quinta-feira, 31 de agosto de 2017

WEB: UMA IMAGEM VALE MAIS QUE MIL PALAVRAS. LITERALMENTE!

Metadados: suas fotos online revelam mais informações do que você imagina
Metadados: suas fotos online revelam mais informações do que você imagina
A frase “uma imagem vale mais que mil palavras” nunca fez tanto sentido quanto na internet. Isso porque os arquivos de fotos online armazenam metadados que revelam muitas informações, como data e horário em que a foto foi tirada, além da marca do equipamento utilizado na captura. Quando o dispositivo possui GPS, os metadados ainda informam a localização exata de onde a fotografia foi registrada.
É verdade que essa série de dados ajuda profissionais e usuários a organizar melhor seus álbuns. No entanto, essas mesmas informações podem ser usadas para expor a sua privacidade. Quem tiver acesso a elas pode saber qual é a sua rotina, os locais que você mais frequenta, o endereço da sua casa e por aí vai.
E a pessoa não precisa ter acesso direto ao dispositivo para ter conhecimento dos metadados. Se você publicar uma foto em algum blog sem ocultar essas informações, é possível que qualquer usuário acesse os metadados dela. Nesse sentido, antes de publicar ou enviar fotos para alguma pessoa na internet, procure limpar esses dados. Veja como fazer isso abaixo:
Acessando os metadados
Primeiramente, é importante saber o caminho para encontrar os metadados das fotos armazenadas em seu dispositivo. Em um computador Windows, por exemplo, basta clicar com o botão direito no mouse sobre o arquivo de imagem. Lá, vá até a opção “Propriedades” e, na sequência, “Detalhes”. Nessa seção é possível visualizar informações do equipamento, data, horário e até a localização de onde a fotografia foi capturada.
Nos dispositivos móveis, o processo pode variar um pouco conforme o modelo e o sistema operacional. Mas, basicamente, basta abrir o aplicativo de galeria de imagens do aparelho e localizar a opção “Detalhes” para ter acesso aos metadados de cada foto.
Por fim, existem serviços online que fazem esse trabalho. Em sites como Metapicz e AddictiveTips basta fazer o upload de uma imagem ou inserir a URL da foto para visualizar todas essas informações.
Ocultando os metadados
O processo para limpar os metadados das fotos é muito simples. Sem instalar nada em computadores Windows, você precisa ir a “Propriedades” > “Detalhes” do arquivo de imagem e clicar no botão “Remover propriedades e informações pessoais”.
Para fazer o mesmo nas fotos de smartphones e tablets, você pode recorrer a alguns aplicativos, como Exif Eraser (Android) e Metapho (iPhone).
Relação dos metadados e redes sociais
A empresa de segurança digital Kaspersky Lab realizou testes para saber quais redes sociais expõem os metadados das fotos dos usuários. Nesse experimento, chegou à conclusão que Flickr, Google+ e Tumblr não deletam as informações das imagens publicadas em suas plataformas.
Já Instagram, Facebook e Twitter apagam esses dados logo que o usuário publica uma foto. Aqui, é importante ressaltar que essas redes sociais limpam os metadados, mas conservam uma cópia dessas informações para uso próprio.
Portanto, o ideal é que você limpe todos os dados de uma imagem antes de publicá-la em qualquer plataforma. O mesmo vale para quando você for enviar uma imagem para alguma pessoa via e-mail ou WhatsApp, por exemplo.


quarta-feira, 30 de agosto de 2017

TURISMO: CONHEÇA O POTENCIAL TURÍSTICO DE ALTAMIRA-PA E REGIÃO

Altamira e o potencial turístico e econômico
TV Vitória Canal 20 Record TV

ÍNDIOS: "NEM TODOS QUE USAM COCAR POR AÍ, SÃO ÍNDIOS. CUIDADO!"

CoisaNawa: Nem todos que usam cocar por aí são índios. Cuidado!
CoisaNawa: Cuidado. Nem todos que usam cocar por aí  são índios…
Por: Jairo Lima 

Realmente o Acre não é para os desavisados. Principalmente o Acre indígena. Nesta semana veio a público uma matéria envolvendo a prisão de um indígena, na cidade de Feijó. Prisão esta que desencadeou manifestações de todos os tipos: das mais sensatas às  mais estapafúrdias possíveis. É o assunto do momento no palco virtual das emoções, onde todos têm sempre uma opinião, geralmente desprovida de mais conteúdo do que “eu acho que”.
Durante a semana, enquanto voava sopapos de todos os lados, como crianças brincando de ‘guerra’, jogando bolotas de lama enquanto escondem-se atrás da cerca, um amigo, a quem prezo muito questionou-me porque ainda não manifestei minha opinião sobre o caso todo.
Bem… acontece que não posso ainda expressar minha opinião sobre isso, pois, por questões de ética profissional, não poderei me manifestar até o término das apurações – para quem não sabe, o indigenismo, além de um caminho escolhido há muito tempo, também é minha ocupação profissional.
Na verdade, até fico feliz desta restrição, pois, tenho como princípio esperar a comida esfriar um pouco antes de comê-la, a fim de que não passe mal depois.
Se não ia escrever sobre o assunto, então porque citou?
Porque quis e porque posso. Para os que possuem a capacidade de refletir – pois, da águia admiram a visão em vez de sua capacidade de voar alto –  entenderão que já expus minha opinião nos parágrafos acima.
Mas o papo de hoje, apesar de não versar sobre este problema especificamente,  tem certa transversalidade com essa confusão toda. Porém, o cerne da crônica são os ‘índios fake’ ou, como prefiro dizer: os ‘coisanawa’.
Que esse mundo dos nawa (não-índio) está uma loucura todo mundo sabe. Tem horas que dá vontade de fugir para um local bem distante (no meu caso , frio também), onde  racionalidade reinasse, e o caos social e político não fosse a ordem do dia.
É muito comum passarmos por momentos de negação total, como refúgio para nos mantermos minimamente sãos. Quantos não acordam pela manhã com aquela sensação desconfortável de ter que enfrentar o mundão ao sair do quarto? Se algum dos leitores não sente isso, parabéns!  Vocês fazem parte de um seleto grupo de bem-aventurados, que exibem sorrisos radiantes, com a certeza de que o dia se passará sem nenhum sobressalto, tal qual a execução de um minueto de Bach.
Infelizmente não sou assim, os pensamentos afloram dois segundos após abrir os olhos pela manhã e, nas labutas diárias, apesar da satisfação de fazer o que faço, fico sempre à espera de algum sobressalto, tal qual um dos saltitantes minuetos de Mozart.
A busca pela sanidade e o equilíbrio são uma constante em minha vida. ‘Rotas de fuga’ e auto-terapias (como a jardinagem e a música) fazem parte de minha vida. E dentro destas rotas, claro, o ápice restaurador é a cultura indígena, a vida em aldeia, conviver e viver o cotidiano monótono da passagem do tempo, que vai desacelerando à cada dia de imersão na comunidade.
E assim, lá se vão mais de quatro décadas de vida nessa toada, e, dentro destas dezenas todas, duas de contato e vivência com estes povos. Mas, nisso tudo, tem um detalhe muito importante, essencial até: não sou indígena. Nunca serei.
Posso sim (e sou) considerado ‘parente’ por povos indígena aqui do Aquiry, membro da comunidade, com nome indígena e tal (em dois casos, com direito preparação e tudo, após anos de contato e meses na comunidade, sem essa onda fake de ser ‘batizado’ de qualquer jeito, após algum ritual de cipó estilo ‘ sagrado gourmet’). Tombaria junto com estes povos em qualquer trincheira de luta.
No entanto, tenho total clareza para entender perfeitamente o local que me cabe nessa história toda. Sentir-me indígena não me dá o direito de reivindicar uma identidade que, por alguma decisão cósmica que não consigo entender, não me veio com o nascimento, infelizmente.
Digo isso pois fico olhando certas figuras que, em alguns casos sem nem um centésimo do que eu vivi, assumiram para si uma falsa identidade indígena, criando toda uma história de vida para justificar essa identidade. São figuras conhecidas até, fáceis de achar no facebook ou nas ‘rodas de conversa’ dos fóruns, ‘zaps’ ou páginas diversas.
Estes ostentam um ‘nome’ indígena que, em geral, nada tem a ver com o processo de ‘nomeação’ tradicional no povo a que dizem pertencer. Ostentam uma parafernália de enfeites estranhos, e muitas vezes exagerados, geralmente ‘chupados’ de diversas culturas indígenas mais conhecidas (pois raramente conhecem a fundo detalhes das culturas que dizem pertencer).
Essas estranhas figuras geralmente se dividem em dois tipos: Uma versão black bloc, onde sempre estão envolvidos nas mais diversas presepadas que envolvam violência, depredação e protestos por causas tão bizarras quanto eles mesmos e; os xamãs/pajés, que alardeiam os poderes fodásticos que possuem, e que fazem o possível para que todos saibam que ele é ‘pajé’, procurando falar de coisas espirituais, e ostentar nas redes sociais frascos com ayahuasca, rapé, ou cocares estranhos, imagens de bichos e o escambau. Em geral, os que se passam por xamã/pajé constituem a maioria dessa estranha ‘fauna’.
O interessante que não existe nem um único ‘coisanawa’ que queira ser Guarani-Kaiowá, e se coloque na frente de batalha fundiária deste povo, sob o risco de levar chumbo de jagunços ou ter as mãos decepadas. Claro que não! Como gosta de dizer meu querido amigo egípcio Ali: Não dá rock!
Eu entendo que a negação sobre si mesmo pode levar alguém a transformar-se, a querer ser outra pessoa. O que acho muito louco nisso tudo é que estes assumem uma identidade indígena, e, em todos os casos que conheço, nenhum destes ‘convertidos’ contribuem positivamente para a luta pelos direitos dos povos originários. Ao contrário, essas criaturas só atrapalham e marginalizam a causa.
O que chama a atenção é que esses caras ainda conseguem arrumar uma penca de desavisados que os seguem e, em alguns casos, chegam a idolatrar os figuras. Isso me intriga, pois, na era da informação em que vivemos, basta umas poucas horas de estudo na internet para desmascarar esses pulhas. Essa é uma questão interessante: seguidores.
Estes, assim como os que assumem uma falsa identidade, também estão em busca de dar sentido às suas vidas, em busca de algo, como uma carência que não tem fim. No entanto esses seguidores, pelo menos no caso dos ‘pajeca coisanawa’ não fazem mal a ninguém, se não a eles mesmos por entregarem-se aos cuidados espirituais de quem não tem condições de cuidar nem de si mesmo.
O que acho mais doido é essa fixação obsessiva, de muitos destes, em se apresentar como indígena da amazônia, em especial do Acre. Eu hein!! Mas tem um detalhe: não qualquer povo do Acre, e sim, os mais conhecidos mundo afora. Advinha quais. Interessante né? Creio que isso é para que se tenha mais status ou talvez, porque esses coisanawa não conhecem muito sobre os povos daqui.
Pareço estar chateado com isso tudo né? Respondo: Tô mesmo. Ou como se pronuncia aqui no Juruá: Tô meeermú! E como não estaria? Eu não tenho nenhum trauma ou inconstância de caráter, que tenha me feito chegar a uma negação igual a desses caras, mas, apesar de não me identificar como sendo índio, eu me identifico e me alinho totalmente com esses Povos, melhor, ainda emanado na reunião que tive sexta com o Biraci Brasil Nixiwaka Yawanawá, ousarei na definição: com estas civilizações. Por isso presepadas como as que estes caras fazem me irritam profundamente.
Dia desses imprimi os perfis do Facebook  dos caras e mostrei para alguns dos caciques, dos povos que estes dizem fazer parte. Creio ser desnecessário dizer qual a reação destes.
Aproveito este texto de hoje, já que estamos tentando deixar as coisas bem claras para responder um questionamento que vez ou outra me chega, via mensagem ou mesmo através de ligações telefônicas: “Porque você não cita logo os nomes deles”?
Respondo: “Pelo mesmo fato de que não me apresento como indígena, ou seja, por não ter este direito, por não trazer para mim tal poder que não me cabe, em miúdos: por saber qual o meu lugar nisso tudo”. – Respondido? Mas não pensem que a coisa está solta não. As lideranças estão pedindo cópias destes perfis para fazerem manifestações públicas sobre estes, o que, para certos grupos que conheço pelo Sudeste e Sul, vai ser um choque danado.
Já está enchendo a panelinha ver as medicinas e rituais dos povos da amazônia serem macaqueados por falsos índios, pajecas, terapeutas e o escambau, que descobriram uma verdadeira mina de ouro e de possibilidades, e, por isso, infestam (isso mesmo, o verbo infestar é proposital) as redes sociais oferecendo-se para rituais, terapias, ‘sagrado disso ou daquilo’.
Para piorar, descobri que tem um grupinho lá pelo Sul que anda fazendo chá de misturas de plantas que dão ‘barato’ e dizem ser ayahuasca, para enganar os desavisados. Era só o que faltava. Depois morre alguém e sabem que vão culpar? Eu vos digo: o ‘pajé’ indígena que veio do Acre.
É por isso, gente boa, que coisas como a que estão acontecendo hoje aqui pelo Aquiry envolvendo muitos jovens indígenas não vieram ‘do nada’. Fazem parte de uma cadeia de eventos e situações que só contribuem para essa confusão toda. Não se iludam.
Abram os olhos e a mente. Sejam espertos e busquem saber mais sobre estes messias de araque que se auto-promovem por aí. Não se deixem levar para batalhas sem causa justa, nem deixem que esculhambem com seu espírito.
Como bem me ensinou há quinze anos atrás meu compadre Ali Zeilton, um muçulmano egípcio que muito viajou pelas aldeias acreanas: Confia em Alá, mas amarre seu camelo.
O meu está bem amarrado e o de vocês?

ANOTE AÍ! 
Jairo Lima – indigenista acreano gentilmente cede seus relatos, publicados regulamente em seu blog cronicasindigenistas.blogspot.com.br para publicação também aqui na Xapuri. Gratidão, Jairo.
As imagens desta matéria são foram selecionadas por Jairo, e são de peças indígenas descritas como:
1. Cocar Bororo
2. Cocar Irantxe
3. Coroa Ashaninka
4. Faixa Huni Kuin
5. Cocar Karajá
6. Cocar Kayapó

As fotos são todas imagens de divulgação, extraídas da internet. Não foi possível identificar seus autores. 

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

POLÍTICA: SOCIALISMO, DISTRITÃO E OUTROS SISTEMAS FALIDOS

Japão acabou com distritão porque era caro e 'estimulou corrupção'
Ewerton Tobace
De Tóquio para a BBC Brasil 
 'Distritão' funcionou no Japão do pós-guerra até o começo dos anos 1990, mas foi extinto por causa do aumento dos gastos e pela inviabilização do debate político

Uma das mudanças mais polêmicas no texto da reforma política aprovada pela comissão da Câmara dos Deputados - e que começa a ser votada no plenário nesta terça-feira - é a mudança do sistema eleitoral para o "distritão", um modelo que funcionou no Japão do pós-guerra até o começo dos anos 1990, mas foi extinto por causa do aumento dos gastos e pela inviabilização do debate político.

Caso a proposta passe no Congresso, serão eleitos apenas os deputados e vereadores com maior votação, daí o sistema ser considerado majoritário. Hoje, no chamado sistema proporcional, valem os votos recebidos pelo conjunto dos candidatos do partido e também pela legenda.
"Esse sistema (distritão) exige um maior investimento financeiro e é preciso ficar de olho, pois pode aumentar as chances de corrupção", afirmou à BBC Brasil Tokuou Konishi, professor e pesquisador do Departamento de Ciências Políticas e Econômicas da Universidade Meiji em Tóquio, especializado em história e atualidade política do Japão.
Na sua avaliação, isso ocorre porque os candidatos passam a trabalhar com recursos limitados dentro dos partidos. "A competição interna pode fazer com que os candidatos busquem recursos extras para obter destaque em suas zonas eleitorais", explicou.
https://t.dynad.net/pc/?dc=5550001577;ord=1503504325020
Foto: Agência Brasil 
Caso a proposta passe no Congresso brasileiro, serão eleitos apenas os deputados e vereadores com maior votação

Hoje, o distritão vigora atualmente apenas no Afeganistão, na Jordânia e em alguns pequenos países insulares e é criticado por especialistas e por parte da classe política. Muitos acreditam que o modelo traz problemas ainda maiores do que os do sistema proporcional atualmente adotado no Brasil.
No caso do Japão, Konishi contou que o sistema era usado para escolha de deputados e até funcionou bem no início, mas passou a gerar competição entre candidatos do mesmo partido, o que provocou controvérsias no debate político.
Corrupção

Sob o antigo sistema eleitoral, em uso desde 1947 e baseado no distritão, os membros da Câmara dos Deputados japonesa eram eleitos por meio de 129 distritos, que garantiam entre um e seis assentos cada.
O modelo acabou levando os partidos a adotarem estratégias, já que era necessário colocar vários candidatos na maioria dos distritos para ganhar lugares suficientes para obter uma maioria ou uma minoria significativa de assentos.
Para maximizar a representação, as legendas precisavam encontrar métodos para garantir que cada candidato tivesse o número mínimo de votos necessário para ser eleito - mas não era vantagem que um deles recebesse uma votação superior, o que poderia prejudicar os colegas.
Como forma de resolver o problema, o Partido Liberal-Democrata (PLD), do atual primeiro-ministro Shinzo Abe, que dominou o cenário político japonês por décadas, passou a oferecer "benefícios" para grupos em cada distrito eleitoral para eleger seus candidatos, dando início a um esquema de corrupção.
Pedro Ladeira/Folhapress 
Se for aprovada na Câmara, proposta de reforma política irá ao Senado

No início da década de 1990, a insatisfação da população resultou numa pressão para a reforma eleitoral.
Modelo combinado

Atualmente, o sistema eleitoral japonês combina votação uninominal e representação proporcional.
De um total de 480 deputados, 300 são eleitos com base em processo eleitoral em 300 distritos. As 180 cadeiras restantes são escolhidas pelo critério proporcional em 11 grandes zonas regionais.
Konishi aponta a falta de um debate político de interesse da população como uma característica ruim do sistema antigo. Afinal, os candidatos estavam mais preocupados com brigas internas que começavam bem antes das campanhas políticas.
"Se os principais rivais são do mesmo partido, cada candidato precisava fazer uma vitrine pessoal sobre o que já havia conquistado de melhorias e serviços para a população. A competição dentro do mesmo partido tornou o gasto de campanha elevado, o que acabou inviabilizando o sistema", detalhou.
Para o pesquisador japonês, o lado bom é que neste sistema não importava se um candidato popular tivesse muitos votos, pois o importante era se eleger, independente de ser o primeiro ou o quinto lugar.
"Diferente do que se pensa, existia ainda a possibilidade de eleger um candidato também com menos votos. No geral, uma média de 13% dos votos era suficiente para garantir uma vaga."
Konishi desconversa quando perguntado se o sistema pode dar certo em um país como o Brasil.
"Isso depende da cultura, história, situação política do país", disse, para depois lembrar que o distritão tem pontos positivos e negativos. "O mais importante é que os dois lados sejam analisados amplamente antes de se tomar uma decisão."
Votação

A Câmara brasileira realiza nesta terça-feira a primeira votação do texto-base da proposta de emenda à Constituição (PEC) 77/2003, que altera o sistema eleitoral e o financiamento das campanhas.
De acordo com a proposta atual, o distritão seria aplicado nas eleições de 2018 e 2022. Nas seguintes, o pleito para deputados adotaria o sistema distrital misto, no qual metade das vagas seria preenchida pelos candidatos mais votados nos distritos e a outra, conforme lista pré-estabelecida pelos partidos.
Por se tratar de uma PEC, serão necessários pelo menos 308 votos para aprovar o texto-base, o equivalente a 3/5 dos 513 deputados.
Caso aprovada em dois turnos, a proposta segue para o Senado, onde também há necessidade de aprovação em dois turnos.

SAÚDE: LÚPUS E SEUS MISTÉRIOS

Parte inferior do formulário
Lúpus: o que deve saber

O lúpus eritematoso sistémico (LES) é uma doença autoimune em que existe uma produção exagerada de auto-anticorpos contra antigéneos do próprio doente.
É uma doença das mulheres em idade fértil. Não afeta só a pele, mas qualquer órgão, explica Ana Maria Ferreira, especialista em Medicina Interna no Hospital Lusíadas Lisboa e Clínica Lusíadas Parque das Nações.

O lúpus em cinco respostas

1. O que é?
O lúpus eritematoso sistémico (LES) é uma doença autoimune em que existe uma produção exagerada de auto-anticorpos contra antigéneos do próprio doente, o que pode causar lesões em diversos órgãos, tais como o rim, músculo, articulações, a nível cardíaco ou no sistema nervoso central (neurolúpus).
2. Que tipos de lúpus existem?
O lúpus discoide ou cutâneo afeta apenas a pele. Pode surgir sob a forma de uma “rosácea” ou de lesões profundas e atróficas. O lúpus sistémico pode atingir qualquer órgão, mas não necessariamente a pele. Ambos devem ser constantemente vigiados.
3. Quem pode ter lúpus?
Segundo a Sociedade Portuguesa de Reumatologia, afetará 0,07% dos portugueses. Por estar associado a questões hormonais, é uma doença mais prevalente nas mulheres em idade fértil. Surge, habitualmente, a partir dos 30 anos. Mas, mesmo na adolescência ou depois dos 60 anos, há mais casos descritos no sexo feminino do que no masculino.
4. Como prevenir?
Não é possível. O lúpus é uma desregulação do sistema imunitário, cujas causas são desconhecidas. A sua etiologia (o ramo da Medicina que estuda a causa das doenças) é desconhecida, podendo envolver fatores ambientes, hormonais e imunológicos.
5. Que complicações pode ter?
De entre todas as patologias autoimunes, sublinha Ana Maria Ferreira, especialista em Medicina Interna no Hospital Lusíadas Lisboa e Clínica Lusíadas Parque das Nações, é a que tem um percurso inesperado, porque pode agudizar em qualquer altura, mesmo se o doente está estabilizado. O rim é uma das principais e constantes preocupações do clínico que acompanha um paciente com lúpus. Concluiu-se, ainda, que há uma certa prevalência da patologia cardiovascular associada, por ser uma doença inflamatória a nível dos vasos, pelo que se deve também fazer o controlo dos fatores de risco cardiovasculares – hipertensão, dislipidemia (presença elevada ou anormal de .lipídios no sangue) e diabetes.
Quando uma grávida tem lúpus, as queixas articulares podem diminuir. No entanto, no final da gravidez, pode haver um agravamento do quadro, com alterações da função hepática e plaquetas baixas, o que implica internamento para monitorização e eventual cesariana.
Os principais sintomas
Um médico fica alerta para a possibilidade de um paciente poder ter lúpus quando este apresenta queixas de febre ligeira (febrícula), cansaço extremo, intolerância ao sol, rash malar (lesões cutâneas na zona das bochechas e nariz, e que, por norma adquire a forma de uma borboleta), dor nos músculos (mialgias) e nas articulações.
No inverno, pode também haver sinais de Síndrome de Raynaud: com o frio, os dedos ficam brancos e, quando aquecem, arroxeados e vermelhos. Isto ocorre porque o lúpus é uma doença inflamatória ao nível dos vasos.
Ao manifestar-se, o LES pode atingir qualquer órgão. No caso do lúpus discoide, são as tais lesões profundas na face que fazem suspeitar da existência da doença.
O tratamento para cada caso
O tratamento do LES depende das manifestações que o doente apresenta:
·              Manifestações leves (rash malar, artralgias e fadiga) tratam-se com antimaláricos.
Como estes se podem depositar a nível da retina, deve haver um controlo oftalmológico periódico.
·               Atividade moderada da doença (artrite, pleurite, pneumonite, pericardite)
Usam-se corticoides. A dose vai sendo reduzida gradualmente assim que a situação clínica começa a estabilizar. Nessa altura, podem associar-se os imunossupressores, que são apelidados de “poupadores de corticoides”.
·           Manifestações graves da doença (renais ou do sistema nervoso central, trombocitopénia ou anemia hemolítica):
Podem exigir tratamento em hospital de dia.
Se não houver resposta aos fármacos convencionais, poder-se-á optar por terapêutica biológica.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

ÍNDIOS: ATAQUE AOS DIREITOS INDÍGENAS CONTINUA SEM TRÉGUA

Ministério da Justiça anula reserva indígena do Pico do Jaraguá
Portaria de 2015 garantia 512 hectares de terra ao guaranis. Ministério alegou 'erro administrativo'.

Por G1 SP
Aldeia indígena do Jaraguá, na Zona Norte de São Paulo (Foto: TV Globo/Reprodução)
Aldeia indígena do Jaraguá, na Zona Norte de São Paulo (Foto: TV Globo/Reprodução)

O Ministério da Justiça revogou a decisão de criar uma reserva indígena no Pico do Jaraguá, na zona Norte de São Paulo. A decisão saiu no Diário Oficial da União desta segunda-feira (21).

A pasta anulou a portaria nº 581, de 2015, que garantia mais de 500 hectares de terra aos guaranis. Para isso, alegou “erro administrativo no procedimento inicial, que resultou em demanda de alteração da dimensão da terra indígena para 512 hectares”.

O texto diz ainda que a área “foi demarcada sem a participação do Estado de São Paulo na definição conjunta das formas de uso da área”. Para a revogação, também diz que a terra indígena Jaraguá tem a extensão de aproximadamente 3 hectares.

A Terra Indígena Guaranis tem quase 700 pessoas, sendo que mais de 400 são crianças. Elas aprendem o guarani antes do português. Os índios vivem em condições precárias, e muitos recebem o Bolsa Família. A maioria das casas é feita de chapas de madeira e chão de barro mesmo.

 Aldeia terra indígena Jaraguá (Foto: TV Globo/Reprodução)
Aldeia terra indígena Jaraguá (Foto: TV Globo/Reprodução)


quinta-feira, 17 de agosto de 2017

TRÂNSITO: O USO DE CELULAR PODE TE LEVAR À MORTE

Os riscos de usar o celular para quem está no volante e para os pedestres
A obsessão pelo consultar redes sociais, escrever sms, distrair-se com aplicativos e acessar a internet pelo smartphone pode ser prejudicial e perigosa.
Por: Thiago Santaella
 Os riscos de usar o celular para quem está no volante e para os pedestres Reprodução/
Foto: Reprodução

Uma inocente olhadela no smartphone para checar mensagens ou alguma rede social pode ser fatal. Se feita ao dirigir, aumenta em duas vezes a chance de alguém se envolver em acidentes. A distração faz as pessoas desviarem o olhar da estrada em média 23 segundos. Para um carro a 60 km/h, isso representa 380 metros de percurso às cegas. Para um veículo a 100km/h, são 640 metros sem visibilidade.
O risco fica cada vez mais evidente: já são 68 milhões de smartphone nas mãos dos brasileiros, quase um para cada três pessoas, conforme o Ibope/Nielsen. Com a popularização dos aplicativos de conversas em texto, como o  Viber e o WhatsApp, já não é raro ver carros em ziguezague nas ruas, mesmo que os motoristas não tenham bebido. O Instituto de Tecnologia dos Transportes da Universidade de Virginia (Estados Unidos) realizou uma série de pesquisas sobre esse comportamento.
Uma primeira investigação, de 2009, descobriu que mandar mensagens ao dirigir veículos pesados, como ônibus e caminhões, aumentava em 23 vezes o risco de acidente. O número serviu como um alerta, e vários Estados dos EUA proibiram o celular ao volante – por lá, há regiões que permitem usar o telefone ao dirigir.
Foco roubado em segundos

No Brasil, o código de trânsito proíbe o celular desde 1997 – mas o uso continua. Em 2014, 79,9 mil gaúchos foram multados por essa infração, segundo o Departamento Estadual de Trânsito do RS. Neste ano, já foram mais de 27 mil multas. Situações como alcançar o telefone, olhar o contato que está ligando ou tentar digitar um número elevam em três vezes a chance de um acidente, mais do que mandar mensagem, apesar de o tempo sem olhar para a estrada ser menor.
– Nesse momento, o motorista se desconcentra da atividade principal e se concentra no celular. Ele leva três, quatro segundos para pegar o telefone. Está com a visão direcionada para o aparelho, a audição voltada para ele, assim como a atenção. Está fazendo uma direção de alto risco – explica o médico Dirceu Rodrigues, especializado em medicina do tráfego.
Telefone tira concentração até após o fim da chamada
O motorista continua sendo afetado mesmo após desligar o celular. Especialista em medicina do tráfego, Dirceu Rodrigues explica que isso ocorre porque a atenção não se volta imediatamente para a estrada. A pessoa ainda vai ficar alguns segundos, talvez minutos, refletindo sobre o que ouviu. Ao direcionar a atenção seletiva para outro lugar, um telefonema ou uma mensagem, o cérebro entra em uma espécie de modo automático. É comum até não se lembrar de trechos da rua ou da estrada pelas quais percorreu.
– De todas as atividades que você faz ao volante, enviar mensagens é a que tira mais atenção do usuário – informa Bruno Gobbato, da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.

A entidade faz campanhas de conscientização sobre o tema.
O assunto ganhou a atenção do poder público no Exterior.
– Campanhas fora do país têm focado especificamente nos jovens e no combate ao envio de mensagens ao dirigir.
A falta de atenção nas ruas não ocorre apenas com quem dirige. Outra investigação do centro de pesquisas americano PEW fez uma pergunta a mais no questionário sobre o tema. E um em cada seis adultos afirmou já ter esbarrado em outra pessoa ou objeto enquanto caminhavam falando ou respondendo mensagens no celular.

POLÍTICA: O VOTO DISTRITAL E SUAS VARIANTES

12 Pontos para você entender o sistema de voto distrital
Primeiro Ponto - Do jeito que tá, não dá
"Quem aqui foi eleito, mas quase não foi votado e entrou no vácuo de outro deputado, favor levantar a mão"

"Quem aqui foi eleito, mas quase não foi votado e entrou no vácuo de outro deputado, favor levantar a mão"

Nas últimas semanas, manifestações que nasceram da articulação à esquerda acabaram ganhando a adesão de multidões compostas por representantes de todo o espectro político brasileiro, inclusive do pessoal da extrema direita e daquela turma que grita "Anauê" com o braço esticado.

Foi desse jeito meio confuso que aportou, no Brasil, o Cisne Negro de Taleb, surpresa que deixou partidários de esquerda e de direita um bocado perdidos em suas tentativas de, pela retórica ou pela manipulação midiática, apropriarem-se de tal fenômeno.

Nessa diversidade de orientações políticas, poucos pontos em comum podem ser encontrados nas multidões que ocupam ruas e avenidas. Apenas uma coisa parece ser consensual: algo precisa ser mudado.

Do jeito que está, não dá mais.

Mas mudar o que, exatamente? Destruir tudo parece coisa de criança. Na verdade, o que a História nos ensinou é que, muitas vezes, pequenas e discretas mudanças podem ser muito mais efetivas do que radicais e repentinas transformações. Que nos diga a maquinazinha de Gutenberg. É preciso pensar muito bem antes de dar os primeiros passos, pois a direção a ser tomada é, às vezes, muito mais importante que a velocidade da mudança.

No começo de qualquer caminhada, uma pequena alteração na trajetória inicial pode, anos mais tarde, representar uma gigantesca diferença no destino final.


                      Segundo ponto - Estamos sozinhos nessa história

Estamos sozinhos, mas não solitários (Foto: Guilherme Burgos)
Estamos sozinhos, mas não solitários (Foto: Guilherme Burgos)

Foi aí que o pessoal que está no poder há mais tempo do que seria desejável para o fortalecimento de uma democracia jovem (independentemente dos méritos e deméritos de tais governantes) colocou em pauta a possibilidade de uma reforma política no Brasil. Sejam boas ou más as intenções por trás dessa proposta, ocorra ou não um plebiscito ou um referendo, o fato é que os holofotes finalmente se voltam para um assunto fundamental: o sistema eleitoral que nós, cidadãos, desejamos.

Quanto a esse ponto, independentemente de nossas inclinações ideológicas, se de direita ou esquerda, um fato devemos ter sempre em mente: as últimas pessoas que devemos consultar sobre esse assunto são os próprios congressistas. E porque isso? Porque eles são maus? Porque são ladrões? A resposta é muito mais simples e inclui congressistas honestos e corruptos: porque eles foram eleitos pelo sistema que está aí (e muitos deles diversas vezes reeleitos).

Portanto, esperar que os atuais congressistas nos esclareçam a questão com honestidade, ou que decidam espontaneamente alterar o sistema político que os beneficiou, é o mesmo que esperar que o vencedor de uma partida altere as regras de um jogo no qual ele já se tornou craque. É o mesmo, enfim, que incumbir a raposa de projetar um novo sistema de defesa para a proteção do nosso galinheiro.

Então, sinto muito: nós, cidadãos, estamos totalmente sozinhos nessa história. Precisamos descobrir por nós próprios qual o sistema político que nos convêm e, feita essa descoberta, exigir dos atuais congressistas a mudança desejada. Força já percebemos que não nos falta.

Este texto pretende colaborar e abrir um pouco mais de espaço para a discussão sobre nosso sistema político. E começamos com uma pergunta. O que é, afinal, voto distrital?

A melhor forma de começar a responder é explicando como funciona o sistema atual.
Terceiro ponto - O que é o Sistema Proporcional
O deputado federal Tiririca (PR), nas eleições de 2010, teve a maior votação do Brasil e “puxou” mais três candidatos que, sozinhos, não seriam eleitos
O deputado federal Tiririca (PR), nas eleições de 2010, teve a maior votação do Brasil e “puxou” mais três candidatos que, sozinhos, não seriam eleitos

O sistema proporcional é, hoje em dia, o sistema pelo qual elegemos Deputados Federais, Deputados Estaduais e Vereadores. Por ser o de mais fácil compreensão, vamos usar, como exemplo, a eleição de Deputados Federais.

Hoje, o eleitor vota em qualquer candidato de qualquer partido que concorra em seu Estado. O morador de Cacimbaúna do Sul pode votar em Aldegundo Percegonha, garboso candidato do Partido Urbanista, cuja carreira política esteve sempre vinculada a outra cidade, situada no extremo oposto do mesmo Estado. As razões para alguém votar em um sujeito, assim, tão distante de sua própria comunidade, podem ser várias: Aldegundo Percegonha pode ser bonitão, ou um grande artista, ou ter um bom discurso, ou ser um craque no futebol, e por aí vai.

No sistema proporcional, além disso, votar em um candidato significa votar, indiretamente, no partido do candidato (o tal "voto na legenda"). E isso acaba beneficiando outros candidatos desse partido, ainda que o eleitor não conheça nenhum deles e apenas queira votar no Aldegundo Percegonha, um cara simpático. Vamos explicar mais adiante como isso funciona, mas já tenha isso em mente agora.
Quarto ponto - A herança do vovô Getúlio para seus netinhos
"Pô... de nada"
"Pô... de nada"

No Brasil, esse sistema proporcional começou a ser montado a partir 1932, momento da ascensão de Getúlio Vargas ao poder. E foi montado com um objetivo claro. Nas palavras de Fábio Comparato, a intenção era criar um sistema eleitoral "duplamente fraco", tanto "pela ampla liberdade de criação de partidos" como "pela introdução de voto em candidatos individuais, e não em partidos" (em A Necessária Reformulação do Sistema Eleitoral  Brasileiro, ed. Del Rey, 1996). Todo mundo sabe o que aconteceu depois: Estado Novo, totalitarismo, repressão.

Trata-se de um sistema que, aparentemente, possibilita que pequenos partidos tenham acesso ao poder. Porém, a consequência prática é pulverizar a representação dos interesses da população em inúmeros partidos. Dividir para conquistar, uma técnica utilizada por Getúlio Vargas com muito sucesso, e que os militares empregaram décadas mais tarde, durante a Ditadura Militar, pouco antes de saírem do poder -- para tentar conter o avanço dos opositores ao regime.

E o resultado é o que vemos hoje no Brasil: um excessivo número de partidos, exigindo que os governantes costurem sua base parlamentar com a agulha dos favorecimentos pessoais, distribuindo cargos entre várias legendas para, através de acordos e apadrinhamentos, alinhavar o apoio do Poder Legislativo.

Além disso, o sistema proporcional faz com que os holofotes da campanha eleitoral estejam voltados para a pessoa de cada candidato, e não para o programa do partido, já que o eleitor pode escolher entre dezenas de candidatos de diversos partidos atuantes em todo seu estado, e isso abre demais o leque de opções.

Como diferenciar vários candidatos de um mesmo partido, senão ressaltando suas diferenças individuais, em detrimento do programa partidário? Essa é uma das causas daquele problema diagnosticado com precisão pelo Ministro Joaquim Barbosa, gostemos ou não das outras posturas do Ministro:

“Nós temos partidos de mentirinha. Nós não nos identificamos com os partidos que nos representam no Congresso, a não ser em casos excepcionais. Eu diria que o grosso dos brasileiros não vê consistência ideológica e programática em nenhum dos partidos.

E nem pouco seus partidos e os seus líderes partidários têm interesse em ter consistência programática ou ideológica. Querem o poder pelo poder.”

Quinto ponto - Ganha um montão de votos e não se elege? Senta e chora

Em 2002, por exemplo, Enéas Carneiro conquistou 1,5 milhão de votos na eleição para deputado federal em São Paulo e levou para a Câmara outros quatro deputados do Prona. O último eleito do Prona naquela ocasião recebeu 382 votos
Em 2002, por exemplo, Enéas Carneiro conquistou 1,5 milhão de votos na eleição para deputado federal em São Paulo e levou para a Câmara outros quatro deputados do Prona. O último eleito do Prona naquela ocasião recebeu 382 votos

Algo muito curioso é que, no sistema proporcional, não basta um candidato obter determinado número de votos para que se consagre vencedor. É necessário mais. É preciso que seu partido, no somatório de todos os votos dados a seus candidatos, tenha recebido um determinado número mínimo de votos. Esse número mínimo de votos é conhecido como quociente eleitoral, e é obtido por meio de uma fórmula matemática aplicada a cada eleição, na qual se incluem o número de votos válidos e o número de vagas a serem preenchidas.

Mas deixemos os cálculos de lado. O que importa é que, se um partido não atingir esse "quociente eleitoral", nem mesmo seu candidato mais bem votado poderá ser eleito, ainda que esse candidato tenha conseguido um grande número de votos, inclusive superior ao de um rival cujo partido tenha, em sua totalidade, conseguido atingir aquele número mínimo de votos.

Essa é razão de partidos costumarem colocar como candidatos de sua legenda até mesmo pessoas sem chances concretas de vitória: o objetivo é arrebanhar, com pequenos candidatos, aquele número mínimo de votos que garantirá a efetiva eleição dos "candidatos com reais chances de vencer".

Afinal, se a dona da confeitaria da esquina de nossa for candidata, a gente acaba votando nele mesmo sabendo que não tem chances, porque ela é simpática e ainda faz um bolo de baba-de-moça que é uma delícia.
Sexto ponto - O "Efeito Barrichello" ou "Florentina de Jesus pra que tu me seduz"
Não, não esse efeito
Não, não esse efeito

Já dissemos que, quando o eleitor de Cacimbaúna do Sul vota em Aldegundo Percegonha, ele acaba, querendo ou não, também votando no Partido Urbanista, voto esse que beneficiará outros candidatos da legenda. É como se outros candidatos viessem atrás daquele com maior número de votos e aproveitassem o "vácuo" para vencer a resistência do ar.

Tipo “Fórmula 1”, tá ligado?

Em resumo, o que o TSE faz a cada eleição é calcular, com base no quociente eleitoral, o número de vagas a ser distribuída para cada partido que "venceu" a barreira representada por esse mesmo quociente eleitoral. Basicamente, divide-se o número total de votos dados a um partido por aquele número mínimo de votos necessários para eleger um deputado, e o resultado da divisão é o total de vagas destinado a esse partido.

Em outras palavras, cada vez que o número total de votos em um partido "bate" o "quociente eleitoral", sua legenda tem direito a mais uma vaga. O número de vagas resultante é o "quociente partidário", diferente para cada partido em uma eleição.

Com esse número de vagas nas mãos, cada partido deverá preencher as vagas a quem tem direito com seus candidatos, e isso na ordem decrescente de número de votos recebidos pelos candidatos de sua legenda.

É essa característica do sistema proporcional que explica, por exemplo, fenômenos curiosos como o caso do Delegado Protógenes e de outros dois candidatos que, em 2010, receberam um número pouco expressivo de votos mas, apesar disso, foram eleitos Deputados Federais por São Paulo.

Apesar de seu desempenho sofrível nas urnas, ingressaram na Câmara dos Deputados pela simples razão de que outro candidato de sua legenda, o Tiririca, ganhou tantos votos que, pelo cálculo do TSE, o partido tinha direito não só a uma vaga (a do Tiririca) mas a outras tantas vagas, que foram preenchidas por candidatos sem muito apoio dos eleitores.
Sétimo ponto - Ganhou só um voto, loser? Epa, parabéns Deputado!
Veja o caso do deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP). Ele obteve em 2010 nada menos que 211 mil votos. Não atingiu o quociente eleitoral daquela eleição, que em São Paulo foi de 305 mil votos. Portanto, veio “puxado”, como se diz no jargão eleitoral *  
Veja o caso do deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP). Ele obteve em 2010 nada menos que 211 mil votos. Não atingiu o quociente eleitoral daquela eleição, que em São Paulo foi de 305 mil votos. Portanto, veio “puxado”, como se diz no jargão eleitoral *

*de acordo com a Revista Voto.

Outra curiosidade desse sistema é que, por sua lógica, é possível que um candidato seja eleito apesar de ter recebido apenas um voto: o seu -- ou, se for esquizofrênico, o de sua mãe. Isso pode ocorrer se a legenda tiver poucos candidatos, como é típico de partidos "nanicos", mas um deles for, por exemplo, alguma celebridade capaz de atrair milhões de votos.

Esses milhões de votos, digamos para simplificar, "sobram" e, no cálculo com base no quociente eleitoral, acabam garantido vagas para outros candidatos do partido, respeitada a ordem em que foram votados. É na verdade o tal quociente partidário. Se esse partido tiver poucos candidatos alistados na eleição, o último deles na ordem de votação, aquele que recebeu apenas um voto, acabará recebendo uma das vagas reservadas ao partido.
Oitavo ponto - Sistema Distrital puro não é coisa de nazista nem de virgem
"Votaê, molecada"
"Votaê, molecada"

O sistema distrital tem uma lógica diferente. Nele, o eleitor não pode votar em qualquer candidato que concorra a deputado em seu Estado, mas apenas nos candidatos inscritos pelos partidos em seu "distrito". Distrito, por sua vez, é uma subdivisão do Estado, que pode ser maior, menor ou do tamanho de um município, a depender de como será feita a divisão.

Outra diferença em relação ao sistema proporcional é que, no sistema distrital, cada partido só pode apresentar um candidato por distrito. Os vencedores da eleição são, simplesmente, aqueles candidatos que mais receberam votos em cada um dos distritos nos quais é dividido o Estado.

Portanto, cada distrito elege um candidato, e esse candidato é foi único que representou, no distrito, o seu partido.

Isso significa que, durante o mandato legislativo, todos os eleitores de determinado distrito sabem exatamente qual o candidato foi eleito por sua região. Ele tem nome, endereço e cara facilmente identificáveis por esses eleitores (mesmo pelos que votaram em outro candidato), e todos eles podem acompanhar sua atuação política de perto.

Além disso, há estreita associação entre o partido e o candidato: o distrito elegeu não apenas um indivíduo, mas apoiou determinado partido por ele representado.

Em razão disso, pode ocorrer uma situação interessante. O João da Silva acorda, passa na padaria e fala para o padeiro: "viu o que o bosta do teu candidato fez naquela votação do Congresso? Na próxima eleição, a gente tem que escolher outro partido".
Nono Ponto - Palhaços e representantes sectários têm poucas chances
"Mas aí cê me complica"
"Mas aí cê me complica"

É comum, no sistema proporcional, que determinadas classes profissionais elejam seu "representante" no Congresso. Afinal, o somatório dos votos desses profissionais espalhados pelo Estado pode garantir uma vaga para seu "colega". O mesmo pode ser dito em relação a alguma celebridade da mídia, cujos fãs, distribuídos no estado, formam o caminhão de votos necessários para chegar-se ao poder.

Uma das vantagens do sistema distrital é que fica muito mais difícil a eleição de candidatos apoiados por "grupos de interesses sectários" ou por fãs daquela celebridade engraçadinha que aparece na televisão. A razão é que esses eleitores estão, de regra, distribuídos por todo o Estado, mas não teriam força em um distrito específico, composto pelos moradores de alguns bairros ou municípios. Outra vantagem é eliminar aquela situação estranha, em que um candidato com pouquíssimos votos acaba sendo eleito por causa de um outro candidato de maior expressão.
Décimo ponto - Pureza demais é para aquela nossa tia beata e solteirona
"Lá em cima", ou se vota em um (partido) ou no outro
"Lá em cima", ou se vota em um (partido) ou no outro

Mas nem tudo são flores. Esse sistema, se aplicado de forma simples assim, pode resultar em alguns problemas. Um deles é a possibilidade de um partido obter mais da metade das vagas de deputado, embora tenha obtido menos da metade do total de votos no Estado inteiro -- ou seja, suas posições predominarão no Congresso, apesar de não ter o apoio da maioria da população.

A causa disso é simples.

Tenha em mente que, em cidades maiores, mais populosas, um pequeno partido pode receber muitos votos se considerado o total de votos do Estado (nessa perspectiva, muitos eleitores do Estado votaram no partido), mas poucos votos se considerarmos os votos dados a outros candidatos naquela grande cidade (em tal perspectiva, poucos eleitores na cidade votaram no partido).

E, afinal de contas, apenas o candidato mais bem votado no distrito é que leva a vaga, não importando o quão expressivo foi o número de votantes no segundo ou terceiro candidato.

Outro problema é a dificuldade de partidos minoritários ascenderem ao poder, pois um partido que tenha uma quantidade significativa de votos em todo Estado pode não conseguir, em nenhum distrito, votos suficientes para eleger sequer um candidato. A lógica é a mesma do problema anterior: a soma dos votos geral no Estado foi grande, mas em cada distrito não foi o bastante para dar o primeiro lugar ao seu candidato.

Na verdade, essa é uma das razões pelas quais se acredita que sistemas distritais acabam eliminando os pequenos partidos, que morrem "secos", e dando origem a sistemas bipartidários, como o que ocorre nos Estados Unidos, em que há apenas dois grandes partidos.
Décimo primeiro ponto - O que é o voto distrital "misto"
É para corrigir essas distorções que existe o sistema distrital que não é "puro", ou seja, o sistema distrital em que os candidatos não são eleitos apenas pela maioria dos votos em cada distrito. É o sistema dito "misto", pois mistura esse tipo de escolha do candidatos em distritos com outro tipo de escolha, feita não em candidatos, mas em partidos. Só que, diferente do sistema proporcional, o voto no partido é em separado, e não vinculado ao nome do candidato distrital.

Basicamente, ao votar para Deputado Federal, no sistema misto, o eleitor tem que votar duas vezes. O primeiro voto será em um candidato de seu distrito, o segundo será em um partido. No final das eleições, há duas espécies de vaga: aquelas destinadas aos vencedores em cada distrito, e outra destinada aos partidos que mais receberam voto em sua legenda. Mesmo se o partido não tiver obtido, em cada distrito, votos em número suficiente para eleger seus candidatos distritais, talvez consiga, no cômputo total dos votos feitos em sua legenda no Estado, algumas vagas no Congresso.

E como as vagas destinadas a esses votos dados aos partidos são preenchidas? Uma alternativa é deixar que o partido que ganhou a vaga decida livremente quem vai ocupá-la ("sistema da lista fechada").

Outra alternativa é deixar que os eleitores estabeleçam, na eleição mesmo, quais dos candidatos merecem ocupar essa vaga reservada ("sistema da lista aberta"). Uma terceira alternativa é a mistura das duas primeiras: os eleitores, em seu voto, limitam as escolhas dos partidos a uma lista de candidatos ("sistema da lista flexível").

O sistema distrital misto (e, principalmente, aquele da lista aberta), portanto, busca eliminar as desvantagens dos dois sistemas eleitorais, ao mesmo tempo em que apresenta as vantagens do sistema distrital.
Décimo segundo - Não gostou? Assiste na TV os outros mandarem por você
Lolz
"Muito complexo isso, cara! Democracia exige demais, pensei que era mais fácil. Achei que era só apertar uns botões e pronto (ou, no futuro, curtir um candidato no Facebook). Não tenho saco para pensar em partidos, eleições, essa coisa toda. No final das contas, são todos uns ladrões, né? Dizer que vou votar nulo porque são todos ladrões me livra de decidir algo e, ainda por cima, me faz parecer inteligente, um cara tão entendido de política que ficou cético.

Se, no vácuo da minha indiferença ou preguiça, surgir um líder autoritário levado ao poder pelos outros, não vou ter direito de reclamar - mas, pelo menos, vai dar para posar de entendido e dizer 'eu avisei'."

Pois é meu amigo. A democracia é complicada, tão complicada quanto mandar no seu próprio nariz, pagar suas contas, decidir a cada dia os rumos de seu futuro pessoal e profissional.

Mas se você acha que é melhor fazer como o cara de cinquenta anos que ainda mora com os pais, recebe mesada da aposentadoria do velho papai e deixa a mamãe de cabelos brancos arrumar a cama todas as  manhãs, por mim tudo bem: cada um tem sua concepção sobre o que é ser feliz.


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Victor Lisboa

Não escrevo por achar que tenho talento, sequer para dizer algo importante, e sim por autocomplacência e descaramento: de todos os vícios e extravagâncias tolerados socialmente, escrever é o mais inofensivo. Logo, deixe-me abusar, aqui e como editor no site Ano Zero.