quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A ARROGÂNCIA TEM NOME: GALVÃO BUENO.

Após as mancadas recentes, o que esperar de Galvão Bueno até 2014?



Por Rogerio Jovaneli | TV Esporte Blog

 
 

Galvão durante briga ao vivo com jornalista em programa do SporTV (Reprodução)
Galvão Bueno ao que tudo indica deverá encerrar a carreira na Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Poderia ser uma espécie de gran finale para um dos maiores narradores da televisão brasileira, presente em diversos momentos da história do esporte. Mas ainda faltam dois anos até a possível aposentadoria e a cada ano que passa o narrador é cada vez mais contestado por seu público.

A sua participação "especial" pelo SporTV em Londres só deu munição aos seus críticos. O esporro ao vivo que deu no seu colega Renato Maurício Prado foi um dos momentos mais deprimentes da televisão nesses Jogos, resultando, inclusive, no afastamento definitivo do jornalista do programa Conexão SporTV no restante da Olimpíada.

O SporTV fez uma excelente cobertura olímpica. A melhor entre as televisões fechadas. Disparada. A presença de Galvão em nada contribuiu para qualificar o trabalho do time do chamado "Canal Campeão". Ao contrário, chamou atenção negativamente, não só pela briga com Renato Maurício Prado, mas também com atitudes infantis, como quando por diversas vezes "brincou" como se fosse uma criança com um recurso tecnológico do SporTV que conseguia colocar virtualmente colegas presentes no Brasil em imagem ao lado do narrador, em Londres, durante a apresentação do Conexão SporTV.

Ninguém vai confirmar isso oficialmente, mas é provável que o canal esteja arrependido de incluir Galvão na cobertura dos Jogos Olímpicos. De grande atração, o narrador acabou virando uma enorme "mala", daquelas bem pesadas, difícil de carregar. E olha que estamos falando de um dos narradores tecnicamente mais precisos e autor de bordões memoráveis, como o recente "Gladiadores do Terceiro Milênio" em sua corajosa entrada no mundo das lutas de MMA (Artes Marciais Mistas). Um desafio para quem até então nunca havia narrado combates desse esporte.

E a Rede Globo, o que ganhou com as mancadas de Galvão no SporTV? Mais rejeição do público em relação a sua principal voz nos grandes eventos esportivos? Provavelmente. Aliás, mesmo antes de chegar a Londres, Galvão já vinha passando por situações constrangedoras, como quando por duas vezes ficou rouco em plena transmissão ao vivo de eventos da emissora. Assim foi na abertura desta temporada de Fórmula 1, o GP da Austrália, e também no amistoso entre Brasil e Estados Unidos.

Costuma-se chamar de "ex-jogadores em atividade" boleiros em idade avançada, sobretudo aqueles que não são profissionais sérios e dedicados fora do campo e por isso sofrem com frequentes problemas físicos. Isso ocorre também com ídolos do futebol, gente que é querida por todos, mas que já não consegue mais atuar em alto nível, daí justamente os seus fãs quererem que se aposentem para não manchar uma bonita carreira.

Então, será que já não chegou a hora para Galvão Bueno "pendurar os microfones"? Conseguirá esse reconhecidamente enorme nome da narração esportiva brasileira reerguer-se nos dois anos que ainda restam até a Copa de 2014, no Brasil?

BELO MONTE: O QUE É RESPONSABILIDADE?

AGU quer afastar procurador que orientou índios a se posicionarem contra Belo Monte


Felício Pontes teria orientado índios da etnia Xikrin a exigirem mais dinheiro da empresa responsável pela construção da Usina

 
A AGU (Advocacia-Geral da União) pediu o afastamento do procurador da República Felício Pontes nos processos que envolvem a construção de Usinas Hidrelétricas. Ele teria orientado índios da etnia Xikrin a exigirem mais dinheiro da empresa responsável pela construção da Usina de Belo Monte. A reclamação foi protocolada o CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público).

A AGU alega que o procurador extrapolou as atribuições previstas por lei aos membros do MPF (Ministério Público Federal), principalmente em relação às UHEs de Belo Monte e São Luiz do Tapajós.

A Reclamação tem como base vídeos publicados no site You Tube que mostraram o procurador orientando índios da etnia Xikrin a exigirem mais dinheiro da empresa responsável pela construção da Usina de Belo Monte. O procurador também teria patrocinado cartilha elaborada por movimento social que estimula a violência na população local contra a construção da UHE Tapajós. O caso foi noticiado pelo Jornal Folha de S. Paulo no último final de semana.

O vídeo foi gravado entre os dias 13 e 14 de outubro em uma das aldeias da terra indígena Tricheira Bacajá, no Xingu e ficou disponível por quatro dias na internet, até ser retirado a pedido do Ministério Público do Pará. A AGU relata que o agente utilizou a internet para publicar em blogs e redes sociais diversos artigos e entrevistas com incentivos à resistência contra a construção das hidrelétricas.

Para a AGU, o comportamento apresentado pelo procurador da República é extremamente parcial, pessoal e distante do que pode ser considerado como adequado a um membro do MPF para garantir proteção ao meio ambiente e aos povos indígenas, ou para atuar como fiscal da lei.

A Procuradoria-Geral da União e a Procuradoria-Geral Federal afirmam na representação que os atos praticados pelo membro do MPF extrapolam as atividades de competência da instituição, elencadas no próprio site da Procuradoria-Geral da República como: atuar em Ação Civil Pública, Ação Civil Coletiva, Ação de Improbidade Administrativa, Inquérito Civil Público, Procedimento Administrativo Civil e Termo de Ajustamento de Conduta.

O documento protocolado nesta quarta-feira ressalta que os atos do procurador “promovem insegurança jurídica e social ao incutir sentimento de revolta desmedida, resistência não pacífica e luta ilegal contra a construção de usinas hidrelétricas e, consequentemente, contra quem a promover”.

Fonte: UOL

  1. FALANDO A VERDADE diz: 14 de agosto de 2012 as 18:36

O indio não responde processo porque não sabe ler e escrever e porque é primitivo. Se ele não pode responder processo e uma autoridade inlfuencia ele a questionar vantagem essa autoridade pode responder processo? Esse procurador é contra tudo que tem desenvolvimento eu acho qe ser autoridade não é só punir é também defender interesse da sociedade. No caso a Belo Monte vai beneficar milhões de pessoas. Será que esse Procurador vai ser investigado e afastado por influenciar os indios a auferir vantagem?


Será possivel que todos estão errado! Somente esse procurador Felicio Pontes está certo? Não acredito. O caso é sério a Policia deve investagar influenciar agitação e criar confusão para tirar proveito. Queria ler um comentario e uma autoridade ou de um advogado corajoso a respeito de legalidade ou da ilegalidade do procedimento do Procurador Felicio Pontes.
 
A Belo Monte é desenvolvimento para a região e para o Brasil. Incentivar criar uma comoção social deve ser crime né? Se fosse um cidadão qualquer seria preso e responderia por crime por incentivar pessoas contra interesse público. Alguem TEM CORAGEM DE SE MANIFESTAR A ME RESPONDER MINHA PERGUNTA?
COmo procurador ele deveria ficar isento e não incentivar as pessoas inocentes contra interesses de Ongs. E as autoridades deveriam punir esse procurador. Pelo jeito ele gosta de aparecer, de ficar na midia. Se um orgão do governo AGU está pedindo o afastamento dele é porque ele esta errado.
    1.  
  • Esse procurador agiu a margem da lei de acordo com interesse de ongns. por que motivo?
      1.                                                                                Quem deve responder essa pergunta é o Procurador Geral, a Policia Federal e demais autoridade. Era bom investigar.


    BRASIL SEM HIPOCRISIA: ESPALHE ESSA IDÉIA!

    JÁ DIZIA JABOR!








    Brasileiro é um povo solidário. Mentira. Brasileiro é babaca.




    Eleger para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari, só porque tem uma história de vida sofrida;

    Pagar 40% de sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de cobrar do governo uma solução para pobreza;

    Aceitar que ONG's de direitos humanos fiquem dando pitaco na forma como tratamos nossa criminalidade.

    Não protestar cada vez que o governo compra colchões para presidiários que queimaram os deles de propósito, não é coisa de gente solidária. É coisa de gente otária.


    Brasileiro é um povo alegre. Mentira. Brasileiro é bobalhão.

    Fazer piadinha com as imundices que acompanhamos todo dia é o mesmo que tomar bofetada na cara e dar risada.

     
    Depois de um massacre que durou quatro dias em São Paulo, ouvir o José Simão fazer piadinha a respeito e achar graça, é o mesmo que contar piada no enterro do pai.

    Brasileiro tem um sério problema. Quando surge um escândalo, ao invés de protestar e tomar providências como cidadão, ri feito bobo.

    Brasileiro é um povo trabalhador. Mentira. Brasileiro é vagabundo por excelência.

    O brasileiro tenta se enganar, fingindo que os políticos que ocupam cargos públicos no país, surgiram de Marte e pousaram em seus cargos, quando na verdade, são oriundos do povo.

    O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado ao ver um deputado receber 20 mil por mês, para trabalhar 3 dias e coçar o saco o resto da semana, também sente inveja e sabe lá no fundo que se estivesse no lugar dele faria o mesmo.

    Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada e não aproveita isso para alavancar sua vida (realidade da brutal maioria dos beneficiários do bolsa família) não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo.

    Brasileiro é um povo honesto. Mentira. Já foi; hoje é uma qualidade em baixa.

    Se você oferecer 50 Euros a um policial europeu para ele não te autuar, provavelmente irá preso. Não por medo de ser pego, mas porque ele sabe ser errado aceitar propinas.
     
    O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado com o mensalão, pensa intimamente o que faria se arrumasse uma boquinha dessas, quando na realidade isso sequer deveria passar por sua cabeça.


    90% de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora. Mentira...


    Já foi. Historicamente, as favelas se iniciaram nos morros cariocas quando os negros e mulatos retornando da Guerra do Paraguai ali se instalaram. Naquela época quem morava lá era gente honesta, que não tinha outra alternativa e não concordava com o crime.

    Hoje a realidade é diferente. Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como 'aviãozinho' do tráfico para ganhar uma grana legal.


    Se a maioria da favela fosse honesta, já teriam existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora, porque podem matar 2 ou 3 mas não milhares de pessoas. Além disso, cooperariam com a polícia na identificação de criminosos, inibindo-os de montar suas bases de operação nas favelas.

    O Brasil é um pais democrático.. Mentira.

    Num país democrático a vontade da maioria é Lei.
    A maioria do povo acha que bandido bom é bandido morto, mas sucumbe a uma minoria barulhenta que se apressa em dizer que um bandido que foi morto numa troca de tiros, foi executado friamente.


    Num país onde todos têm direitos mas ninguém tem obrigações, não existe democracia e sim, anarquia. Num país em que a maioria sucumbe bovinamente ante uma minoria barulhenta, não existe democracia, mas um simulacro hipócrita.


    Se tirarmos o pano do politicamente correto, veremos que vivemos numa sociedade feudal: um rei que detém o poder central (presidente e suas MPs), seguido de duques, condes, arquiduques e senhores feudais (ministros, senadores, deputados, prefeitos, vereadores). Todos sustentados pelo povo que paga tributos que têm como único fim, o pagamento dos privilégios do poder. E ainda somos obrigados a votar.

    Democracia isso? Pense !

    O famoso jeitinho brasileiro.

    Na minha opinião, um dos maiores responsáveis pelo caos que se tornou a política brasileira. Brasileiro se acha malandro, muito esperto. Faz um 'gato' puxando a TV a cabo do vizinho e acha que está botando pra quebrar.

    No outro dia o caixa da padaria erra no troco e devolve 6 reais a mais, caramba, silenciosamente ele sai de lá com a felicidade de ter ganhado na loto.... malandrões, esquecem que pagam a maior taxa de juros do planeta e o retorno é zero. Zero saúde, zero emprego, zero educação, mas e daí?

    Afinal somos penta campeões do mundo né?

    Grande coisa...

    O Brasil é o país do futuro.

    Caramba , meu avô dizia isso em 1950. Muitas vezes cheguei a imaginar em como seria a indignação e revolta dos meus avôs se ainda estivessem vivos. Dessa vergonha eles se safaram... Brasil, o país do futuro !?


    Hoje o futuro chegou e tivemos uma das piores taxas de crescimento do mundo.


    Deus é brasileiro.


    Puxa. Essa eu não vou nem comentar ...

    BELO MONTE: CAPÍTULO RECENTE

    EU DISCORDO...
    Publicado em blogdocjkeudiscordo.blogspot.com.br

    
    Índio Xikrin de Altamira, no canteiro de obras
    A Funai enviou uma carta a índios da região de Altamira dizendo estar "sendo pressionada" a liberar uma nova etapa da obra da hidrelétrica de Belo Monte.

    O documento é assinado pela presidente da Funai, Marta Azevedo, que está no cargo há pouco mais de três meses. A carta, entretanto, omite de onde vêm as supostas pressões.

    Segundo a assessoria de imprensa do órgão, a presidente entende que a Norte Energia - empresa responsável por Belo Monte - "tem pressa para a execução da obra".

    Funcionários da Funai afirmaram à Folha de São Paulo, sob anonimato, que a pressão também é feita pelo Ministério do Planejamento, responsável pelas obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

    Fonte: Folha on-line, acesso em 08/08/12.
    +=+=+=+=+=+=+=+=+=+=+=+=+=+=+=+=+=+=+=

    Ou seja, a D. Dilma quer.

    Quem for contra que saia da frente.

    Mas só num governo muito "bagunçado", um gestor público assina embaixo de um documento ressaltando divergências internas e/ou de projetos de Poder.

    BELO MONTE: "AVENIDA BRASIL"

    Justiça determina paralisação das obras de Belo Monte


    Decisão da quinta turma do TRF diz que houve vícios na aprovação da usina no Congresso Nacional

     AGÊNCIA BRASIL




    O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) determinou a paralisação das obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. A decisão foi tomada após o tribunal identificar ilegalidade em duas etapas do processo de autorização da obra, uma no Supremo Tribunal Federal (STF) e outra no Congresso Nacional. Caso a empresa Norte Energia não cumpra a determinação, terá de pagar multa diária de R$ 500 mil.

    A decisão foi tomada pela 5ª Turma do TRF1, em embargo de declaração apresentado pelo Ministério Público Federal no Pará (MPF/PA). Os procuradores da República haviam entrado, anteriormente, com uma ação civil pública (ACP) pedindo a suspensão da obra, mas o pedido fora recusado. A Norte Energia informou à Agência Brasil que só vai se manifestar nos autos sobre a decisão.

    “Na decisão anterior, o desembargador Fagundes de Deus partiu de premissa equivocada, de que STF tinha declarado a constitucionalidade do empreendimento. Só que esse julgamento não foi feito. O que houve foi uma decisão monocrática da [então presidenta] ministra Ellen Gracie, de atender pedido de liminar da AGU [Advocacia-Geral da União], quando a matéria só poderia ter declarada sua constitucionalidade se aprovada por dois terços da composição plenária da suprema corte”, disse à Agência Brasil o relator do embargo de declaração no TRF1, desembargador Souza Prudente.

    Segundo ele, houve vícios também na forma como o Congresso Nacional tratou da questão. “A legislação determina realização prévia anterior à decisão pelo Congresso Nacional, e o que houve foi uma oitiva posterior [à autorização da obra]”, explicou o desembargador.

    “O Congresso Nacional fez caricatura e agiu como se estivesse em uma ditadura, colocando o carro na frente dos bois. Com isso acabou tomando uma decisão antes mesmo de ter acesso aos estudos técnicos – feitos por equipe multidisciplinar, apontando previamente os impactos ambientais da obra – necessários à tomada de decisão”, argumentou o desembargador.

    sábado, 4 de agosto de 2012

    CAOS NA FUNAI: SERÁ QUE A SOCIEDADE QUER SABER DISSO?





    Foi publicado hoje no DOU o Decreto 7.778 que dá nova versão à reestruturação da FUNAI. Nova versão? Que nada! Apenas piora o já velho e malfadado Decreto 7056 de 2009, que tanto protestou causou da parte dos índios durante todo o primeiro semestre de 2010.

    O Decreto 7.778 traz três novidades: 1. Extingue a Coordenação-Geral de Educação. 2. Cria a Coordenação-Geral de Licenciamento Ambiental. E 3. A Funai ganha 7 DAS 102(1).4; 3 DAS 101.3; 1 DAS 101.2 e 3 DAS 101.1.

    No resto, nenhuma mudança. Mantém as mesmas coordenação regionais, as horríveis CTLs e pronto. Apesar das críticas ferrenhas, não ressuscita as velhas administrações de Altamira, Oiapoque, São Luís, Recife, Curitiba, Porto Velho, para falar nas mais importantes que foram extinguidas. Nem se dá conta de que parte das objeções indígenas à UHE Belo Monte se deve aos desmandos administrativos resultantes da extinção da AER Altamira.

    Estou espantado com o nível de desprezo e concomitante agressividade da presidência (incluindo Casa Civil e MJ) para com a questão indígena. Todo o ano de 2010, caracterizado por protestos e desorganização da FUNAI não foi suficiente para que houvesse uma revisão correta dessa reestruturação. Não foi suficiente a chegada de cento e tantos novos indigenistas, cheios de garra para aplicar as leis do país, querendo participar de uma nova visão indigenista e sendo completamente ignorados pela direção da política indigenista. Não é suficiente o fato de haver uma nova presidente da FUNAI, que certamente não está sendo consultada para nada com esse decreto e o anterior da AGU.

    O que está havendo é o desmanche da FUNAI, no que diz respeito à sua ação indigenista. A FUNAI vai passar a ser um mero referendador da visão política da Casa Civil, AGU e MJ. Vai deixar com o MEC toda a visão de educação indígena, abandonando sua experiência de mais de 40 anos nesse mister. Vai ser coadjuvante do Ibama no que toca a política de licenciamento ambiental, tão atabalhoada como prejudicial aos índios.

    Como na Casa Civil pontifica um ex-seminarista, ligado diretamente ao CIMI, que tem como seu principal conselheiro um ex-advogado do CIMI; como no MJ prevalece um advogado jejuno em questão indígena, aconselhado por representantes do ISA e do CTI, de base paulista e de visão neoliberal e anti-rondoniana do indigenismo, não se pode esperar ações anti-indigenistas diferentes das que estamos presenciando desde 2007.

    Os funcionários da FUNAI em quase todo o Brasil estão de greve geral e plantão permanente na discussão de suas condições e trabalho e em relação ao seu compromisso de serem indigenistas. É uma pena que não estivessem assim em 2010, quando havia uma oportunidade máxima de aliança com os índios em rebelião contra o Decreto 7056. Águas passadas, espero que lição aprendida.

    Agora, com esses dois últimos decretos, caiu a ficha dos funcionários da FUNAI de que não podem dormir no ponto. Ou agem para mudar esses decretos ou se entregam à condição de funcionários abúlicos, desalmados, burocratizados e aniquilados pela mó de uma política anti-rondoniana.

    Será uma grande vergonha para o Brasil, que está sendo perpetrada pela atual política indigenista e por um governo surpreendentemente anti-humanista, o abandono do respeito aos povos indígenas que tinha virado parte da nossa visão brasileira de mundo e uma das nossas mais felizes contribuições à nova civilização mundial, que um dia irá desabrochar.

    Não falo mais de inconstitucionalidades. São tão evidentes. E ilegalidades, grandes por demais. Deixo para os advogados das ONGs se espernearem com isso. A AGU, a advogacia da União, trabalha contra os interesses indígenas. Só isso já é um escândalo. Falo da dignidade brasileira, do respeito que construímos ao longo de 100 anos pelos povos indígenas -- que está sendo vilipendiado e destroçado por essa administração política.

    Nada disso era necessário para desenvolver a Amazônia. Tudo isso é um desmando de ordem descomunal. Poderia ser bem diferente. Pode ainda ser diferente. Mas não do jeito que está.

    Álvaro Tukano reflete sobre o momento atual da FUNAI

    O índio Tukano, do alto Rio Negro, Álvaro Sampaio Tukano, é uma das personalidades mais marcantes do mundo indígena brasileiro. No ano passado ele publicou suas memórias das lutas políticas em que se engajou desde que saiu do internato dos padres salesianos, em São Gabriel da Cachoeira, e tomou o rumo do mundo político e cultural mais amplo. Esse livro deveria ser leitura básica para todos os indigenistas, especialmente os que estão começando a descobrir esse universo especial da nossa vida.

    Pois bem, Álvaro me enviou um email ontem que resolvi publicar nesse Blog para que todos vejam como ele está refletindo sobre o momento atual da FUNAI, com suas mazelas herdadas da gestão anterior, com os jovens indigenistas tomando pé da situação, com a ameaça da traiçoeira armação para demitir Megaron Txukarramãe do serviço público, com a Portaria 303 e tantas outras ameaças que pairam sobre os índios.

    Eis sua carta singela e firme.

    ________________________________

    De: alvaro sampaio

    Assunto: indios fortes.
    Para: merciogomes@uol.com.br, "naiara sampaio"

    Data: Quarta-feira, 25 de Julho de 2012, 22:54

    Dr Mércio. Sentimos a sua falta na Funai. Depois que o Darcy Ribeiro foi para outro mundo, por aqui ficamos sob olhares de gigolôs de índios que invadiram a pobre Funai. No outro dia me encontrei com os certos companheiros de luta....Falamos bastante...O Márcio Meira, infelizmente, acabou com as conquistas nacional e internacional do movimento indígena brasileiro. É bom dizer que, de fato, lutamos contra a ditadura militar. Dentre tantos movimentos sociais, sim, o Mário Juruna foi o mais conhecido por ter o Gravador, que gravou as falsas promessas dos coronéis para atender às necessidades dos índios.

    As tantas horas de gravação, tantas promessas, não eram palavras de homens sérios. Assim, o Juruna foi parar no Congresso Nacional, graças a compreensão do Darcy e Leonel Brizola. O Povo do Rio Janeiro votou no Mário para se o Deputado Federal. No primeiro ano, o Juruna foi o melhor Deputado Federal porque não mediu o sacrifício e disse a verdade. Não deixou o Paulo Maluf ser o Presidente da República. Juruna sempre esteve ao lado do Lula. Chorei muito quando o Juruna morreu. Chorei muito de alegria quando Lula ganhou as eleições, porque tenho feito a defesa ferrenha para levar as mensagens do partido nos lugares mais distantes, difíceis, sem dinheiro.

    Jamais imaginei que o Lula fosse falador, esquecer as promessas para resolver definitivamente as questões indígenas. Para surpresa, os fatos estão ai. Foi nesse governo que os índios sofreram mais. O Presidente da Funai trouxe o Aloysio Guapindaia, especialista de empresas falidas para dar-lhes a vida ideal para o capitalismo. A chefe do Gabinete da Presidência da Fiunai e Elza que assumiu para tratar de culturas indígenas, na verdade, eram, anti-indígenas. Como? Tinha ódio de índios que subiam no elevador, dos índios que dormiam nos porões da Funai, na entrada e nos corredores. Os mais lascados foram os Xavantes...Sofreram muito..Muito mesmo, até agora. A pobre Funai foi assaltada pelas pessoas das Ong´s, especialistas de índios, os gigolôs. Inventaram a CNPÌ, negociaram os Cargos de Confiança, retaliaram a Funai. Mandaram embora os índios que defendiam os parentes. Colocaram os índios à gosto da Elza e Levinho;Museu de Índio - Rio de Janeiro.

    Os índios foram vigiados, não podiam mais vir a Brasilia, porque o presidente da Funai era o inimigo número para combater a presença de índios Xavante em Brasília. De forma cínica, no final do ano, editou a reestruturação da pobre Funai. Depois, chegaram os índios. Passaram uns oitos meses. Enfim, vimos a Funai cheira da Força Nacional para proteger a pessoa física do presidente da Funai e sua equipe. Além disso, o Presidente da Funai deu mais aparato à segurança terceirizada que impedia a entrada de índios na Funai. Foram momentos delicados.

    Pior ditadura que o Márcio Meira colocou em vigor. Hoje, a pobre Funai esta cheira de segurança, foi tomada por pessoas anti-indígenas, grosseiras, cínicas. A Funai se tornou anti-indígena. Enquanto aumento o sofrimento dos índios, o Márcio Meira e outros ganham troféus e, ocupam espaços políticos diante de olhares de líderes que perderam os parentes mortos por pistoleiros. Nunca pensei ver tantos massacres, os gigolôs de índios fazem, é tudo maravilha...O Megarom foi o último guerreiro. Sempre defendeu os direitos de nossos povos. Parabéns!

    Porém, temos que entender que o movimento indígena está forte. Na Rio + 20, mais de 1.800 líderes reprovaram as ações do Márcio Meira. Portanto, foi o Cartão Internacional, Vermelho. Até agora, a pobre Funai serve mais os amigos do Márcio Meira. Para índios -ZERO.

    No outro dia falei com Horácio Kayapó; Depois do Doc da AGU - 303, os índios estavam prontos para guerra conta AGU; Naturalmente, a Funai que estava conivente. Portanto, é a hora de dizer a Verdade. A Funai deveria ser dirigida por índios que defendem realmente os índios, de pessoas novas que estão de greve e, nunca por essas pessoas que dão o prazer a certas pessoas que enganam a Presidente Dilma que foi guerrilheira, presa, torturada e, hoje, querendo ouvir a Comissão da Verdade.

    Queria receber o espaço para dizer que nós, os povos indígenas, fomos traídos e enganados por um governo que construímos nos últimos. A pior dor é essa. Será que podemos fazer o remédio? Então amigos, deve existir em nosso meio, certos antrópologos e outros achando que o Megaron está sózinho.

    Conheço o Megoron e outras lideranças sérias, portanto nós, lideres indígenas, estamos com Megaron. Nós, os líderes que conhecemos a história da Funai e apoiamos a greve dos funcionários e, busca de uma política palpável que atenda aos nossos irmãos.

    Mercio, mando abraço para os nossos guerreiros e guerreiros índios, brancos e brancas, amarelos e amarelas e demais que precisam de vida digna de povos indígena, de florestas em pé. Temos que combater e denunciar a corrupção que acontecem na Funai e outros órgãos do Governo Federal.
    www.merciogomes.blogspot.com