segunda-feira, 21 de agosto de 2017

ÍNDIOS: ATAQUE AOS DIREITOS INDÍGENAS CONTINUA SEM TRÉGUA

Ministério da Justiça anula reserva indígena do Pico do Jaraguá
Portaria de 2015 garantia 512 hectares de terra ao guaranis. Ministério alegou 'erro administrativo'.

Por G1 SP
Aldeia indígena do Jaraguá, na Zona Norte de São Paulo (Foto: TV Globo/Reprodução)
Aldeia indígena do Jaraguá, na Zona Norte de São Paulo (Foto: TV Globo/Reprodução)

O Ministério da Justiça revogou a decisão de criar uma reserva indígena no Pico do Jaraguá, na zona Norte de São Paulo. A decisão saiu no Diário Oficial da União desta segunda-feira (21).

A pasta anulou a portaria nº 581, de 2015, que garantia mais de 500 hectares de terra aos guaranis. Para isso, alegou “erro administrativo no procedimento inicial, que resultou em demanda de alteração da dimensão da terra indígena para 512 hectares”.

O texto diz ainda que a área “foi demarcada sem a participação do Estado de São Paulo na definição conjunta das formas de uso da área”. Para a revogação, também diz que a terra indígena Jaraguá tem a extensão de aproximadamente 3 hectares.

A Terra Indígena Guaranis tem quase 700 pessoas, sendo que mais de 400 são crianças. Elas aprendem o guarani antes do português. Os índios vivem em condições precárias, e muitos recebem o Bolsa Família. A maioria das casas é feita de chapas de madeira e chão de barro mesmo.

 Aldeia terra indígena Jaraguá (Foto: TV Globo/Reprodução)
Aldeia terra indígena Jaraguá (Foto: TV Globo/Reprodução)


quinta-feira, 17 de agosto de 2017

TRÂNSITO: O USO DE CELULAR PODE TE LEVAR À MORTE

Os riscos de usar o celular para quem está no volante e para os pedestres
A obsessão pelo consultar redes sociais, escrever sms, distrair-se com aplicativos e acessar a internet pelo smartphone pode ser prejudicial e perigosa.
Por: Thiago Santaella
 Os riscos de usar o celular para quem está no volante e para os pedestres Reprodução/
Foto: Reprodução

Uma inocente olhadela no smartphone para checar mensagens ou alguma rede social pode ser fatal. Se feita ao dirigir, aumenta em duas vezes a chance de alguém se envolver em acidentes. A distração faz as pessoas desviarem o olhar da estrada em média 23 segundos. Para um carro a 60 km/h, isso representa 380 metros de percurso às cegas. Para um veículo a 100km/h, são 640 metros sem visibilidade.
O risco fica cada vez mais evidente: já são 68 milhões de smartphone nas mãos dos brasileiros, quase um para cada três pessoas, conforme o Ibope/Nielsen. Com a popularização dos aplicativos de conversas em texto, como o  Viber e o WhatsApp, já não é raro ver carros em ziguezague nas ruas, mesmo que os motoristas não tenham bebido. O Instituto de Tecnologia dos Transportes da Universidade de Virginia (Estados Unidos) realizou uma série de pesquisas sobre esse comportamento.
Uma primeira investigação, de 2009, descobriu que mandar mensagens ao dirigir veículos pesados, como ônibus e caminhões, aumentava em 23 vezes o risco de acidente. O número serviu como um alerta, e vários Estados dos EUA proibiram o celular ao volante – por lá, há regiões que permitem usar o telefone ao dirigir.
Foco roubado em segundos

No Brasil, o código de trânsito proíbe o celular desde 1997 – mas o uso continua. Em 2014, 79,9 mil gaúchos foram multados por essa infração, segundo o Departamento Estadual de Trânsito do RS. Neste ano, já foram mais de 27 mil multas. Situações como alcançar o telefone, olhar o contato que está ligando ou tentar digitar um número elevam em três vezes a chance de um acidente, mais do que mandar mensagem, apesar de o tempo sem olhar para a estrada ser menor.
– Nesse momento, o motorista se desconcentra da atividade principal e se concentra no celular. Ele leva três, quatro segundos para pegar o telefone. Está com a visão direcionada para o aparelho, a audição voltada para ele, assim como a atenção. Está fazendo uma direção de alto risco – explica o médico Dirceu Rodrigues, especializado em medicina do tráfego.
Telefone tira concentração até após o fim da chamada
O motorista continua sendo afetado mesmo após desligar o celular. Especialista em medicina do tráfego, Dirceu Rodrigues explica que isso ocorre porque a atenção não se volta imediatamente para a estrada. A pessoa ainda vai ficar alguns segundos, talvez minutos, refletindo sobre o que ouviu. Ao direcionar a atenção seletiva para outro lugar, um telefonema ou uma mensagem, o cérebro entra em uma espécie de modo automático. É comum até não se lembrar de trechos da rua ou da estrada pelas quais percorreu.
– De todas as atividades que você faz ao volante, enviar mensagens é a que tira mais atenção do usuário – informa Bruno Gobbato, da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.

A entidade faz campanhas de conscientização sobre o tema.
O assunto ganhou a atenção do poder público no Exterior.
– Campanhas fora do país têm focado especificamente nos jovens e no combate ao envio de mensagens ao dirigir.
A falta de atenção nas ruas não ocorre apenas com quem dirige. Outra investigação do centro de pesquisas americano PEW fez uma pergunta a mais no questionário sobre o tema. E um em cada seis adultos afirmou já ter esbarrado em outra pessoa ou objeto enquanto caminhavam falando ou respondendo mensagens no celular.

POLÍTICA: O VOTO DISTRITAL E SUAS VARIANTES

12 Pontos para você entender o sistema de voto distrital
Primeiro Ponto - Do jeito que tá, não dá
"Quem aqui foi eleito, mas quase não foi votado e entrou no vácuo de outro deputado, favor levantar a mão"

"Quem aqui foi eleito, mas quase não foi votado e entrou no vácuo de outro deputado, favor levantar a mão"

Nas últimas semanas, manifestações que nasceram da articulação à esquerda acabaram ganhando a adesão de multidões compostas por representantes de todo o espectro político brasileiro, inclusive do pessoal da extrema direita e daquela turma que grita "Anauê" com o braço esticado.

Foi desse jeito meio confuso que aportou, no Brasil, o Cisne Negro de Taleb, surpresa que deixou partidários de esquerda e de direita um bocado perdidos em suas tentativas de, pela retórica ou pela manipulação midiática, apropriarem-se de tal fenômeno.

Nessa diversidade de orientações políticas, poucos pontos em comum podem ser encontrados nas multidões que ocupam ruas e avenidas. Apenas uma coisa parece ser consensual: algo precisa ser mudado.

Do jeito que está, não dá mais.

Mas mudar o que, exatamente? Destruir tudo parece coisa de criança. Na verdade, o que a História nos ensinou é que, muitas vezes, pequenas e discretas mudanças podem ser muito mais efetivas do que radicais e repentinas transformações. Que nos diga a maquinazinha de Gutenberg. É preciso pensar muito bem antes de dar os primeiros passos, pois a direção a ser tomada é, às vezes, muito mais importante que a velocidade da mudança.

No começo de qualquer caminhada, uma pequena alteração na trajetória inicial pode, anos mais tarde, representar uma gigantesca diferença no destino final.


                      Segundo ponto - Estamos sozinhos nessa história

Estamos sozinhos, mas não solitários (Foto: Guilherme Burgos)
Estamos sozinhos, mas não solitários (Foto: Guilherme Burgos)

Foi aí que o pessoal que está no poder há mais tempo do que seria desejável para o fortalecimento de uma democracia jovem (independentemente dos méritos e deméritos de tais governantes) colocou em pauta a possibilidade de uma reforma política no Brasil. Sejam boas ou más as intenções por trás dessa proposta, ocorra ou não um plebiscito ou um referendo, o fato é que os holofotes finalmente se voltam para um assunto fundamental: o sistema eleitoral que nós, cidadãos, desejamos.

Quanto a esse ponto, independentemente de nossas inclinações ideológicas, se de direita ou esquerda, um fato devemos ter sempre em mente: as últimas pessoas que devemos consultar sobre esse assunto são os próprios congressistas. E porque isso? Porque eles são maus? Porque são ladrões? A resposta é muito mais simples e inclui congressistas honestos e corruptos: porque eles foram eleitos pelo sistema que está aí (e muitos deles diversas vezes reeleitos).

Portanto, esperar que os atuais congressistas nos esclareçam a questão com honestidade, ou que decidam espontaneamente alterar o sistema político que os beneficiou, é o mesmo que esperar que o vencedor de uma partida altere as regras de um jogo no qual ele já se tornou craque. É o mesmo, enfim, que incumbir a raposa de projetar um novo sistema de defesa para a proteção do nosso galinheiro.

Então, sinto muito: nós, cidadãos, estamos totalmente sozinhos nessa história. Precisamos descobrir por nós próprios qual o sistema político que nos convêm e, feita essa descoberta, exigir dos atuais congressistas a mudança desejada. Força já percebemos que não nos falta.

Este texto pretende colaborar e abrir um pouco mais de espaço para a discussão sobre nosso sistema político. E começamos com uma pergunta. O que é, afinal, voto distrital?

A melhor forma de começar a responder é explicando como funciona o sistema atual.
Terceiro ponto - O que é o Sistema Proporcional
O deputado federal Tiririca (PR), nas eleições de 2010, teve a maior votação do Brasil e “puxou” mais três candidatos que, sozinhos, não seriam eleitos
O deputado federal Tiririca (PR), nas eleições de 2010, teve a maior votação do Brasil e “puxou” mais três candidatos que, sozinhos, não seriam eleitos

O sistema proporcional é, hoje em dia, o sistema pelo qual elegemos Deputados Federais, Deputados Estaduais e Vereadores. Por ser o de mais fácil compreensão, vamos usar, como exemplo, a eleição de Deputados Federais.

Hoje, o eleitor vota em qualquer candidato de qualquer partido que concorra em seu Estado. O morador de Cacimbaúna do Sul pode votar em Aldegundo Percegonha, garboso candidato do Partido Urbanista, cuja carreira política esteve sempre vinculada a outra cidade, situada no extremo oposto do mesmo Estado. As razões para alguém votar em um sujeito, assim, tão distante de sua própria comunidade, podem ser várias: Aldegundo Percegonha pode ser bonitão, ou um grande artista, ou ter um bom discurso, ou ser um craque no futebol, e por aí vai.

No sistema proporcional, além disso, votar em um candidato significa votar, indiretamente, no partido do candidato (o tal "voto na legenda"). E isso acaba beneficiando outros candidatos desse partido, ainda que o eleitor não conheça nenhum deles e apenas queira votar no Aldegundo Percegonha, um cara simpático. Vamos explicar mais adiante como isso funciona, mas já tenha isso em mente agora.
Quarto ponto - A herança do vovô Getúlio para seus netinhos
"Pô... de nada"
"Pô... de nada"

No Brasil, esse sistema proporcional começou a ser montado a partir 1932, momento da ascensão de Getúlio Vargas ao poder. E foi montado com um objetivo claro. Nas palavras de Fábio Comparato, a intenção era criar um sistema eleitoral "duplamente fraco", tanto "pela ampla liberdade de criação de partidos" como "pela introdução de voto em candidatos individuais, e não em partidos" (em A Necessária Reformulação do Sistema Eleitoral  Brasileiro, ed. Del Rey, 1996). Todo mundo sabe o que aconteceu depois: Estado Novo, totalitarismo, repressão.

Trata-se de um sistema que, aparentemente, possibilita que pequenos partidos tenham acesso ao poder. Porém, a consequência prática é pulverizar a representação dos interesses da população em inúmeros partidos. Dividir para conquistar, uma técnica utilizada por Getúlio Vargas com muito sucesso, e que os militares empregaram décadas mais tarde, durante a Ditadura Militar, pouco antes de saírem do poder -- para tentar conter o avanço dos opositores ao regime.

E o resultado é o que vemos hoje no Brasil: um excessivo número de partidos, exigindo que os governantes costurem sua base parlamentar com a agulha dos favorecimentos pessoais, distribuindo cargos entre várias legendas para, através de acordos e apadrinhamentos, alinhavar o apoio do Poder Legislativo.

Além disso, o sistema proporcional faz com que os holofotes da campanha eleitoral estejam voltados para a pessoa de cada candidato, e não para o programa do partido, já que o eleitor pode escolher entre dezenas de candidatos de diversos partidos atuantes em todo seu estado, e isso abre demais o leque de opções.

Como diferenciar vários candidatos de um mesmo partido, senão ressaltando suas diferenças individuais, em detrimento do programa partidário? Essa é uma das causas daquele problema diagnosticado com precisão pelo Ministro Joaquim Barbosa, gostemos ou não das outras posturas do Ministro:

“Nós temos partidos de mentirinha. Nós não nos identificamos com os partidos que nos representam no Congresso, a não ser em casos excepcionais. Eu diria que o grosso dos brasileiros não vê consistência ideológica e programática em nenhum dos partidos.

E nem pouco seus partidos e os seus líderes partidários têm interesse em ter consistência programática ou ideológica. Querem o poder pelo poder.”

Quinto ponto - Ganha um montão de votos e não se elege? Senta e chora

Em 2002, por exemplo, Enéas Carneiro conquistou 1,5 milhão de votos na eleição para deputado federal em São Paulo e levou para a Câmara outros quatro deputados do Prona. O último eleito do Prona naquela ocasião recebeu 382 votos
Em 2002, por exemplo, Enéas Carneiro conquistou 1,5 milhão de votos na eleição para deputado federal em São Paulo e levou para a Câmara outros quatro deputados do Prona. O último eleito do Prona naquela ocasião recebeu 382 votos

Algo muito curioso é que, no sistema proporcional, não basta um candidato obter determinado número de votos para que se consagre vencedor. É necessário mais. É preciso que seu partido, no somatório de todos os votos dados a seus candidatos, tenha recebido um determinado número mínimo de votos. Esse número mínimo de votos é conhecido como quociente eleitoral, e é obtido por meio de uma fórmula matemática aplicada a cada eleição, na qual se incluem o número de votos válidos e o número de vagas a serem preenchidas.

Mas deixemos os cálculos de lado. O que importa é que, se um partido não atingir esse "quociente eleitoral", nem mesmo seu candidato mais bem votado poderá ser eleito, ainda que esse candidato tenha conseguido um grande número de votos, inclusive superior ao de um rival cujo partido tenha, em sua totalidade, conseguido atingir aquele número mínimo de votos.

Essa é razão de partidos costumarem colocar como candidatos de sua legenda até mesmo pessoas sem chances concretas de vitória: o objetivo é arrebanhar, com pequenos candidatos, aquele número mínimo de votos que garantirá a efetiva eleição dos "candidatos com reais chances de vencer".

Afinal, se a dona da confeitaria da esquina de nossa for candidata, a gente acaba votando nele mesmo sabendo que não tem chances, porque ela é simpática e ainda faz um bolo de baba-de-moça que é uma delícia.
Sexto ponto - O "Efeito Barrichello" ou "Florentina de Jesus pra que tu me seduz"
Não, não esse efeito
Não, não esse efeito

Já dissemos que, quando o eleitor de Cacimbaúna do Sul vota em Aldegundo Percegonha, ele acaba, querendo ou não, também votando no Partido Urbanista, voto esse que beneficiará outros candidatos da legenda. É como se outros candidatos viessem atrás daquele com maior número de votos e aproveitassem o "vácuo" para vencer a resistência do ar.

Tipo “Fórmula 1”, tá ligado?

Em resumo, o que o TSE faz a cada eleição é calcular, com base no quociente eleitoral, o número de vagas a ser distribuída para cada partido que "venceu" a barreira representada por esse mesmo quociente eleitoral. Basicamente, divide-se o número total de votos dados a um partido por aquele número mínimo de votos necessários para eleger um deputado, e o resultado da divisão é o total de vagas destinado a esse partido.

Em outras palavras, cada vez que o número total de votos em um partido "bate" o "quociente eleitoral", sua legenda tem direito a mais uma vaga. O número de vagas resultante é o "quociente partidário", diferente para cada partido em uma eleição.

Com esse número de vagas nas mãos, cada partido deverá preencher as vagas a quem tem direito com seus candidatos, e isso na ordem decrescente de número de votos recebidos pelos candidatos de sua legenda.

É essa característica do sistema proporcional que explica, por exemplo, fenômenos curiosos como o caso do Delegado Protógenes e de outros dois candidatos que, em 2010, receberam um número pouco expressivo de votos mas, apesar disso, foram eleitos Deputados Federais por São Paulo.

Apesar de seu desempenho sofrível nas urnas, ingressaram na Câmara dos Deputados pela simples razão de que outro candidato de sua legenda, o Tiririca, ganhou tantos votos que, pelo cálculo do TSE, o partido tinha direito não só a uma vaga (a do Tiririca) mas a outras tantas vagas, que foram preenchidas por candidatos sem muito apoio dos eleitores.
Sétimo ponto - Ganhou só um voto, loser? Epa, parabéns Deputado!
Veja o caso do deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP). Ele obteve em 2010 nada menos que 211 mil votos. Não atingiu o quociente eleitoral daquela eleição, que em São Paulo foi de 305 mil votos. Portanto, veio “puxado”, como se diz no jargão eleitoral *  
Veja o caso do deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP). Ele obteve em 2010 nada menos que 211 mil votos. Não atingiu o quociente eleitoral daquela eleição, que em São Paulo foi de 305 mil votos. Portanto, veio “puxado”, como se diz no jargão eleitoral *

*de acordo com a Revista Voto.

Outra curiosidade desse sistema é que, por sua lógica, é possível que um candidato seja eleito apesar de ter recebido apenas um voto: o seu -- ou, se for esquizofrênico, o de sua mãe. Isso pode ocorrer se a legenda tiver poucos candidatos, como é típico de partidos "nanicos", mas um deles for, por exemplo, alguma celebridade capaz de atrair milhões de votos.

Esses milhões de votos, digamos para simplificar, "sobram" e, no cálculo com base no quociente eleitoral, acabam garantido vagas para outros candidatos do partido, respeitada a ordem em que foram votados. É na verdade o tal quociente partidário. Se esse partido tiver poucos candidatos alistados na eleição, o último deles na ordem de votação, aquele que recebeu apenas um voto, acabará recebendo uma das vagas reservadas ao partido.
Oitavo ponto - Sistema Distrital puro não é coisa de nazista nem de virgem
"Votaê, molecada"
"Votaê, molecada"

O sistema distrital tem uma lógica diferente. Nele, o eleitor não pode votar em qualquer candidato que concorra a deputado em seu Estado, mas apenas nos candidatos inscritos pelos partidos em seu "distrito". Distrito, por sua vez, é uma subdivisão do Estado, que pode ser maior, menor ou do tamanho de um município, a depender de como será feita a divisão.

Outra diferença em relação ao sistema proporcional é que, no sistema distrital, cada partido só pode apresentar um candidato por distrito. Os vencedores da eleição são, simplesmente, aqueles candidatos que mais receberam votos em cada um dos distritos nos quais é dividido o Estado.

Portanto, cada distrito elege um candidato, e esse candidato é foi único que representou, no distrito, o seu partido.

Isso significa que, durante o mandato legislativo, todos os eleitores de determinado distrito sabem exatamente qual o candidato foi eleito por sua região. Ele tem nome, endereço e cara facilmente identificáveis por esses eleitores (mesmo pelos que votaram em outro candidato), e todos eles podem acompanhar sua atuação política de perto.

Além disso, há estreita associação entre o partido e o candidato: o distrito elegeu não apenas um indivíduo, mas apoiou determinado partido por ele representado.

Em razão disso, pode ocorrer uma situação interessante. O João da Silva acorda, passa na padaria e fala para o padeiro: "viu o que o bosta do teu candidato fez naquela votação do Congresso? Na próxima eleição, a gente tem que escolher outro partido".
Nono Ponto - Palhaços e representantes sectários têm poucas chances
"Mas aí cê me complica"
"Mas aí cê me complica"

É comum, no sistema proporcional, que determinadas classes profissionais elejam seu "representante" no Congresso. Afinal, o somatório dos votos desses profissionais espalhados pelo Estado pode garantir uma vaga para seu "colega". O mesmo pode ser dito em relação a alguma celebridade da mídia, cujos fãs, distribuídos no estado, formam o caminhão de votos necessários para chegar-se ao poder.

Uma das vantagens do sistema distrital é que fica muito mais difícil a eleição de candidatos apoiados por "grupos de interesses sectários" ou por fãs daquela celebridade engraçadinha que aparece na televisão. A razão é que esses eleitores estão, de regra, distribuídos por todo o Estado, mas não teriam força em um distrito específico, composto pelos moradores de alguns bairros ou municípios. Outra vantagem é eliminar aquela situação estranha, em que um candidato com pouquíssimos votos acaba sendo eleito por causa de um outro candidato de maior expressão.
Décimo ponto - Pureza demais é para aquela nossa tia beata e solteirona
"Lá em cima", ou se vota em um (partido) ou no outro
"Lá em cima", ou se vota em um (partido) ou no outro

Mas nem tudo são flores. Esse sistema, se aplicado de forma simples assim, pode resultar em alguns problemas. Um deles é a possibilidade de um partido obter mais da metade das vagas de deputado, embora tenha obtido menos da metade do total de votos no Estado inteiro -- ou seja, suas posições predominarão no Congresso, apesar de não ter o apoio da maioria da população.

A causa disso é simples.

Tenha em mente que, em cidades maiores, mais populosas, um pequeno partido pode receber muitos votos se considerado o total de votos do Estado (nessa perspectiva, muitos eleitores do Estado votaram no partido), mas poucos votos se considerarmos os votos dados a outros candidatos naquela grande cidade (em tal perspectiva, poucos eleitores na cidade votaram no partido).

E, afinal de contas, apenas o candidato mais bem votado no distrito é que leva a vaga, não importando o quão expressivo foi o número de votantes no segundo ou terceiro candidato.

Outro problema é a dificuldade de partidos minoritários ascenderem ao poder, pois um partido que tenha uma quantidade significativa de votos em todo Estado pode não conseguir, em nenhum distrito, votos suficientes para eleger sequer um candidato. A lógica é a mesma do problema anterior: a soma dos votos geral no Estado foi grande, mas em cada distrito não foi o bastante para dar o primeiro lugar ao seu candidato.

Na verdade, essa é uma das razões pelas quais se acredita que sistemas distritais acabam eliminando os pequenos partidos, que morrem "secos", e dando origem a sistemas bipartidários, como o que ocorre nos Estados Unidos, em que há apenas dois grandes partidos.
Décimo primeiro ponto - O que é o voto distrital "misto"
É para corrigir essas distorções que existe o sistema distrital que não é "puro", ou seja, o sistema distrital em que os candidatos não são eleitos apenas pela maioria dos votos em cada distrito. É o sistema dito "misto", pois mistura esse tipo de escolha do candidatos em distritos com outro tipo de escolha, feita não em candidatos, mas em partidos. Só que, diferente do sistema proporcional, o voto no partido é em separado, e não vinculado ao nome do candidato distrital.

Basicamente, ao votar para Deputado Federal, no sistema misto, o eleitor tem que votar duas vezes. O primeiro voto será em um candidato de seu distrito, o segundo será em um partido. No final das eleições, há duas espécies de vaga: aquelas destinadas aos vencedores em cada distrito, e outra destinada aos partidos que mais receberam voto em sua legenda. Mesmo se o partido não tiver obtido, em cada distrito, votos em número suficiente para eleger seus candidatos distritais, talvez consiga, no cômputo total dos votos feitos em sua legenda no Estado, algumas vagas no Congresso.

E como as vagas destinadas a esses votos dados aos partidos são preenchidas? Uma alternativa é deixar que o partido que ganhou a vaga decida livremente quem vai ocupá-la ("sistema da lista fechada").

Outra alternativa é deixar que os eleitores estabeleçam, na eleição mesmo, quais dos candidatos merecem ocupar essa vaga reservada ("sistema da lista aberta"). Uma terceira alternativa é a mistura das duas primeiras: os eleitores, em seu voto, limitam as escolhas dos partidos a uma lista de candidatos ("sistema da lista flexível").

O sistema distrital misto (e, principalmente, aquele da lista aberta), portanto, busca eliminar as desvantagens dos dois sistemas eleitorais, ao mesmo tempo em que apresenta as vantagens do sistema distrital.
Décimo segundo - Não gostou? Assiste na TV os outros mandarem por você
Lolz
"Muito complexo isso, cara! Democracia exige demais, pensei que era mais fácil. Achei que era só apertar uns botões e pronto (ou, no futuro, curtir um candidato no Facebook). Não tenho saco para pensar em partidos, eleições, essa coisa toda. No final das contas, são todos uns ladrões, né? Dizer que vou votar nulo porque são todos ladrões me livra de decidir algo e, ainda por cima, me faz parecer inteligente, um cara tão entendido de política que ficou cético.

Se, no vácuo da minha indiferença ou preguiça, surgir um líder autoritário levado ao poder pelos outros, não vou ter direito de reclamar - mas, pelo menos, vai dar para posar de entendido e dizer 'eu avisei'."

Pois é meu amigo. A democracia é complicada, tão complicada quanto mandar no seu próprio nariz, pagar suas contas, decidir a cada dia os rumos de seu futuro pessoal e profissional.

Mas se você acha que é melhor fazer como o cara de cinquenta anos que ainda mora com os pais, recebe mesada da aposentadoria do velho papai e deixa a mamãe de cabelos brancos arrumar a cama todas as  manhãs, por mim tudo bem: cada um tem sua concepção sobre o que é ser feliz.


File


Victor Lisboa

Não escrevo por achar que tenho talento, sequer para dizer algo importante, e sim por autocomplacência e descaramento: de todos os vícios e extravagâncias tolerados socialmente, escrever é o mais inofensivo. Logo, deixe-me abusar, aqui e como editor no site Ano Zero.


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

MEIO AMBIENTE: E QUEM GARANTE A VIDA DE FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS?

Chefe de fiscalização do Ibama é ameaçada no Pará

 “Tem que meter é uma bala na cabeça dessa vagabunda!!!!!”
A ameaça, publicada no Facebook e dirigida à chefe da fiscalização do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) para o sudoeste do Pará, Maria Luiza de Souza, ocorre em meio à crescente hostilidade contra agentes ambientais no entorno da BR-163.
 
Mata derrubada para formação de pasto em Novo Progresso (PA)
Na semana passada, cem homens da Força Nacional foram enviados a Novo Progresso (1.630 km de Belém) após oito caminhonetes novas destinadas ao Ibama terem sido incendiadas, em 7 de julho.
A região é o principal foco de desmatamento ilegal na Amazônia. Mesmo assim, o presidente Michel Temer enviou ao Congresso um projeto de lei que retira 349 mil hectares da Floresta Nacional do Jamanxim, para legalizar grileiros e posseiros que ocupam a unidade de conservação.
O ataque a Souza, acompanhado de outras ameaças, como “Logo queimam essa vagabunda”, aparece nos comentários de um texto publicado por Adecio Piran, diretor do jornal “Folha do Progresso”, o principal da região.
Piran deturpou uma declaração de Souza publicada pela Folha em 11 de junho no qual a agente do Ibama criticou a exploração de recursos ambientais na Amazônia: “É aquela coisa do extrativismo: vamos tirar, acabar tudo e depois a gente vê o que dá.”
Em seu artigo, o blogueiro deu a entender que a frase era uma orientação de Souza contra infratores ambientais após a chegada da Força Nacional: “A ordem é para destruir tudo; depois a gente vê o que dá, disse chefe da fiscalização Maria Luiza”, lê-se no título.
“Novo Progresso tem sérios problemas de ilegalidade com relação à legislação ambiental, envolvendo grileiros, garimpeiros e madeireiros. Nesse quadro, a gerente do Ibama que responde pela região tem recebido perigosas ameaças, que já estão sendo todas devidamente investigadas pela Polícia Federal”, diz a presidente do Ibama, Suely Araújo, que determinou o bloqueio de todas as serrarias da região em resposta à queima das caminhonetes.
“A fiscalização ambiental do Ibama não será bloqueada por pressões de criminosos”, completou Araújo.
O autor da ameaça é Ademir Lourenço de Oliveira. Em seu perfil no Facebook, se apresenta como morador de Trairão, outra cidade da região, cuja economia gira em torno do garimpo e da exploração ilegal de madeira.
Em uma das fotos em seu perfil, Oliveira aparece diante de um caminhão carregado de toras. Um amigo aconselha nos comentários: “Cuidado com o Ibama, brother”. A resposta foi três emojis de joinha.
Procurado, Oliveira não respondeu à reportagem.
Por: Fabiano Maisonnave
Fonte: Folha de São Paulo 

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

BRASIL: RELIGIÃO, ÍNDIOS, MEIO AMBIENTE E POLÍTICA: "TUDO JUNTO E MISTURADO"

Religiosos e indígenas querem decidir na 

Noruega sobre as florestas brasileiras


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Uma Iniciativa Inter-religiosa da Floresta Tropical, promovida pelo Ministério do Clima e Ambiente da Noruega, reuniu em Oslo líderes de diversas crenças e povos, como os pigmeus africanos e etnias indígenas sul-americanas.

O inédito encontro se inseriu numa longa serie de ingerências de governos e ONGs internacionais no Brasil e em outros países.

O governo norueguês vai cortar em 2017 pelo menos 50% de suas doações ao Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES, aduzindo o aumento no desmatamento nos últimos dois anos.

O ministro norueguês do Meio Ambiente, Vidar Helgesen, agradeceu o apoio que essas ingerências encontram em líderes religiosos locais.

Iniciativa 'interreligiosa' reuniu agitadores tribalistas e ONGs esquerdistas patrocinada pelo governo da Noruega e se imiscuindo na vida do Brasil
Iniciativa 'interreligiosa' reuniu agitadores tribalistas e ONGs esquerdistas patrocinada pelo governo da Noruega e se imiscuindo na vida do Brasil


“Em lugares onde o Estado não tem presença ou controle, sempre há comunidades de fé. Sempre há uma igreja ou outro lugar de adoração. Essa infraestrutura é um recurso que pode ser mobilizado em favor das florestas de uma forma mais consistente”, disse.

Mons. Sánchez Sorondo representou o Vaticano na Iniciativa 'interreligiosa' de ambientalistas de esquerda
Mons. Sánchez Sorondo representou o Vaticano na Iniciativa 'interreligiosa' de ambientalistas de esquerda

Segundo a “Folha de S. Paulo”, Sônia Guajajara, coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib)a achou que a iniciativa não foi suficientemente radical.

Ela aguardava um intervencionismo mais extremado e especificamente político voltado contra as tendências conservadores no País, especialmente no Congresso nacional.

Em discurso no Centro Nobel da Paz, ela atacou a atuação das igrejas cristãs nas aldeias brasileiras e a aliança no Congresso das bancadas evangélica e ruralista, contrárias a mais demarcações de terras.

Desta maneira, o destino soberano do Brasil ficou no centro das críticas de poderes e militâncias ricas estrangeiras associadas ao comuno-tribalismo brasileiro.

“Primeiro, fomos mortos pela Igreja Católica”, 

exagerou demagogicamente Sônia.

“Hoje, mais uma vez, somos mortos pelos evangélicos, que entram nas aldeias e tentam induzir as suas religiões”, radicalizou. Ela não fez senão acionar o realejo comuno-tribalista.

Apresentada pela mídia como líder dos guajajaras, etnia do Maranhão, ela deblaterou contra evangélicos e ruralistas como sendo “uma coalizão que pode ter muita força”. E atacou a orientação dos evangélicos porque “eles têm de se preocupar em salvar vidas, e não almas”.

Essa sempre foi a orientação da Igreja Católica, a grande evangelizadora da Amazônia, que nunca descuidou, pelo contrário, introduziu ativamente todos os fatores de civilização material hoje verberados pelo ativismo anarquista, ambientalista e progressista.

O único participante evangélico brasileiro foi o pastor Ariovaldo Ramos, de tendência progressista.

Sônia Guajajara deblaterou contra bancadas ruralista e evangélica e reivindicou o legado ideológico do PT e do CIMI.

Sônia Guajajara deblaterou contra 
bancadas ruralista e evangélica

e reivindicou o legado ideológico 

do PT e do CIMI.
Nesse ambiente, a imensa maioria dos líderes de tendência religiosa conservadora não estava convidada. E nem podia estar, em vista da tendência subversiva da reunião.

O pastor Ariovaldo disse por sua própria conta que “assina embaixo” as críticas de Guajajara às bancadas tripudiadas, mas afirmou que muitos religiosos têm um papel importante de proteção aos povos indígenas.

“Há tribos inteiras evangélicas. Graças a isso, preservaram a sua identidade, a sua língua, a sua cultura e agora têm gerado líderes”, afirmou Ramos.

Não pôde acrescentar as tribos trabalhadas pelo CIMI católico, pois essa dependência da CNBB não quer que índio algum se converta à religião de Nosso Senhor Jesus Cristo, nem nada que se lhe pareça.

No final do encontro, o grupo integrado por representantes de 21 países aprovou declaração para “formar uma aliança internacional multirreligiosa em prol das florestas tropicais, voltada para o cuidado destas florestas e das pessoas que as protegem e habitam”.

As fórmulas arredondadas são para o papel, pois para a vida real ficou valendo mais um apoio à subversão comuno-tribalista e mais um iniciativa contra a soberania do País.

Na mesma Noruega, o presidente Temer foi vaiado por ativistas ambientalistas. O protesto foi uma derivação de dita aliança de indígenas e ONGs europeias que querem tirar do Brasil o livre governo de suas florestas, noticiou “Época”.

O instrumento de pressão do momento é o corte de recursos que o governo norueguês concedia liberalmente sob o pretexto de proteção do meio ambiente amazônico e dos direitos indígenas.

Um esquálido magote de 30 pessoas se manifestou diante da sede do governo norueguês, com cartazes e um coro de “Fora Temer” que soava como estribilho do PT.

Os líderes ambientalistas apontaram seus ataques especialmente para a bancada ruralista no Congresso. “Vemos um constante e sistemático ataque ao meio ambiente nesse governo”, disse a própria Sônia Guajajara.

Participantes protestam contra o Brasil.
Participantes protestam contra o Brasil.

Nesse contexto altamente ideológico as verbas da Noruega são indesejáveis para o Brasil, mas o corte foi deplorado pela agitação comuno-tribalista.

“Muitos grupos indígenas são beneficiados pelos recursos. O corte, portanto, significa o enfraquecimento de iniciativas dos indígenas e problemas para a implementação de gestão territorial”, admitiu Sônia, prevendo uma diminuição da subversão.

Em função de um acordo com a administração petista de 2008, a Noruega liberou mais de US$ 1,1 bilhão, mas nos dois últimos anos reduziu para R$ 196 milhões, alegando o desmatamento, tema que não cabe a governo algum do exterior decidir.

O ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, culpou o PT e disse que só Deus poderia garantir que não haverá desmatamento. “Pior que culpa passada é culpa de Deus”, revidou Sônia, salvando o PT e transparecendo um fundo anticristão.

Sarney Filho garantiu a três ONGs norueguesas que não apoiará qualquer redução de áreas de proteção.

Anna Lovold, da ONG Rainforest Foundation, relatou as promessas do ministro, mas manifestou que as ONGs compinchas não têm confiança nessas promessas e por isso promoveram o protesto, aliás pífio.

Ameaçou que se o Brasil não mostrar resultados como as ONGs querem, o Fundo da Amazônia precisa fechar. “Não vamos poder apoiar o fundo”, disse.

Teria sido coerente se reclamasse do BNDES um fundo para proteger as florestas boreais e financiasse a defesa dos direitos dos esquimós, que certamente ninguém acha que estejam em perigo.

O presidente da Rainforest Foundation, Lars Bjordnal, sublinhou o “risco” que há no corte de dinheiro.

 Sônia Guajajara é premiada por Dilma Rousseff, Planalto, novembro de 2015 (Foto Valter Campanato-Agência Brasil) Afinidades ideológicas e cumplicidades velhas e profundas.
Sônia Guajajara é premiada por Dilma Rousseff, Planalto, novembro de 2015 (Foto Valter Campanato-Agência Brasil) Afinidades ideológicas e cumplicidades velhas e profundas.

De fato, o Brasil ficou de mãos livres para decidir sobre seu território, sem a interferência milionária de valores dispostos para uso de grupos de pressão de esquerda, altamente ideologizados.

Simultaneamente, o ministro de Meio Ambiente norueguês, Vidar Helgesen, declarou em entrevista à “Folha de S.Paulo” seu contentamento com a política petista em matéria de desmatamento.

E desqualificou a linha política assumida pelo País após o impeachment de Dilma Rousseff.

“Temos visto – disse – um desenvolvimento preocupante nos últimos dois anos”. “O Brasil tem a maior floresta tropical do mundo. Além disso, dado o progresso da última década, estabeleceu um exemplo para outros países”.

E em referência à escandalosa derrubada do lulopetismo, explicou: “Esperamos que o que vimos recentemente no Brasil não venha a alterar a imagem global de um país bem-sucedido no combate ao desmatamento”.

Também a primeira-ministra norueguesa, Erna Solberg, “expressou preocupação” com o desmatamento na Amazônia e confirmou o corte do financiamento para a movimentação comuno-verde de pelo menos R$ 166,5 milhões neste ano, acrescentou a “Folha de S.Paulo”.

Rodeada pelo pequeno magote de profissionais da agitação de rua, Sônia Guajajara teria também deplorado que “há no Congresso quase 20 medidas que flexibilizam o licenciamento ambiental. E a gente sabe que o interesse maior é flexibilizar para poder aumentar a expansão da pecuária e das monoculturas”.

Em suma, se as medidas forem aprovadas, o Brasil pode esperar uma melhoria na produção de alimentos, beneficiando as próprias populações indígenas e sua qualidade de vida.