terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

DINHEIRO: VOCÊ ESTÁ SENDO RASTREADO!


Cruzamento de Informações: Saiba como a Receita Federal e o Banco Central rastreiam seus dados.
Publicado por Carlos Paiva

É importante que você tenha conhecimento que suas contas bancárias estão sendo monitoradas pelo Governo. Apelidado de “Hal”, o cérebro eletrônico mais poderoso de Brasília fiscalizará as contas bancárias de todos os brasileiros, indistintamente.

O Hal trabalha, sem cessar, no 5º subsolo do Banco Central; um supercomputador instalado especialmente para reunir, atualizar e fiscalizar todas as contas bancárias das Instituições financeiras instaladas no País. Seu nome oficial é Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro Nacional – CCS na sigla abreviada, já apelidado de HAL.

A primeira carga de informações que o computador recebeu durou quatro dias. Ao final do processo, ele havia criado nada menos que 150 milhões de diferentes pastas – uma para cada correntista do País, interligadas por CPF e CNPJ aos nomes dos titulares e de seus procuradores.

A cada dia, Hal acrescenta a seus arquivos cerca de um milhão de novos registros, em informações providas pelo sistema bancário. O CCS responde cerca de três mil consultas diárias. Toda conta que é aberta, fechada, movimentada ou abandonada, em qualquer banco do País, está armazenada ali, com origem, destino e nome do proprietário.

São três servidores e cinco CPU’s de diversas marcas trabalhando simultaneamente, no que se costuma chamar de cluster. Este conjunto é o coração de um grande sistema de processamento que ocupa um andar inteiro do edifício – sede do Banco Central do Brasil. Seu poderio não vem da capacidade bruta de processamento, mas do software que o equipa. Desenvolvida pelo próprio BC, a inteligência artificial do Hal consumiu a maior parte dos quase R$ 20 milhões destinados ao projeto, gastos principalmente com a compra de equipamentos e o pagamento da mão-de-obra especializada.

Só há dois sistemas parecidos no planeta. Um na Alemanha, outro na França, mas ambos são inferiores ao brasileiro. No alemão, por exemplo, a defasagem entre a abertura de uma conta bancária e seu registro no computador é de dois meses. Visto em perspectiva, o sistema é o complemento tecnológico do Sistema Brasileiro de Pagamentos (SBP), que, nos anos de Armínio Fraga à frente do BC, uniformizou as relações entre os bancos, as pessoas, empresas e o governo.

Com o Hal, o Banco Central ganha uma ferramenta tecnológica a altura de um sistema financeiro altamente informatizado e moderno. O supercomputador é uma ferramenta decisiva no combate a fraudes, caixa dois e lavagem de dinheiro no Brasil.

“Será aberto senha para que os Juízes possam acessar diretamente o computador”. O banco de dados do Hal remete aos movimentos dos últimos cinco anos. Antes de sua chegada, quando a Justiça solicitava uma quebra de sigilo bancário, o Banco Central era obrigado a encaminhar ofício a 182 bancos, solicitando informações sobre um CPF ou CNPJ. Multiplique-se isso por três mil pedidos diários. São 546.000 pedidos de informações à espera de meio milhão de respostas. Em determinados casos, o pedido de quebra de sigilo chegava ao Banco Central com um mimo: “Cumpra-se em 24 horas, sob pena de prisão”.

A partir da estreia do Hall, com um simples clique, COAF, Ministério Público, Polícia Federal e qualquer juiz têm acesso a todas as contas que um cidadão ou uma empresa mantêm no Brasil. R$20 milhões foi o orçamento da criação do cadastro de clientes do sistema financeiro. Sob controle, 182 bancos, 150 milhões de contas, 1 milhão de dados bancários por dia.

As informações que envolvam o CPF ou CNPJ serão cruzadas on-line com:

CARTÓRIOS: Checar os bens imóveis – terrenos, casas, aptos, sítios, construções; DETRANS: Registro de propriedade de veículos, motos, barcos, jet-skis e etc.; BANCOS: Cartões de crédito, débito, aplicações, movimentações, financiamentos; EMPRESAS EM GERAL: Além das operações já rastreadas (Folha de pagamentos, FGTS, INSS, IRR-F, etc.,), passam a ser cruzadas as operações de compra e venda de mercadorias e serviços em geral, incluídos os básicos (luz, água, telefone, saúde), bem como os financiamentos em geral. Tudo através da Nota Fiscal Eletrônica e Nota Fiscal Digital. TUDO ISSO NOS ÂMBITOS: MUNICIPAL, ESTADUAL E FEDERAL, amarrando pessoa física e pessoa jurídica através destes cruzamentos inclusive os últimos 5 anos.

Este sistema é um dos mais modernos e eficientes já construídos no mundo e logo estará operando por inteiro. Só para se ter uma ideia, as operações relacionadas com cartão de crédito e débito foram cruzadas em um pequeno grupo de empresas varejistas no fim do ano passado, e a grande maioria deles sofreram autuações, pois as informações fornecidas pelas operadoras de cartões ao fisco (que são obrigados a entregar a movimentação), não coincidiram com as declaradas pelos lojistas. Este cruzamento das informações deve, em breve, se estender o número muito maior de contribuintes, pois o resultado foi “muito lucrativo” para o governo.

Sua empresa é optante pelo SIMPLES? Então veja esta curiosidade inquietante:

TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO REAL: Maioria das empresas de grande porte. Representam apenas 6% das empresas do Brasil e são responsáveis por 85% de toda arrecadação nacional;

TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO: Maioria das empresas de pequeno e médio porte. Representa 24% das empresas do Brasil e são responsáveis por 9% de toda arrecadação nacional;

TRIBUTAÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL: 70% das empresas do Brasil e respondem por apenas 6% de toda arrecadação nacional, ou seja, é nas empresas do SIMPLES que o FISCO vai focar seus esforços, pois é nela onde se concentra a maior parte da informalidade.

A recomendação é de que as empresas devem se esforçar, cada vez mais, no sentido de “ir acertando” os detalhes que faltam para minimizar problemas com o FISCO. Leia a matéria abaixo para maiores esclarecimentos.

FISCO APERTA O CONTROLE DOS CONTRIBUINTES

A Receita Federal conta com o T-Rex, um supercomputador que leva o nome do devastador Tiranossauro Rex, e o software Harpia, ave de rapina mais poderosa do país, que teria até a capacidade de aprender com o “comportamento” dos contribuintes para detectar irregularidades. O programa vai integrar as secretarias estaduais da Fazenda, instituições financeiras, administradoras de cartões de crédito e os cartórios. Com fundamento na Lei Complementar nº 105/2001 e em outros atos normativos, o órgão arrecadador-fiscalizador apressou-se em publicar a Instrução Normativa RFB nº 811/2008, criando a Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (DIMOF), pela qual as instituições financeiras têm de informar a movimentação de pessoas físicas, se a mesma superar a ínfima quantia de R$ 5.000,00 no semestre, e das pessoas jurídicas, se a movimentação superar a bagatela de R$ 10.000,00 no semestre.

IMPORTANTE: O acompanhamento e controle da vida fiscal dos indivíduos e das empresas ficarão tão aperfeiçoados que a Receita Federal passará a oferecer a declaração de imposto de renda já pronta, para validação do contribuinte, o que poderá ocorrer já daqui a dois anos. Apenas para a primeira etapa da chamada Estratégia Nacional de Atuação da Fiscalização da Receita Federal, foi estabelecida a meta de fiscalização de 37 mil contribuintes, pessoas físicas e jurídicas, selecionados com base em análise da CPMF, segundo publicado em órgãos da mídia de grande circulação.

O projeto prevê, também, a criação de um sistema nacional de informações patrimoniais dos contribuintes, que poderia ser gerenciado pela Receita Federal e integrado ao Banco Central, DETRAN, e outros órgãos.

Para completar, foi aprovado um instrumento de penhora on-line das contas correntes. Por força do artigo 655-A, incorporado ao CPC pela Lei 11382/2006, poderá requerer ao juiz a decretação instantânea, por meio eletrônico, da indisponibilidade de dinheiro ou bens do contribuinte submetido a processo de execução fiscal.

Tendo em vista esse arsenal, que vem sendo continuamente reforçado para aumentar o poder dos órgãos fazendários, recomenda-se que o contribuinte promova revisão dos procedimentos e controles contábeis e fiscais praticados nos últimos cinco anos. A Receita está trabalhando mesmo.

Hoje a Receita Federal tem diversos meios – controles para acompanhar a movimentação financeira das pessoas.

Além da DIMOF, temos a DIRPF, DIRPJ, DACON, DCTF, DITR, DIPI, DIRF, RAIS, DIMOB, etc. Ou seja, são várias fontes de informações. Esse sistema HARPIA está trabalhando pra valer. Com a entrada em vigor da nota fiscal eletrônica e do SPED, essa situação vai piorar, ou melhor, melhorar a arrecadação.

Todo cuidado é pouco. A partir de agora todos devem ter controle de todos os gastos no ano e verificar se os rendimentos ou outras fontes são suficientes para comprovar os pagamentos, além das demais preocupações, como lançar corretamente as receitas, bens, etc.

Fonte: Jornal Contábil

COMPORTAMENTO: A ETERNA OMISSÃO NOSSA DE CADA DIA

A omissão nossa de cada dia
publicado em recortes por Sílvia Marques

Zelar pela verdade e lutar por justiça não são o forte das instituições. Uma dezena de homens mascarados se chafurdando sobre ela causaram menos danos do que a frieza do pai em relação ao seu sofrimento.

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Cena do filme A filha do general

O filósofo Luiz Felipe Pondé Pondé analisou o filme Spotlight e falou sobre a leniência moral de nossa sociedade. Lembrei-me do filme A filha do general que vi há séculos e pensei em toda a nossa letargia diante das injustiças.

Pondé fala amargamente sobre a tendência institucional e social de jogarmos escândalos e abusos para debaixo do tapete. O filme A filha do general mostra um linda e inteligente militar , filha do general, despertando a inveja em um meio altamente masculino. Uma moça loira e de rosto meigo era mais competente do que muitos homens barbados. A moça de rosto suave tinha uma carreira mais promissora do que muitos machos alfa. E ser mais competente e inteligente é a ofensa mais grave que uma mulher pode fazer a um homem.

A filha do general é currada por um grupo de militares mascarados. Fato suficiente para destruir completamente qualquer pessoa , independente do gênero. Mas não. A brutalidade extrema cometida pelos colegas não foi suficiente para destruí-la. O que realmente a levou a nocaute foi a reação do pai diante do horror que fizeram com ela. O general achou mais prudente abafar o caso, tentando desta forma preservar a própria carreira e a da filha.

Zelar pela verdade e lutar por justiça não são o forte das instituições. Uma dezena de homens mascarados se chafurdando sobre ela causaram menos danos do que a frieza do pai em relação ao seu sofrimento.

Precisamos parar de nos omitir porque brigar dá trabalho, desgasta , estremece relações. Muitas vezes o que mais fere uma pessoa não é a violência ou a injustiça sofrida em si. Mas o pouco caso e a falta de interesse das pessoas amadas em relação à violência ou injustiça sofrida.

Quando uma pessoa é assaltada, machucada fisicamente e/ou emocionalmente, ela deseja ser compreendida e acolhida por aqueles que ela ama. Ela quer ver a indignação nos olhos de quem ela ama. Precisamos sentir que a nossa dor incomoda as pessoas que amamos. Precisamos sentir que somos importantes e amados. Desta maneira , fica muito mais simples superar qualquer trauma ou crise.

Minimizar a dor alheia e tentar convencer o outro de que ele está sofrendo à toa , por um motivo menor, só aumenta o desespero de quem passou por uma violência ou injustiça. E entenda-se aqui o termo violência tanto no âmbito físico quanto psicológico. Tem pessoas que torturam e violentam os outros sem derramar uma gota de sangue.

O simples fato de tentarmos ajudar e nos importar com as pessoas, faz com que elas se sintam muito mais fortes e preparadas para esquecerem suas dores ou transformá-las em algum aprendizado.



Paulistana, escritora, idealista em crise, bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna, doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim, com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa, dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada. Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu...

BELO MONTE: COMPENSAÇÕES PARA MT REVELAM INJUSTIÇA CRUEL


Compensações pela Usina de Belo Monte vão para o Mato Grosso

Fato é tão absurdo - e injusto - que bem poderia motivar um novo movimento da Cabanagem


Usina de Belo Monte


O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (Ibama/ICMBio), através da Câmara de Compensação Ambiental Federal, órgão do Ministério do Meio Ambiente, destinaram nada menos que 71% do valor da compensação ambiental devida pela construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, a uma área protegida em Mato Grosso, a 814 quilômetros de distância do empreendimento. Ficou assim: dos R$ 126 milhões, R$ 92 milhões irão para o Parque Nacional do Juruena(MT), e só R$ 6,5 milhões para a criação de novas áreas protegidas na região impactada pela UHE-Belo Monte e R$ 27,5 milhões para áreas protegidas dentro do Pará. Da mesma forma, parte das compensações devidas pela Vale por seu gigantesco projeto em Canaã dos Carajás está na iminência de ser injetada no Estado do Tocantins.

A revelação, feita pelo secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia, Adnan Demachki, e pelo presidente da Fapespa (Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas do Pará), Eduardo Costa, chocou a todos os presentes na posse dos novos diretores do Conselho Regional de Economia, na semana passada, no Salão Nobre da Associação Comercial do Pará. O fato é tão absurdo – e injusto – que bem poderia motivar um novo movimento da Cabanagem.

 A barragem em Vitória do Xingu, julho de 2015

A barragem em Vitória do Xingu, julho de 2015

A compensação ambiental foi instituída a fim de indenizar danos ambientais que não podem ser evitados pelo empreendimento. Ora, o Estado do Pará sofre 100% dos terríveis impactos ambientais, sociais e econômicos, com o rio Xingu alterado, povos indígenas e populações tradicionais remanejados e com seu meio de vida bruscamente transformado, de forma irremediável, criação de bolsões de miséria, prostituição infantojuvenil, problemas de moradia e de saúde e violência galopante em razão da explosão demográfica causada pela UHE Belo Monte. Tem 42 unidades de conservação, tanto estaduais quanto federais, que enfrentam pressão de desmatamento e precisam muito de investimentos. Mas, ao invés de pelo menos cumprir seu papel, os órgãos ambientais federais preferem levar os recursos legitimamente devidos ao Pará a outro Estado da Federação, que não sofreu impacto algum com a obra.

O secretário de Estado do Meio Ambiente do Pará, Luiz Fernandes Rocha, oficiou ao governo federal pedindo para participar das reuniões que decidem a destinação dos recursos, a fim de evitar tal iniquidade. Foi inútil. Depois, pediu a revisão da distribuição. Também foi ignorado. Agora, a Procuradoria Geral do Estado já foi acionada pelo governador Simão Jatene a fim de ajuizar uma ação de modo a garantir pelo menos uma distribuição mais equilibrada dos recursos. Afinal, o dinheiro pode muito bem ser aplicado em unidades controladas pelo governo federal, mas que sejam próximas da área impactada pela usina, em projetos que de fato compensem os danos causados.

A medida do governo federal não é ilegal, mas certamente abusiva. A justificativa é que quando a compensação ambiental passa de R$ 10 milhões é considerada de abrangência nacional, podendo contemplar toda a região hidrográfica onde está o empreendimento, dentro dos 5 mil quilômetros quadrados da Amazônia. Para se ter uma ideia do descalabro: R$ 80 milhões vão para o Parque Juruena(MT) a título de “regularização fundiária”. Mas o Pará é o recordista disparado em conflitos fundiários no Brasil. E carrega alguns outros tristes títulos, como o de campeão de mortes em conflitos pela terra.

O Relatório Final da CPI da Grilagem, apresentado em 29 de agosto de 2001, apontou a existência de mais 30 milhões de hectares grilados no Pará. Já o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito realizada na Assembléia Legislativa do Pará, em 1999, concluiu que: “a situação é tão caótica e crítica que existem municípios cuja área registrada nos cartórios como imóveis particulares é superior à sua extensão territorial […]: ‗o município de Acará, com uma superfície de 854.200 ha, tem 1.040.112,7 ha registrados no cartório; Tomé-Açu, com uma superfície de 582.200 ha, tem 819.314,8 ha registrados em cartório; Paragominas, com uma superfície de 2.716.800 ha, tem 3.327.234 ha registrados em cartório; e, o caso mais clamoroso, Moju, que apesar de ter uma extensão territorial de 1.172.800 ha já tem registrado em cartório 2.750.080,4 ha, ou seja, já registrou até terrenos no céu.”

A grilagem de terras tem sido pano de fundo das mais variadas formas de violação dos direitos humanos no Estado do Pará, que incluem extração criminosa dos recursos florestais, práticas de trabalho escravo e assassinatos. São desrespeitados direitos humanos, econômicos, sociais e culturais. Conforme os registros da CPT (Comissão Pastoral da Terra, da CNBB Norte II), mais de 700 camponeses e outros defensores de direitos humanos foram assassinados nos últimos 30 anos no Pará, e a maioria envolve a prática de pistolagem. Nesse período, houve ainda 128 tentativas de assassinato e foram registradas 459 ameaças de morte. É trágico e crescente o padrão de violência no Pará: mais trabalhadores rurais foram assassinados no período 1995 a 2004 (169 ocorrências) do que nos primeiros quinze anos de ditadura militar (1964-1979), quando 89 trabalhadores foram mortos, precisamente os anos de mais intensa repressão aos movimentos populares. Os dados oficiais são ainda mais estarrecedores. No final de 2002, a Secretaria Especial de Defesa Social do Estado do Pará publicou estudo intitulado Inventário de Registros e Denúncias de Mortes Relacionadas com a Posse e Exploração de Terra no Estado do Pará 1980-2001. Neste levantamento, os dados referentes ao período 1995-2001 indicam 328 assassinatos no Pará em conflitos pela posse e exploração da terra. A fonte destes estudos são os registros criminais da Delegacia Especializada em Conflitos Agrários da Polícia Civil do Estado. A CTP expõe que, só de janeiro a setembro de 2011, aconteceram 9 assassinatos relacionados ao campesinato.

Como ninguém desconhece, o princípio fundamental é o direito à vida. Daí que agir contra esse direito significa violar os princípios dos direitos humanos, que passam pela garantia da dignidade, e que interessa a todo mundo proteger e garantir. A vida é comum a todos e tem o mesmo valor, mas a realidade mostra que este direito está sendo absurdamente violado. Contudo, o governo federal não parece enxergar esse cenário medonho, ao transferir recursos de direito e merecidos pelo Pará a outra unidade federativa.

Segundo o Imazon, por exemplo, o desmatamento na região da usina de Belo Monte foi 40% maior do que o previsto antes das obras.

Em 1940, o Pará tinha o 8º PIB per capita do País. Em 2013, passou a ser o 20º. O PIB hoje é 57% do PIB Nacional. Nos últimos 50 anos, a população paraense cresceu em 6,5 milhões de habitantes. O Estado é, como diz o próprio secretário Adnan Demachki, substancialmente extrativista e exportador de matéria-prima, e justamente quando busca novo modelo de desenvolvimento os recursos relativos à compensação ambiental da usina hidrelétrica de Belo Monte lhes são retirados.

Fonte: RG 15/O Impacto e Franssinete Florenzano

WHATSAPP: VIDEOCHAMADAS COMO ATRATIVO PARA GOLPES


Golpe no WhatsApp usa videochamadas para espalhar vírus no celular

Para o TechTudo


Um esquema descoberto no WhatsApp promete acesso ao recurso de videochamadas, ainda inexistente no mensageiro. O convite para usar a falsa ferramenta tem sido disseminado por contatos, na forma de uma mensagem com link. Com isso, uma página é aberta para pedir dados pessoais de usuários, como número de telefone. Revelado nesta segunda-feira (22), o golpe tem origem no Brasil e foi denunciado pela Kaspersky Lab.

Depois de preencher um formulário, quem cai no falso convite é informado, pelo site malicioso, que é necessário convidar dez amigos para a novidade. Essa dinâmica permite ao golpe se espalhar com facilidade e infectar celulares com WhatsApp
Criminosos prometem recurso inexistente para atrair vítimas (Foto: Anna Kellen Bull/TechTudo)

Criminosos prometem recurso inexistente para atrair vítimas (Foto: Anna Kellen Bull/TechTudo)

Após convidar o número mínimo de contatos, o usuário é direcionado para uma série de ofertas de apps de origem duvidosa, que podem prejudicar a segurança do smartphone. De acordo com a Kaspersky Lab, os tipos de aplicativos e conteúdo das mensagens que disparam o esquema são diferentes entre Android, Windows Phone e iPhone (iOS).

Um ponto grave a respeito dessa nova manobra de cibercriminosos é que links de programas legítimos tem sido usados. Com isso, apps confiáveis são distribuídos de forma suspeita, o que pode iludir os clientes. 

Outro detalhe perigoso é que ao informar o número do celular no preenchimento do formulário, o usuário dá aos criminosos a possibilidade de inscrevê-lo em serviços de assinatura, que podem causar prejuízos muito maiores.

Fique atento para mensagens suspeitas (Foto: Divulgação/Kaspersky Lab)

Fique atento para mensagens suspeitas (Foto: Divulgação/Kaspersky Lab)

O golpe repete uma fórmula já aplicada em outros episódios. Para o analista sênior de segurança da Kaspersky Lab no Brasil, Fabio Assolini, isso demonstra que os crimes anteriores foram bem-sucedidos e que os hackers seguem com a mesma estratégia para invadir aparelhos. 

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

SAÚDE: OVO NÃO AUMENTA COLESTEROL


Comer ovo não aumenta o
colesterol nem as chances de
infarto
A pesquisa também envolveu pessoas com pré-disposição genética para problemas com colesterol
Por Felipe Germano


Sabe todos aqueles ovos caipiras que você deixou de comer? Todas aquelas gemas moles misturando com o arroz, ou o x-egg que virou x-burguer quando bateu na consciência? Pois é, você não precisava ter se esforçado tanto. A ciência provou o que seus instintos já gritavam há tempos: comer ovo de galinha não faz mal para o seu coração.

Acontece que o alimento sempre foi relacionado ao aumento de colesterol LDL (o que faz mal à saúde). Nada mais natural, afinal, o ovo é realmente um alimento muito rico na substância. O que o novo estudo da Universidade Finlândia Oriental afirma é que comer um alimento com muito colesterol não significa que haverá um aumento de LDL no seu sistema circulatório. Você não vai enfartar por causa daquele bife a cavalo.

O estudo começou a ser produzido em 1984 com 1.032 homens que variavam entre 42 e 60 anos. 32,5% dos participantes do estudo possuíam o gene APOE4, que provoca um mau funcionamento na proteína responsável pelo transporte do colesterol no corpo.  Os participantes foram alimentados com uma dieta rica em colesterol, incluindo um ovo por dia e 520 mg de colesterol diário, até 1989.

Os participantes foram acompanhados por 21 anos, e os resultados são claros: o consumo de ovos não aumentou as chances de doença cardíaca, nem mesmo para quem possui o gene APOE4. De acordo com os testes, a alimentação rica em colesterol não alterou a espessura das artérias (o que causaria um infarto). O omelete na janta, segundo os pesquisadores, está liberado.

SOCIEDADE: VAMOS FALAR DE AMOR


HÁ PESSOAS QUE SE AMAM, SIM, MAS NÃO ESTÃO JUNTAS


publicado em recortes por Marcel Camargo



Muitos não deixaram de se amar, mas pararam de prestar atenção nos olhos de quem torcia ali bem juntinho, cessaram o apertar das mãos que tateavam, em vão, por entre a escuridão dos lençóis frios, deixaram de construir aqueles sonhos bobos, mas essenciais à continuidade dos passos harmoniosos, dos desejos em comunhão. E assim se perderam de si mesmos e do outro.



Não basta amar tão somente, para se ter garantia de que os finais felizes virão. O amor requer cuidados, atenção, entregas e renúncias, o que nem todos estamos dispostos a ofertar. A convivência diária é repleta de armadilhas e de desgastes que se avolumam, embaralhando os sentimentos de quem está mergulhado no compartilhamento de vidas.

Quando nos lançamos ao encontro do outro, teremos que trazer para dentro de nossas vidas tudo o que ele traz, tanto aquilo que nos satisfaz, quanto o que nos desagrada. Não existe nada que o passar do tempo não desmascare, não traga à tona, não torne claro, mesmo que à nossa revelia. Da mesma forma, estamos sujeitos a mudar de opiniões, a mudarmos nosso comportamento, pois assim é a vida. E, nesse contexto, não raro mudamos de forma a desagradar quem estava acostumado com o nosso antigo eu.



A convivência diária acaba nos obrigando a enfrentar tudo o que somos, o nosso melhor e o nosso pior, uma vez que existem pessoas ali bem perto, que recebem imediatamente os reflexos de nossas atitudes. Porque, quando compomos uma família, já não podemos agir sem que isso se estenda ao parceiro e/ou aos filhos, cujas vidas se ligam às nossas com proximidade e carga emocional intensa.



Caso não prestemos atenção aos anseios e às necessidades de quem caminha ao nosso lado, por conta da priorização exclusiva do que queremos, sem levar em conta as vidas que nos rodeiam, dormem e acordam ao nosso lado, iremos nos distanciar cada vez mais de nossos queridos, de corpo e alma. O amor é troca, é ida com volta, é dar e receber, ou seja, não permanecerá onde não encontre contrapartida sincera, retorno de olhares, de toques, de sonhos.



Por isso é que muitas pessoas se separam, mesmo que ainda se amem. Não deixaram de se amar, mas pararam de prestar atenção nos olhos de quem torcia ali bem juntinho, cessaram o apertar das mãos que tateavam, em vão, por entre a escuridão dos lençóis frios, deixaram de construir aqueles sonhos bobos, mas essenciais à continuidade dos passos harmoniosos, dos desejos em comunhão. E assim se perderam de si mesmos e do outro.



Portanto, é necessário que sejamos mais fortes do que a dureza desarmônica do dia-a-dia e do cotidiano maçante, que muitas vezes assola nossos sentidos, desconstruindo nossos sonhos e nos desviando de nossa busca pela felicidade junto de alguém, inclusive de alguém que já está ali do nosso lado, pronto para lutar junto, sonhar junto, crescer junto. Triste não podermos caminhar de mãos dadas com quem amamos, mas ainda mais desolador é ver o amor de nossas vidas se afastando por conta de tudo o que deixamos de ser e de fazer - mas poderíamos, mas deveríamos...


Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar