todos os órgãos do Poder Judiciário, à exceção do próprio STF, deverão seguir à norma do CNJ.

No Senado, a Mesa Diretora decidiu que a divulgação dos vencimentos, com o nome de cada funcionário, começará em 31 de julho. Na Câmara, um grupo de assessores se debruça sobre o tema, mas quem dará a palavra final também será a Mesa Diretora. A pressão contrária dos servidores é grande. A Câmara argumenta que já divulga os nomes de todos os seus servidores, com os cargos, e que há também uma tabela de remuneração. Para saber o salário, é só cruzar os dados. O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), ainda tem muitas dúvidas sobre o assunto, e não se comprometeu com a data da divulgação.

- Tem data? A polêmica é se divulgamos nomes ou só salários. Vamos divulgar os dos 3,5 mil da ativa. Os dos aposentados (também)? Aí o neto pode explorar, né? Vamos ter que estudar tudo muito bem. Hoje, a Câmara já divulga e vamos divulgar tudo, isso eu garanto - disse Maia.


BELO MONTE: ÍNDIOS APRESENTAM JUSTAS REINVIDICAÇÕES À NORTE ENERGIA


Índios mantêm ocupação em sítio de Belo Monte

 

Protesto chega ao segundo dia nesta sexta-feira (22).
Manifestantes pedem abertura de estradas e demarcação de terras.

 

Do G1 PA


Índios ocupam Belo Monte (Foto: Mário de Paula / TV Liberal)Índios ocupam Belo Monte (Foto: Mário de Paula / TV Liberal)
 
 
Cerca de 100 índios das etnias Juruna, Xirkin e Arara continuam ocupando as obras da usina hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu, no sudoeste do Pará. Nesta sexta (22) o protesto chegou ao segundo dia. Os manifestantes ocupam a ensecadeira, uma espécie de barragem de terra, localizada no sítio Pimental, distante aproximadamente 50km do local de construção da usina.

Os manifestantes confiscaram chaves de carros, tratores e rádios, mas todos os funcionários que estavam no local foram liberados. Eles estão acampados, sem previsão de sair. Eles pedem que a Norte Energia, empresa responsável pela administração da usina, cumpra as condições impostas pelo Ministério Público para a realização da obra.

De acordo com os índios, a Norte está demorando para atender alguns dos pre-requisitos, como a demarcação e regularização das terras dos índios, a construção de estradas para as aldeias e a distribuição de suprimentos.

O Consórcio Construtor de Belo Monte (CCBM) informou que o protesto ocorre de forma tranquila, apesar da retenção dos equipamentos, mas registrou boletim de ocorrência na delegacia de Altamira e decidiu cancelar o turno da noite no local.

Ocupações anteriores

Esta não é a primeira vez que comunidades indígenas ocupam canteiros de construção de Belo Monte. No último dia 15, os manifestantes invadiram outra ensecadeira e, utilizando picaretas, abriram sulcos para que o rio pudesse correr através da barragem de terra.

No sábado (16), os índios chegaram a invadir um dos escritórios do consórcio construtor. Durante esta ocupação, eles destruiram computadores, mobília e documentos. O caso foi registrado na polícia e está sendo apurado pela delegacia de Altamira.

Entenda o caso

A Usina Hidrelétroca de Belo Monte está sendo construída no rio Xingu, em Altamira, no sudoeste do Pará, com um custo previsto de R$ 19 bilhões. O projeto tem grande oposição de ambientalistas, que consideram que os impactos para o meio ambiente e para as comunidades tradicionais da região, como indígenas e ribeirinhos, serão irreversíveis.

A obra também enfrenta críticas do Ministério Público Federal do Pará, que alega que as compensações ofertadas para os afetados pela obra não estão sendo feitas de forma devida, o que pode gerar um problema social na região do Xingu.


Índios ocupam sítio Pimental em Altamira (Foto: Mário de Paula / TV Liberal)Índios ocupam sítio Pimental em Altamira (Foto: Mário de Paula / TV Liberal)
 
 
 

DECIDIR MORRER: O SER HUMANO E SEUS MISTÉRIOS


Depoimentos de brasileiros que se inscreveram na clínica especializada em morte

 

ÉPOCA ouviu quatro dos dez brasileiros que contribuem com a Dignitas, organização suíça que cobra cerca de R$ 15 mil para fazer suicídio assistido. Eles aceitaram contar por que decidiram encomendar a própria morte

 

FELIPE PONTES

 
Raquel (nome fictício), 68 anos, aposentada (Foto: Rodrigo Schmidt/ÉPOCA)




 
"Há quatro anos, eu estava andando na rua quando desmaiei, caí e quebrei uma costela. Investigando a causa daquele desmaio, descobri que tenho ateromatose, uma doença degenerativa que entope minhas artérias carótidas e aorta. Isso prejudica o fluxo de sangue e oxigênio para meu cérebro, provocando desmaios e a morte de células nervosas. A ateromatose é imprevisível. Posso ter um derrame, dentro de um mês ou 15 anos, e perder a consciência de quem sou para sempre. Logo que fui diagnosticada, me inscrevi na Dignitas. Eu conhecia e admirava o trabalho do americano Jack Kevorkian, o Dr. Morte, que auxiliava seus pacientes terminais a morrer. 

Fiquei aliviada ao descobrir uma organização capaz de fazer isso, mesmo que eu tivesse de viajar até a Suíça. Não sei se usarei o serviço algum dia, mas é um conforto ter essa opção. Tenho duas filhas maravilhosas. Uma é mais emotiva e não gosta de tocar no assunto. Mas nenhuma das duas se opõe à minha decisão. Caso eu tenha algum problema grave, com sequelas, elas sabem onde encontrar uma pasta com declarações escritas sobre o meu desejo de cometer suicídio assistido e ser cremada.

Antes, eu era muito ativa. Hoje em dia, tudo é devagar por causa dessa doença. Tenho sono o tempo todo. Sinto dor para engolir. Às vezes, não consigo me equilibrar. Sei que há uma cirurgia para tratar da ateromatose. Mas é um risco. 

De dois conhecidos que fizeram, um morreu durante a operação e outro ficou com sequelas graves. Como qualquer outra pessoa, adoraria morrer dormindo, de enfarte, daqueles fulminantes. Mas nada me garante esse destino, e eu tenho pavor de perder o controle do meu cérebro. Sei bem como é acompanhar alguém que sofreu disso. Antes de morrer, minha mãe passou três anos delirando num leito de hospital, sem reconhecer pessoas e falar coisa com coisa. 

Foi terrível. Proibi minhas filhas de a visitarem. As duas tinham que guardar somente lembranças boas da avó, que não parecia mais um ser humano. Quero livrar as minhas filhas dessa dor. Para mim, a morte é o final feliz. Você e seu sofrimento não existem mais. As pessoas próximas ficam tristes, passam por um período de luto e depois sentem saudade.

Frequento médicos e faço exames regularmente. Não deixei de fumar um maço de cigarros por dia. Não há muito o que fazer nesse estágio da vida. Daqui pra frente, o que vier é lucro. Já deixei tudo pronto para elas. Não tenho mania de morte. Sou bem-humorada. Faço um esforço danado para realizar tudo o que ainda posso. Ultimamente, ando atarefada com a reforma do meu apartamento. 

Não entendo quando alguém sonha viver até os cem anos e não imagina a qualidade de vida e limitações que teria nesta idade. Experimentei muito mais do que várias pessoas de 90 anos. Não fiquei na janela olhando a vida. Aproveitei minha juventude, peguei muito sol, viajei pelo mundo, namorei, casei, me divorciei e trabalhei duro. Não me sinto uma suicida. Jamais pularia da janela. Cada um de nós é diferente e tem a suas crenças. O que serve para mim pode não servir a mais ninguém. Respeito isso. Não sou dona da verdade. Mas sou dona da minha vida."



Hamilton Martins, 45 anos, comerciante (Foto: Cristiano Borges/ÉPOCA)



Espero, de verdade, não precisar"
Hamilton Martins, comerciante, 45 anos 
 
 
"Até agora não tive nenhuma doença grave. Cadastrei-me no serviço da Dignitas para apoiar a causa. Não tenho medo de comentar abertamente minha visão sobre suicídio assistido. Cada um tem direito de decidir a respeito da própria vida. Meus irmãos me entendem e apoiam. Já meus pais nem gostam de ouvir. Posso entendê-los. Não é natural perder o próprio filho. Só não quero que me vejam como louco. Se eu tivesse uma doença crônica ou problema físico incurável, certamente usaria o serviço. A clínica faz algo nobre ao oferecer essa oportunidade para quem está sofrendo. Mas eu espero, de verdade, não precisar usar o serviço."



Ana Paula (nome fictício), 32 anos, ex-atleta (Foto: Mirian Fichtner/ÉPOCA)



Eu não consigo nem comer por conta própria "
Ana Paula (nome fictício), ex-atleta, 32 anos
 
 
"Na escola, eu lutava judô e era a atleta da sala. Depois, me formei em Educação Física e pratiquei todo tipo de esporte. Malhava e corria diariamente, pegava onda quase todo fim de semana e participei de maratona. Tudo acabou há três anos. Dei um mergulho no mar, de um lugar alto, não vi que a água estava rasa e caí de cabeça num banco de areia. Quebrei uma vértebra na coluna cervical e fiquei tetraplégica. Desde então, só consigo mexer a cabeça.

A lesão não tem cura. Passei meses fazendo um tratamento experimental, nos Estados Unidos, e não melhorei. 

Centenas de médicos testam novos métodos e técnicas de cirurgias pelo mundo, cobram caro e não oferecem resultados. Conheço muita gente que viajou, pagou e se frustrou. Por isso, não me arriscaria a fazer uma cirurgia que pode não dar resultado. E o risco de que eu falo não é risco de vida ou financeiro, é o risco de me decepcionar.

Fiquei muito tempo achando que as coisas iriam melhorar e acontecer. Pesquisei muito o assunto e sei que a perspectiva não é boa. Há muita esperança em células-tronco, mas nada palpável até agora. Um cientista brasileiro, Miguel Nicolelis, quer usar a robótica para fazer um tetraplégico dar o pontapé inicial na Copa de 2014. Isso não me anima, não quero usar um exoesqueleto e sair na rua igual ao Robocop. Quero restaurar a função ativa da minha musculatura. Eu faço fisioterapia, a única coisa que posso fazer. De segunda à sexta, participo de sessões para não deixar meus músculos atrofiarem e vou ao psicólogo e psiquiatra, uma vez cada. Eu não sou uma pessoa depressiva ou bipolar, nunca tive tendência para isso. Tento viver minha vida, saio bastante com meus amigos e família. Estou trabalhando numa empresa, onde uso um computador e telefone com adaptações, mas tudo é difícil. Ainda mais quando vejo a vida das pessoas andando e a minha, parada.

Eu não consigo nem comer e escovar os dentes por conta própria. É muito penoso, passivo. Como posso esperar viver uma vida plena e longa se sempre estarei dependendo de alguém? É impossível, inviável e intolerável. Eu tinha uma vida plena até o dia do meu acidente. É fácil me dizer que devo tocar a vida. Não. Eu posso desejar uma qualidade de vida que eu não tenho e não sou obrigada a aceitar aquilo. 

É difícil para quem está de fora entender. As pessoas são egoístas, só pensam no quanto elas vão sofrer se você for embora. Não conseguem ter ideia do seu sofrimento. 

Gostaria que a minha decisão fosse respeitada. Eu entrei em contato com a Dignitas há um ano e meio. Fiquei aliviada em descobrir que lá não é um açougue. Eles se importam, querem saber o que você sente. Com a Dignitas, passei a ter uma alternativa, uma saída. Senti uma paz impressionante ao me cadastrar lá.

Eu sei que não vou envelhecer assim. O suicídio é uma coisa que vai acontecer na minha vida e eu espero que não demore. É algo que precisa ser bem trabalhado em família, porque eu não quero que eles sofram com isso. Principalmente meus pais, ainda mais minha mãe, que me carregou no ventre. 

É muito complicado. Queria organizar uma reunião familiar com um psicólogo para discutir a situação. Não quero fazer nada em desarmonia, não é justo. Eu tive a sorte e oportunidade de ir atrás de tudo possível para melhorar, e mesmo assim não tenho perspectiva. É por isso que vou até a Suíça."


Orlando Correia, 46 anos, funcionário público (Foto: Francois Wavre/Rezo/Polaris/ÉPOCA)



Vejo a Dignitas como um seguro de morte"
Orlando Correia, funcionário público, 46 anos
 
 
"O suicídio marcou minha infância. Quando eu era pequeno, um primo mais velho tentou se matar com um tiro no peito e não conseguiu. Eu acompanhei suas sessões diárias de fisioterapia no hospital, por meses, sem perguntar nada. 

Até hoje não sei qual foi seu motivo. Eu simplesmente ficava olhando para seu rosto, curioso para saber o motivo daquela atitude. Eu achava o suicídio uma coisa medonha, mas tinha certo fascínio. Minha visão a respeito do tema melhorou ao passo que envelheci e amadureci. Comecei a entender que existem vários tipos de suicídio e suicidas. 

Ano passado, vi uma reportagem na televisão e fiquei impressionado com o depoimento de um membro da Dignitas. 

Ele havia sido diagnosticado com uma doença grave que não tinha ainda manifestado os sintomas. 

Mesmo assim, estava indo para a clínica morrer. Fiquei impressionado com a convicção da pessoa e me inscrevi na clínica na mesma hora.

O suicídio não precisa ser uma coisa trágica. Pode ser calmo, bem pensado e com dignidade. No meu caso seria mais fácil tomar uma decisão dessas, já que não tenho filhos nem esposa. Já fui religioso, hoje sou ateu. Eu não tenho problema algum de saúde, nunca desejei me matar e nem teria coragem de pular de um prédio ou dar um tiro no peito. Adoro viver. Mas, se a vida em algum momento se tornar um fardo para mim, ela não terá mais sentido e eu vou procurar uma forma digna e decente de morrer. As pessoas não fazem seguro de vida? Vejo a Dignitas como um seguro de morte."