quinta-feira, 31 de março de 2016

BELO MONTE 3: "CADÊ O PEIXE?"

O Xingu não está mais para peixe
O drama das famílias que perderam o sustento tirado do rio
A tristeza de Antônia Nascimento Neves, 34 anos, que vive com os 3 filhos e a nora, na localidade conhecida como Aparecida. Seu maior desassossego é com o trator da Norte Energia, que pode voltar a qualquer momento
A tristeza de Antônia Nascimento Neves, 34 anos, que vive com os 3 filhos e a nora, na localidade conhecida como Aparecida. Seu maior desassossego é com o trator da Norte Energia, que pode voltar a qualquer momento

(Fotos de Marizilda Cruppe) – Terra de uma gente cristã, sobretudo católica e ligada às alas mais progressistas da Igreja, herança da atuação das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) nos anos 1970 e 1980, Altamira anda assustada por viver, ultimamente, na contramão da passagem bíblica que relata o milagre da multiplicação dos peixes por Jesus no Mar da Galileia. Os peixes do Rio Xingu, desde o enchimento do reservatório da Hidrelétrica de Belo Monte, vêm escasseando, escasseando, escasseando.

A pescadora Raimunda Gomes da Silva, 57 anos, rendeu-se. Vendeu um de seus dois pequenos barcos por R$ 1.200 e pendurou na varanda, como troféus de um tempo mais feliz, as suas redes de ofício. Mãe de sete filhas criadas com o sustento que retirava do Xingu, Raimunda e a família foram remanejadas de onde moravam pela usina. Hoje, estão no bairro Ayrton Senna I, a 5km do rio, em casa mais modesta, comprada com o dinheiro da indenização paga pela concessionária Norte Energia.

Se fizerem uma CPI dentro de Altamira, vai ser pior que a da Petrobras! É impossível numa cidade dessas entrar tanto dinheiro, e a gente estar assim! A gente não tem hospital! O que deram para o pescador? Porrada na cara! Mais nada! Cadê os governantes, gente?! Aqui no bairro é tanto ladrão que um bate no chifre do outro!

João Pereira da Silva
Pescador

Nos tempos de fartura no Xingu, ela vivia com o marido, João Pereira da Silva, 64 anos, seu parceiro de pesca, na Ilha Barriguda, uma das mais de 100 inundadas pela barragem. Segundo Raimunda, funcionários da usina puseram fogo em sua propriedade antes mesmo que ela conseguisse retirar todos os pertences da vida inteira.
O bairro da Amizade, às margens do rio Xingu, era uma área de pescadores com casas de palafita. As cerca de 500 famílias que lá viviam foram removidas e toda a região alagada
O bairro da Amizade, às margens do rio Xingu, era uma área de pescadores com casas de palafita. As cerca de 500 famílias que lá viviam foram removidas e toda a região alagada

Apesar de convencida de que dificilmente terá sucesso numa ação judicial, ela deu queixa contra Belo Monte na Polícia Federal. O marido está doente desde então, com tremores nas mãos e as pernas inseguras, condição que ele e a mulher atribuem a uma sequela do trauma da remoção:

– Quando o representante da Norte Energia começou a falar, João deu a tremer e suas pernas bambearam. Ele ficou três meses sem andar, e eu o levando da cama para o banheiro, do banheiro para a cama – recorda Raimunda. – Hoje, não temos mais condição de pescar. Aqui é muito longe do rio. E meu parceiro de pesca (o marido) não pode mais. E o rio mudou. Os peixes, além de sumidos, estão doentes. Antes, um peixe fisgado às 4h da manhã continuava fresco às 9h. Agora, uma hora depois, já está fofo.

João sequer concede pronunciar as palavras “Belo Monte”. Refere-se à usina como “aquilo”. No máximo, permite-se dizer “Norte Energia”. Seu desabafo revela o linguajar de quem teve pouco estudo, mas acumulou muita sabedoria. Como Raimunda, ele é atento ao que vai na cidade, na Amazônia, no país, no mundo a seu redor. Em seu desabafo, chega a se exaltar:

– Quem vivia em 2 hectares, que era o que eu tinha lá na ilha, pode ficar feliz numa casa de 25m²? Se fizerem uma CPI dentro de Altamira, vai ser pior que a da Petrobras! É impossível numa cidade dessas entrar tanto dinheiro, e a gente estar assim! A gente não tem hospital! O que deram para o pescador? Porrada na cara! Mais nada! Cadê os governantes, gente?! Aqui no bairro é tanto ladrão que um bate no chifre do outro!
Casa onde Antônia Nascimento Neves, na localidade conhecida como Aparecida. A água que aparece na foto é uma mistura do igarapé que subiu de nível com o esgoto vazado
Casa onde Antônia Nascimento Neves, na localidade conhecida como Aparecida. A água que aparece na foto é uma mistura do igarapé que subiu de nível com o esgoto vazado

João enxuga o suor e prossegue em seu desabafo:

– O peixe procura o raso. O peixe vai ficar aí nesse lago (da barragem) fazendo o quê, se não tem comida para ele comer? Todo dia, eu trazia 20 kg de peixes. Hoje, você pega o da “boia”, e se dê por satisfeito. Hoje, o pescador sai, fica o dia todo e, se volta com 1 kg, 2 kg, se dê por satisfeito. Eu não podia derrubar um pau da floresta para fazer um barco que o Ibama me multava! Mas eles (Belo Monte) puderam derrubar tudo e queimar tudo. Isso é certo?!

José Carlos Alves Ribeiro, 43 anos, acha que não, não é certo. Pescador que concorria pacificamente com João, Raimunda e tantos outros nas águas fartas do Xingu, ele também teve sua casa e seu trabalho dizimados pelas obras de Belo Monte. A casa na ilha em que vivia está agora coberta pelo rio. Recebeu, por ela, R$ 26 mil de indenização. Foi morar no bairro São Domingos, a uns 8 km do Xingu, numa pequena via de terra, com vala de esgoto correndo, chamada, por zombaria do destino, Travessa Paraíso.

Quando eu ia para a ilha, com cinco dias, já vinha embora com nove, dez caixas de isopor cheias de peixes. Ultimamente, íamos para o rio com três caixas e voltávamos com uma só de pescado. Sem barco e sem peixe, estou vivendo de bicos.

José Carlos Ribeiro
Pescador

Divide a casa modesta com a mulher, Elizângela Viana da Silva, de 38 anos, três filhas biológicas, de 20, 18 e 17, uma outra adotada, de 5, e três netos – uma menina de 2, um garoto de 3 e uma bebê de sete meses. Se na nova ordem imposta à natureza pelas obras da usina José Carlos já não tinha muito peixe para pescar, agora nem barco ele tem. Foi furtado. Como passou a morar longe, teve de deixá-lo amarrado numa margem do rio. Quando voltou para resgatá-lo, havia sumido.

José Carlos também tinha uma casinha no continente, às margens do Xingu, como a maioria dos pescadores, que revezavam de endereço conforme as estações do ano – no inverno, período de cheia, iam para as ilhas; no verão, com águas rasas, voltavam para sua casa da cidade. Mas só foi indenizado por uma delas.

– Quando eu ia para a ilha, com cinco dias, já vinha embora com nove, dez caixas de isopor cheias de peixes. Ultimamente, íamos para o rio com três caixas e voltávamos com uma só de pescado. Sem barco e sem peixe, estou vivendo de bicos – lamenta José Carlos. – Preciso da indenização da casinha que tínhamos na beira do rio.

Não é um problema só dele. Muitos de seus pares estão na mesma situação. A Norte Energia fez um cadastro com a promessa de resolver o contencioso. Nem todos os pescadores conseguiram se inscrever. Na terça e na quarta, 15 e 16 de março, uma reunião no Centro de Convenções de Altamira com representantes da usina, do Ministério Público Federal, da Defensoria Pública da União, do Ibama, de ONGs e da Chefia da Casa de Governo (representação da Presidência da República em Altamira, criada para acompanhar as questões da Amazônia) tentou resolver a questão com os ribeirinhos. O clima era de incertezas.

O encontro foi mediado pelo chefe da Casa de Governo, Márcio Hirata, subordinado à Secretaria-Geral da Presidência. Ficou acertado que a Norte Energia deve compensar esses pescadores, e que será cobrada por isso pelo Ministério Público, pelo Ibama e pela Defensoria da União. Quando virá essa compensação, ainda não se sabe.
Casa do casal de pescadores Raimunda Gomes da Silva, 57 anos, e João Pereira da Silva, 64 anos. As redes, sem uso, agora ficam penduradas
Casa do casal de pescadores Raimunda Gomes da Silva, 57 anos, e João Pereira da Silva, 64 anos. As redes, sem uso, agora ficam penduradas

Belo Monte, com sua multidão de despejados, também fez vítimas que sequer têm direito legal a compensações. São histórias mais tristes. Antônia Nascimento Neves, 34 anos, mora num cômodo de cortiço insalubre de madeira, no bairro Brasília, com os filhos Alexandre, 19, Jaqueline, 17, Antônio Vítor, 10, e a nora, Franciane, também de 17. Seu casebre tem o chão alagado pelo chorume de um brejo fétido, resultado da mistura do esgoto a céu aberto da rua com as águas de um igarapé que subiu de nível por causa das mudanças do rio.

Ela não tem trabalho. Vive de doações e do socorro de ONGs como Xingu Vivo Para Sempre. Ou da ajuda da evangélica recém-convertida Larissa Lorrana dos Santos Amorim, adolescente de 15 anos, já mãe de uma menina de 1. Irmã da antiga dona do cortiço, Larissa, compadecida, volta e meia, leva para a amiga mais velha algum mantimento.

As paredes tortas do barraco de Antônia parecem querer desabar a qualquer momento. Antes de Belo Monte, ela administrava os aluguéis dos demais cômodos do cortiço para a irmã de Larissa, que, segundo as duas, depois de ser indenizada pela usina, sumiu no mundo, envolvida com drogas. Todos os demais inquilinos também partiram. Sobraram Antônia, os filhos e a nora, sem ter para onde ir. Semana sim, outra também, surge no terreno encharcado, onde havia outras casas, demolidas pela usina, um trator da Norte Energia para tentar derrubar a frágil construção.

– Botei na Defensoria Pública da União. Para onde eu vou? Antes, eu trabalhava como doméstica. Agora, não posso mais. Se eu sair de casa para trabalhar de manhã, o trator vem de tarde e põe tudo no chão – ela acredita.

Seus filhos mais velhos estão fora da escola. Também estão sem trabalho. Só o caçula e a nora estudam. Sua menina de 17 desenvolveu, nesse ambiente, uma doença reumática nas pernas que lhe causa dores lancinantes e a impede, às vezes, até de andar. Seu garoto de 19 adquiriu uma úlcera e, por isso, não tem conseguido procurar emprego. Na sexta-feira 18, Antônia só tinha em casa um saco de arroz já aberto para dar de comer aos filhos. Mas seu maior desassossego era com o trator da Norte Energia, que, ela sabia, em breve iria volta.

Marceu Vieira
Escrito por Marceu Vieira

Marceu Vieira é jornalista, compositor e, quando pode, ficcionista e cronista do cotidiano. Iniciou-se no jornalismo na extinta "Tribuna da Imprensa" e seguiu na profissão, sempre repórter em tempo integral, nas redações de "O Nacional", "Veja", "Jornal do Brasil", "Época" e "O Globo".


quarta-feira, 30 de março de 2016

BELO MONTE 2: CONSTRANGIMENTOS

Belo Monte: de todas as promessas, só uma foi cumprida
Hospital e escolas existem, mas estão vazios. Saneamento feito, mas não funciona
Vista aérea dos canais que levam à barragem da Usina Hidrelétrica de Belo Monte: "O Xingu não era aqui!”
Vista aérea dos canais que levam à barragem da Usina Hidrelétrica de Belo Monte: “O Xingu não era aqui!”

(Fotos de Marizilda Cruppe) – “O que o Rio Xingu está fazendo aqui?!” A pergunta, em tom de espanto, foi feita a si mesmo, na manhã da quinta-feira, 17 de março, pelo taxista altamirense Reginaldo Melo, 53 anos, ao avistar o imenso canal de derivação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, proeza da engenharia que desviou o curso das águas por 20km e reduziu em 80% a vazão do rio num trecho de 100km da calha original. “O Xingu não era aqui!”, exclamou ele ao desembarcar de seu táxi perto de uma borda do leito sem movimento e sem vida, como uma grande poça.

O saneamento básico,  a distribuição de água encanada, a coleta de esgoto… Tudo isso deveria ter ficado pronto antes do enchimento da barragem. É o que determinavam as condicionantes.

Luiz Claudio Pereira
Secretário de Planejamento de Altamira

Não foi a primeira vez que ele viu o canal, enchido no dia 13 de janeiro, quando a usina abriu as comportas. Mas ainda se espanta. Reginaldo, com seu táxi, é um dos que conseguiram ganhar mais dinheiro com Belo Monte. No entanto, passada a euforia, com o término iminente das obras, sente-se desapontado. Compensar sua estupefação com a perda de praias onde costumava se banhar com a família, antes da hidrelétrica, tem preço impossível de ser calculado – como o de tudo mais que foi transformado na vida das pessoas da região.

O lenitivo para desapontamentos como o de Reginaldo foi fixado em R$ 3,2 bilhões, em 2011, quando a obra começou. O dinheiro seria investido em 54 condicionantes firmadas entre o consórcio construtor e o Ibama para atenuar os efeitos da usina na vida dos povos da floresta e das populações urbanas dos municípios impactados. A cifra, corrigida, já chega hoje a R$ 5 bilhões. Mas não conseguiu evitar tantos desfavores.
RUC (Reassentamento Urbano Coletivo) Laranjeiras, em Altamira. Ali ainda não há esgoto nem escola e as ruas não são pavimentadas
RUC (Reassentamento Urbano Coletivo) Laranjeiras, em Altamira: falta lazer e transporte público para os moradores

O dinheiro das compensações tem saído, de fato, do caixa da concessionária Norte Energia. Porém, os canteiros dessas intervenções jamais caminharam na mesma velocidade do erguimento da hidrelétrica – e, até agora, com o índice de conclusão da usina já superior a 90%, nenhuma condicionante urbana é dada como integralmente cumprida, à exceção do aterro sanitário de lixo de Altamira, o município mais atingido. Seguem “em andamento”. Algumas obras, segundo a prefeitura, estão paradas, como a de trechos do Parque Igarapé Altamira, que, no papel, proporcionaria lazer à população.

Outras, como a construção de 378 salas de aula, saíram do papel. Mas estão em escolas que permanecem fechadas, sem professores e alunos, na área rural, enquanto faltam vagas nos centros urbanos, onde a demanda por matrículas subiu na ordem de 1.000 por ano desde o início das obras. Em 2012, Altamira tinha 24.791 crianças e adolescentes matriculados. Em 2015, esse contingente já era de 27.486 em classes superlotadas, apesar do aumento de 57% na evasão escolar entre 2011 e 2013, provocada pela atração de jovens pela obra.

Com parte da juventude já sem emprego e longe da escola, vem crescendo, ano a ano, o número de adolescentes apreendidos pela polícia em Altamira: 27, em 2010; 66, em 2011; 175, em 2012; 189, em 2013; 182, em 2014, na contabilidade mais recente. Tudo isso apesar de, em outra condicionante mal cumprida, a Norte Energia ter repassado R$ 115 milhões ao governo do estado para reforçar a segurança na região (um terço desse montante, R$ 39 milhões, financiou a compra de um helicóptero, que, diz a voz corrente em Altamira, nunca chegou a ser usado ali).
Maria da Conceição Lima Alves, 87 anos, em sua casa, no RUC (Reassentamento Urbano Coletivo) Laranjeiras, em Altamira. Dona Maria tem o olhar baixo e triste. Ela sente muita falta de sua casa e de suas plantas
Maria da Conceição Lima Alves, 87 anos, em sua casa, no RUC (Reassentamento Urbano Coletivo) Laranjeiras, em Altamira. Dona Maria tem o olhar baixo e triste. Ela sente muita falta de sua casa e de suas plantas

– O saneamento básico, a distribuição de água encanada, a coleta de esgoto…Tudo isso deveria ter ficado pronto antes do enchimento da barragem. É o que determinavam as condicionantes – lembra o secretário municipal de Planejamento, Luiz Cláudio Pereira Corrêa Júnior, 27 anos. – Exatamente como ocorreu com o hospital geral construído pela Norte Energia, que também deveria ter ficado pronto antes da usina, para atender às demandas do aumento da população, e até hoje não tem data para ser inaugurado. Ficou pronto só em 2015, e continua fechado.

O Ibama concedeu a Licença de Operação a Belo Monte no dia 24 de novembro de 2015. Pelos rigores da lei, o documento só poderia ser concedido, segundo a prefeitura, após o cumprimento de todas as condicionantes. O órgão nega que tenha sofrido pressão do Planalto para apressar a licença. Mas até os contínuos do Ministério do Meio Ambiente, em Brasília, sabem que a hidrelétrica, estratégica para o governo, contou com a boa vontade oficial. O texto da licença estendeu o prazo para o cumprimento de várias condicionantes e deu como realizadas outras que só existem na obra física.

Um dos casos mais exemplares é o das redes de água (170km) e esgoto (220km), que custaram R$ 485 milhões ao consórcio construtor. Os canos e manilhas já estão todos sob o solo. Mas nenhum imóvel, segundo a prefeitura, está conectado a eles (o Ibama assegura que 3.700 casas de áreas reassentadas, sim, já estão). A Norte Energia alegou que fazer as conexões seria missão da prefeitura. O município insistiu que a responsabilidade era do consórcio.

O Ibama, ao conceder a Licença de Operação, decidiu que caberá ao empreendedor concluir o trabalho até 30 de setembro deste ano. Mas, passados quase cinco meses do início desse prazo, a situação continua igual.

– Acho difícil a Norte Energia cumprir esse prazo. Isso (as conexões às redes de água e esgoto) é trabalho que só se faz em quatro anos – teme o secretário de Planejamento.
Antônia Mello, da ONG Xingu Vivo, sob uma goiabeira, no quintal da casa onde viveu 35 anos e criou 5 filhos
Antônia Mello, da ONG Xingu Vivo, sob uma goiabeira, no quintal da casa onde viveu 35 anos e criou 5 filhos

Há vozes mais incisivas. O engenheiro Marcelo Salazar, 39 anos, coordenador do Instituto Socioambiental (ISA), organização não-governamental com atuação no Xingu, chama Belo Monte de “crime ambiental” e critica a lentidão no cumprimento das condicionantes:

– A usina é inviável tecnicamente, economicamente e ambientalmente. Só se justifica no esquema de corrupção montado para viabilizar eleições não apenas de um partido, mas de vários – afirma ele. – O ISA lutou 30 anos contra a construção de Belo Monte, não conseguiu, e a briga agora tem outro foco, é pelo direito de compensação das populações atingidas.

Pelo lado do governo, cabe ao Ibama fiscalizar o cumprimento das condicionantes. Pela sociedade civil do Xingu, esse papel é do ISA. Sob a liderança, entre outros, de Salazar, o instituto tem acompanhado com rigor as compensações. O ISA entende que nenhuma delas segue seu curso a contento – e reuniu as informações num documento chamado Dossiê Belo Monte.

Segundo o dossiê, das 8.000 famílias removidas de suas casas, num universo de 40.000 pessoas, só 4% conseguiram novas residências nos Reassentamentos Urbanos Coletivos (RUCs), bairros novos erguidos pela usina em áreas desmatadas, sem sombra de árvore e sem lazer, distantes do Rio Xingu e do centro da cidade, desprovidas de transporte coletivo e demais serviços.

Eu já estava acostumada com a minha casinha perto do rio. Não gostei, não. Preferia lá…

Maria da Conceição Lima Alves
Moradora de Altamira

Um dos contemplados com uma dessas casas foi o pedreiro Nascimento Lira Alves, 42 anos, que vivia na comunidade Jardim Independente II, alagada. Hoje, ele mora na RUC Laranjeiras, uma das mais carentes. Nascimento chegou a trabalhar na obra da usina. Agora, está desempregado, como milhares de altamirenses.

– No começo, Belo Monte deu muito emprego. Mas com a fim da obra… – ele nem chega a completar a frase.

Ao lado dele, numa casa igual, modesta, em terreno de 11mx30m, vive sua mãe, Maria da Conceição Lima Alves, 87 anos, que não se conforma:

– Eu já estava acostumada com a minha casinha perto do rio. Não gostei, não. Preferia lá…

Há quem teve ainda menos sorte. Entre os removidos, 75% receberam indenizações irrisórias, incapazes de comprar moradias iguais as que tinham num município onde os preços, por causa da explosão da população, tornaram-se absurdos (aluguéis antes de R$ 300 saltaram para R$ 1.200). As indenizações de outros 21% foram pagas na forma de carta de crédito, também inferiores aos valores de mercado. Para todos esses, a vida piorou.

Foi assim com Antônia Melo, 66 anos, mãe de cinco filhos, líder da ONG Xingu Vivo Para Sempre, símbolo na região da luta contra Belo Monte. Ela também perdeu sua casa, localizada em área próxima ao rio. Com o dinheiro da indenização, comprou uma pior, num bairro chamado Ibiza, que em nada lembra a ilha de tantos glamoures no Mar Mediterrâneo, a Leste da Espanha.

– A tristeza é ter visto esse projeto virar realidade justamente no governo do PT, um empreendimento insano, que não vai gerar a energia prometida, obra feita para render propinas para campanhas eleitorais – desabafa Antônia, ex-militante do Partido dos Trabalhadores desde sua organização ali, nos anos 1980.

Quando Belo Monte ainda era só um projeto ameaçador para os povos da floresta, Antônia foi a Brasília com o bispo do Xingu, dom Erwin Kräutler, tentar demover o governo petista:

– Lula tinha estado aqui e dito para a gente que não faria isso com o Xingu. Tudo farsa. Fomos a Dilma, quando ela era ministra das Minas e Energia, e ela nem nos deixou falar. Bateu na mesa e disse: “Belo Monte vai sair”. E se levantou…Virei uma página na minha vida. Hoje, não acredito mais em partidos. Acredito na luta popular. Na transformação pelo povo unido e organizado. Só nisso eu acredito.



Marceu VieiraEscrito por Marceu Vieira


Marceu Vieira é jornalista, compositor e, quando pode, ficcionista e cronista do cotidiano. Iniciou-se no jornalismo na extinta "Tribuna da Imprensa" e seguiu na profissão, sempre repórter em tempo integral, nas redações de "O Nacional", "Veja", "Jornal do Brasil", "Época" e "O Globo".

BELO MONTE: A FESTA ACABOU, VAMOS LIMPAR A CASA?

Fim de festa em Belo Monte
Prestes a começar a funcionar, usina deixa um rastro de miséria e tristeza


(Fotos de Marizilda Cruppe) – Até onde a vista já não alcança, de tão vasto, e a poeira vermelha do barro da Transamazônica não deixa mais ver, de tão longe, o fim fica bem depois. Tudo é superlativo em Altamira, imensidão no Sudoeste do Pará. Seus monumentais 161.446 km² de área fazem do município o maior do país em extensão territorial e o terceiro do planeta. Se fosse um estado, Altamira ocuparia, em tamanho, a 16ª posição no mapa brasileiro, à frente de Rio de Janeiro, Espírito Santo, Santa Catarina, Acre, Ceará… Se fosse uma nação, seria, em dimensão, a 92ª do globo terrestre – engoliria uma Grécia e meia; quatro Suíças; quase duas vezes os limites de Portugal.
Lixo acumulado no rio Xingu, na orla do centro do município de Altamira. O saneamento prometido não veio
Lixo acumulado no rio Xingu, na orla do centro do município de Altamira. O saneamento prometido não veio

Hoje, porém, também são cada vez mais superlativos os desapontamentos, as dores, as decepções e as tristezas da pobre gigante Altamira, cujo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano, medido pela ONU) mal chega a 0,6, patamar considerado sofrível. As sementes desse dissabor foram plantadas em 2011. Foi quando começou a ser erguida ali, no leito do Rio Xingu, sob a desconfiança severa de movimentos sociais, mas com a esperança de quem acreditava no desenvolvimento da região (sobretudo, empresários e poder municipal), a Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

Hoje, com a obra prestes a atingir 100% de conclusão, e com a descomunal hidrelétrica já de posse da licença definitiva do Ibama para operar, o clima em Altamira é de fim de uma festa que não houve. Domingo passado, 27 de março, pousou na cidade o último voo regular Rio-Altamira da Gol, que só existia por causa do grande fluxo gerado pela obra. Cinco anos depois, só uma das condicionantes referentes à cidade foi integralmente cumprida – um aterro sanitário de lixo, e, ainda assim, com ressalvas.

Mamute de 24 turbinas que veio se somar às hipérboles do município como a maior hidrelétrica 100% nacional e a terceira mais imponente do mundo, Belo Monte, esteticamente, nada tem de bela. É um Everest horrendo de concreto e ferro no meio da Floresta Amazônica. Em dimensões e potencial energético, perde apenas para a chinesa Três Gargantas e a brasileira-paraguaia Itaipu Binacional. Ocupa uma clareira impressionante de 37.375.644 m² de área desmatada, imensidão equivalente a 9,11 Copacabanas, ou a 830,5 estádios do Pacaembu.

Monte (0)/ Fernando Alvarus

Controlada pelo consórcio Norte Energia, formado pelo grupo Eletrobras (49,98%), pelos fundos de pensão Petros (10%) e Funcef (10%), pela brasileira-espanhola Neoenergia (10%), pelas associações Cemig-Light (9,77%), Vale-Cemig (9%) e pelas minoritárias Sinobras (1%) e J. Malucelli Energia (0,25%), Belo Monte foi orçada em R$ 16 bilhões e leiloada por R$ 19 bilhões em 2011. Hoje, já está custando cerca de R$ 32 bilhões, dos quais pelo menos R$ 22 bilhões foram financiados com dinheiro público pelo BNDES.

É tão gigantesca que, para ser levantada, foi preciso um colar de construtoras. Foi erguida por empreiteiras que, mais do que nunca, nestes dias conturbados de Operação Lava-Jato, têm frequentado o noticiário político-policial – Andrade Gutierrez, líder do consórcio construtor; Odebrecht; Camargo Corrêa; Queiroz Galvão; OAS; além de Contern, Galvão, Serteng, J. Malucelli e Cetenco.

A sociedade civil organizada da região de Altamira, apoiada por ambientalistas de todo o Brasil e lá de fora, não a queria. Lutou o quanto pôde contra sua construção. Foi acusada de tentar deter o desenvolvimento da Amazônia e do Brasil. Temia pelo Xingu, pelos índios, pelos ribeirinhos, por seus pescadores, pelas remoções que poderia implicar. Quase uma dezena de ônibus que levam e trazem trabalhadores do Centro de Altamira até o canteiro de obras foi incendiada por manifestantes, índios e operários grevistas em protestos na Transamazônica e nos travessões que levam ao canteiro. Em vão. Mesmo assim, a gigante, projetada 30 anos antes, ainda na ditadura militar, acordou – e foi erguida.

Uma das condicionantes para a instalação da usina era a construção do Hospital Geral de Altamira para amenizar o impacto do aumento da população. Ele ficou pronto com atraso e continua fechado, sem equipamentos e médicos
Uma das condicionantes para a instalação da usina era a construção do Hospital Geral de Altamira para amenizar o impacto do aumento da população. Ele ficou pronto com atraso e continua fechado, sem equipamentos e médicos

Há seis anos, quando o então presidente Luís Inácio Lula da Silva desarquivou o projeto e anunciou o início das obras, atribuindo a “gringos” a grita contra a usina, a promessa oficial era de que Belo Monte levaria à região a contrapartida de desenvolvimento, emprego, renda, mais escolas, mais hospitais, mais segurança, rede de água tratada e de coleta de esgoto, melhoria das condições de vida dos povos indígenas e ribeirinhos, moradia decente a quem precisasse ser removido e, entre outras maravilhas, reunidas em 54 condicionantes, lazer e bem-estar. A Amazônia, ali, enfim, seria exemplo de crescimento sustentável. Não foi o que aconteceu.

Hoje, com a obra prestes a atingir 100% de conclusão, e com a descomunal hidrelétrica já de posse da licença definitiva do Ibama para operar, o clima em Altamira é de fim de uma festa que não houve. Domingo passado, 27 de março, pousou na cidade o último voo regular Rio-Altamira da Gol, que só existia por causa do grande fluxo gerado pela obra. Cinco anos depois, só uma das condicionantes referentes à cidade foi integralmente cumprida – um aterro sanitário de lixo, e, ainda assim, com ressalvas. O município, onde, na medida do possível, viviam bem, obrigado, 98 mil pessoas, tem hoje cerca de 170 mil habitantes, segundo a prefeitura – e seus problemas duplicaram com a chegada dos milhares e milhares de forasteiros atraídos pelo megaempreendimento.

Alex Soares, 47 anos, nascido e criado em Altamira. Na foto ele retira algumas telhas que guardou de sua casa que foi demolida: “Eu tinha uma casa boa. Fui esmagado por um rolo compressor. Não tive escolha. Ou aceitava ou ficava sem nada”
Alex Soares, 47 anos, nascido e criado em Altamira. Na foto ele retira algumas telhas que guardou de sua casa que foi demolida: “Eu tinha uma casa boa. Fui esmagado por um rolo compressor. Não tive escolha. Ou aceitava ou ficava sem nada”.

O índice de distribuição de água tratada e de coleta de esgoto, que era de 0%, continua em 0% (a Norte Energia instalou os dutos, mas, até hoje, não os conectou às residências). Um hospital geral, prometido para amenizar o impacto do aumento da população – e que, por isso, como determinava a cartilha de condicionantes, deveria ter ficado pronto antes do início do erguimento da usina –, foi, de fato, construído, embora com atraso, mas, até hoje, não funciona. Há um ano, é só um prédio vazio com letreiro na fachada, um monumento de cimento ao nada numa região ainda mais doente.

A cultura de seus cerca de 10.000 índios de 11 etnias, que viviam em paz, foi exposta ao defloramento. Das mais de 100 ilhas que havia no Rio Xingu, habitadas por mais de 1.000 pescadores, apenas nove não ficaram submersas. Todas as cerca de 40 praias naturais, com suas areias muito brancas, que surgiam no verão e proporcionavam diversão para seus moradores, desapareceram, engolidas pela mudança do nível do rio.

Os habitantes de Altamira andam tristes e inseguros pelas ruas. Uma autoridade municipal disse ao #Colabora que, hoje, tem medo de andar pela cidade com seu cordão de ouro no pescoço e seu iPhone na mão. O município é um imenso canteiro de obras parado ou semiparado, onde a lama do barro, neste período de chuvas, faz atolar até jipes 4×4 (o do secretário de Planejamento de Altamira, Luiz Cláudio Pereira Corrêa Júnior, por exemplo, ficou agarrado, na manhã da segunda-feira 21 de março, no lamaçal de uma obra compensatória abandonada).
Jovens, entre eles um menor de idade, aguardam o delegado de plantão na delegacia de Altamira. Eles são suspeitos de terem furtado um aparelho de som, um nebulizador e um liquidificador
Jovens, entre eles um menor de idade, aguardam o delegado de plantão na delegacia de Altamira. Eles são suspeitos de terem furtado um aparelho de som, um nebulizador e um liquidificador

Uma multidão de 40.000 pessoas (8.000 famílias) teve de ser removida de suas casas, demolidas para dar lugar à área alagada ou a construções da usina. Esse mundaréu de gente, equivalente à população de cidades como São Loureço (MG), Paraty (RJ) ou ainda como Remanso e Sento Sé (BA), foi remanejado para novos bairros, batizados de RUCs (Reassentamentos Urbanos Coletivos), construídos pela Norte Energia, mas, até hoje, não dotados de infraestrutura de transporte, comércio ou lazer. Pescadores que moravam à beira do rio estão agora distantes até dez quilômetros de onde ganhavam seu sustento.

Aliás, as mudanças dos humores do Xingu reduziram bruscamente a pesca (80% da vazão do rio no trecho conhecido como Volta Grande foram desviados para um canal artificial de 20km de extensão e com média de 300m de largura, quase metade do Canal do Panamá). O tucunaré, por exemplo, peixe-símbolo do rio, farto antes da usina, tornou-se raro. Como se esconde entre pedras no raso, e as pedras da região onde a pesca ainda é permitida foram afogadas, o tão apreciado peixe sumiu.

Uma endemia de prostituição emergiu do afogamento das margens do rio. A violência contra mulheres aumentou na proporção de uma ocorrência, em média, por dia, na delegacia da cidade, segundo a Superintendência de Polícia Civil.

Numa região historicamente já ferida por conflitos agrários (foi ali que, em 2005, foi morta a freira missionária norte-americana Dorothy Mae Stang), o número de assassinatos, depois de Belo Monte, saltou de 48 para 86 por ano – ou uma taxa de 57 por 100 mil habitantes, segundo o IBGE, número cinco vezes maior que o considerado “não epidêmico” pela Organização Mundial de Saúde.

Os roubos e furtos se multiplicaram a ponto de forçarem a Secretaria de Segurança do Estado a implantar um plano antiviolência para a região. A incidência da criminalidade juvenil disparou, segundo a percepção geral.
Área de embarque do aeroporto de Altamira em 21 de março de 2016, seis dias antes do último voo da Gol. O fluxo de passageiros no município diminuiu com a proximidade do fim das obras
Área de embarque do aeroporto de Altamira em 21 de março de 2016, seis dias antes do último voo da Gol. O fluxo de passageiros no município diminuiu com a proximidade do fim das obras

A evasão escolar, impulsionada pela atração de jovens para o trabalho não qualificado na obra, levou a reprovação escolar a subir 40,5% no ensino fundamental e 7,35% no médio. A evasão das salas de aula aumentou 57%. A superpopulação fez os preços dos aluguéis subirem escandalosos 3.000%. As mobilidades urbana e rural, que já eram precárias, tornaram-se caóticas. Havia 205 táxis na cidade antes da obra. Hoje, são 570, que rodam sem taxímetro e, indiferentes à míngua de empregos e à escassez do dinheiro, passado agora o auge da construção da usina, cobram quanto querem dos passageiros (a bandeirada mínima custa R$ 20, mesmo que o deslocamento seja de apenas 100m).

Os acidentes de trânsito cresceram na progressão geométrica de 144% – e, por tabela, o índice de atendimentos demandados por batidas de carro ou quedas de moto na cidade variou 213% para mais no Hospital Geral de Altamira, o único de alta complexidade em toda a região do Baixo Xingu, formada por 11 cidades, cinco delas impactadas diretamente por Belo Monte (as outras quatro são Vitória do Xingu, Senador José Porfírio, Brasil Novo e Anapu).

Outra decepção proporcionada por Belo Monte diz respeito não só a Altamira e a suas cidades vizinhas, mas ao país todo. A 880km de Belém e a 1.880km do Palácio do Planalto, em Brasília, a usina fora projetada com a loa de que acrescentaria 11.233,1 MW à matriz energética brasileira. Mas seus empreendedores já admitiram que a produção média, por causa das mudanças impostas ao projeto, não deve passar muito de 4.000 MW.

Também é superlativa, em Altamira, a decepção com Lula, que ressuscitou o plano de construção da usina, e sua sucessora, Dilma Rousseff, em cujo governo a obra foi executada. Uma data é marcante na cidade: 22 de junho de 2010. Naquele dia, do alto de um palanque montado no Estádio Municipal José Marino Bandeira de Matos, o Bandeirão, cujos dois únicos acessos estavam protegidos por tropas da Força Nacional, para conter manifestantes contrários ao projeto, o então presidente anunciou assim o que estava por vir (a transcrição é oficial, dos arquivos do site da Presidência da República):

– De vez em quando, vem um gringo (aqui) dar palpite sobre o Brasil. Precisamos mostrar ao mundo que ninguém mais do que nós quer cuidar da nossa floresta. Ela, a floresta, é nossa. E que gringo nenhum meta o nariz onde não é chamado, porque saberemos cuidar das nossas florestas e do nosso desenvolvimento.

Lula se referia, ali, a estrelas como o cantor inglês Sting e ao cineasta canadense radicado nos Estados Unidos James Cameron, que, dois meses antes, estivera na região e protestara contra o erguimento da usina, “uma questão não só do Brasil, mas do mundo todo”, como dissera o diretor de “Avatar”, entre outros filmes de sucesso.

Durante sete dias, de 14 de a 21 de março, o #Colabora esteve em Altamira, onde navegou no Xingu, sobrevoou Belo Monte e ouviu dezenas de pessoas, entre lideranças da sociedade civil, de ONGs, autoridades municipais, índios, pescadores, ribeirinhos, moradores removidos de suas casas, representantes do Ministério Público, do Ibama, jovens, idosos, gente comum. Só a Norte Energia, insistentemente procurada, recusou-se a falar. O resultado deste trabalho rendeu uma série de reportagens que começamos a publicar a partir de hoje.

Marceu VieiraEscrito por Marceu Vieira
Marceu Vieira é jornalista, compositor e, quando pode, ficcionista e cronista do cotidiano. Iniciou-se no jornalismo na extinta "Tribuna da Imprensa" e seguiu na profissão, sempre repórter em tempo integral, nas redações de "O Nacional", "Veja", "Jornal do Brasil", "Época" e "O Globo".


terça-feira, 29 de março de 2016

CASO BUCHINGER: FILHO DO CASAL INDICIADO EM SEIS CRIMES

Indiciado por seis crimes após 

morte de pais Indiciado por seis crimes após morte de pais (Foto: Reprodução/Facebook)
(Foto: Reprodução/Facebook)
O inquérito policial referente a investigação do assassinato do casal Luis Alvez Pereira e Irma Buchinger Alves, e do filho deles, Ambrosio Buchinger, foi finalizado em Altamira, sudoeste do Pará, onde o crime ocorreu, em janeiro deste ano. O documento onde constam depoimentos, provas e informações levantadas durante a investigação foi dividido em sete volumes e contém cerca de mil páginas.
Chiara, que está atrás de Henrique (blusa vermelha) na imagem, foi a única sobrevivente do homicídio, que tem o irmão como acusado. 
(Foto: Reprodução/Facebook)
As sete pessoas presas após os assassinatos foram indiciadas por homicídio qualificado mediante promessa de recompensa, meio cruel, impossibilidade de defesa para vítima; roubo qualificado; uso de arma de fogo; restrição da liberdade das vítimas e associação criminosa.
Entre os presos está Henrique Buchinger Alves, 26 anos, filho do casal assassinado. Além dos crimes já citados, Henrique é acusado ainda de feminicídio e, no caso dele, a acusação de homicídio tem agravante, já que ele era familiar das vítimas. 
Estão presos ainda Matheus de Oliveira Costa, Francisco Denis Leite, Aguinaldo Soares, Anderson Góes Moraes, Maycon Irlan Paiva de Souza e Renato Silva e Silva.
"O inquérito definiu que Henrique foi o autor intelectual do crime. Ele arquitetou toda a trama criminosa e entrou em contato com Renato, que era seu fornecedor de drogas. Renato acionou Anderson; em seguida, Maycon foi chamado", explicou Vinicius Dias, delegado de polícia responsável pelo inquérito.
O inquérito será encaminhado para o Judiciário, especificamente para a Vara de Homicídio, e, em seguida, deve ser enviado para o Ministério Público para o oferecimento de denúncia.
Segundo o delegado, estão pendentes ainda as perícias de necropsia dos corpos das vítimas, que ainda não foram concluídas pelo Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, assim como a  'reprodução simulada dos fatos', que serão anexadas ao processo posteriormente.
O CASO
Na madrugada do dia 7 de janeiro de 2016, a casa dos empresários Luiz Alves e Irma Buchinger, na rua Anchieta, bairro Sudam 1, em Altamira, foi invadida por bandidos. Além deles, estavam na residência os filhos Ambrósio Neto, Henrique e Chiara. Ambrósio foi assassino junto com os pais durante a invasão.
Segundo a polícia, Chiara não teve envolvimento com o crime.
(DOL)

SEGURANÇA DEFINITIVA: ADOTE ESTAS DICAS PARA SE PROTEGER DE HACKERS

Xô, hackers! 10 dicas infalíveis para se manter seguro no mundo digital
A web não é mais um lugar tão seguro quanto antes, e todo mundo sabe disso. De um lado, vemos um número cada vez maior de criminosos cibernéticos tentando se aproveitar de internautas desprotegidos para roubar seus dados pessoais e até mesmo informações bancárias. De outro, temos órgãos de inteligência e programas governamentais de espionagem tentando bisbilhotar a vida alheia. Não há escapatória: o jeito é se prevenir.
O problema é que a maioria das pessoas sequer têm um antivírus instalado em seu computador – como garantir que elas estarão seguras no mundo online e ensiná-las a escapar dos perigos mais comuns que assolam o território digital? Pois saiba que, diferente do que muita gente pensa, não é preciso investir em programas caros ou métodos complexos para blindar sua vida virtual e evitar dores de cabeça com hackers, por exemplo.
Adotando algumas práticas simples e rápidas em seu cotidiano, você já dificulta qualquer tentativa de acesso não autorizado a seu computador, seu smartphone, suas redes sociais ou qualquer outro tipo de serviço online que costume utilizar. O site norte-americano Lifehack separou dez dicas infalíveis que todo internauta precisa conhecer para se manter seguro nesses tempos conturbados. Confira a lista e durma despreocupado sabendo que seus arquivos estão a salvo.
 
Adote algumas práticas simples e fique mais seguro na web

10) Aprenda a fugir da engenharia social
Hoje em dia, os criminosos cibernéticos não dependem apenas de um simples vírus para invadir seu computador e roubar seus dados pessoais – eles precisam do seu consentimento para agir. E como eles conseguem convencer um usuário a “convidá-los” para dentro de sua máquina? Usando uma técnica chamada engenharia social, que nada mais é do que manipular um indivíduo se aproveitando de sua ingenuidade.
Pense duas vezes antes de abrir um link e três vezes antes de digitar uma informação sensível
O mais famoso ataque de engenharia social é o phishing, no qual a vítima recebe um email falso de seu banco e é persuadida a informar a senha do seu cartão para evitar um suposto bloqueio de sua conta, por exemplo. Por mais que aquela página realmente se pareça com a original da instituição financeira, trata-se de um site feito por um meliante digital com o intuito de roubar passwords.
A dica é: desconfie de tudo que você receber em seu email, WhatsAppFacebook e quaisquer outras plataformas de comunicação. Pense duas vezes antes de abrir um link e três vezes antes de digitar uma informação sensível em um formulário online. Quando o assunto é engenharia social, é importante se lembrar de um velho ditado: a curiosidade matou o gato. Afinal, se você não é correntista do Bradesco, por que tal empresa entraria em contato pedindo dados seus?
 
Engenharia social é o método mais usado por hackers para roubar dados sigilosos

9) Tranque seu celular (do jeito certo)
Muitos cidadãos não protegem seu celular. Antes de tudo, vale a pena alertar que o desbloqueio por gestos (aquele em que você precisa desenhar um padrão de linhas na tela) não é seguro, pois ele deixa marcas no display do aparelho que podem ser usadas pelo ladrão para “adivinhar” o movimento que deve ser feito para destrancá-lo. O bloqueio por identificação facial também não é recomendado, já que esta tecnologia é pouco precisa.
O mais recomendado é usar uma senha alfanumérica, ou seja, que combine números e letras. O PIN de quatro dígitos não é o suficiente. Caso você seja dono de um smartphone equipado com um leitor de impressões digitais, ative-o e faça login por biometria – este é, até o momento, um dos métodos mais confiáveis para proteger seu dispositivo móvel contra o acesso de terceiros.
Vá além do clássico PIN de quatro dígitos

8) Configure backups e guarde tudo na nuvem
É melhor prevenir do que remediar. Se você não faz backups de seus arquivos com regularidade, eles serão perdidos para sempre caso seu notebook seja furtado ou seu desktop acabe quebrando. Se você preza pela segurança das suas fotos, por exemplo, recomendamos que utilizeGoogle Photos em todos os seus computadores e dispositivos móveis.
Ele automaticamente envia para a nuvem toda e qualquer imagem que for encontrada nos diretórios previamente informados, sem a interferência do usuário. É só instalar, configurar e esquecer por lá.
Vale a pena conhecer também serviços de cloud storage gerais como Google DriveDropboxOneDrive e assim por diante. Também existem programas de Windows específicos para backups automáticos, como o CrashPlan (que é gratuito). 
É importante ter cópias de segurança de seus arquivos mais relevantes

7) Tenha uma solução de segurança no PC e no celular
Um antivírus sozinho já não é mais o suficiente. Toda empresa de segurança que se preze já oferece ao usuário final uma suíte completa e um multidispositivo que engloba não apenas proteção contra malwares, mas também soluções que barram ataques phishing, adicionam um firewall, oferecem um sandbox (espécie de máquina virtual ultrassegura para você realizar operações críticas, como transferências bancárias), blindam seu roteador e muito mais.
F-Secure Internet SecurityAvast PremierKaspersky Total SecurityNorton Security PremiumBitdefender Total Security e McAfee LiveSafe são apenas alguns exemplos de produtos nos quais você pode confiar. E lembre-se: não confie em softwares gratuitos. Vale mais a pena investir uma graninha para prevenir dores de cabeça do que desembolsar ainda mais dinheiro quando o estrago já estiver feito.
 
Uma solução de segurança completa protege contra malwares e ataques de engenharia social

6) Proteja seu roteador
Com a popularização do conceito de Internet das Coisas, estamos cada vez mais rodeados de pequenos objetos capazes de se conectar com a internet: lâmpadas, alarmes, fechaduras inteligentes e até mesmo eletrônicos vestíveis. O responsável por alimentar todos esses gadgets é aquela caixinha que fica abandonada no canto mais escuro de sua sala de estar: o roteador. O hacker que o controlar terá acesso a todos os produtos conectados através dele.
Sendo assim, reveja as configurações desse dispositivo tão importante antes que você se arrependa. Coloque uma senha forte de administrador (a maioria das pessoas não troca a password-padrão), configure o processo de autenticação com a criptografia WPA2 (AES) e use algum programa feito especificamente para proteger seu roteador. O Avast Premier, citado na dica anterior, possui recursos bastante úteis para proteger seu gadget.
Roteadores estão se tornando alvos de ataques cibernéticos

5) Use criptografia para trocar emails importantes
Emails que não são criptografados podem ser interceptados e lidos com facilidade – e é por isso que você não deve trocar informações sigilosas ou arquivos importantes sem apelar para esse método de proteção. A melhor tecnologia de criptografia disponível no mercado é a PGP (sigla para Pretty Good Privacy), e nós do TecMundo já ensinamos nossos leitores a usar esse protocolo na hora de blindar suas mensagens.
Se você acha que é muito complicado usar o PGP, considere adotar algum serviço de criptografia automática como o ProtonMail. Se você e seu amigo estiverem usando a plataforma, a troca de informações entre ambos será protegida de maneira instantânea. Aliás, recomendamos que você dê uma conferida em nosso artigo com seis apps de comunicação que são criptografados e, portanto, bem mais seguros.
Trocar emails importantes sem criptografia é pedir para ser hackeado

4) Use VPN enquanto estiver em redes WiFi públicas
Uma rede WiFi pública – como aquelas instaladas em praças pela Prefeitura de São Paulo – é um verdadeiro playground para criminosos cibernéticos. Antes de sair navegando na web através daquele hotspot sem senha que você encontrou na rua, lembre-se de usar uma solução de VPN para entrar na internet de forma anônima, mascarando o tráfego de dados. Isso evita que terceiros interceptem sua navegação e roubem informações.
No geral, soluções de VPN de alta qualidade não são gratuitas, mas vamos recomendar um programinha confiável e que pode ser adquirido sem custos. Trata-se do Hola, que tem versões para Windows (através de extensões para navegadores como o Google Chrome e o Mozilla Firefox), Android, iOS e até mesmo SmarTVs e consoles de mesa.
Redes WiFi públicas são perigosas

3) Use um gerenciador de senhas
A melhor senha é aquela que você não consegue memorizar. Sendo assim, se você estiver fazendo a coisa toda do modo certo, a sua password para entrar em qualquer site importante deve ser algo parecido com hJV1Lqv^7kTt%PX9x, por exemplo. Um gerenciador de senhas é essencial para que você possa armazenar essas credenciais bagunçadas e fazer login automaticamente em redes sociais, por exemplo.
Além disso, a maioria desses programas também servem como blocos de anotações para o usuário guardar informações bancárias. Entre bons softwares desse tipo que você pode baixar, destacam-se o LastPass, o KeePass, o 1Password e o Avast Senhas.
 
Existem vários programas bons e gratuitos para você gerenciar suas senhas

2) Use autenticação de dois fatores
Autenticação de dois fatores nada mais é do que um processo de autenticação que utiliza um segundo passo além da tradicional senha. Geralmente, essa etapa adicional envolve receber um código único via SMS para seu celular ou algo do tipo. A maioria das redes sociais, serviços de armazenamento na nuvem e provedores de email possuem suporte para tal proteção, logo não há desculpas para não adotar essa medida.
1) Revise permissões e configurações de segurança
Se você usa o Facebook, é bem provável que tenha conectado uma série de aplicativos e joguinhos ao seu perfil ao longo dos últimos anos. Essa prática é perigosa, já que o desenvolvedor por trás daquele software tem acesso aprofundado à sua conta. Sendo assim, se acostume a rever as permissões de apps em redes sociais, revogando a autorização de programas suspeitos e que você não utiliza mais.
FONTE(S) LIFEHACKER