segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

GOLPES: CUIDADO, VOCÊ AINDA VAI SER PEGO EM UM!

A ciência por trás da mentira: por que caímos em golpes?

Colin Barras
Da BBC Future
Golpistas combinam sempre os mesmos sete princípios para enganar vítimas
Pessoas menos inteligentes ou com pouca instrução são sempre mais vulneráveis a golpistas que querem roubar dinheiro. Certo? Não necessariamente.
Até o começo deste ano, o laureado professor britânico Paul Frampton - educado em Oxford - lecionava física na Universidade da Carolina do Norte.
Em 2012, o professor foi condenado a cinco anos de prisão por tráfico de drogas. Ele foi vítima de um esquema de golpistas envolvendo um site de relacionamentos. O caso acabou com sua carreira de professor na universidade.
O psicoterapeuta John Worley também não escapou de uma famosa rede de golpistas nigerianos. Ele foi contatado por e-mail por pessoas que se diziam funcionários do governo da Nigéria. No e-mail, os golpistas pediam ajuda para transferir uma grande fortuna para fora do país.
Tudo que Worley precisava fazer era transmitir uma pequena quantia aos funcionários, para que eles liberassem a fortuna. Worley acabou condenado a dois anos de prisão.
Inteligência não protege
Inteligência e experiência não protegem ninguém contra golpes, segundo David Modic, acadêmico da Universidade de Cambridge que estuda a psicologia por trás dos golpes de internet.
Então o que faz alguém ficar vulnerável? O ponto de partida de Modic foi uma pesquisa com mil pessoas - algumas delas vítimas de golpes. Ele conduziu um teste de personalidade com as vítimas, e identificou várias características em comum.
Algumas dessas características parecem óbvias para qualquer vítima de golpe, como a falta de autocontrole. Mas alguns traços de personalidade geralmente vistos como virtudes - como confiança na autoridade ou desejo de ser amigável - também são mais presentes entre as vítimas de golpes.
Psicólogos podem estar percebendo esses traços só agora, mas os golpistas já sabem disso há muito tempo. Uma forma de convencer as vítimas é fingir que ambos possuem algum conhecido em comum. Quando isso não funciona, outro disfarce eficaz é o de autoridade - alguém como um médico ou advogado.
O pesquisador em assuntos de segurança e privacidade da Universidade de Cambridge, Frank Stajano, também estudou os truques na manga de golpistas. Em seu trabalho, ele contou com a colaboração de Paul Wilson, um mágico que presta consultoria a cassinos.
 
Alguns sites falsos de relacionamento exploram desejos das suas vítimas

Wilson também é roteirista do programa de televisão da BBC The Real Hustle ("O verdadeiro golpe", em tradução livre), no qual ele coordena uma equipe que aplica golpes diversos em pessoas comuns. O objetivo do programa é conscientizar as pessoas sobre os perigos dos golpes, e todo dinheiro "ganho" é devolvido imediatamente.
Sete princípios

Stajano logo percebeu que o programa sempre usa os mesmos sete mecanismos de convencimento. Três destes também coincidem com os identificados por Modic.

O primeiro é o "princípio do tempo" - os golpistas sempre convencem suas vítimas a agir rápido, "antes que seja tarde demais". Assim eles conseguem colocar pressão, sem ter tempo para raciocinar com lógica ou exercer qualquer tipo de auto-controle.

 
Golpe do 'e-mail' nigeriano transforma vítima em cúmplice do crime

Outros dois princípios são o de obediência à autoridade e a "mentalidade de manada". Ambos servem para convencer a pessoa de que seus atos são legítimos. As pessoas têm tendência de sempre se comportar como aqueles a seu redor.
Mas Stajano diz que ainda há outros quatro princípios.
Um deles é o da distração - fazendo com que as pessoas não percebam que estão sendo vítimas de um golpe. Um exemplo é roubar um carro em uma garagem usando um uniforme falso de manobrista. Muito comum nesse caso é o uso de algum tipo de golpista assistente muito atraente sexualmente, como forma de distrair a vítima.

O quinto princípio listado pelos especialistas é o do desejo - golpitas percebem o que as pessoas querem ter e jogam com isso a seu favor. Esse é o segredo de muitos sites de relacionamentos que na verdade são golpes. Em busca de um relacionamento, as pessoas são atraídas por fotos de belas mulheres ou homens.

O sexto princípio é o da desonestidade. Muitas pessoas estão dispostas a infringir um pouco as regras para ter algum benefício. É isso que está por trás do golpe do e-mail nigeriano, no qual a vítima vira cúmplice dos criminosos. Isso dificulta posteriormente a busca por ajuda por parte da vítima, já que ela também cometeu um delito e pode ser punida.

O último dos princípios é o da caridade - pessoas que usam simpatia com o sofrimento dos demais para extorquir dinheiro. Isso pode ser feito por pessoas que se fazem passar por instituições de caridade.
Truque velho
Stajano diz que o fascinante do mundo dos golpes é que a maioria deles existe há séculos - e as pessoas continuam caindo neles.
 Maioria dos golpes existe há séculos - sempre com roupagens diferentes
O golpe do e-mail nigeriano parece ser um produto da era digital, mas, segundo o pesquisador, ele existe desde o século 16. Na época, havia o golpe do "prisioneiro espanhol", em que uma pessoa mandava uma carta a outra pedindo uma contribuição para ajudar a soltar um suposto aristocrata espanhol preso. Quando liberado, o aristocrata recompensaria a vítima com uma vasta fortuna.
O professor de Cambridge afirma que muitos sistemas criados por especialistas em segurança ignoram a "psicologia dos golpes" - e por isso fracassam.
"Muitos profissionais do ramo de segurança pensam: as pessoas são o problema - meu sistema é perfeito e super-seguro, desde que as pessoas aprendam a se comportar", diz Stajano. Para ele, os sistemas de segurança e proteção precisam prever e antecipar o comportamento real das pessoas.
Muitos desses princípios são inevitáveis por serem parte da natureza humana. A obediência à autoridade é uma virtude necessária para se conviver em sociedade. Também o "comportamento de manada" é importante em qualquer relação comercial - todos confiamos em lojas online porque vimos outras pessoas comprarem e receberem seus bens com segurança.



SUSTENTABILIDADE: CIDADES-EXEMPLOS A SEREM SEGUIDOS

Cidades Prazerosas
Enquanto países engatinham na elaboração de agendas nacionais sustentáveis, cidades como Copenhague, Viena, Londres e Melbourne criam modelos locais eficientes
Por Camilo Gomide

 Cidades Prazerosas
No verão, 500 mil pessoas frequentam as praias do rio Danúbio, em Viena.
AfP / Divulgação

Os 25 anos de discussão global sobre mudanças climáticas resultaram em poucos avanços. Os esforços que culminaram no frágil Protocolo de Quioto (1997) tiveram, em novembro de 2013, um anticlímax na COP-19, em Varsóvia, na Polônia. Ainda serão precisos anos para estabelecer metas significativas de redução de emissão de carbono e mitigar os efeitos do aquecimento planetário. No próximo encontro, em 2015, em Paris, os 195 países comprometidos apresentarão propostas de metas voluntárias que deverão entrar em vigor só em 2020, se tudo der certo.
Em compensação, há um conceito de sustentabilidade emergindo vigorosamente em cidades que conseguiram diminuir a pegada de carbono e melhoraram a qualidade de vida dos habitantes com ações concretas. “Enquanto as nações demoram a avançar na agenda dos compromissos com as mudanças climáticas, algumas cidades já traçaram metas ousadas e eficientes, no plano local”, afirma Adalberto Maluf, diretor da 40 Cities, entidade global que reúne cidades com projetos de vanguarda em sustentabilidade para a troca de experiências. Há bons exemplos em todos os continentes.
Pode parecer estranho, mas em Viena, na Áustria, um dos pontos turísticos mais visitados é um incinerador de lixo. A torre do Spittelau, transformada em obra de arte pelo arquiteto austríaco  Friedensreich Hundertwasser em 1989, virou o marco do despertar ecológico da cidade. O lixo incinerado é revertido em energia elétrica e vapor para aquecer residências. Os turistas adoram.
Além disso, 500 mil vienenses frequentam as praias recuperadas do rio Danúbio no verão. A artificial Ilha do Danúbio virou um dos principais pontos de lazer da capital e um exemplo de integração do espaço urbano com a natureza. O parque nasceu da escavação de um canal do rio para evitar enchentes. Com 21 quilômetros, a ilha tem ótimas praias próprias para banho, como Copa Cagrana – mistura de Copacabana com Kagran, o bairro vizinho (veja, no site da revista, uma reportagem na PLANETA 481).

Até 2028, a cidade deverá concluir um novo bairro-modelo sustentável para 20 mil pessoas, o Aspern Urban Lakeside, com zona mista de moradias, comércio, áreas de lazer, centros empresariais, espaços verdes e um lago. O traçado das ruas dará prioridade às bicicletas.
 A qualidade da água do rio que cruza a capital da Áustria é monitorada constantemente.
A qualidade da água do rio que cruza a capital da Áustria é monitorada constantemente.


Carbono zero
Na Dinamarca, quando as metas climáticas globais entrarem em vigor em 2020, Copenhague já estará a cinco anos de concretizar o plano de se tornar uma cidade neutra em emissão de carbono. A estratégia local é reduzir o consumo energético, investir em fontes limpas de energia e aprimorar o sistema de transporte, tornando-o mais inteligente. Para tanto, a frota de ônibus a diesel será trocada por veículos elétricos. Ao mesmo tempo, mais bicicletas serão colocadas nas ruas. O projeto que é contemplado por cidades de vários países, mas não avança, ao que parece, pode dar certo em Copenhague. Os dinamarqueses não ficam só falando a respeito.
Se a Dinamarca tivesse seguido a corrente rodoviária dominante desde a década de 1960, nunca viraria um modelo de planejamento urbano. Em uma época em que parecia fazer mais sentido priorizar o trânsito de carros, Copenhague apostou na criação da primeira rua para pedestres do país. Antes de se tornar o maior calçadão da Europa, com 1 quilômetro de extensão, a Strøget era uma rua comercial dominada por automóveis, assim como todo o centro da cidade. No Natal de 1962, a região foi vetada aos veículos. Eles começaram cedo.

O arquiteto por trás da iniciativa, Jan Gehl, acreditava que os espaços urbanos deveriam servir para a interação social. Na época, foi criticado pela imprensa e por comerciantes, que ponderavam que as pessoas não passariam muito tempo ao ar livre em uma capital gélida. Erraram. As vendas triplicaram e a rua de pedestres foi ocupada pelos moradores. Hoje, 80 mil circulam pela rua 24 horas por dia.
cena de rua em Copenhague, cidade em que 38% da população usa bicicleta nos compromissos diários.
Cena de rua em Copenhague, cidade em que 38% da população usa bicicleta nos compromissos diários.

A experiência reforçou as convicções de Gehl, que defende o planejamento das cidades para o usufruto e o conforto das pessoas. “Somos guiados por nossos sentidos. As coisas têm de estar ao nosso alcance, à nossa altura. A arquitetura tem de ser orientada pela nossa percepção. Os lugares habitáveis são lugares por onde você pode caminhar”, observa David Sim, arquiteto da Gehl Architects.
Essa visão de planejamento urbano permeia o projeto de neutralizar as emissões de carbono da capital dinamarquesa até 2025, melhorando a vida na cidade. “Ser ambientalmente sustentável é o ponto de chegada do nosso plano, mas tudo começou com o desejo de tornar Copenhague uma cidade que ofereça qualidade de vida e crescimento econômico equilibrados”, afirma Jorgen Abildgaard, diretor do projeto climático municipal.
Mudar de rota
“Não pensamos na sustentabilidade apenas pelo viés ambiental, mas em termos sociais e econômicos também”, diz David Sim. Para ser sustentável desse triplo ponto de vista, uma cidade precisa ser desfrutável. Um dos maiores obstáculos para tanto, na maioria dos grandes centros urbanos do século XXI, é o trânsito.
As experiências de mobilidade mais bem-sucedidas pelo mundo investem em um modelo de ações combinadas: aproximar as pessoas dos locais de trabalho, melhorar as calçadas e passarelas para pedestres e priorizar o transporte coletivo ou os individuais não motorizados. Cidades como Londres e São Paulo, por exemplo, sofrem com um nú mero excessivamente alto de carros que congestionam as vias e poluem o ar. As consequências de um sistema de transporte que não flui, não atende a todos e polui ultrapassam as perdas econômicas e os danos de saúde. Elas confiscam das cidades o prazer e a esperança de melhorar.
Um estudo recente publicado pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade da USP revela que as mortes associadas à poluição na cidade de São Paulo representam o triplo das causadas por acidentes. A frota de veículos paulistana responde por 90% das emissões de poluentes. Nos últimos dez anos, o número de carros aumentou 48%, enquanto a população cresceu 7,8%. Na rota em que vai, São Paulo terá 17,5 milhões de veículos em 2040, um para cada habitante. Não há espaço para acomodar essa massa de automóveis.

Em Londres, uma alternativa adotada pela prefeitura foi cobrar pedágio urbano no centro, onde boa parte das atrações noturnas da cidade se concentra. Para transitar ou estacionar nas zonas centrais durante a semana, entre 7 horas e 18 horas, é preciso pagar uma taxa diária de R$ 38. A medida induziu parte dos motoristas a optar por ônibus ou metrô, promovendo uma redução de 30% nos congestionamentos no período. Cerca de 100 mil toneladas de CO2 deixaram de ser lançadas na atmosfera.
rua do centro de Londres marcada com o sinal “C” na pista, indicativo de “congestion charges” (taxas de congestionamento). Entrar de automóvel no centro durante a semana custa R$ 38.
Rua do centro de Londres marcada com o sinal “C” na pista, indicativo de “congestion charges” (taxas de congestionamento). Entrar de automóvel no centro durante a semana custa R$ 38.

Outra das ideias consagradas para o transporte público é a integração inteligente de linhas de ônibus, metrôs e ciclovias. Em várias cidades há exemplos de BRT (Bus Rapid Transit), com corredores exclusivos para ônibus tão eficientes quanto o metrô. Primeiramente testado em Curitiba (PR), o sistema hoje é um sucesso em Vancouver, Paris e Bogotá.
Futuro em pedais
Em Copenhague, cerca de 38% da população utiliza bicicletas nos compromissos diários. Mas, por mais que os dinamarqueses reconheçam os danos causados pelas emissões de dióxido de carbono dos automóveis, não é esse o principal motivo pela escolha das duas rodas. Do total de ciclistas, 61% pedalam por ser mais conveniente; 19%, porque é saudável; 6%, por ser mais econômico; e apenas 1%, por se preocupar com o meio ambiente.
Por ser o meio de transporte mais rápido, eficiente e – não menos importante para a cidade – menos poluente, o plano é elevar o índice de ciclistas diários para 50%, se possível, até 2015. “É uma meta importante, mas um grande desafio. À medida que aumenta o número de ciclistas, aumenta a necessidade por mais infraestrutura. Mas temos um bom ponto de partida”, pondera Abildgaard.
O diretor do programa municipal admite à PLANETA que o maior número de bicicletas nas ruas já causa congestionamentos nas ciclovias na hora de pique. Não se trata, portanto, apenas de convencer as pessoas a abrir mão dos carros. O sistema só é eficiente se for seguro, inteligente e integrado ao transporte público. “Em Copenhague existem valetas que separam o trânsito, primeiro dos pedestres, então das bicicletas e, depois, dos carros, estacionados ou em movimento”, explica David Sim. Falta aumentar o número de ciclovias de acordo com a demanda e a oferta de bicicletas para alugar.
Coleta automatizada
Na década de 1990, quando Barcelona passava por reformas para sediar a Olimpíada de 1992, foi instalado um moderno sistema subterrâneo de coleta de lixo na cidade. Hoje, são mais de 1,5 mil comportas espalhadas pelas ruas e praças, nas quais as pessoas podem jogar o lixo orgânico e o não reciclável. É confortável e funciona como um relógio.

Nesses compartimentos, os dejetos caem em tubulações abaixo do solo e são impulsionados por turbinas, à velocidade de 80 quilômetros por hora, por 35 quilômetros, até os centros de processamento. Dali, o lixo orgânico segue para centrais de compostagem e o lixo não reciclável vai para usinas de metanização, onde é decomposto em metano e dióxido de carbono.
O Spittelau, o incinerador de lixo pop criado pelo arquiteto Friedensreich Hundertwasser em Viena, que virou atração turística.
O Spittelau, o incinerador de lixo pop criado pelo arquiteto Friedensreich Hundertwasser em Viena, que virou atração turística.

Há também caminhões que coletam o lixo reciclável nos contêineres de coleta seletiva, espalhados por praticamente toda a cidade, e o levam às centrais de reciclagem. A prefeitura oferece pontos para o recolhimento de óleo de cozinha, baterias, peças de computadores e outros resíduos contaminantes.
Eficiência energética
A onda de consciência ecológica que conquistou a Alemanha na década de 1970 tornou Friburgo uma das pioneiras a adotar ações para reduzir os impactos ambientais. Hoje, a cidade é mundialmente reconhecida pela eficiência energética. Com a vantagem de ser um dos pontos mais ensolarados do país, Friburgo produz muita energia com painéis solares. O novíssimo bairro de Schlierberg, projetado pelo arquiteto alemão Rolf Disch, foi construído com 59 casas equipadas com painéis fotovoltaicos nos tetos. A vizinhança produz quatro vezes mais energia do que consome.
A economia energética é de fazer inveja a Melbourne, na Austrália, onde um terço do topo do mercado histórico de Queen Victoria foi ocupado por painéis fotovoltaicos, em 2003. A instalação gera 252.000 quilowatts-hora por ano, o suficiente para abastecer 46 casas.
o prefeito conservador de Londres, Boris Johnson, em campanha pelo uso de bicicletas contra os congestionamentos da capital.
O prefeito conservador de Londres, Boris Johnson, em campanha pelo uso de bicicletas contra os congestionamentos da capital.

Também Berlim, na Alemanha, implantou um plano de readequação da rede elétrica em todas as suas construções, públicas e privadas. A companhia de energia municipal moderniza os equipamentos velhos, substituindo por componentes automatizados, mais econômicos, os sistemas de aquecimento, ventilação e iluminação – sem custo. O proprietário paga pelo serviço em prazos de até 12 anos, de forma proporcional ao valor da economia na conta de luz, que chega a 26%.
Reformas urbanas estão avançando em Londres, Copenhague e outras cidades, para torná-las mais prazerosas e racionais. Isoladas, as iniciativas não podem transformar as metrópoles em curto prazo, mas seu papel cultural fará com que a soma das pequenas mudanças provoque uma revolução de dentro para fora em futuro não distante. Quem disse que as megalópoles não

MENTIRA: QUANDO ELA É PREJUDICIAL?

A arte de contar Mentiras
Por Por Sheila Lobato 

 
Você sabia que passamos a metade da nossa existência mentindo? E que, com muita freqüência, a mentira é necessária?
Uma pesquisa feita na Itália mostrou quem a opinião pública pensa que são os maiores mentirosos. Em primeiro lugar, os políticos, com 72% dos votos. Depois, pela ordem, vieram os jornalistas, os comerciantes e os publicitários. No Brasil, uma pesquisa dessas mudaria.
Tão antiga quanto a humanidade, ela faz parte da nossa vida. Está presente nos jornais, nos livros da melhor literatura, em documentos de governo, nos discursos de políticos e até na Bíblia.
Na maioria das vezes, a mentira não passa de uma bobagem. Mesmo assim, o maior teólogo da Igreja Católica, São Tomás de Aquino, deu-se ao trabalho de classificar a mentira em três espécies ou graus: a divertida, a utilitária e a daninha, capaz de causar graves prejuízos. A última é que é importante: ardilosa e sutil, pretende mudar os fatos.
O esforço físico e mental de mentir ganhou representação visual no nariz comprido como o de Pinóquio.
Em qualquer caso, a mentira tem de ser bem contada. Pesquisadores da Temple University, na Filadélfia (EUA), descobriram que contar mentira dá trabalho. Numa experiência, feita com ressonância magnética funcional por imagem, constataram que o cérebro faz um esforço maior que o normal para contar uma mentira. E se é contada a uma pessoa muito próxima, o esforço é dobrado e pode ser perigoso. Quanto maior a intimidade, maior a necessidade de reforçar a mentira contando outras mentiras, para "defender" a primeira. O resultado é um estresse que acaba em somatizações como dores musculares, tiques nervosos e males mais graves.
Mentirosos desse grau podem desenvolver múltiplas personalidades. Uma para cada situação que criaram. E administrar isso transforma a vida num inferno em que o mentiroso vai vivendo até... se queimar. Nesse ponto, a conseqüência mais séria é, além das somatizações, a perda do afeto dos outros. O destino final do mentiroso é o isolamento social.
São Tomás de Aquino diria que é um inferno mais que adequado. Pois o que o mentiroso mais quer é o relacionamento, o convívio com os outros. O mentiroso pensa que, para se relacionar com o mundo, precisa mentir. Não está totalmente errado, mas mentir o tempo todo é uma doença. Ou porque ele se considera tão imperfeito que precisa da mentira como um escudo, ou porque se julga tão superior que a mentira é um disfarce para iludir o outro sobre sua genialidade e afagar o próprio ego.
Pescadores, com suas histórias mirabolantes, também são associados a esse comportamento.
Mas, dos 8 aos 80, o mentiroso é um sujeito inteligente. Um estudo dos doutores Paul Ekman e Maureen O'Sullivan, da Universidade da Califórnia (EUA), mostrou que os mentirosos patológicos têm 26% mais de "massa branca" na região associada à mentira no córtex cerebral. A "massa branca" são as duplas de neurônios com que o cérebro é capaz de criar - portanto, nossa matéria pensante.
Há mentiras que ficam para sempre. Para convencer as pessoas de sua época que o orgulho, a presunção e a falsidade são os piores pecados, o autor bíblico criou o mito do Paraíso e nele fez a serpente contar mentiras à mulher de Adão. Seduzida pelos argumentos, Eva acredita que ela e Adão não morrerão, mas serão como os deuses se comerem da árvore proibida, plantada por Javé no centro do jardim. A árvore da imortalidade estava reservada somente aos que soubessem discernir entre o bem e o mal. Adão e Eva morreriam se comessem seus frutos, pois não estavam preparados. Mas a astúcia da mentirosa cobra faz Eva comer o fruto que não pode e ainda oferecê-lo ao inocente e parvo Adão, que está bem ao seu lado, mas totalmente alheio à conversa da cobra com a mulher.
Haveria outra forma de contar o mistério da criação humana, senão pela mentira de uma cobra? Certamente, mas não se pode garantir que teria o mesmo sucesso. É, de longe, a mentira mais bem-contada da história. E há mais de uma razão para estar na Bíblia. Na teologia cristã, a mentira é o Mal, a própria essência do pecado original. As filosofias orientais não deixam por menos: o próprio mundo é uma mentira, pois não passa de ilusão. Nem nossa mente se salva, pois também ela é uma ilusão. A verdade, só podemos vê-la com os olhos do espírito, através da meditação.
Outra mentira célebre é o "presente" dos gregos aos troianos, que valeu a vitória daqueles na guerra de Tróia. Em sua fábula, Homero faz do cavalo uma alegoria para dizer que mesmo a força precisa da mentira para as grandes conquistas. Platão, um dos maiores filósofos gregos, ensinava que os governantes deviam mentir para o bem do povo. Maquiavel escreveu que o príncipe devia ser "um grande simulador e dissimulador".
Nos tempos modernos, o ex-secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger sustentava que o Estado e, portanto, o estadista têm uma moral diferente da moral do cidadão. Para defender sua teoria, citava Richelieu, Bismarck e Roosevelt. E não é preciso ir tão longe: no Brasil, um ministro da Fazenda, Rubens Ricúpero, perdeu o posto por dizer, antes de uma entrevista à televisão, mas sem saber que já estava no ar, que "no governo a gente dá os números bons e esconde os maus". O platônico Ricúpero não teria renunciado se sua frase tivesse ficado entre ele e o repórter, como pensava.
Mas há verdades que só dão resultado se passarem por mentira. Sabe-se, por exemplo, que o serviço de inteligência inglês mandou informações precisas para os alemães sobre a hora e o local do desembarque na Normandia, na Segunda Guerra Mundial. Não era mentira, mas os alemães pensaram que era e foram vigiar lugares mais ao norte, onde tinham a certeza de que seria feito o desembarque. Ninguém poderia ser louco o bastante, pensavam eles, de desembarcar num lugar como a Normandia.
Uma pesquisa feita na Itália com 1.200 pessoas de ambos os sexos, dos 14 aos 79 anos de idade, mostrou quem a opinião pública pensa que são os maiores mentirosos. Em primeiro lugar vieram os políticos, com 72% dos votos. Depois, pela ordem, os jornalistas, os comerciantes e os publicitários. No Brasil, uma pesquisa dessas mudaria algumas colocações, mas, com certeza, a primeira seria a mesma.
Desmascarar uma mentira não é difícil. O olho atento de uma mulher - os homens são fracos nisso - pode detectar facilmente se uma pessoa está mentindo ou não. Começa pelos olhos, que tremem e piscam mais que o normal. Não fitam o outro diretamente, a pupila se dilata, a voz fica mais fina e a fala se torna hesitante, perdendo a fluidez. O mentiroso faz mais afirmações negativas que o habitual, gesticula muito e toca várias vezes o queixo e o nariz. Ao sorrir, os lábios não se abrem espontaneamente, mas parecem forçados e podem até tremer.
Nem todos esses sinais aparecem juntos. Depende do grau da mentira. No caso dos políticos, quanto mais estridente estiver a voz, mais mentiras estarão contando. E se estiverem abusando das negações ou das afirmações, é porque estão pensando, ou vão fazer, o contrário do que estão dizendo. O invejoso mostrará um olhar vazio quando cumprimentar o colega pela promoção. Seu abraço não tocará a barriga do outro. A amiga que elogia a elegância da outra, mas desvia o olhar dos olhos dela, está dissimulando sua verdadeira opinião.
Os espiões sabem que a melhor forma de esconder a verdade é contar a verdade. É mais ou menos isso o que faz o marido infiel ao dizer em casa, tarde da noite, que saiu com mulheres, respondendo à pergunta aflita de sua mulher: "Onde você estava, meu bem?"
E quando as mulheres, afinal, começam a desconfiar da fidelidade de seus maridos, não é raro que pensem justamente o contrário, achando que eles ainda não chegaram porque, como alegam, estão tendo muito trabalho no escritório. O ser humano tende a aceitar tudo o que confirme sua crença, mesmo quando estapafúrdio.
De acordo com os psicólogos, nossa mente tem uma zona de sombra que é incapaz de olhar de frente a realidade. É nela que nascem as nossas mentiras e onde também se dá a aceitação da mentira dos outros. Mas junto a esse centro há outro maior, que usa recursos do vizinho. É o centro da imaginação. Dele surgem tanto o escândalo como a comédia, o mágico e o estelionatário, o inventor e o grande ator, o cientista e o poeta. Alguma forma de mentira está na base de qualquer arte, como um direito de todos à diversão e ao encantamento. E isso é, de fato, a mais pura verdade. 

EMPRÉSTIMOS: BANCOS USAM CAIXAS ELETRÔNICOS COMO ISCA

Motivos para não fazer Empréstimos em Caixas Eletrônicos

http://cartaoecredito.net/

Empréstimo no Caixa EletrônicoAtualmente, os bancos estão utilizando uma tática para que os seus clientes contratem mais um serviço: os empréstimos em caixas eletrônicos. Para isso, deixam a opção bem visível todas as vezes que o cliente vai fazer uma transação bancária, com frases como “empréstimo rápido e fácil”.

Acontece que muitos desses clientes acabam cedendo à tentação sem ter muita noção que os juros cobrados são altos e, por isso, a comodidade de fazer um empréstimo instantâneo não vale a pena. Mas, por que será?

Juros altos

Os bancos facilitam a realização dos empréstimos nos caixas eletrônicos, mas não informam os clientes dos riscos. A proteste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor) realizou um teste nos principais bancos brasileiros e chegou à conclusão de que posturas abusivas estão sendo assumidas.

Primeiramente, os bancos fazem a propaganda de uma forma insistente, de forma a induzir o cliente a aceitar o empréstimo e pagar os juros, o que é bom para o banco, mas não para o cliente. A diferença de valores entre os empréstimos de caixas eletrônicos oferecidos por cada banco é gritante: varia entre R$4 mil a R$12 mil. O valor das taxas também varia entre uma instituição e outra.

Porém, o fato mais preocupante observado durante os testes é que os bancos têm informado um CTE (Custo Efetivo Total) desses empréstimos menor do que realmente é, o que faz com que os clientes façam o empréstimo, em saber ao certo a porcentagem de juros que será cobrada.

Quase impossível de cancelar

Um outro problema muito comum é a dificuldade que os clientes encontram para cancelar o empréstimo de caixa eletrônico, pois os bancos colocam vários empecilhos para que isso não seja possível. Essa atitude, no entanto, é abusiva e o Código do Consumidor prevê um prazo de desistência do serviço, que é de sete dias.

Portanto, caso o cliente desista de fazer o empréstimo, tem direito. Para isso, é necessário fazer uma solicitação por escrito ao gerente do seu banco e, para garantir que seja recebida, deve ser acompanhada de um aviso de recebimento.


sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

CULTURA: VOCÊ SABE O SIGNIFICADO A MÚSICA "CHÃO DE GIZ" DE ZÉ RAMALHO?



Você sabe o significado da música “Chão de Giz” de Zé Ramalho?

Posted By Duda Renovatio
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Você já parou alguma vez na vida para tentar entender esta música tão complexa? Zé Ramalho consegue ser um dos poucos cantores que compõe músicas com alto repertório (de difícil entendimento) e mesmo assim agrada o gosto popular. Consegue transmitir sentimentos.

Hoje no carro ouvindo Chão de Giz, decidi prestar atenção na letra e bateu a curiosidade de conhecer a verdadeira história da música. De entendê-la! Descobri e achei bacana compartilhar com vocês. Vale a pena a leitura!

Explicação dada, em tese, pelo próprio compositor, O GRANDE POETA ZÉ RAMALHO, sobre Chão de Giz:

Ainda jovem, o compositor teve um caso duradouro com uma mulher bem mais velha que ele, casada com uma pessoa bem influente da sociedade de João Pessoa, na Paraíba, onde ele morava. Ambos se conheceram no carnaval. Zé Ramalho ficou perdidamente apaixonado por esta mulher, que jamais abandonaria um casamento para ficar com um “garoto pé -rapado”. Ela apenas “usava-o”. Assim, o caso que tomava proporções enormes foi terminado. Zé Ramalho ficou arrasado por meses, mudou de casa, pois morava perto da mulher e, nesse meio tempo, compôs Chão de giz.

Sabendo deste pequeno resumo da história, fica mais fácil interpretar cada verso da canção. Vamos lá!

“Eu desço desta solidão e espalho coisas sobre um chão de giz”
Um dos seus hábitos, no sofrimento, era espalhar pelo chão todas as coisas que lembravam o caso dos dois. O chão de giz indica como o relacionamento era fugaz.

“Há meros devaneios tolos, a me torturar”
Devaneios e lembranças da mulher que não o amou. O tinha como amante, apenas para realizar suas fantasias. Quando e como queria.

Fotografias recortadas de jornais de folhas amiúdes”
Outro hábito de Zé Ramalho era recortar e admirar TODAS as fotos dela que saiam nos jornais – lembrem-se, ela era da alta sociedade, sempre estava nas colunas sociais.

“Eu vou te jogar num pano de guardar confetes”
Pano de guardar confetes são balaios ou sacos típicos das costureiras do Nordeste, nos quais elas jogam restos de pano, papel, etc. Aqui, Zé diz que vai jogar as fotos dela nesse tipo de saco e, assim, esquecê-la de vez.

“Disparo balas de canhão, é inútil, pois existe um grão-vizir”
Ele tenta ficar com ela de todas as formas, mas é inútil, pois ela é casada com um homem muito rico.

“Há tantas violetas velhas sem um colibri”
Aqui ele utiliza de uma metáfora. Há tantas violetas velhas (Como ela, bela, mas velha) sem um colibri (um jovem que a admire), dessa forma ele tenta novamente convencê-la apelando para a sorte – mesmo sendo velha (violeta velha), ela pode, se quiser, ter um colibri (jovem).

“Queria usar, quem sabe, uma camisa de força ou de vênus”
Este verso mostra a dualidade do sentimento de Zé Ramalho. Ao mesmo tempo que quer usar uma camisa de força para se afastar dela, ele também quer usar uma camisa de vênus para transar com ela.

“Mas não vou gozar de nós apenas um cigarro”
Novamente ele invoca a fugacidade do amor dela por ele, que o queria apenas para “gozar o tempo de um cigarro”. Percebe-se o tempo todo que ele sente por ela um profundo amor e tesão, enquanto é correspondido apenas com o tesão, com o gozo que dura o tempo de se fumar um cigarro.

“Nem vou lhe beijar, gastando assim o meu batom”
Para quê beijá-la, se ela quer apenas o sexo?

“Agora pego um caminhão, na lona vou a nocaute outra vez…”
Novamente ele resolve ir embora, após constatar que é impossível tentar algo sério com ela. Entretanto, apaixonado como está, vai novamente à lona – expressão que significa ir a nocaute no boxe, mas também significa a lona do caminhão, com o qual ele foi embora – ele teve que sair de casa para se livrar desse amor doentio.

“Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar”
Amor inesquecível, que acorrenta. Ela pisava nele e ele cada vez mais apaixonado. Tinha esperanças de um dia ser correspondido.

“Meus vinte anos de ‘boy’ – that’s over, baby! Freud explica”
Ele era bem mais novo que ela. Ele era um boy, ela era uma dama da sociedade. Freud explica um amor desse (Complexo de Édipo, talvez?).

“Não vou me sujar fumando apenas um cigarro”
Depois de muito sofrimento e consciente que ela nunca largaria o marido/status para ficar com ele, ele decide esquecê-la. Essa parte ele diz que não vai se sujar transando mais uma vez com ela, pois agora tem consciência de que nunca passará disso.

“Quanto ao pano dos confetes, já passou meu carnaval”
Eles se conheceram em um carnaval. Voltando a falar das fotos dela, que iria jogar em um pano de guardar confetes, ele consolida o fim, dizendo que já passou seu carnaval (fantasia), passou o momento.

“E isso explica porque o sexo é assunto popular”
Aqui ele faz um arremate do que parece ter sido apenas o que restou do amor dele por ela (ou dela por ele): sexo. Por isso o sexo é tão popular, pois apenas ele é valorizado. Ela só queria sexo e nada mais.

 “No mais, estou indo embora”
Assim encerra-se a canção. É a despedida de Zé Ramalho, mostrando que a fuga é o melhor caminho e uma decisão madura. Ele muda de cidade e nunca mais a vê. Sofreu por meses, enquanto compôs a música.

Toda essa explicação foi dada pelo próprio Zé Ramalho.