segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

O TREM DA VIDA: NOSSA VIAGEM INADIÁVEL

O Trem da Vida
Autor Desconhecido


Você já viajou de trem alguma vez?
Numa viagem de trem podemos notar uma grande diversidade de situações, ao longo do percurso.
E a nossa existência terrena bem pode ser comparada a uma dessas viagens, mais ou menos longa.
Primeiro, porque é cheia de embarques e desembarques, alguns acidentes, surpresas agradáveis em alguns embarques e grandes tristezas em algumas partidas.
Quando nascemos, entramos no trem e nos deparamos com algumas pessoas que desejamos que estejam sempre conosco: são nossos pais.

Infelizmente, isso não é verdade; em alguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos de seu carinho, amizade e companhia insubstituíveis...

Mas isso não impede que durante a viagem outras pessoas especiais embarquem para seguir viagem conosco: são nossos irmãos, amigos, amores.

Algumas pessoas fazem dessa viagem um passeio. Outras encontrarão somente tristezas, e algumas circularão pelo trem, prontas a ajudar a quem precise.
Muitas descem e deixam saudades eternas... Outras passam de uma forma que, quando desocupam seu acento, ninguém percebe.
Curioso é constatar que alguns passageiros, que nos são caros, se acomodam em vagões distantes do nosso, o que não impede, é claro, que durante o percurso nos aproximemos deles e os abracemos, embora jamais possamos seguir juntos, porque haverá alguém ao seu lado ocupando aquele lugar.
Mas isso não importa, pois a viagem é cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, despedidas...
O importante, mesmo, é que façamos nossa viagem da melhor maneira possível, tentando nos relacionar bem com os demais passageiros, vendo em cada um deles o que têm de melhor.
Devemos lembrar sempre que, em algum momento do trajeto, eles poderão fraquejar e, provavelmente, precisemos entendê-los, porque nós também fraquejaremos muitas vezes e, certamente, haverá alguém que nos entenda e atenda.
A grande diferença, afinal, é que no trem da vida jamais saberemos em qual parada teremos que descer, muito menos em que estação descerão nossos amores, nem mesmo aquele que está sentado ao nosso lado.

É possível que quando tivermos que desembarcar, a saudade venha nos fazer companhia...
Porque não é fácil nos separar dos amigos, nem deixar que os filhos sigam viagem sozinhos. Com certeza será muito triste.
No entanto, em algum lugar há uma estação principal para onde todos seguimos...

E quando chegar a hora do reencontro teremos grande emoção em poder abraçar nossos amores e matar a saudade que nos fez companhia por longo tempo...
Que a nossa breve viagem seja uma grande oportunidade de aprender e ensinar, entender e atender aqueles que viajam ao nosso lado, porque não foi o acaso que os colocou ali.
Que aprendamos a amar e a servir, compreender e perdoar, pois não sabemos quanto tempo ainda nos resta até à estação onde teremos que deixar o trem.
* * *
Se a sua viagem não está acontecendo exatamente como você esperava, dê a ela uma nova direção.
Se é verdade que você não pode mudar de vagão, é possível mudar a situação do seu vagão.
Observe a paisagem maravilhosa com que Deus enfeitou todo o trajeto...

Busque uma maneira de dar utilidade às horas. Preocupe-se com aqueles que seguem viagem ao seu lado...
Deixe de lado as queixas e faça algo para que a sua estrada fique marcada com rastros de luz...
Pense nisso... E, boa viagem!
Redação do Momento Espírita
Autor desconhecido 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

BELO MONTE: LINHAS DE TRANSMISSÃO PODE SER NOVO PROBLEMA


Sem linhas de transmissão para o NE, Belo Monte poderá ter problemas para escoar parte da energia gerada

por Redação
Obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira
As duas maiores linhas de transmissão de Belo Monte, que vão levar a energia para o Sudeste, só devem ficar prontas em 2018 e 2019. Foto: Ricardo Joffily/Ascom DPU
A Usina Hidrelétrica Belo Monte, no Rio Xingu (PA), vai acionar as primeiras turbinas nos próximos meses, mas poderá ter problemas para escoar a energia gerada para outras regiões do país. Em um primeiro momento, quando a geração de Belo Monte ainda estiver baixa, a energia será transmitida diretamente para o Sistema Interligado Nacional, pela subestação Xingu, situada no município paraense de Vitória do Xingu. No entanto, quando a geração aumentar, pode haver dificuldades para escoar toda a energia.

As linhas de transmissão que deverão levar a energia de Belo Monte à Região Nordeste estavam sendo construídas pela empresa Abengoa, mas as obras foram paralisadas no fim do ano passado porque a matriz da empresa, na Espanha, entrou em recuperação judicial. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o atraso nesses empreendimentos poderá restringir a geração de energia em Belo Monte até a entrada da primeira grande linha de transmissão do empreendimento.

“Considerando as previsões atuais dos agentes, é bastante provável que haja restrição de geração no período de novembro de 2016 a julho de 2017”, diz um relatório sobre o setor de transmissão publicado recentemente pela agência reguladora. O principal empreendimento da Abengoa, que foi paralisado, é a linha de transmissão que interliga a usina a Miracema do Tocantins. A linha, que deverá passar por 22 municípios, foi licitada em 2013 e deveria entrar em operação em agosto deste ano. Mas, com os atrasos, só deve começar a transmitir energia em setembro de 2017, segundo relatório de fiscalização da Aneel.

De acordo com previsões da Aneel, a usina começará gerando menos de 1 mil megawatts e chegará ao fim do ano com geração de mais de 3 mil megawatts. A capacidade de geração aumentará gradualmente, com a entrada em operação de novas turbinas, e a potência máxima da usina, estimada em 11,2 mil MW, deve ser alcançada no início de 2019.

As duas maiores linhas de transmissão de Belo Monte, que vão levar a energia para o Sudeste, só devem ficar prontas em 2018 e 2019. Esses dois empreendimentos estão com o cronograma em dia, segundo relatório da Aneel. O primeiro bipolo foi leiloado em fevereiro de 2014 e vai levar a energia da Subestação Xingu até Estreito, Minas Gerais. A linha, de 2 quilômetros de extensão, deve ficar pronta em 2018 e está sendo construída pelo consórcio formado pelas empresas Eletronorte, Furnas e State Grid. O segundo bipolo, leiloado em julho do ano passado, vai até Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e deve estar pronto em dezembro de 2019. O empreendimento está sendo construído pela State Grid e terá 2,5 quilômetros de extensão.

Para o professor Nivalde de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a questão da transmissão deve ser um grande problema para o empreendimento. A falta das linhas de transmissão da Abengoa demonstra, segundo ele, o sintoma de que o segmento de transmissão está em crise preocupante.

“A questão de transmissão é o grande problema como um todo, não só para Belo Monte. Este, hoje, é o segmento que mais preocupa porque pode desestruturar o planejamento do setor elétrico que busca manter o equilíbrio dinâmico entre oferta e demanda. Estamos tendo capacidade de gerar e não vamos poder atender à demanda por falta de linhas de transmissão porque o setor entrou em uma crise muito preocupante”, disse. Castro lembra que nos últimos leilões de transmissão vários lotes ficaram sem compradores e que, nos próximos leilões, poderá não haver interessados suficientes para participar da competição.

Justiça suspende licença de operação

A previsão é que a usina comece a gerar energia em março. Mas, na semana passada, uma decisão judicial suspendeu a licença de operação de Belo Monte por causa de descumprimentos de condicionantes relacionadas à Fundação Nacional do Índio (Funai). A Norte Energia, responsável pela construção e operação da usina, não informou se a decisão da Justiça Federal de Altamira vai afetar o cronograma do empreendimento, mas disse que  não foi notificada sobre a decisão e que cumpriu todas as determinações e obrigações do licenciamento ambiental do empreendimento.

Segundo a Norte Energia,  a usina está com mais de 87% das obras civis concluídas e a empresa está monitorando o enchimento dos reservatórios até que o nível esteja adequado para a geração de energia. De acordo com a empresa, o nível do Rio Xingu está subindo como previsto.
Por Sabrina Craide, da Agência Brasil, in EcoDebate, 18/01/2016

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

REDES SOCIAIS: "MEDIOCRIDADE" ... OU UM IRRITANTE MAIS DO MESMO

O FALSO CONFORTO DA MEDIOCRIDADE

publicado em recortes
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Absolutamente tudo na vida é uma questão de escolha. Até mesmo quando abrimos mão de escolher estamos escolhendo. Cada uma de nossas atitudes, ou a falta delas, revela o calibre de nossa natureza. Todas as nossas manifestações de apreço ou desdém expõem nossa maneira de funcionar em relação à nossa missão no mundo. E, o nosso caráter, mais cedo ou mais tarde se revelará, seja por nossa elevação, falta de escrúpulos ou mediocridade

A despeito de nossa aparência exterior, que pode ou não concordar com a nossa essência, expelimos por cada um de nossos poros o veneno ou o antídoto que brota do núcleo de nossa personalidade original. Somos o que somos; não importa o que façamos para disfarçar. É no descuido que somos honestos. É na falta de ensaio que acabamos apresentando o nosso real e legítimo espetáculo. E, com o passar do tempo, conforme vamos nos apropriando das situações, pessoas e cenários, vamos nos esquecendo de vestir os figurinos, vamos ficando relaxados, acomodados na falsa impressão de que já temos um lugar garantido nesse mundo.

Vagando eternamente num mar de calmaria e águas mornas, podemos nos acostumar facilmente ao confortável abraço da mediocridade. Existe uma aparente segurança nesse lugar, a salvo das agruras que circulam os extremos. Pode nos parecer normal tornarmo-nos imperceptíveis, transparentes, invisíveis. É uma espécie de paz que se encontra nesse ponto da curva, sem o ardor da ambição e sem o peso de sustentar a atitude ética, sempre tão exigente em nossas mínimas decisões.

A mediocridade é um tipo de droga socialmente aceita. Entorpece, amolece, destempera. Sem que nos demos conta, surpreendemos nossa imagem numa superfície polida qualquer a nos sorrir de volta. Um sorriso estampado, esculpido, congelado. É até melhor que nem pensemos muito a respeito, pois se por uma ousadia qualquer decidimos querer lembrar o porquê sorrimos, corremos o risco de não achar motivo ou explicação. Corremos o risco de não saber sorrir diferente daquela representação de nós mesmos no espelho. O sorriso pronto e fácil é conquista de uma vida medíocre. Os medíocres não têm pelo que chorar; não há perdas. Nunca haverá o que perder para uma vida pautada no empate.

Nos inúmeros caminhos da vida cruzamos com faces impecavelmente lisas e ausentes de marcas. São as faces sem rosto de pessoas pasteurizadas. São as pessoas pasteurizadas que já vêm com rótulo de ingredientes e sugestões de uso. Pessoas “bem-sucedidas”, cujo sucesso se relaciona ao próximo carro que precisa ser mais caro do que o atual; cuja alegria se mede pelas coisas que hoje podem ser compradas com o resultado do seu sucesso. E corremos o enorme risco de acreditar que é isso o certo, que ser feliz é isso. Corremos o perigo de vender o brilho nos olhos pra comprar a reluzente ostentação de uma vida cheia de “conquistas”. Corremos o perigo de vender a emoção que tira o fôlego pra comprar uma janela de frente pro mar. Tomara que a gente nunca se esqueça de que ter a janela, não nos dá a posse do mar. E de que para ver o mar não precisamos possuir nenhuma janela.

A nossa trajetória nessa vida tão errante e incerta precisa estar fincada em valores que não sejam perecíveis, precisa ser construída sobre algo que nos mova e que faça de nós pessoas reais, necessárias. A nossa trajetória precisa ser fiel a alguma coisa que exista lá fora, mas que tenha nascido dentro de cada um de nós. O que nos orienta precisa ter a ambição de gerar felicidade além da nossa. O que nos move precisa nascer de uma missão assumida para o bem de todos os que nos cercam, sejam de perto ou de longe, nesse imenso mundo.

Sejamos, então, caprichosos em nossos mínimos gestos, atitudes e ideais. Façamos de nosso ofício a nossa fonte de alegria. Escolhamos para viver uma vida plena. Sejamos corajosos para escapar das armadilhas douradas que podem nos transformar em pessoas ansiosas pelo fim; o fim do dia, o fim do mês, o fim do ano. Acreditemos na nossa capacidade de construir coisas valiosas pelo bem que elas encerram e não pelos bens que elas possam nos proporcionar. Façamos cada uma de nossas escolhas de acordo com a crença de uma existência que vale cada instante de vida. Porque viver sem riscos, sem comprometimento e sem entrega pode até ser menos arriscado, mas é também a maneira mais eficiente de tornar pequena uma vida que já é curta demais para o tanto que esse mundo precisa de nós.

Ana Macarini


As palavras que escrevo não me pertencem. Elas são resultado da minha interação com o mundo. São células de mim, que morrem no papel e renascem nos olhos de quem as lê.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

COMPORTAMENTO: TECNOCOMPORTAMENTOS

SÉRIE DE ILUSTRAÇÕES DISCUTE DE FORMA BEM-HUMORADA O COMPORTAMENTO MODERNO
É fato que a tecnologia trouxe muitas mudanças em nosso cotidiano e é bom reforçar sempre que isso é muito bom! Tanto profissional quanto pessoalmente, podemos nos beneficiar muito de tudo o que essas mudanças nos proporcionam.
O que essa série de ilustrações busca discutir, porém, é o quanto essas mudanças podem fazer com que nosso comportamento pareça um tanto “bizarro” sem que ao menos tomemos consciência disso.
As imagens são de autoria do ilustrador francês Jean Jullien em parceria com dois outros ilustradores, criadores da página News of the Times (em tradução livre: Notícias dos Tempos).

Confira abaixo algumas destas ilustrações:
1 – #Instafood
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2 – Saindo com os amigos
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3 – Calados pelo Wi-fi 
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4 –  Linha do tempo
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5 – Amor próprio em excesso 
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6 – Curtindo um showzinho
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7 – Momento a dois…
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8 – Mamães multitarefas
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9 – “Você, eu e meus seguidores” 
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10 – Infinitas notificações (quanto mais, melhor) 
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11 – Nunca sozinho 
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12 – “Preciso registrar isso!” 
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13 – … 
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14 – Uma inocente selfie 
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15 – “País do futebol” 
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16 – Dando uma forcinha ao Papai Noel
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17 – Jantar romântico 
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18 – Admirando a paisagem
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Referência: Tudo Interessante
***
OBS.: Todo o conteúdo desta e de outras publicações deste site tem função informativa e não terapêutica.
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Sobre a autora:
Ane Caroline Janiro – Psicóloga clínica, idealizadora e editora deste blog.
CRP: 06/119556

SOCIEDADE: " NÃO ME ENVOLVO, NÃO É DA MINHA CONTA!"

"SE CUIDA!" "FICA BEM!" E A ARTE DE NÃO SE ENVOLVER

publicado em sociedade

A superficialidade nas relações ainda vai nos levar a um lugar tão seguro, mas tão seguro, que nada poderá nos atingir, tocar ou alcançar... Nem a nossa própria voz.
pessoas nas caixas.jpgA nossa obstinada busca pela “paz interior” nos garantirá a refinada capacidade de nos blindarmos dos perigos do mundo e do maior perigo de todos: sermos incluídos na dor do outro. Sairmos da confortável situação de “espectador” para a arriscada tarefa de “personagem” é algo que nos assusta demais. Esse esforço de preservação pode nos render uma ilusória sensação de estarmos protegidos das tragédias alheias. Mas, nos cobrará um alto tributo: seremos ilhas humanas cercadas de indiferença por todos os lados. A indiferença é uma atitude deliberada e cruel, travestida de distanciamento involuntário. O fato de não sermos nós os causadores do sofrimento, não nos absolve; não nos concede o benefício da cegueira emocional. Observar o sofrimento alheio seja ele confesso ou não, e nem ao menos nos dispormos a encontrar uma singela forma de minimizá-lo, nos iguala àquele que o causou. Ou não?!
A mínima disposição de sairmos do modo automático, talvez nos ajude a ter olhos capazes de enxergar além do que é óbvio ou visível. Desde o momento em que saímos de nossas camas (e nesse caso é importante, mas não indispesnável, que tenhamos uma, com um teto confortável sobre ela mais as garantias mínimas de sobrevivência!), até o momento em que retornamos a ela no final do dia, fazemos inúmeras intersecções com outras pessoas, conhecidas ou não. No entanto, o fato é que somos especialistas em transformar o que seria uma intersecção num tangenciamento. Tomamos tanto cuidado para não nos esbarrarmos que ficamos assim: linhas que se tocam, mas não se cruzam. Somos seres isolados, encapsulados, encaixotados.

Imaginemos, então, que a partir da próxima manhã tomássemos a arriscadíssima decisão de sairmos da tangente. Abriremos os olhos ao raiar do dia e sairemos de nossas confortáveis camas com a legítima intenção de mantê-los abertos, não apenas para ver, mas para olhar e, sobretudo, enxergar o nosso entorno. Quem sabe com essa corajosa decisão não acabemos por abrir também os nossos ouvidos e, até, quem sabe as nossas mentes e corações. Assim, transformados em seres capazes de perceber o outro, abriremos mão da nossa redoma de ignorância emocional e uma nova categoria de relação humana se apresentará diante de nossos maravilhados e incrédulos olhos. Imagine sermos capazes de enxergar um possível olhar preocupado da pessoa que nos serve o café na padaria; ouvir e ser tocado por um eventual suspiro de um colega que trabalha ao nosso lado (como é mesmo o nome dele?); perceber e se importar com a postura acanhada daquela outra pessoa que divide o espaço conosco no curso de inglês. Imagine sermos ousados a ponto de nos importarmos com isso, de nos envolvermos com isso, de sairmos da nossa zona de conforto para tocar a zona de desconforto do outro.
As relações humanas nesse nosso maravilhoso mundo moderno são pautadas no individualismo e na perda do conceito de coletividade. Entretanto, existem inúmeros insurgentes grupos de pessoas que nadam contra essa corrente e fazem parte de uma estranha categoria que arranja tempo, disposição e desejo para importar-se com questões que não afetam diretamente suas vidas.
Pais e filho são mortos asfixiados durante assalto (Foto: Reprodução/Facebook)
 (Foto: Reprodução/Facebook) 
A segurança pública para todos, é uma dessas situações, nas quais procuramos não nos envolver  ( autoria do blog )
Fundada por Wellington Nogueira em 1991, a ONG Doutores da Alegria, foi inspirada no trabalho do Clown Care Unit, criada por Michael Christensen, diretor do Big Apple Circus de Nova York. Wellington integrou a trupe de palhaços em 1988, satirizando as rotinas médicas e hospitalares mais conhecidas. Ao retornar ao Brasil, decidiu implantar um programa semelhante. Vinte e quatro anos depois, a ONG já realizou mais de um milhão de visitas a crianças hospitalizadas, seus acompanhantes e profissionais de saúde. A base do trabalho é o resgate do lado saudável da vida e todos os seus projetos se utilizam da arte para potencializar as relações. O trabalho da ONG, gratuito para os hospitais, é mantido por recursos financeiros obtidos através de patrocínio, doações de empresas e pessoas e por meio de atividades que geram recursos, como palestras e parcerias com empresas.
Em 1997 um grupo de jovens começou a trabalhar pelo sonho de superar a situação de pobreza em que viviam milhões de pessoas. O sentido de urgência em assentamentos precários os mobilizou massivamente a construir moradias de emergência em conjunto com as famílias que viviam em condições inaceitáveis e a focar sua energia em busca de soluções concretas para os problemas que as comunidades enfrentavam a cada dia.
Esta iniciativa se converteu em um desafio institucional que hoje é compartilhado em todo o continente. Desde o início no Chile, seguido por El Salvador e Peru, TETO empreendeu uma expansão e após 18 anos mantém operação em 19 países da América Latina: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, República Dominicana, Uruguai e Venezuela. TETO é uma organização presente na América Latina e Caribe, que busca superar a situação de pobreza em que vivem milhões de pessoas nas comunidades precárias, através da ação conjunta de seus moradores e jovens voluntários. TETO tem a convicção de que a pobreza pode ser superada definitivamente se a sociedade em conjunto reconhecer que este é um problema prioritário e trabalhar ativamente para resolvê-lo.
O trabalho voluntário é uma forma de assumirmos o nosso papel de ser individual que integra e interage com a sociedade; é oferecermos o nosso empenho e trabalho para revertermos situações de injustiça social, emocional e moral. Quando nos dispomos a abraçar uma causa que não tem nada relacionado diretamente com nossas questões pessoais, damos inúmeros passos à frente na trajetória da nossa efêmera vida. No entanto, não é indispensável estarmos engajados em grupos ou coletividades unidas por este ou aquele ideal. Se estivermos, melhor! Mas, se formos capazes de fazer algo muito mais simples e alcançável para todos, já estaremos no início do caminho; é um excelente primeiro passo. Diante da dor, da insegurança, da fragilidade de qualquer pessoa, próxima ou nem tanto, NUNCA diga “Se cuida!” ou “Fica bem!”. Essas pequenas expressões, tão corriqueiras, ditas automaticamente porque são socialmente aceitas, revelam uma triste superficialidade. E o cultivo dessa postura tão ausente e superficial pode nos custar muito caro. Pode tornar-nos seres irreversivelmente insensíveis; incapazes de nos conectar com o outro. Em um médio espaço de tempo, cegos ao que não nos atinge diretamente; e, logo mais, cegos de nós mesmos.

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ANA MACARINI

As palavras que escrevo não me pertencem. Elas são resultado da minha interação com o mundo. São células de mim, que morrem no papel e renascem nos olhos de quem as lê.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

TURISMO: INHOTIM, BELEZA E ARTE

INHOTIM: A DISNEYLÂNDIA DAS ARTES

publicado em artes e ideias 
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O Inhotim, localizado a uma hora de Belo Horizonte/Brasil, parece um pouco com os parques temáticos da Disney. Enorme, com estacionamento para milhares de carros, restaurantes e lanchonetes variados ao longo do "parque" e atrações espalhadas por jardins impecáveis.
Mas as semelhanças param por aí. Inhotim não é um "parque" qualquer, ele abriga um jardim botânico com espécies raras e belíssimas. Ao mesmo tempo é um museu de arte contemporânea com peças pensadas para o local.
Pareço bairrista falando que o Inhotim é tão bom, mas não conheço um museu tão diferente e bacana como ele. Claro que o Moma de NY, para citar um exemplo, tem obras bem mais importantes, mas a experiência do visitante não chega nem aos pés de Inhotim.
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Em Inhotim você entra em uma galeria ou pavilhão, aprecia a arte que está lá e depois sai por belos jardins que ajudam a digerir o que você viu. Você caminha centenas de metros até entrar em outra galeria e apreciar outras obras. É uma forma mais demorada e pensada de se ver arte.
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E Inhotim abriga muito boas obras contemporâneas:
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Matthew Barney
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 Tunga
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 Chris Burden
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 Adriana Varejão
Quem não conhece, vale a visita. Para quem já foi, é um lembrete para voltar e apreciar as novas galerias, que estão sempre sendo abertas.

ALTAMIRA-PA: ASSASSINATO É PALAVRA DE ORDEM

Pais e filho são mortos asfixiados 

durante assalto

Pais e filho são mortos asfixiados durante assalto (Foto: Reprodução/Facebook)
 (Foto: Reprodução/Facebook)

Três pessoas da mesma família foram mortas no início da madrugada desta quinta-feira (7), em Altamira, sudoeste do Pará. Bandidos armados, encapuzados e vestidos com camisas manga longas invadiram a casa do casal de empresários Luiz Alves e Irma Buchinger, na Rua Anchieta, bairro Sudam 1.
O delegado Vinícius Dias, responsável pelo caso, informou que cinco ou seis homens invadiram a residência, onde estavam o casal e três filhos.
Luiz, Irma e Ambrósio Neto (um dos filhos) foram amarrados, asfixiados e assassinados. Outros dois filhos foram levados para o banheiro, mas conseguiram fugir e chamar a polícia.
De acordo com a polícia, os três assassinados tiveram os pulsos amarrados com braçadeiras plásticas, usadas também para asfixiar dois dos reféns. Uma outra vítima foi asfixiada com um cadarço de sapato.
As duas pessoas que estavam no banheiro disseram que os bandidos vasculharam toda a residência e pediram dinheiro. Em um certo momento, não se ouvia nada.
Ainda não há pistas dos suspeitos do crime. "Estamos em diligências coletando imagens nas proximidades da residência e ouvindo familiares. As duas testemunhas não têm condições psicológicas ainda de falar sobre o caso", explicou o delegado.
No último dia 3, o casal completou 29 anos de casados.

(DOL)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

CRISE DA SAÚDE NO RIO: "QUEM SE LEMBRA DOS HOMENS?"

A Justiça Da Justiça
Carlos Brickmann
Os membros do Ministério Público, que têm o dever constitucional de zelar pelos interesses de toda a sociedade, demonstraram na prática que zelam em primeiro lugar pelo seu interesse próprio
saude rio
Os hospitais do Rio fecharam por alguns dias devido à brutal crise financeira do Governo do Estado. Houve aquelas cenas dramáticas, da moça dando à luz na rua, em frente à maternidade em que não havia vagas; do corredor cheio de pacientes deitados no chão, num primeiro momento, e deitados em macas, sem lençóis, porque lençóis não havia, depois que apareceram os repórteres da TV. Quantos terão morrido sem socorro? Quantos terão sofrido muito mais do que o habitual, já excessivo? 
Há razões de sobra para a crise humanitária.
A primeira, sem dúvida, é o Governo fluminense apoiar seu orçamento nos royalties do petróleo – cuja produção oscila de acordo com o mercado, cujos preços são fixados no Exterior e nem sempre se baseiam nas leis do mercado.
Agora, por exemplo, o preço do petróleo despencou: é de aproximadamente um terço do que era em meados do ano passado. E por que caiu? De um lado, os sauditas resolveram inundar o mercado com petróleo mais barato, na tentativa de inviabilizar o óleo de xisto americano (“shale oil”), extraído a baixíssimo custo com a nova tecnologia do “fracking”. E o Irã, liberto de parte das sanções que lhe haviam sido impostas pelo Ocidente, voltou a despejar petróleo no mercado, aumentando a oferta e, portanto, deprimindo os preços.
Outra razão,  que não pode ser minimizada, é o que se gastou (e continua sendo gasto) com Copa do Mundo e Jogos Olímpicos. Só a reforma do Maracanã chegou perto de R$ 1,2 bilhão, e, de acordo com o Tribunal de Contas do Estado, houve o superfaturamento de praxe. 
O cidadão pobre do Rio provavelmente não sabe o que é fracking,  o que são royalties e onde fica a Arábia Saudita. Mas conhece a aflição e o desespero de quem leva uma pessoa querida com risco de vida para um hospital público e é recebido pela placa de “não há vagas”. Em vez de médicos e enfermeiros, seguranças na porta, para evitar a revolta dos parentes. Conhece a humilhação de quem não tem como pagar um hospital privado para salvar parentes e amigos.
…Os promotores de Justiça do Estado do Rio conseguiram uma liminar que lhes garante o pagamento de dezembro sem qualquer atraso, mesmo que isso dificulte ainda mais a retomada da normalidade dos hospitais. Juízes e desembargadores seguiram o exemplo e também conseguiram sua liminar. Dane-se quem precisa, eles acham que precisam mais. Se estivessem no “Titanic”, teriam conseguido uma sentença judicial garantindo a eles acesso privilegiado aos botes salva-vidas. Azar das mulheres, idosos e crianças…
Jornais, rádio, revistas, TV, Internet mostraram à exaustão a revolta e a dor dos pacientes, parentes, médicos e enfermarias com a falta de tudo. Falta de remédios, de condições para a realização de cirurgias, de pagamento de salários para quem já ganha pouco.
Justiça seja feita, o governador Pezão tentou distribuir igualmente os sacrifícios: não atrasou o salário apenas dos médicos, enfermeiros e demais servidores da Saúde. Atrasou também o pagamento de todo o funcionalismo, dos muitos que ganham pouco e dos poucos que ganham muito.
Aí surge uma chaga que dói demais para quem quer que se preocupe com a situação: entre os que tiveram o pagamento atrasado, estão os juízes, os desembargadores, os promotores de Justiça. Cabe-lhes distribuir a Justiça, no caso de juízes e desembargadores, e zelar pelo cumprimento da lei, no caso do Ministério Público – “a Justiça de Pé”, como gostam de apelidar-se.
Mas essa equalização do sofrimento não durou muito. Como o forrozeiro Manoel Serafim, um clássico do nosso cancioneiro popular, declamam aquela famosa estrofe: “Farinha pouca, meu pirão primeiro”. Talvez em latim.
Os promotores de Justiça do Estado do Rio conseguiram uma liminar que lhes garante o pagamento de dezembro sem qualquer atraso, mesmo que isso dificulte ainda mais a retomada da normalidade dos hospitais. Juízes e desembargadores seguiram o exemplo e também conseguiram sua liminar. Dane-se quem precisa, eles acham que precisam mais. Se estivessem no “Titanic”, teriam conseguido uma sentença judicial garantindo a eles acesso privilegiado aos botes salva-vidas. Azar das mulheres, idosos e crianças.
O governador Pezão reagiu indignado à primeira liminar de proteção ao Ministério Público: “a Justiça pode mandar também um carro-forte com recursos. Porque eu não tenho os recursos para pagar”. E, reagindo ainda mais incisivamente à ação do Tribunal de Justiça no Supremo para garantir o pagamento de salários ao Judiciário antes dos demais poderes: “Não vou privilegiar desembargadores em detrimento de outros servidores”.
O sistema judiciário conquistou a confiança e admiração da população graças à Lava Jato. O juiz Sergio Moro, promotores e procuradores que atuam no caso dão repetidas mostras de dedicação e competência no desmonte de uma estrutura criminosa altamente sofisticada. É uma conquista da democracia, que deve ser preservada.
Mas é preciso separar o joio do trigo. Que pensa o Conselho Nacional do Ministério Público sobre a atuação egoísta dos promotores fluminenses? Por que não os adverte sobre, para dizer o mínimo, o comportamento ilegítimo e inadequado, embora legal? Na mesma linha, por que o Conselho Nacional de Justiça não sugere aos juízes e desembargadores do Estado do Rio guardar distância do “estilo Maria Antonieta”? Não fica bem, enquanto a maior parte da população enfrenta a humilhação de não ter aonde levar seus doentes, garantir a pessoas mais prósperas, e cujo exemplo é tão importante, os seus “croissants” de cada dia.

CARLOS BRICKMANN - É JORNALISTA

PREVIDÊNCIA: FILHAS DE SERVIDORES SOLTEIRAS. HAJA APOSENTADORIA!


As pensões a filhas solteiras de funcionários públicos consomem por ano R$ 4,35 bilhões do contribuinte – e muitas já se casaram, tiveram filhos, mas ainda recebem os benefícios
RAPHAEL GOMIDE
FELICIDADE O casamento de Márcia Brandão Couto. Ela se manteve solteira no civil para seguir recebendo  R$ 43 mil por mês do Estado (Foto: Arq. pessoal)
 FELICIDADE O casamento de Márcia Brandão Couto. Ela se manteve solteira no civil para seguir recebendo  R$ 43 mil por mês do Estado (Foto: Arq. pessoal)
FELICIDADE
O casamento de Márcia Brandão Couto. Ela se manteve solteira no civil para seguir recebendo R$ 43 mil por mês do Estado (Foto: Arq. pessoal)

Era um sábado nublado. No dia 10 de novembro de 1990, a dentista Márcia Machado Brandão Couto cobriu-se de véu, grinalda e vestido de noiva branco com mangas bufantes para se unir a João Batista Vasconcelos. A celebração ocorreu na igreja Nossa Senhora do Brasil, no bucólico bairro carioca da Urca. A recepção, num clube próximo dali, reuniu 200 convidados. No ano seguinte, o casal teve seu primeiro filho. O segundo menino nasceu em 1993. Para os convidados do casamento, sua família e a Igreja Católica, Márcia era desde então uma mulher casada. Para o Estado do Rio de Janeiro, não. Até hoje, Márcia Machado Brandão Couto recebe do Estado duas pensões como “filha solteira maior”, no total de R$ 43 mil mensais. Um dos benefícios é pago pela Rioprevidência, o órgão previdenciário fluminense. O outro vem do Fundo Especial do Tribunal de Justiça. A razão dos pagamentos? Márcia é filha do desembargador José Erasmo Couto, que morreu oito anos antes da festa de casamento na Urca.
Os vultosos benefícios de Márcia chegaram a ser cancelados por uma juíza, a pedido da Rioprevidência. Ela conseguiu recuperá-los no Tribunal de Justiça do Rio, onde seu pai atuou por muitos anos. O excêntrico caso está longe de ser exceção no país. Um levantamento inédito feito por ÉPOCA revela que pensões para filhas solteiras de funcionários públicos mortos custam ao menos R$ 4,35 bilhões por ano à União e aos Estados brasileiros. Esse valor, correspondente a 139.402 mulheres, supera o orçamento anual de 20 capitais do país – como Salvador, Bahia, e Recife, Pernambuco. Ao longo de três meses, ÉPOCA consultou o Ministério do Planejamento e os órgãos de Previdência estaduais para apurar os valores pagos, o número de pensionistas e a legislação. Ao menos 14 Estados confirmaram pagar rendimentos remanescentes para filhas solteiras, embora todos já tenham mudado a lei para que não haja novos benefícios. Hoje, as pensões por morte são dadas a filhos de ambos os sexos até a maioridade e, por vezes, até os 24 anos, se frequentarem faculdade. Santa Catarina, Amapá, Roraima, Tocantins e Mato Grosso do Sul informaram não ter mais nenhum caso. Distrito Federal, Ceará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Rondônia e Piauí deram informações incompletas ou não forneceram a quantidade de pensionistas e o valor gasto. ÉPOCA não conseguiu contato com a Paraíba. É provável, portanto, que os números sejam superiores aos 139.402 apurados e aos R$ 4,35 bilhões.
NO EXTERIOR Tereza Gavinho com sua família em Roma (no alto) e na Disney (acima).  Ela nega ter vivido com o pai dos três filhos (Foto: Arq. pessoal)
NO EXTERIOR
Tereza Gavinho com sua família em Roma (à esquerda) e na Disney (à direita). Ela nega ter vivido com o pai dos três filhos (Foto: Arq. pessoal)


Oriunda de uma época em que as mulheres não trabalhavam e dependiam do pai ou do marido, a pensão para filhas solteiras maiores de 21 anos pretendia não deixar desassistidas filhas de servidores mortos. Hoje, a medida dá margem a situações como a de Márcia e a diversas fraudes. Para ter o direito, a mulher não pode se casar ou viver em união estável. Para driblar a lei e seguir recebendo os benefícios, muitas se casam na prática. Moram com o marido, têm filhos, mas não registram a união oficialmente. O governo federal concentra 76.336 casos. Isso corresponde a 55% dos benefícios do país, só entre filhas de servidores civis mortos até dezembro de 1990. Os militares da União descontam mensalmente 1,5% do salário para deixar pensão para as filhas. O custo anual aos cofres federais é de R$ 2,8 bilhões. Segundo o Ministério do Planejamento, trata-se de direito adquirido. O total diminuiu 12% desde 2008. Houve 3.131 mortes, 1.555 mudanças de estado civil, e 1.106 assumiram cargo público – pela lei federal, motivo de perda. As “renúncias espontâneas” foram apenas 518. O governo afirma que “as exclusões decorrem do trabalho de qualificação contínua da base de dados de pessoal” e que a busca por inconsistências na folha é permanente. A partir de 2014, a Pasta centralizará a lista de pensionistas filhas solteiras, hoje dispersas.
Quanto custam as “filhas solteiras” (Foto: ÉPOCA)
O Rio de Janeiro, antiga capital do país, é o Estado com mais casos: 30.239, a um custo anual de R$ 567 milhões, um terço dos benefícios da Rioprevidência. Em São Paulo, 15.551 mulheres consomem R$ 451,7 milhões por ano. As pensões paulistas custam, em média, R$ 2.234, quase o dobro das fluminenses. Valem para mortes até 1992 para civis (4.643), e até 1998 para militares estaduais (10.908). Segundo a São Paulo Previdência (SPPrev), há recadastramento anual obrigatório para identificar irregularidades. “Pensionistas que mantêm união estável e não a informam à autarquia praticam fraude, estão sujeitas à perda do benefício e a procedimentos administrativos e podem ter de ressarcir os valores”, informou a SPPrev.
Uma das pensões polêmicas pagas por São Paulo, a contragosto, vai para a atriz Maitê Proença. Seu pai, o procurador de Justiça Eduardo Gallo, morreu em 1989. Maitê recebe cerca de R$ 13 mil, metade da pensão, dividida com a viúva. Em 1990, Maitê teve a filha Maria Proença Marinho, com o empresário Paulo Marinho, com quem teve um relacionamento por 12 anos, não registrado. A SPPrev cortara o benefício, sob a alegação de que a atriz vivera em união estável. Maitê recorreu, obteve sentenças favoráveis em primeiro grau e no Tribunal de Justiça. Mantém a pensão, ainda em disputa. Segundo seu advogado, Rafael Campos, Maitê “nunca foi casada nem teve união estável” com Marinho, e a revisão do ato de concessão da pensão já estava prescrita quando houve o corte. “O poder público não pode rever seus atos a qualquer momento, senão viveremos numa profunda insegurança jurídica”, diz.
O Rio Grande do Sul paga 11.842 pensões para filhas solteiras, ao custo de R$ 319,5 milhões, média de R$ 2.075 mensais cada. Depois, vêm Paraná (1.703 e R$ 92,5 milhões anuais); Minas Gerais, com 2.314 casos, e gastos de R$ 67 milhões por ano; Sergipe (571, R$ 19,3 milhões), Pará (276), Mato Grosso (198), Bahia (163), Acre (123), Amazonas (31), Maranhão (21), Pernambuco e Espírito Santo ambos com 17 cada).
O Maranhão paga as maiores pensões entre os Estados brasileiros – R$ 12.084 mensais, em média. Segundo o órgão previdenciário maranhense, todas são pagas a filhas de magistrados e integrantes do Tribunal de Contas do Estado. Amazonas, com benefícios médios de R$ 7.755, e Acre, com R$ 6.798, aparecem em seguida. Por todo o país, há mulheres com três ou quatro filhos do mesmo homem que dizem jamais ter vivido em união estável. “Tenho sete filhos com o mesmo pai, mas só namorava”, diz uma pensionista do Rio. Situação semelhante é vivida pela advogada Tereza Cristina Gavinho, filha de delegado de polícia (salário aproximado de R$ 20 mil), cuja pensão foi cortada, mas devolvida após decisão da Justiça. De acordo com a Rioprevidência, há “sérios indícios de omissão dolosa do casamento/convivência marital com o sr. Marcelo Britto Ferreira, com o qual tem três filhos!!!”. Tereza nega ter vivido com ele. Algumas explicações são curiosas. “O pai dos meus filhos é meu vizinho e é casado”, diz uma mulher no Rio. “Não posso ter união estável porque sou homossexual”, afirma outra. A maioria das fraudes é constatada após denúncias de parentes, geralmente por vingança. “A parte mais sensível do ser humano é o bolso, e aí não tem fraternidade nem relação maternal”, afirma Gustavo Barbosa, presidente da Rioprevidência.
BENEFICIADA A atriz Maitê Proença. Ela nega ter sido casada e recebe R$ 13 mil por mês como  “filha solteira” (Foto: Reginaldo Teixeira/Ed. Globo)
BENEFICIADA
A atriz Maitê Proença. Ela nega ter sido casada
e recebe R$ 13 mil por mês como “filha solteira”
(Foto: Reginaldo Teixeira/Ed. Globo)


A dentista Márcia, alvo de uma ação popular que inclui fotos de seu casamento, nega ter se casado. Numa ação para obter pensão alimentícia para os filhos, afirma, porém, que “viveu maritalmente com João Batista, sobrevindo dessa relação a concepção dos suplicantes (filhos)”. Seu advogado, José Roberto de Castro Neves, diz que a cerimônia religiosa foi “como um teatro, ela era de uma família tradicional, mãe religiosa e pai desembargador, então ela fez essa mise-en-scène”. Márcia não trabalha como dentista. Vive dos benefícios. Para a Procuradoria-Geral do Rio, tal pensão gera “parasitismo social” – por contar com a pensão, o cidadão deixa de produzir para a sociedade. Em 2011, o Rio passou a exigir a assinatura de termo em que as pensionistas declaram, “sob as penas da lei”, se vivem ou viveram “desde a habilitação como pensionista, em relação de matrimônio ou de união estável com cônjuge ou companheiro”. A Rioprevidência hoje corta a pensão de quem reconhece casamento, recusa-se a assinar ou falta, após processo administrativo. A partir da medida, 3.140 pensões foram canceladas, uma economia anual de R$ 100 milhões.

Até os advogados de Márcia e Maitê reconhecem a necessidade de combater irregularidades e abusos. “O risco é tratar os casos sem analisar as peculiaridades. Evidentemente, há abusos que devem ser coibidos”, diz Castro Neves, advogado de Márcia. O maior risco, na verdade, é o Brasil seguir como um país de privilégios mantidos pelo contribuinte.