sexta-feira, 16 de junho de 2017

ÌNDIOS ISOLADOS: RIQUEZA CULTURAL DA HUMANIDADE

Povos Indígenas em Isolamento Voluntário: são 

114 no Brasil

Na Pan-amazônia existem 145 PIIV - RV

Cidade do Vaticano (RV) - “O desaparecimento de uma cultura pode ser tanto ou mais grave do que o desaparecimento de uma espécie animal ou vegetal”. A afirmação, contida na Encíclica Laudato sì do Papa Francisco, nos convida hoje a refletir sobre os Povos Indígenas em Isolamento Voluntário, PIIV.

São povos ou segmentos de povos indígenas que não mantêm contatos regulares ou relações sistemáticas com outros grupos da população. Vivem em condição de vulnerabilidade e de permanente ameaça por causa de projetos extrativos e produtivos que exploram os recursos naturais de seus territórios ancestrais. Estes povos têm um vínculo espiritual, material com a terra; é dela que depende a sua sobrevivência. E os Estados têm a obrigação de respeitar e impor o respeito desta opção, segundo normas e tratados internacionais de direitos humanos. Além do território, devem ser tutelados também a sua identidade cultural e o direito à consulta prévia, livre e informada, base para a sua autodeterminação, além do princípio de ‘não contato’ voluntário.

Em Cuiabá, (MT), representantes de povos indígenas de contato inicial, instituições como o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), o Centro Amazônico de Antropologia e Aplicação Prática, a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), autoridades civis e religiosas, se reuniram no Primeiro Encontro Pan-Amazônico em defesa dos Povos Indígenas em Isolamento Voluntário. Durante alguns dias, no início de abril, dialogaram sobre a situação de vulnerabilidade destes povos, a violação de seus direitos humanos e as perspectivas de articulação dentro e fora da Igreja para a maior proteção de sua existência e identidade cultural.

A Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) tem como prioridades o diálogo e a escuta dos povos indígenas da Pan-Amazônia, para fortalecer um caminho conjunto em favor do cuidado da vida.

“Reconhecemos as limitações e os acertos que a nossa Igreja teve na História em sua relação com os povos indígenas. No entanto, vemos com esperança a presença de uma Igreja missionária, defensora da vida, companheira; cultural e espiritualmente enraizada; localmente situada, que não dá as costas para a Amazônia; uma Igreja transgressora da ordem opressora, que compreende, convive, aprende e compartilha com os povos indígenas”, diz o comunicado emitido no final do Encontro.

“Eles representam uma contribuição substancial na vida de nossos países e de nossa região, na diversidade cultural e na relação harmônica que mantêm com o território. Antes de tudo, deve prevalecer a proteção dos mais vulneráveis”. Neste sentido, a RAPAM alerta: “Em caso de indício de presença de PIIV em um território, se deve impedir qualquer iniciativa extrativa que possa colocar em risco suas vidas. É preciso também aprender a diferenciar os Povos Indígenas em Isolamento Voluntário dos povos indígenas de contato inicial”.

A REPAM propõe um diálogo fraterno entre os Estados da Pan-Amazônia para evitar a conflitualidade nas fronteiras; mais atenção para as comunidades nativas e principalmente, chama a Igreja presente na Amazônia a unir-se ao chamado pela proteção da vida, ao acompanhamento integral e à compreensão destas realidades. “A Igreja deve fazer uma firme opção preferencial pelos mais vulneráveis de um sistema injusto e desigual”. E como disse o Papa Francisco aos Movimentos Populares na Bolívia, em julho de 2015:

“A primeira tarefa é pôr a economia ao serviço dos povos. Os seres humanos e a natureza não devem estar ao serviço do dinheiro. Digamos NÃO a uma economia de exclusão e desigualdade, onde o dinheiro reina em vez de servir. Esta economia mata. Esta economia exclui. Esta economia destrói a Mãe Terra”.

A REPAM assume a vocação de seguir erguendo pontes e propiciando esta união. Convida as organizações sociais e organizações indígenas para caminhar juntos na defesa integral dos Povos Indígenas em Isolamento Voluntário na Pan-Amazônia. Também aprecia os inúmeros esforços da comunidade internacional em favor destes povos, envolvendo-os nesta opção pela vida, pela diversidade cultural e pela biodiversidade, porque esta região deve continuar a ser fonte de vida para o planeta.

“Os povos indígenas são bibliotecas vivas. São os guardiões, cuidadores e jardineiros da Amazônia e do Planeta. Cada vez que um povo indígena é exterminado e desaparece, um rosto de Tupaña (Deus) morre. O cosmos, o planeta e toda a humanidade se empobrece”. (Bernardo Satere Mawe, líder indígena)


(CM/Repam)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Qual sua opinião sobre isso?