terça-feira, 22 de setembro de 2015

DITADURA: PORQUE QUERER ABRIR MÃO DE NOSSA LIBERDADE?

SOBRE DESEJAR DITADURAS OU A RENÚNCIA DA CIDADANIA

publicado em sociedade por Sílvia Marques
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Pra frente Brasil, de Roberto Farias: filme altamente recomendável para quem sonha com ditaduras militares. Pai de família é confundido com militante político e é torturado até a morte por causa de um mal entendido.

Em um país comandado por uma ditadura, viramos roôs programados ou focas adestradas. Perdemos o direito de pensar, de ter opiniões. Se hoje, alguns podem expressar livremente que querem a ditadura, se realmente a conseguirem, nunca mais poderão falar mais nada. Muitos criticam severamente o sistema atual, mas se esquecem que apesar de todos os horrores que vivemos, podemos dizer o que bem entendermos sem sermos jogados em celas, torturados até a morte ou à loucura.
Diante tantos escândalos e corrupção que assolam o nosso país desde os primórdios da nossa História, pessoas cansadas de tanta violência, negligência política e toda sorte de escárnios que um povo como o nosso enfrenta (aqui, quanto mais honesta, mais desvalorizada a pessoa é) alguns sentem saudade da ditadura militar, sonhando com o dia que poderão voltar do trabalho, da faculdade ou do barzinho depois das 22 h sem medo de ser assaltado ou coisa pior.
Pessoas que pagam os impostos, trabalham e agem corretamente e só veem seus direitos violados por meio de todos os tipos de corrupção e violência, querem pôr ordem na casa.
Mas se esquecem de um gigantesco detalhe: se a situação brasileira está a milênios de distância de qualquer ideal, uma ditadura só jogaria a pá de cal sobre o nosso povo.
Vamos fazer uma analogia? Uma mulher farta do marido mulherengo e beberrão, que gasta tudo que ganha com cachaça, decide sair de casa e se encerrar numa entidade onde ela nunca mais poderá ver a luz do sol ou conversar com outras pessoas. Não lhe faltará comida nem uma cama quente e macia. Ela não precisará mais suportar as grosserias do marido, mas também não poderá expressar nenhum tipo de sentimento ou opinião. Entendem o que quero dizer? Para se livrar de uma situação indesejável, opta pela perda da sua liberdade.
Quando optamos por renunciar à liberdade, abrimos mão de todas as possibilidades existentes. Abrimos mão de sermos nós mesmos, de nos expressarmos de acordo com as nossas crenças e convicções. Abrir mão da liberdade significa morrer com palavras engasgadas na garganta e sentir um medo constante de ser mal interpretado e julgado por uma fala fora de contexto. Abrir mão da liberdade é deixar de sorrir, de rir. É viver numa constante blitz em que as pupilas ficam um pouco dilatadas sempre, à espera de uma punição qualquer.
Em um país comandado por uma ditadura, viramos robôs programados ou focas adestradas. Perdemos o direito de pensar, de ter opiniões. Se hoje, alguns podem expressar livremente que querem a ditadura, se realmente a conseguirem, nunca mais poderão falar mais nada. Muitos criticam severamente o sistema atual, mas se esquecem que apesar de todos os horrores que vivemos, podemos dizer o que bem entendermos sem sermos jogados em celas, torturados até a morte ou à loucura.
Se hoje podemos dizer que preferimos isso ou aquilo, numa ditadura muitos profissionais perdem sua razão de existir. Qual é a função de um artista, de um comunicólogo ou de um professor numa ditadura? Existem duas opções bem básicas: virar adestradores de foca, repetindo apenas o que pode ser falado ou botar a vida em risco juntamente com a dos seus familiares.
Se sentimos nossos direitos violados quando somos assaltados e/ou agredidos nas ruas e no transporte público, as ditaduras também violam os nossos direitos até mesmo porque quem tem direitos são cidadãos. A ditadura cobra um preço muito alto por mais segurança pública e estabilidade econômica: ela toma como pagamento por seus serviços a cidadania.
Não temos direitos numa ditadura porque deixamos de ser cidadãos. Por tal razão, a qualquer momento crianças podem ser arrancadas da casa dos pais, bebês do seio da mãe e serem entregues a qualquer outra família. Por esta razão, a sua casa pode ser invadida a qualquer momento e posta a baixo legalmente falando. Por tal razão, escolas, teatros e escritórios podem ser invadidos a qualquer hora desconsiderando totalmente leis de propriedade, que são caras aos defensores das ditaduras.
Muitos pensam que se beneficiariam com a ditadura pois não se envolveriam mais com política caso se sentissem seguros. E se eles pensarem por algum motivo que você está envolvido? E se ocorrer algum mal entendido? Você provavelmente tentará se explicar enquanto leva choques elétricos, completamente nu e humilhado. Não vai adiantar.

silviamarques


SÍLVIA MARQUES

Paulistana, escritora, idealista, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, amante das artes, da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! .

KAIOWÁ: QUE CULPA TEM OS ÍNDIOS?

O PIOR CEGO É QUEM NÃO QUER VER

publicado em sociedade por Daniele Olimpio

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Enquanto o mundo vê-se chocado com as imagens perturbadoras dos refugiados sírios que chegam à Europa, o Brasil continua enfrentando mais um de seus graves problemas: a letargia e descaso com o que o legislativo e o executivo enfrentam a demarcação de terras indígenas até hoje.
A etnia Guarani-Kaiowá não é desconhecida da opinião pública, que, em 2012,a homenageou em redes sociais diante da ameaça de morte coletiva por uma de suas comunidades após receberem uma ordem de despejo. No entanto, assim como o pau-de-selfie, a indignação no Brasil é moda: Passa depois de um tempo, e o que deveria causar comoção pública restringe-se a nem aparecer nos meios midiáticos. A liminar da ordem de despejo foi suspensa pela Justiça Federal, no entanto, muitos outros problemas continuam sendo desprezados.
Só na semana passada, acontecerem dois conflitos armados entre fazendeiros e indígenas no estado do Mato Grosso do Sul e, pasmem, isso apenas no intervalo de cinco dias. Eles ocorreram longe um do outro, contudo, a causa é a mesma. O estado é um dos grandes atores no cenário econômico devido ao agronegócio, mas a expansão de seu setor esbarra em terras indígenas, cujas demarcações estão emperradas na justiça há muito tempo. O primeiro conflito foi no dia 30 de agosto, no município de Antônio João. A motivação para o atrito foi a ocupação de quatro fazendas de criação de gado pelos índios. As fazendas fazem parte da Terra Indígena Ñande Ru Marangatu, homologada pelo governo Lula em 2005, mas estão em processo de disputa judicial no Supremo Tribunal Federal (STF) há dez anos.
Durante o conflito, diversos indígenas foram atingidos com balas de borracha e espancados pelos fazendeiros. Uma moto dos integrantes da aldeia foi incendiada e o índio Semião Fernandes Vilhalva, de 24 anos, foi morto com um tiro no rosto enquanto tentava encontrar seu filho de 4 anos. O segundo embate aconteceu no último dia 3, entre os municípios de Douradina e Itaporã, situados a cerca de 30 km de Dourados, a segunda maior cidade do MS. O roteiro foi parecido. Um grupo de índios ocupa uma fazenda que pertence à Terra Indígena Panambi-Lagoa Rica, cuja demarcação está sendo estudada pela Funai desde 2008. Em resposta, fazendeiros contra-atacam armados, incendeiam o acampamento e tentam expulsar os índios a tiros. Houve registro de ataques na noite do dia 3 e 4 e na tarde do dia 5. Em todos os ataques, a Polícia Federal foi contatada, mas não chegou ao local à tempo.
O drama vivido por tantas comunidades indígenas é antigo e remonta ao ano de 1940, quando o governo federal doou e loteou terras do estado do Mato Grosso do Sul para agricultores dispostos a produzir no estado. Mas a divisão de terras não respeitava o direito dos povos indígenas, o que só foi assegurado pela Constituição em 1988 e reafirmado pelo Brasil na Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Autóctones, em 2007. No entanto, com a promulgação da Constituição iniciou-se uma série de processos demarcatórios que previam um prazo máximo de cinco anos para sua conclusão. No entanto, como perceptível, até hoje, quase uma centena de áreas sul-mato-grossenses ainda não tiveram seus processos concluídos. Com o processo de disputa da terra parado no STF, centenas de índios vivem confinados em menos de 150 hectares, dos 9.317 que foram homologados. O restante da área foi dividida em fazendas, em posse de latifundiários.
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Infelizmente, as consequências deste confinamento refletem na saúde dos índios. Relatórios da Fundação Nacional de Saúde Indígena (Funasa) do início dos anos 2000 revelaram um alto grau de desnutrição entre crianças e adultos da comunidade. Em 2003, por exemplo, a Funasa encontrou um quadro de desnutrição grave em 27,5% das crianças entre zero e cinco anos.
Além da fome, a indefinição sobre a posse da terra manteve os índios vulneráveis a conflitos. Em dezembro de 2005, o índio Dorvalino Rocha foi assassinado com um tiro à queima-roupa, em seu acampamento. Segundo informações do Conselho Missionário Indígena (Cimi), o tiro teria sido dado por seguranças contratados por fazendeiros da região. No ano seguinte, duas crianças Guarani-Kaiowá – Celiandra Peralta, de um ano e um mês, e Osvaldo Barbosa, de 15 dias – morreram por causas relacionadas às péssimas condições de vida do acampamento às margens da rodovia MS-384. Em 2007, Hilário Fernandes, liderança religiosa da aldeia “Campestre”, foi atropelado às margens da rodovia. Desde então, diversas reuniões com autoridades do governo federal e do Supremo Tribunal Federal (STF) foram feitas, mas nada foi feito.
Com a eleição do Congresso mais conservador desde a redemocratização, duas Propostas de Emenda à Constituição (PEC) ganharam tratamento especial na tramitação de projetos da Câmara Federal: a PEC 215/2000 e a 71/2011. Na prática, as propostas inviabilizam a demarcação de novas terras indígenas – a primeira por interesses políticos e a segunda por razões econômicas. Ou seja, além das ameaças do Congresso, os povos indígenas lidam com a omissão do Governo Dilma, que foi o que menos demarcou terras indígenas desde a redemocratização.
E enquanto os indígenas guerreiam e morrem em busca de um pedaço de terra para viver decentemente, o país inteiro permanece indiferente a tal fato, tornando os graves problemas sofridos por tantas pessoas, mesmo que de outra etnia, invisíveis e isolados. Parece, enfim, que o povo se assemelha aos seus governantes: Ele não quer ver, a mídia ignora, portanto eu também não vejo. O pior é cego é sempre quem não quer enxergar.

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DANIELE OLIMPIO

"Cultura não é ler muito, nem saber muito; é conhecer muito" (Fernando Pessoa).

SOCIEDADE: PRECISAMOS DE UM MUNDO MENOS IDIOTA

POR UM MUNDO MENOS IDIOTA

publicado em recortes por Sílvia Marques
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Sim, precisamos de um mundo menos idiota. Precisamos de um mundo com pessoas que pensam e questionam mais. Precisamos de um mundo com pessoas mais autocríticas, mais assertivas, que invistam mais tempo e energia na reconstrução de valores mais solidários, mais perenes. Precisamos de um mundo com menos frases feitas e estereótipos. Precisamos de um mundo que se preocupe menos com o molho e mais com o peru. Precisamos de um mundo com mais bibliotecas, com mais centros culturais, com mais professores irreverentes, com mais estudantes interessantes e interessados, com mais manifestações artísticas, com mais papos filosóficos, com relações mais informais e afetivas. Precisamos de um mundo com menos hierarquias, com menos necessidade de status ,com menos preconceitos e regrinhas bobas, com menos consumismo, menos superficialidade, menos jogos de palavras, menos culto ao corpo e mais culto à mente e à alma. 
Sempre reitero a importância e o poder da bondade nos meus textos. Inteligência sem bondade vira pedantismo inútil. Divulgar o conhecimento e utilizá-lo em favor do maior número possível de pessoas me parece fundamental se queremos realmente tornar o mundo um local um pouco menos hostil e cruel.
Por outro lado, deveríamos parar de confundir e embolar alguns conceitos básicos: bondade não é sinônimo de burrice e autopreservação não é a mesma coisa que egoísmo. Tampouco, burrice se limita a falta de conhecimento e habilidades. Vamos por partes como um bom esquartejador?
Ser bom é estar aberto ao outro, às necessidades do outro. Ser bom é ser capaz de ouvir e dizer uma palavra de consolo a quem sofre. Ser bom é abdicar de um pouco do seu tempo e energia para ajudar as pessoas. Ser bom é tratar as pessoas com respeito e cortesia, sem manipulá-las, sem tirar proveito das mesmas. Ser bom é encarar o outro como um ser humano, não como um objeto. Ser bom é fazer ao outro o que a gente gostaria que fizessem para gente. Ser bonzinho é se deixar pisar, é se deixar explorar, é se deixar subestimar. É permitir que as pessoas abusem da nossa boa vontade.
Ser egoísta é pensar apenas nas nossas necessidades e sentimentos. É ignorar as outras pessoas. É ser incapaz de um favor ou gentileza para ver o outro feliz. Ser alguém que sabe se autopreservar é entender que não devemos morrer de amor por quem nos despreza. É compreender que não devemos mendigar a amizade de pessoas que não fazem questão da nossa presença. É parar de justificar a crueldade daqueles que nos humilham. É deixar de sofrer por pessoas que não valem a pena, que nada acrescentam e só tiram a nossa energia.
Ser burro vai muito além de não dominar determinados conhecimentos e habilidades. Ninguém domina tudo. Ser idiota é se achar melhor do que os outros, é usar o próprio conhecimento para oprimir, é distorcer as palavras do outro para agredir e causar polêmica vazia, é tratar mal alguém pelo simples fato desta pessoa pensar diferente, é usar termos grosseiros conhecendo termos educados para expressar uma opinião, é se achar o dono da verdade, é desconsiderar as conquistas alheias, é negar o que está diante dos olhos de todos, é subestimar a inteligência alheia, é achar que sabe o bastante, é ignorar a importância do conhecimento teórico e da prática reflexiva, é pensar com a cabeça dos outros.
Sim, precisamos de um mundo menos idiota. Precisamos de um mundo com pessoas que pensam e questionam mais. Precisamos de um mundo com pessoas mais autocríticas, mais assertivas, que invistam mais tempo e energia na reconstrução de valores mais solidários, mais perenes. Precisamos de um mundo com menos frases feitas e estereótipos. Precisamos de um mundo que se preocupe menos com o molho e mais com o peru. Precisamos de um mundo com mais bibliotecas, com mais centros culturais, com mais professores irreverentes, com mais estudantes interessantes e interessados, com mais manifestações artísticas, com mais papos filosóficos, com relações mais informais e afetivas. Precisamos de um mundo com menos hierarquias, com menos necessidade de status, com menos preconceitos e regrinhas bobas, com menos consumismo, menos superficialidade, menos jogos de palavras, menos culto ao corpo e mais culto à mente e à alma.
Precisamos de mais poetas e leitores, de mais artistas, de mais gente vocacionada, de mais gente desencanada, que anda com os sapatos velhos e uma roupa confortável. Precisamos de um mundo em que as pessoas possam rir alto, botar os cotovelos na mesa, dizer como se sentem. Precisamos de um mundo onde reine as ideias, o brilho dos olhos, o sorriso sincero, o calor de um abraço, a alegria de uma cerveja compartilhada. Precisamos de um mundo com pessoas que saibam improvisar e se renovar mais. Precisamos de um mundo com máscaras sociais queimadas. Precisamos resgatar a criança que existe em nós.


Paulistana, escritora, idealista, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, amante das artes, da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida!.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

CONCURSOS: ÓRGÃOS ANUNCIAM SUSPENSÃO DE CONCURSOS

10 órgãos que devem ter concursos 
suspensos

Qual o lado positivo disso?
Publicado por Coruja Concurseira 
 10 rgos que devem ter concursos suspensos
Entre as medidas de corte anunciadas pelo governo para fechar as contas públicas de 2016 estão a suspensão de alguns concursos públicos e o congelamento do reajuste dos servidores. As duas medidas juntas poderão gerar uma economia de R$ 8,5 bilhões para a União.
Somente o Poder Executivo deverá economizar cerca de R$ 1 bilhão com a suspensão dos concursos públicos. Porém, a proposta depende de uma alteração na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), que está em discussão no Congresso.
1. Advocacia-Geral da União (AGU) - 84 vagas para advogado da União da 2ª categoria
2. Aeronáutica - 34 vagas: 22 para a área de engenharia / 3 para a área de administração e economia / 9 para área técnica
3. Agencia Nacional de Aviacao Civil (ANAC) - 150 vagas: 65 para especialista em regulação de aviação civil (nível superior) / 25 para analista administrativo (nível superior) / 45 para técnico em regulação de aviação civil (nível médio) / 15 para técnico administrativo (nível médio)

4. Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) - 34 vagas: 14 para técnico em regulação de petróleo e derivados, álcool combustível e gás natural / 20 para técnico administrativo
5. Agência Nacional da Saúde Suplementar (ANS) - 102 vagas: 36 para técnico em regulação de saúde suplementar / 66 para técnico administrativo
6. Fundação Nacional do Índio (Funai) - 220 vagas: 208 para indigenista especializado (nível superior) / 7 para engenheiro (nível superior) / 7 para engenheiro agrônomo (nível superior)
7. Ministério da Educação (MEC) - 321 vagas: 58 para médico (nível superior) / 44 para enfermeiro (nível superior) / 20 para fisioterapeuta (nível superior) / 7 para psicólogo (nível superior) / 8 para fonoaudiólogo (nível superior) / 167 para técnico de enfermagem / 13 para técnico de laboratório / 4 para técnico em radiologia
8. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) 80 vagas para analista de planejamento e orçamento
9. Serviço Geológico do Brasil - 52 vagas para técnico em geociências (nível médio)
10. Agência Brasileira de Inteligência (Abin) - 470 vagas
Por mais que este cenário pareça desanimador, não é. Vamos olhar pelo lado positivo? Muitas vezes as situações ocorrem de uma forma que a gente não consegue compreender num primeiro plano. Mas se essa previsão de suspensão se confirmar, aproveite para revisar, corrigir as falhas que você teve na sua preparação até aqui, e intensifique sua preparação.
Para ter melhor desempenho e garantir sua aprovação é preciso estratégia e planejamento. Por isso, o Defensor Público Gerson Aragão está disponibilizando seu livro de técnicas e estratégias para concursos. Baixe o livro gratuitamente aqui. Clique!

com informações de Ig e R7
Coruja Concurseira

Dicas motivacionais para concurseiros e examinandos da OAB, ideias de planejamento, estratégias de estudos, e tudo mais que for relacionado a vida de um maluco como eu que não se cansa na primeira aprovação. Twitter: @corujaconcurseira Facebook: Coruja Concurseira



ÍNDIOS X NÃO-ÍNDIOS: ETERNO CONFLITO?

“Os índios estão mais fortes, mas forças anti-indígenas também”

Cientista político e colunista de CartaCapital afirma que a organização indígena se aperfeiçoou, mas esbarra no poder de setores ruralistas e conservadores
 Marechal Rondon (esq.), além de militar, também foi o idealizador do Parque Nacional do Xingu e diretor do Serviço de Proteção ao Índio.
Marechal Rondon (esq.), além de militar, também foi o idealizador do Parque Nacional do Xingu e diretor do Serviço de Proteção ao Índio.
Ao longo das décadas, os indígenas brasileiros conseguiram se organizar politicamente de forma mais efetiva, mas em 2015 enfrentam a possibilidade de sofrerem um duro retrocesso em seus direitos no Congresso Nacional. Para o cientista político e colunista de CartaCapital Felipe Milanez, isso reflete o fato de grupos anti-indígenas também estarem “mais organizados e violentos, agindo dentro e fora das instituições”.
Organizador do livro Memórias sertanistas: Cem anos de indigenismo no Brasil (R$ 70,00, 424 págs., Ed. Sesc), cujo lançamento ocorre nesta quinta-feira 17, em São Paulo, Milanez defende que os índios busquem ocupar os espaços de debates nas zonas urbanas para reagir à pressão que sofrem aos ataques. “É nas cidades que se escolhem os congressistas, que as mobilizações ganham maior atenção da mídia e da opinião pública, e é nas cidades que se tenta justificar o saque aos territórios indígenas”, afirma.
A obra Memórias sertanistas reúne doze personagens que doaram suas vidas para garantir a sobrevivência de povos indígenas. Partindo das experiências destes importantes sertanistas, o livro reflete sobre a forma como a cultura ocidental lida com a natureza e sobre a luta pela sobrevivência dos índios que ainda não foram engolidos pela cultura do consumo e da degradação do meio ambiente. Leia a entrevista a seguir:
CartaCapital: Pela tradição oral dos povos indígenas do continente americano, pode-se dizer que seu livro tem uma importância histórica na preservação da memória de lutas destes povos?

Felipe Milanez: O livro tenta preservar as memórias de dez sertanistas, contadas por eles mesmos, e a de Chico Meireles e os irmãos Villas Bôas, relatadas por duas lideranças indígenas que conviveram com eles. Esses sertanistas lutaram em defesa dos povos indígenas, junto dos indígenas, ao lado deles, mas de dentro do Estado. Nesse sentido, são memórias da luta indígena a partir de agentes do Estado. Ou seja, de dentro do Estado, é possível sim lutar e defender os direitos dos povos indígenas, mesmo que seja contra o Estado e contra os interesses privados.
Os depoimentos expõe algumas contradições da relação entre o Estado brasileiro e os indígenas que vivem aqui. E isso foi feito, por um lado, com o intuito de ajudar os povos afetados por erros do Estado a recuperarem direitos territoriais. O sertanista Wellington Figueiredo diz: “É para os índios que escrevi meus diários”. Por outro lado, no atual momento de crise e de violentos ataques contra os povos indígenas e seus direitos, é importante imaginar formas de resistências inspiradas nas histórias de quem lutou a vida inteira ao lado dos índios. As pessoas que compartilham suas memórias nesse livro fizeram com a intenção de que isso possa ajudar os povos indígenas em suas lutas.
CC: As violências sofridas pelos índios durante a ditadura continuam?
FM: A ditadura intensificou processos de violência que já vinham ocorrendo, e produziu novas estruturas que se mantêm até hoje, bastante fortes, mesmo depois da Constituição de 1988. Isso é: antes da ditadura já se praticavam muitos crimes contra os povos indígenas, como foi sintetizado em dois grandes trabalhos: o livro Os Índios e a Civilização, de Darcy Ribeiro, e o Relatório Figueiredo, elaborado pelo procurador Jader Figueiredo. Durante a ditadura, pelo menos oito mil indígenas foram mortos, por ação ou por omissão do Estado, segundo o relatório da Comissão Nacional da Verdade. A ditadura abriu a infraestrutura da invasão dos territórios indígenas, como a estrada BR 230, a Transamazônica, que afetou diretamente pelo menos 18 povos indígenas, com alguns massacres e muitas mortes.
Até hoje nenhum impacto foi compensado, e a violência persiste, como foi o caso recente de ataques da população local contra os Tenharim, no sul do Amazonas, justamente em razão de um conflito gerado pela Transamazônica. Esse é um exemplo, mas o mesmo ocorre com os Aikewara, igualmente impactados pela abertura de uma estrada em seu território, no Pará, ou os Guarani e os Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, que tiveram a invasão de seus territórios intensificada durante a ditadura. Talvez um dos piores legados da ditadura, e que persiste até hoje, é o assassinato de lideranças indígenas, seja por forças do Estado, ou então por aqueles que vêem os índios como seus inimigos.
CC: Hoje os índios estão mais organizados?
FM: Os índios começaram a se organizar, em diferentes uniões políticas pan-indígenas, a partir dos anos 1970, e mais intensamente nos anos 1980, com a União das Nações Indígenas, liderada por Ailton Krenak. Os índios foram percursores de muitos movimentos sociais, inspiraram a luta de Chico Mendes e dos seringueiros pelas Reservas Extrativistas, e foram pioneiros no debate sócio-ecológico, contrapondo-se às formas de conservação hegemônicas, que seguem uma velha ideologia ocidental de separar sociedade de natureza, para propor formas sofisticadas de preservação e convívio com o meio ambiente.
Hoje estão organizados em centenas de associações, federações, articulados em uma ampla rede política, e detêm mais ferramentas de comunicação e informação. Por isso, não só não dependem da Funai, pois a Funai se tornou, como antes, um órgão de repressão às iniciativas indígenas. Atualmente, a Funai serve mais ao governo e aos interesses do governo do que na defesa dos povos indígenas. E grandes lideranças estão sendo perseguidas pela Funai e pelo governo, através de processos administrativos, como o que sofre o líder kayapó Megaron Txucarramãe. Por isso, os indígenas estão mais fortes e organizados politicamente, mas as forças anti-indígenas também estão mais organizadas e cada vez mais brutais e violentas, agindo dentro e fora das instituições.
CC: E os perigos contra seus direitos são maiores?
FM: Há um verdadeiro massacre de direitos em pauta no Congresso Nacional, cujo principal objetivo é destruir a Constituição de 1988. A principal força por trás disso é o consenso das commodities, operado pela política neoextrativista e neodesenvolvimentista do governo junto dos tradicionais piratas e saqueadores, como são os ruralistas e grandes mineradoras, para a extração massiva para exportação dos recursos naturais do País. Essa riqueza, já sendo extinguida por todos os lados, ainda está preservada graças aos povos indígenas, e é contra eles que miram com violência, racismo e discriminação.
CC: Os indígenas ainda sofrem racismo no Brasil?
FM: Não é fácil o combate ao racismo no Brasil, apesar do imenso esforço dos indígenas. O racismo caminha ao lado do interesse nos recursos dos territórios indígenas, como um neocolonialismo. A democracia que seguiu a ditadura chegou menos aos indígenas do que aos brancos. Há uma hierarquia de cidadanias, de classes étnicas: os indígenas são inferiorizados, animalizados, bestializados. Isso continua muito forte. Dentro do governo são discriminados, por juízes racistas são discriminados, e assassinados como animais por ruralistas.
CC: Ao retomar a história dos povos indígenas, seu livro busca apresentar para os moradores de grandes cidades uma saída para uma sociedade mais harmoniosa e sustentável?
FM: É preciso reestabelecer uma conexão entre as cidades e as lutas indígenas. Os moradores das cidades são agentes fundamentais para lutar ao lado dos povos indígenas em face das frentes violentas em campo. É nas cidades que se escolhem os congressistas, que as mobilizações ganham maior atenção da mídia e da opinião pública, e é nas cidades que se tenta justificar o saque aos territórios indígenas, como a infeliz argumentação da necessidade imperativa de Belo Monte para algum indivíduo poder ligar seu computador ou usar o ar condicionado. Não é preciso matar um Arara, ou um Xikrin, para ter energia em São Paulo. Não é preciso matar um Guarani para que a balança comercial se recupere. Não é preciso “genocidar” os indígenas para que outros brasileiros, nas cidades, sejam felizes. É justamente ao contrário: defender os direitos indígenas é defender os direitos da maioria da população brasileira, contra uma violenta minoria que pensa apenas em seus próprios interesses pessoais e usam todas as armas para garantir seus benefícios.
Agenda:
Dia: 17/09/2015
Horário: 19 horas
Local: Livraria da Vila
Endereço: Alameda Lorena, 1731 – Jardim Paulista, São Paulo.
Fonte: Carta Capital 

COMPORTAMENTO: "NÃO SE COMPRA AMIGOS EM LOJAS!"

A ARTE DE CATIVAR

publicado em literatura por Erick Morais

Em meio a uma vida extremamente dinâmica, em que todos estão sempre com pressa, você tem perdido tempo para cativar alguém?
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Cativar segundo o dicionário significa impressionar uma pessoa (ou várias) com seu caráter ou jeito de ser, agir ou falar. Isso mesmo, impressionar com o caráter ou jeito de ser. Entretanto, parece-me que esse verbo está ficando obsoleto. Talvez, eu esteja errado, mas me consolo, ao saber que uma das figuras mais sábias da literatura divide a mesma opinião.
Em um mundo cada vez mais dinâmico, em que as pessoas estão sempre com pressa, perder tempo com alguém não faz parte do cardápio. A modernidade líquida com a sua fluidez apresenta um problema no que tange às relações humanas, qual seja, a dificuldade em criar laços.
Essa dificuldade foi percebida como muita sensibilidade por Saint-Exupéry, no seu magnífico (foi difícil escolher a palavra) “O Pequeno Príncipe”. Na obra, lá pela parte XXI, o principezinho encontra uma raposa, a qual lhe transmite ensinamentos sobre a arte de cativar.
“[...] Que quer dizer “cativar”? É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa criar laços.”
Cativar é uma arte que realmente está esquecida. Não queremos perder tempo com ninguém, logo não buscamos criar laços. Pelo contrário, temos necessidades de relações com facilidade em desconectar (já se perguntou por que o facebook faz tanto sucesso?). Construir laços é muito trabalhoso e leva tempo. E tempo é o que não temos no mundo líquido.
Por que devo perder tempo cativando alguém, isto é, construindo laços, se posso a cada dia ter novos “amigos”? A conta é simples – quando enjoo de alguns, troco por outros – e o melhor: a conta sempre bate. Os adultos são especialistas em fazer contas, talvez, por isso se adaptem tanto a esses relacionamentos.
A resposta à pergunta supracitada pode ser respondida por qualquer indivíduo minimamente honesto, pois esses relacionamentos podem garantir até alguma coisa, mas, amizade não é uma delas.
Para ser amigo de alguém é preciso saber cativar, e para cativar é preciso perder tempo. Criar laços é como construir uma ponte, uma vez que, se não estiver bem feita, nos faz cair. Criar laços é fazer de alguém simples, uma pessoa especial; de um em meio à multidão, a multidão em meio a um. Ou seja, é trabalhoso e ultimamente tenho a impressão de que as pessoas não gostam de sujar as mãos.
Talvez, ainda não tenham compreendido o que é cativar. Sendo assim, retiro-me para que uma amiga mais sábia que eu possa falar:
“Exatamente, disse a raposa. Tu não és nada ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim o único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...”
Ah! Agora, talvez tenham compreendido a importância de criar laços. É somente quando criamos laços que nos tornamos únicos para o outro. Só, quando nós cativamos o outro, nos tornamos importante para ele, pois só carregamos dentro de nós aquilo que não encontramos em nenhum outro lugar.
Cativar é um verbo que tem como complemento direito alguém, quem em meio a tantos se tornou único. E não há como ser único estando sempre com pressa, de modo que não esteja presente para dar um abraço ou decifrar os enigmas de um longo olhar. Também, não há como comprar um amigo em lojas ou sites de vendas. É preciso saber perder tempo para ter amigos.
“Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me.”
Perder tempo com alguém, como isso nos assusta. Aliás, a própria expressão “perder tempo” é controversa, pois não perdemos nada estando com alguém, pelo contrário, ganhamos. Entretanto, por medo ou conveniência (ou os dois) esquecemos o significado de cativar.
A bem da verdade, criar laços não é fácil, como já disse, e exige além de esforço, paciência. Paciência para esperar o cimento que mantém os tecidos coesos secar. Paciência para compreender os mistérios que permeia o outro. Paciência para conhecer, uma vez que
“A gente só conhece bem as coisas que cativou.”
Como não andamos com muita paciência, logo, não cativamos e como não cativamos, não conhecemos ninguém de verdade. Contentamos-nos em passar pela vida conhecendo apenas representações. Muito preocupados em aparecer, esquecemos como é bom ser importante para alguém, pois quando somos importantes, ainda que deixemos de existir, continuamos existindo no outro.
Existindo em função dos laços que criamos, das horas “perdidas” cativando. Existindo em cada pedacinho que respira. Existindo em cada nó que forma o laço. E como nós são pequenos, dificilmente os veremos com os olhos, mas é um erro procurá-los com os olhos, pois
“[...] só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.”





Um menestrel caminhando pelas ruas solitárias da vida.

MARGARETH MEAD: QUANDO VERDADES CHOCAM

MARGARET MEAD: DAS TRIBOS PRIMITIVAS À REVOLUÇÃO SEXUAL FEMININA

publicado em literatura por João Pedro Lobato
margaret mead

Quem iria imaginar que uma das maiores influências para a revolução sexual feminina estava escondida nas pacatas tribos primitivas do Pacífico Sul? O dedo pode ser apontado a Margaret Mead, uma aventureira cujos estudos antropológicos, na primeira metade do século passado, iriam minar a idílica imagem da família tradicional do Ocidente.
Nascida em 1901, nos EUA, a vida atribulada de Mead passou por três casamentos, seguidos dos respectivos divórcios, e por dois casos amorosos com mulheres. Para uma sociedade americana que até aos anos 60 do século passado era bastante conservadora, a sua vida privada constituía um verdadeiro escândalo.
Mas desde cedo Mead se revelou uma rapariga incomum. Não só se apaixonou pela antropologia, como decidiu, aos 22 anos, ir viver para a Samoa Americana (no Pacífico Sul), para aí realizar vários estudos de campo. Não foi de admirar que muitos homens se interrogassem sobre o que fazia uma jovem mulher branca no meio de uma horda de bárbaros, em vez de estar em casa a cozinhar para o marido.
A resposta cai como um relâmpago em 1928, quando a antropóloga regressa ao Ocidente para escrever um dos mais polémicos (e vendidos) livros da época: Adolescência, sexo e cultura em Samoa.
Na sua obra revolucionária, a antropóloga faz tiro ao alvo com a ideia preconcebida de que os problemas que nos angustiam na juventude se devem à natureza da adolescência. Ao analisar algumas aldeias tribais, constata, com grande espanto, que a passagem da infância à adolescência era aí feita com absoluta tranquilidade, sem traços da angústia ou confusão tão típicas no Ocidente. Conclusão: esqueçam as borbulhas na cara, afinal os problemas da adolescência tinham uma origem nas exigências e expectativas culturais da sociedade.
margaret mead
A polémica estala quando Mead vai ainda mais longe e descreve a forma como as jovens mulheres samoanas tinham o hábito de adiar o casamento por muitos anos, de modo a desfrutarem do sexo ocasional. Só depois de se casarem é que assentavam e tinham filhos.
Este retrato radical da sexualidade feminina teve o condão de revirar o estômago a muitos leitores (tal como a alguns colegas antropólogos), os quais não perderam tempo a qualificar a obra como um mero "livro de sexo", acusando a autora de ter uma mentalidade "suja".
Indiferente às críticas e ansiosa por mais peripécias capazes de fazer estalar o verniz do socialmente correcto, a investigadora americana contornou de novo o globo e instalou-se na Nova Guiné. Sem o saber, estava a preparar uma nova bomba antropológica, desta vez para implodir o orgulho masculino.
Em 1935, publica o livro Sexo e temperamento em três sociedades primitivas, outro best-seller controverso. A questão agora espicaçada era: seriam as diferenças entre o homem e a mulher meramente biológicas? Depois de ter estudado e analisado três tribos primitivas, culturalmente diferentes, a resposta científica redundou num atónito não.
Na primeira tribo analisada, Mead verificou que tanto os homens como as mulheres eram de temperamento pacífico. Por contraste, na segunda tribo os dois géneros já tinham uma atitude guerreira.
E eis que, na terceira e última, constatou-se o caso mais curioso: os homens passavam a maior parte do tempo a ornamentarem-se para ficarem bonitos, perdendo tempo com futilidades, enquanto as mulheres trabalhavam arduamente e eram práticas - o completo oposto do que era comum ocorrer em princípios do século XX, no mundo ocidental.
Perante este e outros factos, Mead foi pioneira ao propor que as características masculinas e femininas reflectiam as influências culturais e sociais, não se limitando às diferenças biológicas.
A formidável visão de superioridade que os homens tinham de si caía, assim, no maior dos ridículos, enquanto o feminismo ganhava um importante balão de oxigénio.
Em 1978, já uma figura super-mediatizada e aplaudida como uma das maiores antropologistas de sempre, acabou por falecer. Atrás de si deixa um legado repleto de argumentos científicos que iriam apoiar as revoluções sexuais e culturais dos anos 60. A forma de encarar a diferença de género não voltaria a ser a mesma... e os pais mais conservadores ganharam razões para ter maiores dores de cabeça em relação aos filhos.
margaret mead
Fontes das imagens123.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

MINEIRICES: COISAS QUE NENHUM MINEIRO TE CONTOU

COISAS QUE NENHUM MINEIRO TE CONTOU

publicado em recortes por Luana Simonini OuroPreto.jpg

Quem nasceu em Minas Gerais ou em quem Minas Gerais nasceu dentro do peito sabe como é bom ser mineiro. Uma crônica em forma de verso ou um dedo de prosa na cozinha de casa, esse texto é, na verdade, uma homenagem a quem tem um trem batendo no lugar do coração.
Ser mineiro é comer quieto o fim das palavras. Mineiro que é mineiro tem fome de sílaba e deve ser por isso que guarda dentro do peito poemas inteiros. Entre tantas letras embaralhadas, o vagão das ideias se perde e a coisa vira trem, ou o trem vira coisa.
É, o trem tá feio.
Ser mineiro é escutar no silêncio uma prosa bonita e musicar em sotaque frases curtas. O mineiro não fala, ele canta com um sorriso tímido no canto da boca.
Nem todo mineiro é tímido, mas todo mineiro carrega o charme da timidez. Das bochechas coradas, do sorriso amarelo que ganha novas cores num piscar de olhos abertos, bem abertos.
Mineiro parece não gostar de elogio, mas gosta, pode apostar. Sempre retruca, mas cá dentro tá todo feliz.
São seus olhos. Ele diz.
Mineiro se esconde em suas montanhas, mas desmorona em abraço apertado. Chora água doce e se derrama em cachoeira.
Ser mineiro é fazer da cozinha a melhor parte da casa. Receber os amigos com mesa farta. Mineiro tem mesmo fome seja de letra ou de amor.
O mineiro não se apaixona “pelas” pessoas e, sim, “com” as pessoas. Ser mineiro é sentir as coisas sem dar nome. É se confundir entre dois ou três beijinhos quando conhece alguém.
São três prá casar.
Ser mineiro é passar a noite inteira em um ônibus e ainda não sair de Minas. As montanhas parecem continentes, mas fazem tudo parecer pertim.
É logo ali.
Nunca confie em um “ali” de mineiro.
De resto, pode confiar. Seja nas reticências que ele não diz ou nos versos dos seus poemas inteiros.
Ser mineiro é saber que as melhores coisas da vida não são coisas.

luanasimonini


LUANA SIMONINI
A vida segue pela contramão do óbvio e, desses nossos contrários, nascem histórias incríveis.

VELHICE: "...O IMPORTANTE É QUE EMOÇÕES EU VIVI."

SOMOS TÃO (IRREMEDIAVELMENTE) VELHOS

publicado em sociedade por Ana Vargas
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Esse artigo é para você que nasceu no fim dos anos sessenta e começo dos setenta em um país subdesenvolvido da América do Sul. É para você que cresceu ouvindo rock; que viu a queda daquele muro pela TV e achou que algo iria mudar, que se animou quando ouviu Nirvana no começo dos noventa e que hoje anda se sentindo mais ou menos, digamos assim... 'velho'. Esse texto é para que você não negue a idade que tem porque, afinal, vivemos muitas coisas boas até agora e, além do mais, não adianta nada, nada, ficarmos deprimidos. Já somos velhos, mas justamente por isso, merecemos respeito, como não?!      

A fotografia acima _ de um show do Pink Floyd_foi feita por Tim Duncam em 1973; naquele tempo éramos somente criancinhas inocentes (ou nem tanto rs).
Olhe para trás mas não com essa expressão que mostra nitidamente que você já está precisando de óculos, apenas, olhe para trás. Olhe e tente enxergar as nuances mais doces da sua infância... Você consegue? Foi bem ali naquele trecho já escondido pelo matagal do tempo desse longo caminho de sua vida que você nasceu, não? Talvez no fim dos anos 1960 quando tudo isso aqui, digo, o seu país, era uma viva promessa de sonhos frescos e puros. Havia ecos de festivais da canção, moças que casavam ou casavam, uns poucos rebeldes mas nós estávamos chegando e nada disso importava. Depois fomos crescendo envolvidos de forma ainda distanciada, pelos nascentes ecos da revolta setentista, mas éramos somente crianças perdidas em fantasias e gostávamos de brincar correndo pelas ruas ou subindo em árvores. Mas você só se reconhecerá nisso se nasceu no interior como eu ( mas mesmo que não seja esse seu caso, brincar nas ruas talvez não fosse tão perigoso assim nas cidades grandes de antigamente... Talvez).
O fato é que de qualquer forma, um dia a gente acha que correr nas ruas e subir em árvores não tem mais graça nenhuma e aí a gente começa a ouvir rock e a achar que ser criança é uma grande bobagem (mal sabemos o que nos aguarda rs). Mas no meu (nosso?) caso, isso aconteceu no começo da década de 1980. Você se lembra? Éramos tão jovenzinhos (pré-adolescentes como dizem hoje), tínhamos as bochechas rosadas e gorduchas ainda e detestávamos quando nossos pais conversavam com a gente como se ainda fôssemos crianças... Como os pais demoram a entender certas coisas... como demoram.
E então, ali pelos 15 ou 16 – 1984 ou 85, talvez – enquanto íamos nos sentindo tão estranhos dentro de nossos corpos em transformação, encontrávamos algum alívio ouvindo, é claro: rock. E a gente achava que era maravilhoso (e era mesmo) sermos assim, tão jovens - e frescos e puros - porque bem ali, naquele tempo da nossa chegada ao ‘mundo’ – estava ocorrendo lá no Rio aquela grandiosa ode ao... rock! O tal do ‘Rock in Rio’. Veja: era a primeira vez que o Brasil recebia de uma vez, bandas tão ‘tão’ como Yes, Queen ou Scorpions (na verdade eu não gostava tanto assim delas, mas de qualquer forma, nessa idade a gente se empolga fácil).
E nós tínhamos quinze ou dezesseis anos e sentíamos essa vibração e ela nos atingia com força. E, ainda que não morássemos – e no meu caso, nem pudéssemos ir lá - naquela cidade de novela das oito, nós sabíamos que aquilo era algo grandioso.
Mas embora pareça, isso não é uma tese saudosista sobre a adolescência e tudo que a envolve (digo, tudo, inclusive as dezenas de decepções semanais e a certeza de que o tempo está passando e que a vida não espera que a gente ‘entenda’ e sim que apenas ‘viva’).
Assim, aos sobressaltos e sabendo já, cansados de saber, aliás, que aquilo era um grande sonho que haveria de evaporar (afinal, tínhamos gente mais velha para nos lembrar disso o tempo todo, como não?! Como bem fazemos hoje com os pré-adolescentes que conhecemos) e que o Fred Mercury e o Cazuza eram gays (e: e daí?) e que daquelas tantas bandas dos anos 1980, digo, as brasileiras, só uma ou outra valia mesmo a pena ouvir porque a maioria não passava de pastiches de bandas estrangeiras... Talvez ali pelos quase vinte anos, final dos 80 e já com a ‘ficha’ (sim: ficha; para soar datado mesmo) caindo; já tendo que decidir isso e aquilo; já sabendo que a vida não era nenhuma ‘viagem psicodélica’ como pregavam os – no final dos 80 já tão antiquados e tristonhos – hippies; já tendo que tantas coisas...
Um muro que cai
Enquanto isso a realidade do fim daquela década já ia corroendo nossos calcanhares ainda tão macios; e a gente vendo pela tevê que o Brasil tentava se reerguer em meio às cinzas da ditadura que ficara nos setenta mas ainda resistia (resiste) na cara daquele fulano político que não conseguia esconder sua afeição por um tempo em que as coisas eram mais sistematizadas e facilmente controláveis. E nós nos tornando jovens e vendo que aquele muro foi derrubado mas que isso não mudou muita coisa; que houve impeachment daquele fulano mas ele voltaria anos adiante, como um zumbi bem alimentado sabe-se lá do quê (quilos de ambição devidamente corrompida, gosmenta e úmida?); que as novelonas continuariam alienando os menos incautos, que a nossa valorosa música popular brasileira – tão criativa e genial, ali nos 70 – seria influenciada por tanto ecletismo inútil que acabariam por torná-la insossa. A gente não poderia nunca imaginar que coisas como ‘Clube da Esquina’, por exemplo, se tornariam apenas lembranças... E só.
E então, envelhecemos e ficamos com a cara dos nossos professores de física e matemática, aqueles que quando tínhamos 16 nos olhavam com um misto de espanto e pena... Bem antes, nos anos 1990, já havíamos desistido de ouvir bons rocks que não tivessem aquela cara acomodada de roqueiro que vai em programas de tevê quando o Kurt apareceu descabelado e raivoso com o seu genial Nirvana. Pois é...mas tudo isso passou e como o ‘grunge’, ficou datado também, assim como os darks ficaram e os ‘metaleiros’ de 1985 e os hippies dos setenta com seus cabelos longos e depois, nós ainda fomos obrigados a assistir a isso: depois daquele ‘roquenrio’ o revolucionário, rebelde, transgressor rock’n roll foi sendo deglutido justamente pelo ‘sistema’ ao qual se opunha e bandas de rock se tornaram empresas bem sucedidas que já nascem tendo que dar lucro e com assessores e personal stylists ao redor (porque é muito importante que um roqueiro saiba combinar a calça com a camisa, como não?!).
Mas aí, já tínhamos bem mais de 20, quase 30 talvez ou até mais que isso... Talvez dez anos a mais porque já nos parecíamos com nossos pais e professores e já nos preocupávamos com rugas e já sabíamos que algumas das nossas canções juvenis, antes tão frescas e puras, já cheiravam a mofo...
E, agora, aos quarenta e poucos é a hora certa de dizer – sentindo muito mesmo – que somos irremediavelmente velhos. Que nenhum novo procedimento estético poderá deter a flacidez da nossa cara e que só nos resta agora cantar aquela canção – tão bobinha afinal, daquela banda tão oitentista – ao contrário, e a plenos pulmões gritarmos ‘somos tão velhos...tão velhos..!” E assumir isso, sem neuroses ou tentativas bizarras de apagarmos tudo o que vivemos e fomos e somos: envelhecer tem lá suas espantosas alegrias e que bom que mais velhos que nós, lá adiante, ainda estão aqueles que nos fizeram gostar de rock : Gilmour, Plant, Towsend e se eles estão resistindo ainda, sigamos também, envelhecendo, porque disso, ninguém escapa (saibam vocês, pré-adolescentes do século XXI rs).

anavargas



ANA VARGAS

Viver é uma experiência bem confusa mas por vezes, bacana (palavra inapropriada mas não achei outra melhor) e escrever é só uma tentativa (vã mas necessária) de organizar 'tudo' no cérebro: é isso que, humildemente, tento fazer..