segunda-feira, 30 de setembro de 2013

LATIFÚNDIO: A GUERRA NO CAMPO CONTINUA ...

Em Luciara, latifúndio sem máscaras
Numa pequena localidade à beira do Rio Araguaia, emerge a brutalidade dos que se julgam donos do Brasil
Por Taís González e Bruna Bernacchio
130929-Luciara
A casa de um líder dos retireiros, devastada pelo fogo

Tiros foram disparados contra casas de religiosos. As moradas de dois pequenos agricultores (um deles, também vereador) foram queimadas até a completa destruição. A rodovia MT 100, que dá acesso à cidade, foi bloqueada. Milícias armadas detiveram um ônibus com pesquisadores e estudantes do projeto Nova Cartografia Social da Amazôniae tentaram revistar seus ocupantes. Máquinas foram colocadas na pista de pouso do aeroporto e montaram-se estratégias para evitar a chegada de pessoas pelo rio Araguaia. Entre 20 e 22 de setembro, a pequena cidade de Luciara (2.300 habitantes), no extremo nordeste do Mato Grosso (1160 km. de Cuiabá), viveu de forma concentrada a violência que os grandes proprietários rurais praticam há séculos contra os que resistem a seu poder no campo.

Motivo: um pequeno grupo de fazendeiros quer evitar, à força, a criação de uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável no município. A constituição da unidade é proposta do Instituto Chico Mendes (ICMBio), Visa evitar que se concretize uma ameaça social e ambiental. Há algum tempo, os latifundiários – na verdade “grileiros”, que ocuparam terras públicas – estão avançando sobre os pequenos sítios mantidos, em condições comunais, sustentáveis e de integração com a natureza, por cerca de cem famílias. São os “retireiros do Araguaia”.

Há mais de um século, desde a colonização de Luciara, caboclos vivem da criação coletiva de gado em Mato Verdinho, uma terra da União na beira do Araguaia. São pequenos ordenhadores, que criam à solta seu gado nas pastagens naturais do cerrado e varjões da região, numa dinâmica de agroextrativismo do capim nativo, de forma extensiva e com pouca alteração da paisagem natural. É uma prática tradicional, adequada às características ecológicas e sociais locais. Nestas áreas, há o espaço do retiro, local de moradia e manejo do gado, organizado individualmente ou em grupo. Nos retiros são construídas casas, piquetes para manejo de gado, currais e cisternas. Varjões, lagos, rios, matas não inundáveis e toda a paisagem é de uso comum.

Há cerca de quinze anos, os caboclos articularam-se e formaram duas organizações: Associação dos Retireiros do Araguaia (ARA), e Associação dos Produtores Rurais do Mato Verdinho (Aprumav), apoiada por professores e alunos da Unemat, que mantém uma unidade em Luciara. Aos poucos, desenhou-se a ideia de instituir a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS). Trata-se de uma das categorias definidas no Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC). Visa preservar territórios onde populações tradicionais têm sua subsistência em sistemas sustentáveis de exploração dos recursos naturais. A reserva, julgam os retireiros, poderá frear o avanço de pecuaristas.

 Praia do Araguaia: do outro lado do rio, a Ilha do Bananal
Praia do Araguaia: do outro lado do rio, a Ilha do Bananal

Em 21 de setembro, espalhou-se o boato – depois não confirmado – de que técnicos do ICMBio chegariam à cidade, para iniciar os estudos necessários à criação da RDS. “Tem algumas pessoas, com interesses contrários, disseminando informações erradas de que esses fazendeiros seriam retirados da área. O processo ainda não está pronto, mas precisamos aprofundar esse debate”, disse Fernando Francisco Xavier, representante do instituto no Mato Grosso. Já em 19 de setembro, aliás, os grileiros haviam barrado, segundo a Comissão Pastoral da Terra, dois geógrafos. Também barraram na estrada, por duas vezes, o ônibus da Nova Cartografia Social – um projeto que estimula os povos amazônicos a se auto-conhecerem e mapearem, como parte do desenvolvimento de suas identidades coletivas. Jagunços queriam revistar o veículo, ameaçaram incendiá-lo e proibiram que fossem tiradas fotografias. Também impediram que o grupo seguisse até São Félix do Araguaia. Os geógrafos e alunos pretendiam realizar uma Oficina de Mapas com os retireiros de Luciara.

A cidade, de 2,6  mil habitantes
A cidade, de 2,6 mil habitantes

A prelazia da cidade, braço da Igreja Católica, também virou alvo porque é “acusada” de apoiar o projeto de reserva. Há alguns meses, padres e líderes comunitários foram ameaçados por grupos ligados aos políticos e fazendeiros da região, contrários à demarcação da Terra Indígena Marãiwatsédé, área ocupada pelos Xavantes até a década de 60. O bispo Emérito de São Félix do Araguaia, D. Pedro Casaldáliga, teve que deixar sua casa após seguidas ameaças de morte realizadas por esses grupos.
Na terça-feira (24/9), a Polícia Federal finalmente chegou ao local. Cumprindo ordem judicial, executou a prisão temporária de dois homens, indiciados pelos crimes de constrangimento ilegal, dano, incêndios e formação de quadrilha. A situação segue tensa em Luciara. Lá, o latifúndio expôs suas garras – mas encontrou resistência. 

ÍNDIOS: GOVERNO MANIPULA INFORMAÇÃO E DESRESPEITA DIREITOS INDÍGENAS

Governo desrespeita direitos indígenas


MAÇONARIA: TUDO O QUE VOCÊ QUERIA SABER - Parte II

Mistérios elucidados sobre os maçons
Entramos num templo maçom, bisbilhotamos cada canto e comprovamos: a sociedade secreta já não é tão secreta assim - mas continua uma das mais influentes do mundo
por Texto Eduardo Szklarz, de Buenos Aires

A maçonaria já foi acusada de tudo: fazer rituais sinistros, promover orgias, querer dominar o mundo... Até de estar por trás dos assassinatos de Jack, o Estripador. Muita gente acredita que a organização controla governos e que seus integrantes usam cargos públicos para se ajudar mutuamente. Os maçons, no entanto, garantem que quase tudo isso é besteira. Eles não passariam de um grupo filosófico, filantrópico e progressista. Reconhecem que ajudam uns aos outros, mas que o dever de auxiliar um irmão está sempre sujeito à obrigação maior de cumprir a lei. Afinal, qual é a verdade sobre essa sociedade secreta?

Para começar, a maçonaria não é tão secreta assim. Em vários países, inclusive no Brasil, todo mundo sabe onde ficam as lojas maçônicas e quem são seus membros. Maçons publicam revistas e divulgam suas idéias em sites da internet. E, se antes mantinham seus templos imersos numa aura de mistério, hoje permitem visitas. Nossa reportagem entrou no templo da Grande Loja da Argentina de Maçons Livres e Aceitos, situada na rua Perón, 1242, em Buenos Aires. Durante 3 horas, conversamos com diversos integrantes da maçonaria – e muitos nos entregaram cartões em que se identificavam como membros da ordem.

A julgar por iniciativas desse tipo, parece que a organização nunca foi tão aberta como hoje. Será que o grande segredo da maçonaria é não ter segredo algum, como dizem alguns irmãos? Pode ser. Mas o certo é que eles ainda mantêm sessões a portas fechadas. Angel Jorge Clavero, grão-mestre da Grande Loja da Argentina, tem uma explicação para isso. “A maçonaria não é secreta, mas discreta. As cerimônias que realizamos aqui só interessam a nós, são reservadas aos iniciados.” Para Clavero, é exatamente o que ocorre em qualquer reunião, seja de condomínio ou da diretoria de uma multinacional. “Se você não é dono de um apartamento no prédio ou diretor da empresa, não vão deixá-lo entrar.

VÁRIAS MAÇONARIAS

O argumento do grão-mestre faz sentido. Por outro lado, diretores de empresas não costumam se reunir para debater filosofia, vestidos com aventais coloridos e rodeados de objetos simbólicos. Além disso, nem você nem seus vizinhos de apartamento precisam jurar segredo absoluto sobre o que foi discutido na reunião de condomínio. Na maçonaria, é assim que as coisas funcionam. Para entender os porquês disso tudo, o primeiro passo é levar em conta que não existe uma só, mas várias maçonarias.

A organização é uma rede global, hoje composta de cerca de 6 milhões de integrantes espalhados pelos 5 continentes. Os rituais variam muito, de um país para outro. Cada loja tem autonomia, mesmo que pertença a uma federação nacional ou continental. Algumas usam a Bíblia em suas reuniões. Outras, a Torá ou o Alcorão. Essa diversidade permite que os símbolos maçônicos tenham várias interpretações. E foi graças a ela que personalidades extraordinariamente distintas já vestiram o avental da irmandade: de Mozart a dom Pedro 1º, de Winston Churchill a Hugo Chávez (leia mais no quadro das págs. 14 e 15).

Mas as maçonarias também têm muito em comum. Todas elas, independentemente do país, defendem os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. Veneram o Grande Arquiteto do Universo – como se referem a Deus. E exigem requisitos dos iniciados, que, depois de passar por uma cerimônia de iniciação, vão galgando postos e acumulando mais e mais conhecimentos. Embora proíbam falar de política e religião dentro do templo, os maçons continuam tendo o poder e a influência de sempre. A mesma que eles usaram para orquestrar capítulos decisivos da história, como a independência do Brasil, dos EUA e de quase todos os países da América Latina.

A origem da maçonaria é um mistério até para os maçons. Uma das teorias diz que ela surgiu há cerca de 3 mil anos, durante a construção do Templo de Salomão, em Jerusalém. O rei israelita teria recrutado o arquiteto Hiram Abif, mestre na arte de talhar pedras, que ensinava os mistérios do ofício apenas a pedreiros escolhidos a dedo. No fim da obra, 3 artesãos exigiram que ele lhes contasse os segredos. Abif recusou-se e acabou sendo assassinado por isso.

O martírio do arquiteto jamais foi comprovado. Mesmo assim, significa muito para os maçons. Em The Meaning of Masonry (“O Significado da Maçonaria”, inédito no Brasil), o maçom britânico W.L. Wilmshurst interpreta a morte do mestre como um desastre moral para a humanidade – como se a chama do conhecimento tivesse sido apagada. “Agora, neste mundo escuro, ainda temos os 5 sentidos e a razão, que vão nos proporcionar os segredos substitutos”, escreve Wilmshurst. A maçonaria, portanto, seria um sistema filosófico que discute o Universo e nosso lugar dentro dele. Quanto mais o maçom sobe os degraus da confraria, mais perto ele chega da Luz – ou seja, o pensamento racional.

Outra tese afirma que os maçons são herdeiros dos templários, os cavaleiros que viajaram à Terra Santa no século 12 para defender os cristãos, mas acabaram perseguidos pela Igreja. E existe também quem defenda uma origem ainda mais remota, no Egito dos faraós ou na Grécia antiga. Para a maior parte dos historiadores , contudo, foi na Europa medieval que a maçonaria assentou suas bases. Ela teria começado na forma de sindicatos de pedreiros (masons, em inglês), que construíam monumentos para religiosos e monarcas – entre eles a Ponte de Londres e a Catedral de Westminster, também na capital da Inglaterra.

“Os pedreiros ingleses almoçavam e deixavam suas ferramentas em pequenas casas chamadas lodges [lojas]”, explica o jornalista americano H. Paul Jeffers no livro Freemasons (“Maçons”, sem tradução para o português). Assim como Abif, eles mantinham em segredo seus métodos de construção, pois eram a garantia de melhores salários.

Esses sindicatos floresceram até o século 16, quando os pedreiros tiveram uma surpresa. Abalada pela Reforma Protestante e pela rixa com o rei Henrique 8º, a Igreja parou de construir catedrais. Resultado: contratos para novas obras minguaram. “A maçonaria entrou em crise e sofreu uma grande mudança. Tudo que era ligado à prática do ofício na pedra passou a ser alegórico, e as ferramentas viraram símbolos na contemplação dos mistérios da vida”, diz Jeffers. A ordem deixou de ser “operativa” para ser “especulativa”. E as lojas maçônicas passaram a interpretar esses símbolos por meio de conceitos morais, éticos e filosóficos. A sociedade foi aberta a outros profissionais, como os cientistas, e deixou-se influenciar até pela alquimia.

Em 1717, 4 lojas de Londres se uniram na Grande Loja Unida da Inglaterra, que marcou o início da maçonaria atual. Em 1723, o maçom James Anderson compilou a tradição oral da irmandade numa constituição, cujos lemas eram ciência, justiça e trabalho. Quem não gostou de nada disso foi a Igreja, sentindo seu poder ameaçado por um grupo que rejeitava dogmas, aceitava seguidores de outras crenças e era contra a influência da religião na vida pública. Pior: discutia seus assuntos em segredo, o que só aumentava a desconfiança da Santa Sé. Em 1738, o papa Clemente 12 emitiu uma bula em que excomungava a maçonaria – ratificada em 1983 pelo cardeal Joseph Ratzinger, atual papa Bento 16.

O tiro saiu pela culatra. Quanto mais a maçonaria era difamada, mais ela atraía revolucionários – entre eles, o libertador sul-americano Simon Bolívar e o herói da independência americana Benjamin Franklin. A Revolução Francesa também assumiu os valores maçônicos, mas não com a intensidade que muitos imaginam. “Do mesmo jeito que alguns revolucionários franceses eram maçons, como Jean-Paul Marat, alguns opositores da revolução também eram”, diz o historiador inglês Jasper Ridley no livro The Freemasons (“Os Maçons”, inédito no Brasil). No século 20, a Igreja continuaria no encalço da maçonaria.

CÓDIGOS SECRETOS

A história de perseguição explica por que os maçons desenvolveram códigos para se reconhecer no meio de outras pessoas. No aperto de mão, por exemplo, um tocaria com o indicador no pulso do outro. Ao se abraçar, eles colocariam um braço por cima, outro por baixo, em X, e bateriam 3 vezes nas costas. Mais uma forma de comunicação em lugares públicos seria ficar em posição ereta e com wos pés em forma de esquadro.

Em seus textos, os maçons abreviam as palavras usando 3 pontos em forma de delta. Exemplos: “Ir” é irmão, “Loj” é loja. Hoje, boa parte desses segredos já virou de domínio público. Tanto que o termo usado pelos maçons para se referir a Deus – Jahbulon, resultado da união dos nomes Javé, Baal e Osíris – aparece em quase 30 mil páginas na internet.

Para ingressar na maçonaria, é necessário ter ficha limpa, ser maior de idade e acreditar em um deus, seja ele qual for. O candidato precisa ser convidado por um maçom e só se torna aprendiz após ser aceito numa cerimônia de iniciação no templo, onde se compromete a não revelar o que escutar ali dentro.

“Nossa meta é formar homens melhores, ensiná-los a se libertar dos dogmas e a pensar por si mesmos”, diz o grão-mestre argentino Jorge Clavero. “A maçonaria não é como um partido político, que fixa posições. Ela atua na sociedade por meio de seus homens, silenciosamente. O iniciado faz sua obra entre a família, os amigos e em seu local de trabalho.”

Degraus do conhecimento
No Brasil, o rito mais praticado é o escocês, mas o de York prevalece no resto do mundo

RITO ESCOCÊS

1º grau - Aprendiz iniciado
2º grau - Companheiro de ofício
3º grau - Mestre maçom
4º grau - Mestre secreto
5º grau - Mestre perfeito
6º grau - Secretário íntimo
7º grau - Preboste e juiz
8º grau - Intendente dos edifícios
9º grau - Mestre eleito dos 9
10º grau - Mestre eleito dos 15
11º grau - Cavaleiro eleito dos 12
12º grau - Grão-mestre arquiteto
13º grau - Mestre do 9º arco
14º grau - Grão-eleito perfeito e sublime
15º grau - Cavaleiro do Oriente
16º grau - Príncipe de Jerusalém
17º grau - Cavaleiro do Oriente e do Ocidente
18º grau - Cavaleiro Rosacruz
19º grau - Grão-pontífice
20º grau - Mestre ad Vitam
21º grau - Patriarca noaquita
22º grau - Príncipe do Líbano
23º grau - Chefe do tabernáculo
24º grau - Príncipe do tabernáculo
25º grau - Cavaleiro da serpente de bronze
26º grau - Príncipe da mercê
27º grau - Comendador do templo
28º grau - Cavaleiro do Sol
29º grau - Cavaleiro de Santo André
30º grau - Cavaleiro kadosh
31º grau - Grão-inspetor inquisidor comendador
32º grau - Sublime príncipe do real segredo
33º grau - Soberano grão-inspetor geral
RITO DE YORK
Mestre de marca
Past master (virtual)
Mui excelente mestre
Maçom do real arco
Mestre real
Mestre eleito
Mestre superexcelente
Ordem da Cruz Vermelha
Ordem dos Cavaleiros de Malta
Ordem dos Cavaleiros Templários

Rumo ao topo da pirâmide
A escalada na hierarquia pode levar uma vida inteira

A estrutura da maçonaria tem a forma de duas escadas que começam e terminam juntas. O 1º passo do candidato é se tornar aprendiz. O 2º nível é o de companheiro de ofício e o 3º, de mestre maçom. Os 3 degraus iniciais são comuns ao rito escocês e ao de York. Depois disso, quem quiser subir na hierarquia deve escolher entre os dois sistemas ritualísticos. No escocês são 33 graus, enquanto o de York tem apenas 10. A história dos ritos também é diferente: para muitos estudiosos da maçonaria, o ritual escocês foi fundado na França por imigrantes que fugiam de perseguições. Já o de York surgiu na cidade inglesa de mesmo nome, onde teria sido aberta a primeira loja maçônica da Grã-Bretanha. No Brasil, o rito mais praticado é o escocês, mas estima-se que 85% dos maçons em todo o mundo pratiquem o de York.Alguns personagens importantes da tradição maçônica aparecem sobre os degraus desta ilustração, publicada pela primeira na revista americana Life, em 1956. Entre eles, o rei Salomão (indicando o caminho na base do rito escocês), que construiu o 1º Templo de Jerusalém, e George Washington (no 20º grau do mesmo rito, mestre ad Vitam), primeiro presidente dos EUA. Sob o arco estão as organizações irmãs da maçonaria. Mestres maçons são aceitos na Grotto e na Altos Cedros do Líbano. Meninas que têm um maçom na família podem ingressar na Filhas de Jó ou na Ordem das Garotas do Arco-Íris; mulheres, na Estrela do Oriente; e rapazes, na DeMolay. Apenas maçons de grau 32 e Cavaleiros Templários podem entrar para o Shrine. E a mulher de um Shrine pode ser uma Filha do Nilo.

Até na lua!
De presidente a astronauta, maçons que entraram para a história

GEORGE WASHINGTON - 1732-1799
Foi o primeiro e único a exercer ao mesmo tempo os cargos de mestre de uma loja e presidente dos EUA. Um terço dos presidentes americanos foram da maçonaria.

AMADEUS MOZART - 1756-1791
Um dos maiores compositores de todos os tempos, ingressou na maçonaria a convite de Joseph Haydn, outro gênio da música, membro de uma loja em Viena.

DOM PEDRO 1º - 1798-1834
Chegou ao posto de grão-mestre no Brasil. Deixou a maçonaria assim que foi declarado imperador e proibiu os trabalhos da organização no país, temendo que seu poder fosse contestado.

WINSTON CHURCHILL - 1874-1965
Primeiro-ministro britânico durante a 2ª Guerra Mundial, foi iniciado em 1901, aos 26 anos de idade, na loja maçônica Studholme, em Londres, quando já era parlamentar.

HUGO CHÁVEZ - 1954-
Iniciado por um guarda-costas, segue os passos de outros maçons históricos que ele adora citar em discursos, entre eles: Simon Bolívar, José Martí e San Martín.

NEIL ARMSTRONG - 1930-
O primeiro homem a pisar na Lua era maçom. Ele teria vestido seu avental sobre o traje lunar durante a missão da Apolo 11, mas não há provas de que isso realmente tenha acontecido.

Para saber mais
• Freemasons
H. Paul Jeffers, Kensington Publishing, 2005 (em inglês).

Por dentro do templo maçônico
Um passeio pela Grande Loja da Argentina de Maçons Livres e Aceitos, com explicação para tudo que você veria lá dentro

• ALTAR
Corresponde ao Santo dos Santos, o lugar mais sagrado do antigo Templo de Jerusalém. A poltrona central é usada apenas pelo venerável-mestre, que conduz os rituais.

• COMPASSO E ESQUADRO
Remetem ao tempo em que os maçons eram pedreiros. Por desenhar círculos perfeitos, o compasso representa a busca da perfeição. Já o ângulo reto do esquadro sugere honestidade. A letra “G” vem de God – “Deus” em inglês.

• SOL E CÉU AZUL
São vários os significados atribuídos ao Sol na maçonaria. Rente ao teto do templo, ele pode ser interpretado como conhecimento e esclarecimento mental ou intelectual. O céu azul simboliza a natureza e o Universo.

• CIÊNCIA, JUSTIÇA E TRABALHO
Os 3 adultos à esquerda, neste quadro do italiano Enrique Fabris, representam a ciência (ancião com a tocha da razão), a justiça (mãe carregando o filho) e o trabalho (homem vigoroso com ferramentas). A esfinge central refere-se à sociedade iniciática e o longo caminho a ser seguido pelo homem na busca do conhecimento. O Sol simboliza a natureza, presente em seus 4 elementos: água, fogo, ar e terra. Deles, apenas a água não pode ser dominada pelo homem – daí o mar revolto no quadro.

• AVENTAL
Símbolo de trabalho, ele protege o maçom e indica seu grau (na foto, Angel Jorge Clavero, grão-mestre da Loja Argentina de Maçons Livres e Aceitos). As luvas, sempre brancas, significam pureza, retidão moral e igualdade.

• ESTRELA DO ORIENTE
Com 5 pontas, ela simboliza o homem em seus 5 aspectos – físico, mental, emocional, intuitivo e espiritual. Ao fundo, observa-se a pirâmide com o olho que tudo vê, uma alusão a Deus.

• PISO XADREZ
Representa povos do mundo unidos pela maçonaria. Os triângulos e quadrados simbolizam a harmonia que pode existir na diversidade. Também sintetizam os contrários: Bem e Mal, corpo e espírito.


COMPORTAMENTO: CIÊNCIA EXPLICA PORQUE OS CHEFES SÃO ODIADOS


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Chefe nunca escapa das fofocas fora do trabalho, seja na mesa do bar ou do almoço. É que os chefes bons até existem, mas são raros. E a culpa, claro, é do poder, que traz, além de responsabilidade e dinheiro, uma dose de arrogância e egoísmo. E não sou eu que tô dizendo, é a ciência. Veja só:

SÓ PENSAM EM SI

É inconsciente, mas acontece. Um pessoal da Universidade Northwestern convidou voluntários para uma pesquisa. Metade deles teria um pouco mais de poder de decisão ao longo das atividades do que os outros. Num certo momento, todos tiveram de escrever a letra E na testa. E os poderosos levaram a pior: a maioria escreveu a letra ao contrário ou ilegível. É que os outros se preocupavam mais em como os outros conseguiriam ler aquela letra – aí paravam, pensavam e tinham resultados melhores.

MENTEM SEM CULPA

Eles não se sentem mal em mentir. Não mesmo. Pesquisadores da Columbia Business School designou a alguns voluntários os papeis de líderes ou subordinados. Os poderosos tinham salas grandes e luxuosas, já a sala dos outros “funcionários” não tinha nem janela. Aí todos foram induzidos a mentir (encontraram uma nota de 100 dólares, mas só ficariam com ela se mentissem para os pesquisadores). Em seguida, todos passaram por exames para medir o nível de estresse. Os voluntários “empregados” ficavam mais estressados após as mentiras. Já os “líderes” não se abalavam, ou seja, mentiam sem sentir a menor culpa.

SÃO HIPÓCRITAS

Um pesquisador holandês 
fez testes semelhantes para testar a influência do poder nas pessoas. Seus voluntários participaram de uma brincadeira: uma parte teria de atuar e tomar decisões como se fosse um membro do alto escalão do governo, enquanto a outra turma seria só um cidadão comum, como eu e você. Depois tiveram de responder a algumas perguntas, do tipo “você acha justo exceder o limite de velocidade se estiver atrasado?”. E os que haviam atuado como governantes tendiam a concordar mais com a afirmação. Mas quando eram questionados se os outros deveriam fazer o mesmo, aí eles mudavam de opinião

SE SENTEM SUPER TALENTOSOS (EM TUDO)

Até onde não existe talento 
– tipo, em jogar dados (já conheceu alguém bom em jogar dados?). Pois bem, numa pesquisa da Universidade Stanford, um grupo de voluntários foi convidado a escrever sobre uma situação em que eles agiram com poder, como se fossem chefes. Outra turma não escreveu sobre nada, só esperou. Em seguida, os pesquisadores fizeram uma proposta: se acertassem qual seria o número sorteado nos dados, ganhariam dinheiro. Eles poderiam jogar os dados ou passar a tarefa para outra pessoa. 40% do pessoal que ficou sem fazer nada preferiu não jogar os dados. Adivinha se algum daqueles que haviam se lembrado do momento de poder quis fazer o mesmo? De jeito nenhum, todos eles se sentiram suficientemente bons para tomar os dados e jogá-los na mesa.

NÃO SENTEM COMPAIXÃO

Dessa vez, a pesquisa não simulou situações de poder. Foi em busca dos poderosos de verdade. Para isso, entrevistou algumas pessoas para descobrir quão poderosos elas se sentiam. Foram, então, separados em dois grupos: os poderosos e os reles mortais. Em seguida, tiveram de escutar alguém contar uma história triste, enquanto tinham o cérebro escaneado. E aí que os poderosos, claro, não se comoveram com as histórias.

(Via Cracked)

Crédito da foto: flickr.com/proyecto-garaje 

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

BELO MONTE: MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA DA POPULAÇÃO

Norte Energia importa tecnologia da Inglaterra para montagem dos reservatórios de água em Altamira

As ações do Sistema de Distribuição de Água e Tratamento de Esgoto de Altamira e Vitória do Xingu estão a todo vapor. Desde o início das atividades, em junho deste ano, a empresa executora da obra mantém 26 frentes de trabalho e já concluiu 20% das obras que irão garantir 100% de água potável encanada, esgoto tratado e resíduos sólidos com destinação correta. Ação prevista no Projeto Básico Ambiental (PBA) da usina hidrelétrica Belo Monte, o projeto de saneamento é uma novidade para a região.

Um diferencial do projeto executado pela Norte Energia em Altamira são os oito reservatórios construídos com capacidade de armazenamento de até cinco mil litros de agua tratada. Para agilizar o processo de construção dos tanques, a empresa está importando da Inglaterra tanques em aço com revestimento vitrificado, altamente resistentes e com tecnologia inovadora no Brasil, diferentemente dos modelos habituais, construídos em concreto armado, que demandam grande tempo de execução e necessitam de manutenções constantes com infiltrações. 

Utilizado com bastante êxito nos mercados de agricultura, a partir do início da década de 70, a mesma tecnologia utilizada nos tanques de aço foi introduzida no armazenamento de outros líquidos, focando nos sistemas de abastecimento de água potável. Tecnologia de ponta ao alcance dos moradores de Altamira.

Na zona urbana de Altamira o trabalho está intenso e a previsão de conclusão de todas as atividades, que inclui a instalação das tubulações do sistema de distribuição de água, as tubulações do tratamento de esgoto, a construção da estação elevatória (esgoto) e os oito reservatórios de água, é até julho de 2014. Até lá, o trabalho segue nos bairros Mutirão, Bela Vista, Ibiza, Jardim Independente I e II, Esplanada do Xingu, Santa Ana, Mirante, Premem, Nova Altamira, Boa Esperança, Colina, Jardim Oriente e Don Lorenzo.  

Mudança

Os municípios da área de influencia direta e indireta do empreendimento não possuem tratamento adequado dos resíduos sólidos, a maior parte das cidades depende de poços artesianos para o abastecimento de água, e fossas - a maioria irregulares -, para o descarte dos efluentes. Com o avanço das obras em Altamira e Vitória do Xingu, problemas históricos começam a ficar no passado, garantindo saúde e mais qualidade de vida para essas populações.


CURIOSIDADES: MÚMIA INCA ENCONTRADA INTACTA APÓS 500 ANOS

Múmia Inca intacta após 500 anos
Museu dos Andes exibiu em 2007 pela primeira vez menino e meninas sacrificados há 500 anos. Ritual do império levava crianças nobres a morrer de frio no alto de montanhas. 

Salta, Argentina - Além da donzela Llullaillaco (15), também foram encontrados o menino (7) e a menina do relâmpago (6): três crianças incas, que estavam sepultados em uma montanha árida e gelada há 500 anos como um sacrifício religioso. Perto da fronteira com o Chile, seus corpos congelados estão entre as múmias melhor preservadas já encontradas, ainda com sangue, orgãos internos são encontrados intactos como o coração, pulmões, apenas pele e características faciais foram pouco afetados. Nenhum esforço especial foi feito para preservá-los. O frio e o ar seco e fino fez todo o trabalho. Eles congelaram até a morte enquanto dormiam, e 500 anos depois, ainda se parecia com crianças dormindo, e não múmias. As crianças foram sacrificados como parte de um ritual religioso, conhecido como "capacocha", no qual são colocadas em uma dieta de ganho de peso durante um ano inteiro antes de seu sacrifício e, em seguida, eles foram drogados e deixados em cima do vulcão Llullaillaco.

Eles caminharam por centenas de quilômetros para cerimônias em Cuzco e foram levados até o cume do monte Llullaillaco (yoo-yeye-YAH-co), e, uma vez que eles estavam dormindo, colocadas em nichos subterrâneos, onde eles congelaram até a morte. Bonitas, saudáveis, as crianças fisicamente perfeitos foram sacrificados, e foi uma honra serem escolhidas. De acordo com as crenças incas, as crianças não morrem, mas se juntam aos seus ancestrais e vigiam suas aldeias a partir das montanhas como os anjos. Uma das crianças, uma menina de 6 anos de idade, tinha sido atingida por um raio em algum momento depois que ela morreu, resultando em queimaduras no rosto, parte superior do corpo e do vestuário. Ela e o menino, que tinha 7 anos, tinham crânios levemente alongados, criado deliberadamente por envolvimentos na cabeça - um sinal de status social elevado, possivelmente até mesmo realeza. Os cientistas trabalharam com os corpos em um laboratório especial, onde a temperatura do laboratório inteiro poderia cair para 0 graus, e as múmias nunca foram expostas a temperaturas mais elevadas por mais de 20 minutos a uma hora de tempo, para evitar o descongelamento.

Testes de DNA revelaram que as crianças eram independentes, e tomografias mostraram que eles estavam bem nutridos e não tinham ossos quebrados ou outros ferimentos. A "Donzela" aparentemente tinha sinusite, bem como uma doença pulmonar chamada bronquiolite obliterante, possivelmente o resultado de uma infecção. "Há dois lados", disse Dr. Miremont. "O científico - podemos ler o passado das múmias e os objetos. O outro lado diz que essas pessoas vieram de uma cultura que sobreiveu, e um lugar santo na montanha. " Alguns consideram a exposição como se estivessem numa igreja, disse Dr. Miremont. "Para mim, é um museu, não é um lugar santo", disse ele. "O lugar santo é no topo da montanha."

As montanhas ao redor de Salta abrigam pelo menos 40 locais de sepultamento, outros sacrifícios rituais, mas o Dr. Miremont disse que o povo nativo que vivem nessas regiões não querem mais corpos retirados. "Vamos respeitar os seus desejos," disse Dr. Miremont, acrescentando que três múmias foram suficientes. "Não é necessário quebrar túmulos mais. Gostaríamos de ter boas relações com o povo local."


Postado por prof. Rusinelson às 10:02 

AQUECIMENTO GLOBAL: A TERRA ESTÁ "PEGANDO FOGO", MESMO!

IPCC alerta que é clara a influência humana no clima e pede ações
Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas das Nações Unidas aponta que é extremamente provável, 95%, que as emissões antropogênicas sejam o principal fator responsável pelo aquecimento global
Depois de quatro anos de elaboração, com o trabalho direto de 259 autores de 39 países, que contaram com a ajuda de mais de 50 mil comentários para avaliar 9200 estudos sobre as mudanças climáticas, foi apresentado nesta sexta-feira (27) o “Sumário para os Formuladores de Políticas” do Grupo de Trabalho I (GT I – saiba mais) do Painel intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).
A primeira informação que esse documento destaca é que entre os membros do IPCC – milhares de cientistas de mais de uma centena de países e diversas disciplinas diferentes – existe a confiança de 95% de que as emissões de gases do efeito estufa (GEEs) resultantes das atividades humanas foram responsáveis por mais de metade da elevação média da temperatura registrada entre 1951 e 2010 (mapa ao lado).
“As emissões continuadas de gases do efeito estufa causarão ainda mais aquecimento e transformações em todos os componentes do sistema climático. Limitar as mudanças climáticas exigirá uma redução substancial e sustentada dessas emissões”, afirmou Thomas Stocker, co-presidente do GT I.
“A temperatura da superfície global para o fim do século XXI é projetada para provavelmente ultrapassar os 1,5°C de aquecimento em relação ao período entre 1850 a 1900 em todos os cenários, menos o mais conservador, e ficar acima de 2°C nos dois piores cenários”, completou.
O sumário afirma que essa elevação na temperatura, causada pela maior concentração de GEEs na atmosfera em 800 mil anos, resultará em uma série de transformações em nosso planeta e na forma como acontecem os fenômenos climáticos (veja tabela no fim do texto).
Oceanos e degelo
É considerado altamente provável que até o fim do século o nível dos oceanos suba entre 26 cm a 82 cm, causando impactos para cerca de 70% das regiões costeiras do planeta . A elevação entre 1900 e 2012 foi de 19 cm.
“Com os oceanos se aquecendo, as geleiras e mantos de gelo reduzirão, significando que o nível global do mar continuará a subir, mas a uma taxa mais veloz do que a que vimos nos últimos 40 anos”, afirmou Qin Dahe, co-presidente do GT I.
A crescente acidificação também é um problema que tende a se agravar, sendo que, desde o início da Era Industrial, o pH da superfície dos oceanos subiu 0,1, com um aumento de 26% na concentração de íons de hidrogênio.
A acidificação é a principal responsável pelo processo de “branqueamento” dos recifes de coral. Sem os corais, todo o ecossistema marinho está em perigo.
Segundo o IPCC, nas últimas duas décadas, a Groelândia e a Antártica perderam massa de gelo, e praticamente todas as geleiras do planeta passaram pelo mesmo processo.
A taxa de derretimento nas geleiras teria sido entre 91 a 361 gigatoneladas ao ano no período entre 1971 a 2009.
Na Groenlândia, é muito provável que a perda de gelo tenha acelerado recentemente, passando de 34 gigatoneladas ao ano entre 1992 a 2001, para 215 gigatoneladas anuais entre 2002 e 2011.
Credibilidade
“Observações das mudanças no sistema climático são baseadas em linhas múltiplas de evidências. Nossa avaliação da ciência descobriu que a atmosfera e os oceanos estão mais quentes, que a quantidade de neve e gelo diminuiu, que o nível dos oceanos subiu e que a concentração dos gases do efeito estufa cresceu”, afirmou Dahe.
Durante a reunião desta semana em Estocolmo, na Suécia, onde representantes de mais de uma centena de países participaram da discussão final para a elaboração deste sumário, muito foi falado da desaceleração do aquecimento global nos últimos 15 anos.
O texto final concorda que há um “hiato” na elevação das temperaturas, mas que de nenhuma forma isso compromete a tendência de “robusto aquecimento multi-decadal” já verificado e que deve prosseguir no futuro.
“A temperatura da superfície da Terra em cada uma das últimas três décadas foi sucessivamente mais quente do que qualquer década anterior desde 1850 no hemisfério Norte”, afirma o sumário.
Variabilidade naturais podem ser a resposta para a desacelaração temporária, entre elas a La Niña.
Necessidade de Agir
O IPCC espera que, com essas novas informações, as Conferências das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COPs) e outros fóruns de negociações possam avançar mais rapidamente em direção a um acordo climático ambicioso.
“Este Sumário para os Formuladores de Políticas fornece um panorama importante da base científica das mudanças climáticas. É uma fundação sólida para considerações dos impactos das mudanças climáticas nos sistemas humanos e naturais e sobre as maneiras para lidarmos com esse desafio”, declarou Rajendra Pachauri, presidente do IPCC.
Para o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, o sumário é um alarme para os governos, que não têm se mostrado suficientemente preocupados com as mudanças climáticas. “As informações estão aí. Agora precisamos agir.”
Christiana Figueres, presidente da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), reforçou a mensagem. “Para retirarmos a humanidade da zona de perigo, os governos precisam adotar ações imediatas e estabelecer um acordo climático em 2015 que ajude a acelerar a resposta global às mudanças climáticas.”
O documento também destaca, infelizmente, que precisamos nos preparar para medidas de adaptação, já que muitas das transformações do clima já são inevitáveis.
“Como um resultado de nosso passado, presente e futuro esperado de emissões de CO2, estamos destinados a enfrentar as mudanças climáticas e seus efeitos por muitos séculos, mesmo se as emissões pararem”, alertou Stocker.
O “Sumário para os Formuladores de Políticas” é um resumo do relatório “Mudanças Climáticas 2013 – As bases físicas científicas”, que será divulgado em fevereiro de 2014.
O grande documento síntese de todos os relatórios dos Grupos de Trabalho do IPCC será a Quinta Avaliação (IPCC Fifth Assessment Report – AR5), que deve ser apresentada durante a COP 20, no final do ano que vem em Lima, no Peru.
Por: Fabiano Ávila 
Fonte: Instituto CarbonoBrasil


VIOLÊNCIA: AMEAÇADOS DE MORTE NÃO SE SENTEM PROTEGIDOS

“Prefiro me arriscar do que ficar com a escolta”

Líder extrativista ameaçado de morte no sul do Amazonas denuncia despreparo e abuso dos policiais enviados pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos para protegê-lo
 
“Fiquei doente e deprimido, quase tive um infarto. Para mim chega: pedi a suspensão da escolta”. Antônio Vasconcelos, de 59 anos, é pastor evangélico e principal liderança da unidade de conservação Reserva Extrativista do rio Ituxi, localizada no município de Lábrea, no sul do Amazonas. Único amazonense com direito à escolta do Programa de Proteção de Defensores de Direitos Humanos, está cansado da “falta de preparo” das guarnições destacadas para lhe proteger a mando da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH). Por ter sofrido “agressão verbal e autoritarismo”, diz Antônio, ele prefere “se arriscar” a ter que continuar com a escolta. O pedido de suspensão da proteção policial foi enviado no último dia 23 de agosto para a Secretaria. Na carta, Antônio reclama de estar longe da sua comunidade, sem condições financeiras e afirma “Eu não possuo mais condições emocionais para estar nessa situação”
Hoje, o pastor sente-se abatido, deprimido e doente: meses atrás precisou se internar em um hospital em Porto Velho (RO) por causa do estresse. No início de setembro, esteve em Manaus para firmar uma parceria com o Ibama. Veio sozinho, pois a escolta só lhe acompanha dentro do limite de Lábrea, e conversou longamente com a Pública.
Até dois anos atrás, Antônio Vasconcelos era alvo permanente de fazendeiros que ocupam irregularmente imensas extensões de terras públicas em Lábrea, município localizado na região conhecida como Arco do Desmatamento. No dia 23 de novembro de 2011, eles haviam decidido que chegara a vez do pastor “tombar” – o mesmo que ser assassinado, no vocabulário local. Naquele dia, segundo relatos, dois pistoleiros estavam perto da sua casa, em um hotel da cidade, aguardando o momento certo para disparar contra ele.
Os pistoleiros só não contavam com a coincidência da data. Também no dia 23 de novembro, um grupo de 13 policiais da Força Nacional de Segurança Pública chegava à cidade para iniciar a escolta do pastor. A guarnição chegara subitamente; Vasconcelos só havia sido informado que eles chegariam a qualquer momento. “Os policiais bateram na minha porta e anunciaram o início da escolta. Me explicaram como seria e depois foram se hospedar em um hotel”. E os pistoleiros? “Fugiram”. Ele conta que soube da presença de seus possíveis assassinos por uma camareira do hotel. “Ela ouviu a conversa deles. Quando viram que os policiais chegaram, um deles pegou o celular e ligou para alguém, dizendo ‘sujou, sujou, tem um monte de polícia aqui. Não dá mais para fazer o trabalho’. Decidiram ir embora”.

 
Pastor Antonio em Manaus, em setembro de 2013
Criando uma reserva e fugindo das balas

Nascido em um lar evangélico da comunidade Vera Cruz, à margem do rio Purus, Vasconcelos se mudou com a família ainda criança para outra área, chamada Cucuriã. Na infância, ajudava os pais na exploração de seringa. Foi estudar quando a família se mudou novamente, desta vez para uma “praia” próxima à sede de Lábrea. Serviu o Exército, casou-se e teve oito filhos; trabalhou como segurança, eletricista e até teve seu próprio negócio, que não deu certo.
O curso da sua vida mudou quando precisou trazer a Manaus um filho qua havia sofrido um acidente. Ali, em contato com outros “irmãos” da Igreja Assembleia de Deus, aceitou atuar como pastor em comunidades rurais do rio Ituxi, em Lábrea. “A luta começou quando me tornei pastor”, lembra.
Município nascido a partir da expansão da produção de borracha, Lábrea fica a 702 quilômetros de Manaus. Durante o ciclo da borracha, a população – formada por imigrantes nordestinos que se uniram aos indígenas locais – vivia sob o jugo dos “coronéis de barranco”, como eram chamados os donos dos seringais. Com a sua decadência, os “patrões” continuaram se intitulando os donos da terra, dos rios e dos recursos naturais.

 
O pastor Antônio acompanhado da escola de membros da Força Nacional
Foi neste ambiente que o pastor ajudou a população de 680 pessoas, divididas em 14 comunidades à beira do rio Ituxi um afluente do rio Purus, a transformar a área em uma Reserva Extrativista (Resex) – os 760 mil hectares são cobiçadíssimos por serem ricos em madeira de lei e em diamante.
Ao chegar no rio Ituxi, em junho de 1995, Vasconcelos não se conformou apenas em pregar a palavra de Deus. Incomodado com a falta de perspectiva da população ribeirinha e com a exploração dos “patrões”, passou a ensiná-os a ler e a escrever. Também trabalhou como agente de saúde, sempre de forma voluntária. Depois, cobrou do poder público municipal carteiras escolares, material didático, escola e posto de saúde. “Percebi que faltava alguém para incentivar aquele povo, porque eles erravam por não conhecer. Reuni três comunidades e dava aula em dois turnos para crianças e adultos. Não existia luz elétrica. Cada aluno levava uma lamparina e colocava na carteira. Mesmo assim eles nunca faltavam. Todos tinham interesse em aprender e eu muito mais de ensinar”, lembra.
Hoje, a Resex Ituxi tem 12 escolas. Em uma delas, o professor é um dos oito filhos de Antônio Vasconcelos. A área atualmente tem três agentes de saúde e um barco hospitalar. “Não foi fácil. Foi preciso a gente lutar e gritar”, diz.
Apesar das iniciativas por educação e saúde, as populações das comunidades continuavam sem perspectiva. Foi quando o pastor teve a ideia de oficializar o extrativismo – coleta de produtos como copaíba, seringa, andiroba e castanha. O projeto, com apoio do Ministério do Meio Ambiente, deu certo. “Eu nem sabia o que era Resex. Só ouvia falar e senti necessidade de aprender. Foi quando fiz um intercâmbio nas áreas onde já existiam Resex. Fui a Xapuri, onde morou Chico Mendes. Não sabia que eu já era conhecido. Foi a partir daquela reunião em Xapuri que eu soube que corria risco de morrer”, lembra.
As ameaças começaram em 2001. Em seguida, as perseguições, assim como o início de uma série de registros de boletins de ocorrências na delegacia de Lábrea. “Os poderosos não queriam a Resex porque a terra já estava toda demarcada pelos grileiros. A prefeitura dizia que ia prejudicar a economia local. Foi um embate muito duro. Quando a maioria decidiu pela criação da Resex, eles (os políticos e os fazendeiros) ficaram muito revoltados, mas saímos vitoriosos. A criação da Resex foi assinada em 2007 pelo presidente Lula. Mas foi aí que começou problema. Foi quando passamos a ser ameaçados com mais força. A situação piorou quando mataram o Dinho”, lembra, referindo-se a Adelino Ramos, liderança popular assassinada em 2011.
Dede então, os fazendeiros jamais foram retirados da área. Aqueles que são suspeitos de atentar contra a sua vida e a de outras lideranças seguem em liberdade; os que são presos acabam soltos dias depois. “Uma vez o delegado de Lábrea me chama e diz assim: ‘pastor Antônio, eu tenho 21 mandados de prisão das pessoas que estão lhe ameaçando, mas antes delas serem presas já tem alvará e soltura. A única arma que temos aqui é essa pistola. Os outros lá estão armados até os dentes. Quem de nós vai lá prender? Ninguém vai’. O delegado falou isso e nunca prendeu ninguém”, diz.

 
Reunião da Reserva Extrativista do Rio Ituxi
Antes da chegada da Força Nacional, ele recebia ameaças de morte por telefone e por “recados” que os algozes faziam chegar até seus ouvidos. Uma das vezes em que escapou de morrer foi no mesmo dia do assassinato de Dinho, uma das principais lideranças camponesas do sul do Amazonas, em 27 de maio de 2011. Um pistoleiro correu atrás do pastor que, de bicicleta, pedalou o mais rápido que pode.
Aos poucos, ele percebia que sua vida realmente corria perigo de “tombar”. Em maio de 2012, ele tivera contato com o ouvidor agrário nacional, o desembargador Gercino Silva Filho, em uma audiência ocorrida em Lábrea . No mesmo mês, junto com outros ameaçados de morte, incluindo Laísa Sampaio, irmã da extrativista Maria do Espírito Santo da Silva (assassinada no Pará junto com o marido, José Cláudio Ribeiro, em maio de 2011), ele participou de uma sessão na Câmara dos Deputados. “Eu disse que era um defensor da floresta, mas que a floresta estava clamando por justiça e providências. Mas disse também que a vida do ser humano era mais preciosa. Por isso a gente precisava continuar vivo”.
De volta à Lábrea, Vasconcelos soube que um dos suspeitos de tentar matá-lo havia sido preso. Mas, para sua infelicidade, ele fora solto três dias depois. “Foi quando eu disse para o delegado: quer dizer que é preciso que me matem para prender a pessoa? O senhor pelo menos perguntou a mando de quem ele fez isso? Ele não me respondeu. Um descaso total”.
Com a escolta, quem ficou preso foi o pastor

Nos meses seguintes à chegada da escolta policial, em novembro de 2011, o pastor mudou-se para a cidade de Lábrea. Longe do seu lote de terra, não pode exercer agricultura e extrativismo, e, sem renda, é difícil arcar com as viagens para a comunidade que ajudou a fundar. Assim, sua atuação política e seu trabalho foram fortemente limitados. As ameaças dos pistoleiros sumiram, mas começou para o pastor uma rotina solitária e angustiante. Ele foi obrigado a se distanciar dos amigos e do restante da família (continuava acompanhado apenas da esposa), perdeu a privacidade, sua mobilidade foi reduzida. Apenas eventualmente participava de reuniões com outros moradores da Resex do rio Ituxi. “Minha rotina de trabalho nas comunidades, na coleta de castanha, no plantio da e na atividade da igreja parou”. Mas a parte mais dolorosa foi o tratamento recebido dos policiais.
Antônio Vasconcelos relata que os dois últimos anos foram os mais infelizes da sua vida. O que era para ser um período pacífico e de razoável tranquilidade se transformou em uma fase de estresse e angústia devido aos “abusos e agressões verbais” dos policiais da Força Nacional.
A primeira guarnição ficou apenas uma semana. O grupo substituto era comandando por um “tenente muito mau”, nas palavras do pastor. “Ele chegava na minha casa e colocava a arma na mesa. Me dizia que eu não poderia sair para canto algum. Recebia ameaças dele todos os dias. Uma vez ele ameaçou me prender sob acusação de abuso por desaacto à autoridade. Peguei gastrite nervosa, entrei em estado depressivo. Foi preciso eu denunciar à SEDH. Foi também a única vez em que uma psicóloga dos Direitos Humanos me ouviu”, lembra.
Após pedido de Vasconcelos e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), que acompanha casos de conflitos agrários na Amazônia, o tenente foi substituído. O que ficou no lugar dele acompanhava Vasconcelos à Resex várias vezes. Mas este comportamento não era o mesmo dos outros policiais: “Recentemente sofri um novo problema. Um dos policiais gritou comigo na viatura, me ameaçou e me desrespeitou. Há momentos em que eles ficam colocando músicas imorais em frente da minha casa”. Cansado, decidiu pedir o cancelamento da proteção. “Sem a escolta, quero apenas ter direito a um porte de arma, pois quero voltar a morar na Resex e preciso me defender”.
No ofício enviado no dia 23 de agosto, ao qual a Pública teve acesso, o pastor pede “que seja suspensa minha proteção urgentemente”. No documento, ele descreve seis motivos: “1 – Sou privado de estar na reserva onde resido, pois não me permitem ficar mais de 05 dias, e não tenho condições financeiras de arcar com curtos períodos de viagens sucessivas, pois a despesa de cada viagem é de 2.000 (dois mil reais). 2- Estou passando necessidades financeiros por conta de não estar exercendo minha atividade de agricultura e extrativismo que é minha fonte de renda. 3 – Sou coordenador do projeto Preservida, proteção de quelônios do rio Ituxi e por conta de não poder estar na Resex o meu trabalho encontra-se militado. 4 – Pelo despreparo de alguns soldados da força nacional para este tipo de atividade de proteção. 5 – Eu não possuo mais condições emocionais para estar nesta situação. 6 – Por não ter ocorrido mais nenhuma ameaça contra a minha pessoa”.
Antônio Vasconcelos é um dos mais de 400 ameaçados de morte do país – chamados de “defensores” – incluídos no programa de proteção da SEDH. Atualmente, apenas três policiais lhe fazem escolta. Até ano passado, outra “defensora” do Amazonas, a extrativista Nilcilene Lima, que também tinha escolta, teve sua proteção suspendida pela SEDH. Nilcilene teve que sair de seu assentamento, também em Lábrea, após receber várias ameaças de morte de grileiros e hoje mora em local que não pode ser revelado.
Para CPT, pastor já está sendo “assassinado”

A coordenadora da CPT no Amazonas, Marta Valéria Cunha, dá como certo o assassinato de Antônio Vasconcelos caso ele fique sem escolta policial. E alerta: a responsabilidade será do governo brasileiro. Segundo ela, as primeiras reclamações do pastor sobre o tratamento dado por policiais foram tratadas pela SEDH como casos isolados. “Hoje a gente avalia que o despreparo é total e os bons é que são exceções. O pastor já vinha sofrendo ameaças dos grileiros e estava abalado. O mínimo que poderia ter ocorrido é que os guardas minimizassem esse problema”, disse.
Na avaliação de Marta, “de uma forma ou de outra” o pastor está, de fato, sendo “assassinado”: seja da forma mais lenta, com as doenças que adquiriu durante todo este processo, ou mais rápida, caso seja executado pelos pistoleiros. “Se realmente ele não quer mais a escolta, a pergunta que se faz é: por que ele não quer? Pelo despreparo da Força Nacional. Ele sabe da necessidade da proteção mas está sofrendo e prefere se arriscar em vista da incompetência das equipes”.
Antônio Vasconcelos contou à Pública que desde que entrou no programa de proteção, recebeu apenas “algumas ligações” das pessoas com quem “mantém contato” na SEDH. Até alguns dias após a nossa entrevista, a SEDH ainda não tinha respondido ao pedido de suspensão da escolta. Porém, em meados de setembro, após retornar a Lábrea, Antônio Vasconcelos recebeu alguns telefonemas da SEDH e foi convidado para ir a Brasília relatar pessoalmente a situação e explicar sua decisão de suspender a escolta. Desde então, o local da reunião foi trasferido para Lábrea – mas até esta publicação, Vasconcelos ainda não havia sido informado sobre a data.
A assessoria da Secretaria Especial de Direitos Humanos, contatada pela Pública, respondeu que “os atendimentos aos defensores podem ocorrer in loco ou nas cidades mais próximas. Prioritariamente os atendimentos devem ocorrer na cidade onde reside e atua o defensor”. Sobre as recentes ligações para Antônio, disse também que “contatos por meio de ligações e e-mails são procedimentos de rotina da Equipe Técnica Federal para o acompanhamento e monitoramento do Defensor”.
De acordo com a assessoria, no ofício enviado no dia 23 de agosto o pastor afirmava haver deixado de receber ameaças, e por isso teria pedido a suspensão da proteção policial. À Pública, em novo contato, Vasconcelos reiterou que a solicitação deve-se, sobretudo, ao tratamento dado pelos policiais, embora ele tenha citado outros motivos além deste no ofício. Conforme a assessoria da SEDH, o programa de proteção atende 404 pessoas no Brasil. Outros 152 casos estão em análise. São, em geral, lideranças de direitos humanos de diversos segmentos, com destaque para direito á terra, indígenas, quilombolas e meio ambiente.
A proteção policial “só vem em último caso”. Outras medidas protetivas incluem “articulações com os órgãos e entidades, públicas e privadas, visando à resolução de conflitos e a superação das causas que geram as ameaças; articulações com os órgãos do sistema de justiça dos estados e da União para a defesa judicial e apoio no acompanhamento das violações; articulações com os órgãos de segurança pública dos estados visando a garantia da segurança do defensor de direitos humanos e apuração das violações; adoção de medidas psicossociais; adoção de ações que possibilitem o reconhecimento da atuação do defensor de direitos humanos na sociedade; e, excepcionalmente, a retirada provisória do defensor do seu local de atuação e o uso de escolta policial em casos de grave ameaça ou risco iminente”.
Sobre o comportamento dos policiais, a SEDH afirmou por email que “não há relatos e informações sobre comportamento agressivo de policiais que fazem proteção de pessoas incluídas no Programa”.
Por: Elaíze Farias

Fonte: A Pública