quarta-feira, 28 de setembro de 2016

ESPIRITISMO: AS CAUSAS DAS DOENÇAS, NA VISÃO ESPÍRITA

AS CAUSAS DAS DOENÇAS – VISÃO ESPÍRITA
Como surgem as doenças?
O espiritismo explica.
Será que, ao nos sintonizarmos com energias e atitudes negativas, não estamos abrindo caminho para ficarmos doentes?
No livro Mãos de Luz, a curadora norte-americana Barbara Ann Brennan apresenta um raciocínio muito interessante: “Toda doença é uma mensagem direta dirigida a você, dizendo-lhe que não tem amado quem você é e nem se tratado com carinho, a fim de ser quem você é”. De fato, todas as vezes que nosso corpo apresentar alguma “doença”, isto deve ser tomado como um sinal de que alguma coisa não está bem.
A doença não é uma causa, é uma consequência proveniente das energias negativas que circulam por nossos organismos espiritual e material. O controle das energias é feito através dos pensamentos e dos sentimentos, portanto, possuímos energias que nos causam doenças porque somos indisciplinados mentalmente e emocionalmente. Em Nos Domínios da Mediunidade, André Luiz explica que “assim como o corpo físico pode ingerir alimentos venenosos que lhe intoxicam os tecidos, também o organismo perispiritual absorve elementos que lhe degradam, com reflexos sobre as células materiais”.
Permanentemente, recebemos energia vital que vem do cosmo, da alimentação, da respiração e da irradiação das outras pessoas e para elas imprimimos a energia gerada por nós mesmos. Assim, somos responsáveis por emitir boas ou más energias às outras pessoas. A energia que irradiamos aos outros estará impregnada com nossa carga energética, isto é, carregada das energias de nossos pensamentos e de nossos sentimentos, sendo necessário que vigiemos o que pensamos e sentimos.
Tipos de doenças
Podemos classificar as doenças em três tipos: físicas, espirituais e atraídas ou simbióticas. As doenças físicas são distúrbios provocados por algum acidente, excesso de esforço ou exagero alimentar, entre outros, que fazem um ou mais órgãos não funcionarem como deveriam, criando uma indisposição orgânica.
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As doenças espirituais são aquelas provenientes de nossas vibrações. O acúmulo de energias nocivas em nosso períspirito gera a autointoxicação fluídica. Quando estas energias descem para o organismo físico, criam um campo energético propício para a instalação de doenças que afetam todos os órgãos vitais, como coração, fígado, pulmões, estômago etc., arrastando um corolário de sofrimentos.
As energias nocivas que provocam as doenças espirituais podem ser oriundas de reencarnações anteriores, que se mantém no períspirito enfermo enquanto não são drenadas. Em cada reencarnação, já ao nascer ou até mesmo na vida intrauterina, podemos trazer os efeitos das energias nocivas presentes em nosso períspirito, que se agravam à medida que acumulamos mais energia negativa na reencarnação atual. Enquanto persistirem as energias nocivas no períspirito, a cura não se completará.
Já as doenças atraídas ou simbióticas são aquelas que chegam por meio de uma sintonia com fluidos negativos. O que uma criatura colérica vibrando sempre maldades e pestilências pode atrair senão as mesmas coisas? Essa atração gera uma simbiose energética que, pela via fluídica, causa a percepção da doença que está afetando o organismo do espírito que está imantado energeticamente na pessoa, provocando a sensação de que a doença está nela, pois passa a sentir todos os sintomas que o espírito sente. Aí, a pessoa vai ao médico e este nada encontra.
André Luiz afirma que “se a mente encarnada não conseguiu ainda disciplinar e dominar suas emoções e alimenta paixões (ódio, inveja, ideias de vingança), ela entrará em sintonia com os irmãos do plano espiritual, que emitirão fluidos maléficos para impregnar o períspirito do encarnado, intoxicando-o com essas emissões mentais e podendo levá-lo até à doença”.
O surgimento das doenças
A cada pensamento, emoção, sensação ou sentimento negativo, o períspirito imediatamente adquire uma forma mais densa e sua cor fica mais escura, por causa da absorção de energias nocivas. Durante os momentos de indisciplina, o homem mobiliza e atrai fluidos primários e grosseiros, os quais se convertem em um resíduo denso e tóxico.
Devido à densidade, estas energias nocivas não conseguem descer de imediato ao corpo físico e vão se acumulando no períspirito. Com o passar do tempo, as cargas energéticas nocivas que não forem dissolvidas ou não descerem ao corpo físico formam manchas e placas que aderem à superfície do períspirito, comprometendo seu funcionamento e se agravando quando a carga deletéria acumulada é aumentada com desatinos da existência atual.
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Em seus tratados didáticos, a medicina explica que, no organismo do homem, desde seu nascimento físico, existem micróbios, bacilos, vírus e bactérias capazes de produzirem várias doenças humanas. Graças à quantidade ínfima de cada tipo de vida microscópica existente, eles não causam incômodos, doenças ou afecções mórbidas, pois ficam impedidos de terem uma proliferação além da “cota -mínima” que o corpo humano pode suportar sem adoecer. No entanto, quando esses germes ultrapassam o limite de segurança biológica fixado pela sabedoria da natureza, motivados pela presença de energias nocivas no corpo físico, eles se proliferam e destroem os tecidos de seu próprio “hospedeiro”.
Partindo das estruturas energéticas do períspirito na direção do corpo, em ondas sucessivas, essas radiações nocivas criam áreas específicas nas quais podem se instalar ou se desenvolver as vidas microscópicas encarregadas de produzir os fenômenos compatíveis com os quadros das necessidades morais para o indivíduo. Elas se alimentam destas energias nocivas que chegam ao físico, conseguindo se multiplicar mais rapidamente e, em consequência, causando as doenças.
A recuperação do espírito enfermo só poderá ser conseguida mediante a eliminação da carga tóxica que está impregnada em seu períspirito. Embora o pecador já arrependido esteja disposto a uma reação construtiva no sentido de se purificar, ele não pode se subtrair dos imperativos da Lei de Causa e Efeito. Para cada atitude corresponde um efeito de idêntica expressão, impondo uma retificação de aprimoramento na mesma proporção, ou seja, a pessoa tem que dispender um esforço para repor as energias positivas da mesma maneira que dispende esforços para produzir as energias negativas que se acumulam em seu períspirito.
Eliminando as energias tóxicas
Assim, como decorrência de tal determinismo, o corpo físico que veste agora ou outro, em reencarnação futura, terá de ser justamente o dreno ou a válvula de escape para expurgar os fluidos deletérios que o intoxicam e impedem de firmar sua marcha na estrada da evolução. Durante a purificação perispiritual, as toxinas psíquicas convergem para os tecidos, órgãos ou regiões do corpo, provocando disfunções orgânicas que conhecemos como doença.
Quando o espírito não consegue expurgar todo o conteúdo venenoso de seu períspirito durante a existência física, ele desperta no além sobrecarregado de energia primária, densa e hostil. Em tal caso, devido à própria “lei dos pesos específicos”, ele pode cair nas zonas umbralinas pantanosas, onde é submetido à terapêutica obrigatória de purgação no lodo absorvente. Assim, pouco a pouco vai se libertando das excrescências, nódoas, venenos e “crostas fluídicas” que nasceram em seu tecido perispiritual por efeito de seus atos de indisciplina vividos na matéria.
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Os charcos pantanosos do umbral inferior são do mesmo nível vibratório das manchas e placas, por isso servem para drenar essas energias nocivas. Embora sofram muito nesses locais, isso os alivia da carga tóxica acumulada na Terra, assim como seu psiquismo enfermo, depois de sofrer pela dor cruciante, desperta e se corrige para viver existências futuras mais educativas ou menos animalizadas.
Os espíritos socorristas só retiram dos charcos purgatoriais os “pecadores” que já estão em condições de uma permanência suportável nos postos e colônias de recuperação perispiritual adjacentes à crosta terrestre. Cada um tem certo limite que pode aguentar em meio a estes charcos, então eles são resgatados mesmo que ainda não tenham expurgado todas as placas, reencarnando em corpos onde permanecerão expurgando e drenando essas energias através das doenças que se manifestarão no corpo físico.
Ajuda da medicina
A doutrina espírita não prega o conformismo, por isso é lícito procurar a medicina terrena, que pode aliviar muito e curar onde for permitido. Se a misericórdia divina colocou os medicamentos ao nosso alcance é porque podemos e devemos utilizá-los para combater as energias nocivas que migraram do períspirito para o corpo físico, mas não devemos esquecer que os medicamentos alopáticos combatem somente os efeitos da doença.
Isto quer dizer que, quando as doenças estão presentes no corpo físico, devemos combatê-la, buscar alívio. Muitas vezes, estas doenças exigem tratamentos prolongados, outras vezes necessitamos até de cirurgia, mas tudo faz parte da “Lei de Causa e Efeito”, que tenta despertar para uma reforma moral através deste processo doloroso. Qualquer medida profilática em relação às doenças tem que se iniciar na conduta mental, exteriorizando-se na ação moral que reflete o velho conceito latino: mens sana in corpore sano.
Estados de indisciplina são os maiores responsáveis pela convocação de energias primárias e daninhas que adoecem o homem pelas reações de seu períspirito contra o corpo físico. Sentimentos como orgulho, avareza, ciúme, vaidade, inveja, calúnia, ódio, vingança, luxúria, cólera, maledicência, intolerância, hipocrisia, amargura, tristeza, amor-próprio ofendido, fanatismo religioso, bem como as consequências nefastas das paixões ilícitas ou dos vícios perniciosos, são também geradores das energias nocivas.
Ou seja, causa das doenças está na própria leviandade no trato com a vida. Analisando criteriosamente o comportamento, ver-se-á que os males que atormentam as pessoas persistirão enquanto não forem destruídas as causas. Portanto, soluções superficiais são enganosas. É preciso lutar contra todas as aflições, mas jamais de forma milagrosa. Procuremos sempre pensar e agir dentro dos ensinamentos cristãos, a fim de alcançarmos a cura integral.
FONTE: Revista Cristã de Espiritismo (website)
Prof. Ft. Zadro Jornada Monteiro.
Fonte: Verdade e Luz.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

ÍNDIOS: PESQUISA IBGE REVELA A RIQUEZA CULTURAL DO BRASIL

305 etnias e 274 línguas: estudo revela riqueza cultural entre índios no Brasil

João Fellet - @joaofellet
Da BBC Brasil em Washington
Pesquisa inédita do IBGE detalhou características de povos indígenas brasileiros
Pesquisa inédita do IBGE detalhou características de povos indígenas brasileiros

Há mais indígenas em São Paulo do que no Pará ou no Maranhão. O número de indígenas que moram em áreas urbanas brasileiras está diminuindo, mas crescendo em aldeias e no campo. O percentual de índios que falam uma língua nativa é seis vezes maior entre os que moram em terras indígenas do que entre os que vivem em cidades.
As conclusões integram o mais detalhado estudo já feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre os povos indígenas brasileiros, baseado no Censo de 2010 e lançado nesta semana.
Segundo o instituto, há cerca de 900 mil índios no Brasil, que se dividem entre 305 etnias e falam ao menos 274 línguas. Os dados fazem do Brasil um dos países com maior diversidade sociocultural do planeta. Em comparação, em todo o continente europeu, há cerca de 140 línguas autóctones, segundo um estudo publicado em 2011 pelo Instituto de História Europeia.
No "Caderno Temático: Populações Indígenas", o IBGE faz um mapeamento inédito sobre a localização desses povos e sua movimentação ao longo das últimas décadas.
O estudo diz que, entre 2000 e 2010, os percentuais de indígenas brasileiros que vivem nas regiões Sul e Sudeste caíram, enquanto cresceram nas outras regiões. A região Norte abriga a maior parcela de índios brasileiros (37,4%), seguida pelo Nordeste (25,5%), Centro-Oeste (16%), Sudeste (12%) e Sul (9,2%).
Entre 2000 e 2010, também caiu o percentual de indígenas que moram em áreas urbanas, movimento contrário ao do restante da população nacional.
'Retomadas'
Segundo a pesquisadora do IBGE Nilza Pereira, autora do texto que acompanha o estudo, uma das hipóteses para a redução no percentual de indígenas no Sul, Sudeste e em cidades são os movimentos de retorno a terras tradicionais.
Nas últimas décadas, intensificaram-se no país as chamadas "retomadas", quando indígenas retornam às regiões de origem e reivindicam a demarcação desses territórios. Em alguns pontos, como no Nordeste e em Mato Grosso do Sul, muitos ainda aguardam a regularização das áreas, em processos conflituosos e contestados judicialmente.
Em outros casos, indígenas podem ter retornado a terras que tiveram sua demarcação concluída. Hoje 57,7% dos índios brasileiros vivem em terras indígenas.
Outra possibilidade, segundo Pereira, é que no Sul, Sudeste e nas cidades muitas pessoas que se declaravam como indígenas tenham deixado de fazê-lo.
Ainda que sua população indígena esteja em declínio, a cidade de São Paulo ocupa o quarto lugar na lista de municípios brasileiros com mais índios, com 13 mil. Parte do grupo vive em aldeias dos povos Guarani Mbya nos arredores da cidade, em territórios ainda em processo de demarcação.
O ranking é encabeçado por São Gabriel da Cachoeira, no noroeste do Amazonas. O município abriga 29 mil indígenas e foi o primeiro do país a aprovar como línguas oficiais, além do português, três idiomas nativos (tukano, baniwa e nheengatu).
O estudo mostra como morar numa terra indígena influencia os indicadores socioculturais dos povos. Entre os índios que residem nessas áreas, 57,3% falam ao menos uma língua nativa, índice que cai para 9,7% entre indígenas que moram em cidades.
Mesmo no Sul, região de intensa colonização e ocupação territorial, 67,5% dos índios que vivem em terras indígenas falam uma língua nativa, número só inferior ao da região Centro-Oeste (72,4%).
A taxa de fecundidade entre mulheres que moram em terras indígenas também é significativamente maior que entre as que vivem em cidades. Em terras indígenas, há 74 crianças de 0 a 4 anos para cada 100 mulheres, enquanto nas cidades há apenas 20.
Para Nilza Pereira, do IBGE, ao mostrar detalhes sobre indígenas de diferentes pontos do país, o estudo será útil para o planejamento de políticas públicas diferenciadas para esses povos. Os dados também foram usados na elaboração de vários mapas, que compõem o "Atlas Nacional do Brasil Milton Santos".
Indígenas vêm retornando às regiões de origem para reivindicar demarcação de territórios
Indígenas vêm retornando às regiões de origem para reivindicar demarcação de territórios
Cultura indígena
O ativista indígena Denilson Baniwa, cofundador da Rádio Yandê, diz à BBC Brasil que o estudo ajuda a combater a falta de conhecimento sobre os povos indígenas no Brasil.
Baniwa, que mora no Rio de Janeiro e é publicitário, diz se deparar frequentemente com pessoas que acham que "o indígena ainda é aquele de 1500". Segundo o ativista, muitos questionam por que ele se considera indígena mesmo falando português ou usando o computador em seu trabalho.
"Respondo que cultura não é algo estático, que ela vai se adaptando com o tempo. E pergunto a eles por que não vestem as mesmas roupas usadas pelos portugueses em 1500, por que não falam aquele mesmo português e por que não usam computadores de 1995."

    Cofundador da Rádio Yandê, Denilson Baniwa diz que há 'grande' desconhecimento sobre diferenças culturais entre povos indígenas
ARQUIVO PESSOAL- Cofundador da Rádio Yandê, Denilson Baniwa diz que há 'grande' desconhecimento sobre diferenças culturais entre povos indígenas
Para Baniwa, há ainda grande desconhecimento sobre as enormes diferenças culturais entre os povos indígenas brasileiros. Ele exemplifica citando dois povos de sua terra natal (a região do rio Negro, no Amazonas), os baniwa e os tukano.
"Comparar um baniwa a um tukano é como comparar um francês a um japonês. São povos com línguas, hábitos e características físicas bastantes distintas, e isso porque vivem bem próximos. Imagine a diferença entre um baniwa e um kaingang, um povo lá do Rio Grande do Sul?"
Ao mesmo tempo em que combate o preconceito contra indígenas que, como ele, moram em cidades, Baniwa afirma que cada povo deve ser livre para decidir como quer se relacionar com o resto da sociedade.
"Se um povo entender que o contato com o mundo moderno não será benéfico e que prefere ficar mais isolado em sua terra, vamos lutar para que essa decisão seja respeitada."

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

JUSTIÇA: PORQUE NINGUÉM ESTÁ ACIMA DA LEI

Decisão inédita condena juíza federal à prisão e perda do cargo
Amanda Acosta

O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (SP-MS) é o responsável pela condenação da juíza federal Maria Cristina de Luca Barongeno a seis anos e oito meses de prisão e multa, além da perda do cargo.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal, a juíza agia em conluio com advogados e proferia sentenças que favoreciam empresas com dívidas milionárias junto à Previdência Social e ao fisco.

Uma das empresas beneficiadas pelas decisões foi a Friboi. O advogado Joaquim Barongeno, pai da magistrada, prestava serviços ao grupo.

A juíza ainda pode recorrer, todavia o ineditismo da decisão representa algo extremamente positivo para que o país possa realmente viver novos tempos, sem qualquer tipo de proteção a falcatruas.

Um dos grandes males do Poder Judiciário no Brasil é o corporativismo.

A dura pena ora aplicada representa um início de mudança nesta questão.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

COTIDIANO: APRENDA A IDENTIFICAR UM MENTIROSO

Aprenda a identificar um mentiroso com a tática ensinada pela polícia dos EUA
Joe Kenda, um policial aposentado que se destacou na resolução de casos nos EUA, conta sobre seus métodos para interrogar suspeitos e detectar mentiras.
 Bigstock
Um dos vexames dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro foi o caso envolvendo Ryan Lochte e outros três nadadores americanos que foram pegos mentindo ao denunciar um assalto a mão armada em uma noite em que saíram para celebrar as medalhas conquistadas. A polícia brasileira contestou a versão dos atletas e os acusou de terem cometido vandalismo em um posto de gasolina. Detectar a mentira dos nadadores foi fundamental na investigação do caso. Mas como a mentira pode ser descoberta? A BBC conversou sobre isso com o tenente Joe Kenda, veterano do Departamento de Polícia de Colorado Springs, no oeste dos Estados Unidos, especialista em detectar mentiras.
Kenda agora participa do programa “Caçador de Homicídios”, no canalInvestigation Discovery, nos Estados Unidos. Quando era policial, seu departamento tinha a maior taxa de resolução de casos de todo o país. “Como policial, não confio nem acredito em ninguém”, diz, sem rodeios. “O comportamento humano é muito previsível, e, se você me conta algo fora do comum, isso chama atenção. ‘Por que você fez isso? Não conheço outra pessoa que teria feito isso neste caso, mas você disse que o fez. Por quê?’”
“Quando as pessoas mentem, tendem a não ser muito boas em fazer isso”, destaca Kenda, na entrevista. “Deveriam ao menos ter a decência de serem boas mentirosas. A maioria não é”. Para explicar o seu método, o tenente usa o caso dos nadadores americanos para criar um diálogo imaginário:
– Fui roubado. Um homem apontou uma arma para mim…
– Ok, ok. Onde você estava quando tudo aconteceu?
– Estávamos em um posto de gasolina.
– Às 4h da manhã, vocês pararam em um posto de gasolina. Por quê?
– Para usar o banheiro.
– Então, vocês foram ao banheiro…
– Sim, e um sujeito apareceu…
– Espera, espera. Vocês entraram no banheiro. Aconteceu alguma coisa nesta hora?
– Quê?
– Falaram com algum funcionário? Houve algum desentendimento?
– Ah… Não! Nada disso…
Nesse momento, o interrogador percebe que tocou num ponto sensível. “Por que será que ele não quer falar de algo que aconteceu no banheiro, mas do resto das coisas, sim?” Quando alguém chega com um relato ou denúncia, Kenda faz questão de repassar tudo ponto a ponto. Kenda lembra do detetive Columbo, interpretado por Peter Falk na célebre série dos anos setenta, que costumava fazer perguntas aparentemente inócuas aos suspeitos. A suposta vítima sempre quer ressaltar o fato central do relato, mas o detetive deve explorar o entorno, os detalhes menores. As pessoas podem não se lembrar de tudo que disseram quando o relato é uma invenção, argumenta Kenda.
A análise também deve ir além das palavras e envolver uma leitura do comportamento do indivíduo. “Se em algum momento da conversa, você levanta a voz, fica na defensiva ou é evasivo, é provável que seja um mentiroso”, aposta o tenente. Quando alguém mente e sabe que está fazendo isso, há sinais que o delatam. Esse é o trabalho em que o detetive se especializa, bem como um jogador de pôquer.
Como esse jogo de cartas se baseia em quem consegue enganar melhor o adversário, os bons jogadores são especialistas em detectar os sinais corporais dos rivais para extrair informação sobre as cartas que escondem: uma piscadela, uma pulsação quase imperceptível da carótida, um lance fugaz com o olhar. Os detetives fazem o mesmo em um interrogatório.
“Onde estão seus olhos? Você mantém contato visual? Está nervoso? Fica batendo os pés? Batendo na mesa com os dedos? Fica olhando a porta? Os pés estão firmemente plantados no chão para sair rapidamente assim que possível?”, exemplifica Kenda. Todos esses movimentos corporais ocorrem inconscientemente quando se conta uma mentira ou se tenta enganar alguém.
Naturalmente, há pessoas que são boas em mentir, e, em sua longa carreira, Kenda encontrou uma ou outra. “São sociopatas”, diz ele. “Uma personalidade assim não tem emoções humanas. Não sente amor, nem culpa, nem compaixão”. Assim, é difícil detectar quando mentem. Curiosamente, a única coisa que conseguem manifestar é raiva: “Não me deixe furioso. Se ficar, vou te matar”, explica. É aí que pessoas assim podem se entregar.
Kenda usa seu método não só em seus casos, mas para analisar declarações de políticos e pessoas em posições de poder. Um exemplo foi em 1998, quando o então presidente americano Bill Clinton, envolvido no escândalo com a secretária da Casa Branca Monica Lewinsky, disse diretamente às câmeras de TV: “Não tive relações sexuais com essa mulher”. Para Kenda, os gestos e o tom de voz de Bill Clinton foram suficientes para saber que o então presidente mentia.
Ele diz que a expressão no rosto de Clinton, sua aparente raiva e o tom de repugnância em sua voz eram meticulosamente calculados para que o telespectador sentisse empatia pelo falso sentimento expressado por ele. A primeira coisa que Kenda especulou foi o motivo de Clinton estar tão na defensiva. “Isso me deixou imediatamente intrigado”. Durante a declaração, Clinton levantou uma das sobrancelhas e fez gestos indignados com o dedo. Kenda concluiu que estava fazendo o que todos os culpados fazem: “Acreditam que a melhor defesa é o ataque”.
Mas a mentira teve pernas curtas tanto no caso do ex-presidente como no dos nadadores. Clinton sobreviveu ao julgamento político a que foi submetido no Congresso após o escândalo. Por sua vez, Lochte está vendo sumir seus milionários contratos de patrocínio com marcas internacionais. 
Com informações de BBC World
Colaborou: Felipe Koller

EDUCAÇÃO: FATOS QUE AS ESCOLAS ENSINAM ERRADO

10 fatos sobre o Brasil que você aprendeu errado na escola
Por Tiago Cordeiro
Cabral estava atrás de tempero, a feijoada foi inventada por escravos e Portugal só nos prejudicou? Hora de corrigir seus professores

No mês da Independência do Brasil, convidamos você a virar a página do que pensava saber sobre a história do país. A MUNDO ESTRANHO conversou com historiadores e pesquisou documentos que colocam sob nova perspectiva muitas lições que você aprende na escola. Prepare-se para enxergar dom Pedro I, Tiradentes, Lampião e outros personagens de um jeito que nunca imaginou antes.
Descoberta do Brasil
1) CABRAL DESCOBRIU O BRASIL POR ACIDENTE
VOCÊ APRENDEU QUE: O português Pedro Álvares Cabral usou os conhecimentos de navegação da época para procurar as Índias usando um caminho alternativo em linha reta pelo oceano Atlântico. Sem querer, chegou ao Brasil e nem percebeu o erro – por isso os habitantes daquela terra foram chamados de “índios”.

MAS NA VERDADE: Os mapas portugueses indicavam que havia terras a serem exploradas a oeste, e elas não tinham nada a ver com as Índias. A notícia da chegada de Américo Vespúcio ao Caribe, em 1498, tinha circulado rápido. Portanto, quando chegou a Porto Seguro, Cabral sabia bem a importância da descoberta.
 Índios do Brasil
2) OS ÍNDIOS NÃO SE BENEFICIARAM NA RELAÇÃO COM OS EUROPEUS
VOCÊ APRENDEU QUE: Os portugueses foram espertos no comércio com os índios: trocavam o valioso pau-brasil por quinquilharias sem nenhuma utilidade. Além disso, os nativos também foram escravizados ou forçados a adotar uma nova religião, o cristianismo. Com o tempo, a cultura local foi absorvida, e um povo que era pacífico e vivia em harmonia com a natureza desapareceu.

MAS NA VERDADE: As novidades trazidas pelos portugueses (de armas a cavalos) causaram uma revolução na vida dos índios. Isolados do desenvolvimento da Ásia, África e Europa por 3 mil anos, eles não tinham saído da Idade da Pedra. Para eles, o pau-brasil é que era inútil. Os nativos foram incorporados às vilas e, no geral, gostaram da experiência de viver com os portugueses.
 Bandeirantes
3) OS BANDEIRANTES DIZIMARAM OS ÍNDIOS
VOCÊ APRENDEU QUE: Os bandeirantes, que dão nome às principais rodovias de São Paulo, escravizavam e matavam os índios sem dó. Relatórios dos jesuítas acusam os bandeirantes de eliminar, ao todo, 3 milhões de nativos.

MAS NA VERDADE: Os bandeirantes não foram heróis, mas também não foram facínoras. Muitos forjaram parcerias com os índios, que os acompanhavam Brasil adentro. Quem não gostava nada disso eram os jesuítas – mais índios nas viagens significava menos convertidos nas igrejas. Os padres é que teriam sido responsáveis por atribuir a fama de truculência aos bandeirantes.
 Vegetação brasileira
4) O COCO E A BANANA SÃO BRASILEIROS
VOCÊ APRENDEU QUE: Essas frutas seriam originais do Brasil. Ilustrações e pinturas sobre a chegada de Cabral (e os primeiros anos de colonização) mostram um litoral parecido com o que conhecemos hoje: praias azuis, de areias brancas, ornadas por longas fileiras de coqueiros. E a banana já seria uma fruta típica do país, muito consumida pelos índios.

MAS NA VERDADE: O coco e a banana vieram com os europeus. Pasme: os nativos se alimentavam dos animais que caçavam… e de amendoim! Não existiam banana nem coco. Aliás, muitas frutas que associamos ao nosso “país tropical” foram trazidas por colonizadores ao longo do tempo – entre elas, a jaca, a manga e o abacate.
 Ecravos Negros
5) SÓ OS BRANCOS ESCRAVIZARAM OS NEGROS
VOCÊ APRENDEU QUE: A sociedade brasileira era dividida de forma rígida pela cor da pele. Brancos dominavam os negros e, mesmo que conseguisse a alforria, um negro jamais conseguiria enriquecer ou ser respeitado. Com frequência, líderes negros fundavam quilombos, comunidades independentes onde todos viviam em situação de igualdade.

MAS NA VERDADE: Escravos tinham escravos. Até Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, tinha os seus. Inclusive, era comum que escravos livres se tornassem traficantes de escravos. Nas maiores cidades de Rio de Janeiro e Minas Gerais, havia muitos casos como o de Chica da Silva – escravas alforriadas que viviam da própria renda, ricas o bastante para comprar seus escravos.
 Escravos Africanos
6) OS EUROPEUS ESCRAVIZARAM AFRICANOS INDEFESOS
VOCÊ APRENDEU QUE: Os portugueses desembarcavam no litoral africano e invadiam a mata para caçar os nativos. Com poder de fogo superior, derrotavam tribos inteiras e as levavam de volta para a praia. Lá, as vítimas eram forçadas a embarcar em navios negreiros e eram vendidas como escravas ao redor do mundo.

MAS NA VERDADE: Os próprios africanos vendiam escravos. Os portugueses não se aventuravam África adentro – eles tinham entrepostos comerciais no litoral, onde compravam escravos de guerra. Esse tipo de comércio sustentava a economia africana havia séculos. Os reis locais mais poderosos tinham escravos brancos e tanta influência que trocavam cartas com monarcas europeus.
 Origem da feijoada
7) A FEIJOADA FOI CRIADA PELOS ESCRAVOS
VOCÊ APRENDEU QUE: Na casa grande, comia-se do bom e do melhor, o que incluía os mais suculentos pedaços da carne de porco. Os restos do animal eram aproveitados pelos escravos nas senzalas. Eles misturaram partes menos nobres (como rabo, nariz e orelha) com feijão e criaram assim um prato improvisado, que hoje é a cara do Brasil.

MAS NA VERDADE: A feijoada é uma invenção europeia. Os ensopados, aliás, são uma tradição na Europa. Os franceses comem o cassoulet, e os ingleses, um feito de carne e batata. Os portugueses simplesmente incorporaram feijão a um prato já tradicional, de carne com legumes. A versão que dá autoria aos escravos não procede – até porque, em casas menores, eles comiam na mesma mesa que seus senhores.
 Colononização do Brasil
8) PORTUGAL SÓ SUGOU AS RIQUEZAS DO BRASIL
VOCÊ APRENDEU QUE: Entre 1500 e 1821, enquanto dominou o território brasileiro, Portugal extraiu todas as riquezas locais – e, de quebra, nas primeiras décadas, só mandou para cá bandidos renegados. Depois de retirar o pau-brasil, explorou o solo do Nordeste até a exaustão com a cana-de-açúcar. No século 18, acabou com o ouro da região das Minas Gerais.

MAS NA VERDADE: Portugal também desenvolveu o país. A montagem de engenhos era acompanhada por plantações e pela criação de animais. Era um sistema usado com sucesso no Caribe e na África e funcionava bem para os padrões da época. Assim como a cana, o ouro também trouxe riquezas para o Brasil, criou um comércio ativo e ajudou a desenvolver cidades.
 Tiradentes
9) TIRADENTES SE SACRIFICOU PELA LIBERDADE DO BRASIL
VOCÊ APRENDEU QUE: Simples e idealista, o alferes Joaquim José da Silva Xavier se tornou o maior símbolo da Inconfidência Mineira, em 1789. Grande defensor da independência do Brasil e da libertação dos escravos, ele foi condenado à forca pela Coroa portuguesa. Seus companheiros de revolta, mais ricos, foram apenas exilados.

MAS NA VERDADE: Tiradentes foi uma figura menor num movimento elitista. Ele foi um homem simples que nem queria pegar em armas, mas se viu envolvido num movimento comandado pela elite. O objetivo nem era o fim da escravidão, e sim o fim dos altos impostos. Tiradentes foi preso sem resistência, tentando se esconder.

 Aleijadinho
10) ALEIJADINHO FOI UM GÊNIO DEFORMADO FISICAMENTE
VOCÊ APRENDEU QUE: Antônio Francisco Lisboa idealizou obras de valor incomparável no século 18. Mas era também um homem sofrido e recluso. Deformado por uma doença degenerativa, vivia escondido, só trabalhava à noite e segurava os instrumentos com as mãos trêmulas e envoltas em faixas. Seu corpo apodreceu lentamente, até a sua morte.

MAS NA VERDADE: Aleijadinho é uma invenção literária. O personagem foi inspirado em outro herói monstruoso – o de O Corcunda de Notre Dame, de Victor Hugo. Seu criador foi Rodrigo José Ferreira Bretas, que em 1958 escreveu uma monografia para participar de um concurso. Existiu um Antônio Francisco Lisboa, mas sua biografia é pouco conhecida. Ele certamente não era deformado e nem criou todas as obras creditadas a ele.

CONSULTORIA Isabel Lustosa, historiadora da Fundação Casa de Ruy Barbosa; Maria Luiza Marcilio, historiadora da USP; Ronaldo Vainfas, historiador e autor de Dicionário do Brasil Joanino; José Pedro Macarini, do Instituto de Economia da Unicamp; Manolo Florentino, historiador da Universidade Federal Fluminense e autor de Em Costas Negras – Uma História do Tráfico Atlântico de Escravos entre a África e o Rio de Janeiro; Guiomar de Grammont, autora de Aleijadinho e o Aeroplano: O Paraíso Barroco e a Construção do Herói Colonial
FONTES Livros História Politicamente Incorreta do Brasil, de Leandro Narloch, 1808, de Laurentino Gomes, A Devassa da Devassa, de Kenneth Maxwell, A Formação das Almas, de José Murilo de Carvalho, Tiradentes: o Corpo do Herói, de Maria Alice Miliet, Lampião VP, de Jack de Witte, eEcologia do Cangaço, de Melquíades Pinto Paiva

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

SOCIEDADE: VAMOS FALAR DE "ÈTICA?"

Ética, uma reflexão necessária para a vida e para as organizações
No momento em que o País assiste à cassação de políticos e novas delações por parte de empresários envolvidos em casos de corrupção, convido-os para uma reflexão, livre de emoções, sobre os limites da Ética e até onde se confundem com valores na vida corporativa.
Acabo de ouvir no rádio a entrevista de um executivo, responsável por recursos humanos em uma empresa e, ao ser perguntado sobre qual a principal característica que o profissional deve ter para ser contratado, sua resposta foi: “acredito que integridade e honestidade estão em primeiro lugar”. Com todo respeito, penso que esses atributos jamais deveriam ser classificados na lista de características de uma pessoa, pois trata-se de algo tão básico e que esperamos ver em um ser humano, que se torna precípuo antes de iniciarmos uma conversa com alguém. Para mim, um bom profissional precisa ter atitude, postura, otimismo, competência e ambição.   
Não quero com isso dizer que vivemos uma inversão de valores da classificação e grau de importância dos aspectos Éticos. Vemos diariamente a deterioração dos princípios morais por corruptos e corruptores, gerando indignação nas mídias sociais, disputas ideológicas passionais e acusações mútuas entre facções de adoradores de discursos, mas não pensem que isso não tenha intensidade semelhante na vida privada e no mundo corporativo. Felizmente, a consciência está aflorando pela liberdade de imprensa, pensamento, expressão e capacidade de julgamento e assim vejo um viés positivo na luta entre o bem e o mal e quem sabe, um futuro melhor para nossos netos. A Ética está vencendo, aos trancos e barrancos, mas triunfará.  
Como sempre faço quando toco nesse tema procuro relembrar conceitos daquilo que chamo de “atributos do bem”. Para que compreendam a diferença de “Ética” e “Moral”, uso uma metáfora: Moral é o que pode azedar o seu fígado, mas a Ética é imparcial em qualquer situação. Moral são regras aceitas por um grupo, ou seja, para os corruptos e corruptores suas ações estão dentro de seus valores morais e o fim justifica o meio.
Por isso vemos corrupção também no mundo corporativo privado, desde um grande contrato a um simples fornecimento de pequenos serviços, mas quando os atores são expostos, inevitavelmente são crucificados no código de conduta das organizações sérias. As empresas condenam o que é imoral para nossos padrões de julgamento. Quais são eles? Aqueles atributos precípuos a que me referi anteriormente.

 A Ética é uma reflexão sobre o que é moral e aí está o perigo, pois tudo dependerá da capacidade de julgamento, que está intimamente ligada com a educação. Se pensarmos nos pontos falhos do desenvolvimento das gerações futuras, provavelmente a educação e a formação do indivíduo no núcleo familiar aparecerão entre os primeiros na lista de problemas. Assim, uma deficiência na capacidade de julgar pode comprometer o entendimento das diferenças entre o que é moralmente aceito e eticamente correto.
Uma entre as crises que o ser humano enfrenta hoje é de valores e essa pode afetar a humanidade. Por isso a desesperada necessidade de bons exemplos na sociedade, que transmitam importantes valores humanos para assegurarmos um futuro melhor em todos os aspectos.
No mundo corporativo os valores da empresa determinam o comportamento da gestão e passam pela consciência de conselhos e conselheiros. No ambiente eticamente aceito, uma empresa sustentável deve propagar e se apoiar em valores como respeito às pessoas, responsabilidade social, transparência e é claro, integridade e honestidade, mas nem por isso devo perguntar a um candidato se ele é honesto ou íntegro, mas certamente perguntarei sobre suas ações sociais e responsáveis. Valores de uma corporação são pilares da sua cultura organizacional, devendo ser praticados e não apenas adorno em um quadro cujo título é Missão, Visão e Valores.
Em qualquer sociedade, quem segue as regras é uma pessoa moral e quem as desobedece, uma pessoa imoral. Assim, aqueles que possuem maior poder de influência, seja pela oratória, força ou capacidade financeira, estabelecem o que é moral e o que é imoral – outra preocupação que tenho com os políticos e com a Política.
Se os jovens tiverem capacidade para refletir sobre as regras – moral – assim se constituirá a Ética, pois não errarão na reflexão. Formação, Educação e Ética estão intimamente ligados e o único caminho para seguirmos precisa ser pavimentado em um esforço coletivo, de toda sociedade, deixando de lado ideologias extremas que separam nós e eles, para melhorar a Educação e o sistema de ensino. Faremos dessa forma um País mais ético, nem que nos custe uma geração ou mais.
Orlando Merluzzi

Orlando Merluzzi 

CEO at MA8 Management Consulting Group & Host at PensamentoCorporativo.Com

BELO MONTE: A CONTA ESTÁ CHEGANDO!

Belo Monte pagará multas diárias a partir de 30/9, por não concluir saneamento de Altamira
Valor arbitrado é de R$ 20 mil por dia de atraso
 A ARAUJO SISTEMA DE COMUNICAÇÃO 
Lixo e lama causada pela usina de Belo Monte

Pela sétima vez desde que o projeto da usina de Belo Monte começou a ser licenciado, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), em Brasília, concedeu uma suspensão de segurança em favor da continuidade do empreendimento, tornando sem efeito liminar concedida pela Justiça Federal de Altamira (PA). A liminar tratava do atraso na entrega dos sistemas de saneamento e abastecimento de água da cidade, exigência ambiental prevista nas licenças da usina, inicialmente com data de entrega em julho de 2014 e posteriormente adiada pelo próprio órgão licenciador, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), para 30 de setembro de 2016.

Com a suspensão, parte da liminar, que ordenou a paralisação de obras e turbinas até que a exigência seja cumprida pela Norte Energia S.A, deixou de ter efeito. Mas o presidente do TRF1, Hilton Queiroz, manteve as multas aplicadas pela Justiça para o atraso na entrega do saneamento. A partir do próximo dia 30, uma sexta-feira, a empresa dona de Belo Monte vai pagar R$ 20 mil por dia enquanto não concluir os sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário. A multa é progressiva: a partir de 30 de outubro de 2016, se não estiverem operando os sistemas em todo o perímetro urbano, passa a pagar R$ 40 mil por dia. Outros R$ 40 mil de multa diária são previstos, caso a empresa não cumpra a ordem de elaborar e aplicar campanha de educação ambiental na área urbana.

O atraso no cumprimento da condicionante do saneamento é devido a um cabo de guerra que a Norte Energia travou durante os primeiros anos da obra, alegando que a prefeitura de Altamira e o governo do Pará deveriam arcar com os custos das ligações da rede de esgoto às residências da cidade. Como resultado da disputa, apesar do sistema de saneamento estar parcialmente pronto nenhuma ligação tinha sido feita até a emissão da licença de operação da usina pelo Ibama, no dia 25 de novembro de 2015. “O saneamento não é uma melhoria dada de presente pela empresa à cidade. É uma condição muito importante para a viabilidade ambiental de Belo Monte, pelo risco não só de eutrofização, ou apodrecimento, das águas do reservatório da usina, como também da degradação da qualidade da água consumida pelos cidadãos altamirenses”, explica o procurador da República Higor Pessoa, responsável pela investigação.

Pelos cálculos mais conservadores, se a Norte Energia demorar 12 meses para concluir as ligações de esgoto – levando-se em conta que a instalação do sistema consumiu pelo menos dois anos de obras – só em multas terá que pagar mais de R$ 7 milhões. O MPF aponta no processo judicial o risco de colapso sanitário se a usina realmente funcionar sem o saneamento completo de Altamira. O perigo à saúde pública é grave: quando começarem as chuvas do inverno amazônico, dentro de alguns meses, o lago de Belo Monte, em frente à cidade, pode ser contaminado pelas fossas precárias e pelo esgoto a céu aberto que deveriam ter sido substituídos antes da usina entrar em funcionamento.

O recurso da suspensão de segurança, que tem como característica principal não tratar do mérito do processo judicial, mas ser aplicável em caso de ameaça à ordem, segurança, saúde ou economia públicas, se tornou corriqueiro nos processos judiciais que tratam de grandes barragens nos rios amazônicos. Levantamento preliminar do MPF mostra que, nos casos das usinas no Tapajós, Teles Pires e Xingu, o recurso da suspensão foi manejado 23 vezes pelo governo federal.


Fonte: MPF

terça-feira, 20 de setembro de 2016

BANCO DE TALENTOS: UMA BOA OPÇÃO PARA MELHORIA NO SERVIÇO PÚBLICO

Como conciliar habilidades, atitudes e interesses pessoais do servidor público com às carências do serviço público?
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Na visão geral da sociedade, a falta de profissionalismo no setor público coloca o cidadão brasileiro em desvantagem perante as enormes carências por serviços públicos de qualidade. Entretanto, nos boletins estatísticos de pessoal, de governos nacionais ou subnacionais, os perfis da força de trabalho são muito semelhantes, e podem ser divididos em: os talentosos que estão aguardando uma oportunidade de valorização, os apadrinhados cujos interesses políticos estão acima de qualquer interesse comum e os burocratas que se agarram aos complexos procedimentos da burocracia para alcançar posições “vitalícias” de conforto.
Nessa lógica, afirmar que os enormes desafios da gestão pública estão à caminho de serem solucionados, parece uma utopia. A consolidação de instituições governamentais mais transparentes e efetivas depende muito de ajustes nos seus recursos humanos.
Acreditamos que podemos oferecer uma boa ideia nesse sentido. Se você é gestor público, comprometido com a qualidade e deseja melhorar a experiência dos seus clientes/cidadãos, sem onerar os cofres públicos, crie um Banco de Talentos.
Além de melhorar a alocação de pessoal, remanejando servidores para realizarem trabalhos relacionados as suas melhores competências, o Banco de Talentos pode identificar, por meio do currículo profissional atualizado, servidores com determinadas especialidades que desejem realizar tarefas mais desafiadoras, contribuindo dessa forma para a melhoria do serviço prestado à população.
Por exemplo: um psicólogo quando é nomeado, após ser aprovado no concurso público, poderá ocupar uma vaga na saúde, na assistência social ou na área de gestão de pessoas, dentre outras. No entanto, caso esse psicólogo tenha uma relevante experiência profissional com adolescentes vítimas de violência, identificada por meio do Banco de Talentos, ele poderá ser encaminhado direto para à área de assistência social. Com todas as condições técnicas e vocacionais para desenvolver um ótimo trabalho.
Em contrapartida, prestando serviço na Secretaria de Assistência Social está um outro psicólogo que é especialista em gestão de pessoas, com diversos cursos e diplomas no tema do seu interesse, porém sem poder aplicar todo seu conhecimento adquirido no atual trabalho. Talento que poderia estar sendo melhor aproveitado, caso esse servidor estivesse cadastrado no Banco de Talentos.
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A proposta da criação do Banco de Talentos é simples e eficaz: adaptação ou desenvolvimento de uma ferramenta para cadastro e busca de currículos profissionais direcionado ao funcionalismo público. É estimulado o cadastro voluntário dos servidores de seus próprios conhecimentos adquiridos, habilidades, atitudes e interesses pessoais.
A área de recursos humanos pode realizar levantamento das pessoas com interesse em desenvolver seus potenciais em programas e projetos prioritários da Administração, com foco no cidadão. Uma política interna de valorização do capital humano com impacto direto na qualidade dos serviços oferecidos à população.
É uma ferramenta para facilitar o acesso às informações referentes a todos servidores. Afinal, são milhares de servidores, e o ganho é muito grande.
O Brasil é visto como um país continental, onde poucas políticas públicas de gestão de pessoas estimulam a acumulação de capital físico e humano possibilitando crescer profissionalmente, desenvolver o seu potencial, e atrair talentos.
O primeiro passo é concretizar políticas de estado, com resultados de médio e longo prazo, coerentes com os nossos problemas reais e totalmente diferentes das atuais políticas de governo, muitas vezes descontínuas, acanhadas e inócuas.
Investir esforços para mudar o pensamento dominante de que serviço público é lugar de gente incompetente, acomodada e ineficiente. Não! Podemos capturar ganhos decorrentes de mudanças no ambiente de trabalho e sustentar o nosso desenvolvimento como instituições justas e prósperas.

Rosandra Elizabeth Padron Armada é Secretária Adjunta de Gestão do Município de Santos.